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Dicionário das Crianças · Episódio 8

Up, Not Down! — Andreia Paes de Vasconcellos

11 de janeiro de 2021 · 54 min · com Andreia Paes de Vasconcellos

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Quando o Tomás nasceu, em 2014, Andreia Paes de Vasconcellos ouviu da parte médica o pior cenário possível associado à Trissomia 21. A resposta desta mãe, licenciada em Comunicação Empresarial e sem qualquer apetite anterior pela escrita, foi criar o blog Tomás My Special Baby para mostrar à sociedade o que é, na realidade, ter um filho com esta condição — e recusar, desde o bloco de partos, que o diagnóstico lhe roubasse a felicidade.

Neste episódio do Dicionário das Crianças, Nuno Simões conversa com Andreia sobre um percurso que deu título ao próprio episódio: Up, Not Down! Grávida do quarto filho à data da gravação, em pleno confinamento, Andreia fala do luto do filho idealizado — um desafio que, de forma mais ou menos consciente, toca todos os pais — e de como o Tomás lhe ensinou a viver o presente e a desligar-se das comparações e das guidelines que transformam crianças em troféus.

A conversa entra também no terreno prático: as consultas anuais de visão, otorrino e coração, a cirurgia cardíaca do Tomás, e a aposta na prevenção através de estimulação intensiva pelo método Glenn Doman desde os quatro meses, com psicomotricidade e terapia da fala. Foi essa experiência que levou Andreia a fundar o Desenvolve-t, um centro de desenvolvimento infantil onde uma equipa multidisciplinar trabalha de forma articulada — e onde as mães encontram, ao mesmo tempo, uma técnica e uma mãe que já percorreu o mesmo caminho.

Há ainda espaço para os bastidores da vida de influencer, para o papel do marido, Bernardo — que tatuou no peito uma cicatriz igual à do filho —, e para reflexões que continuam actuais: deixar as crianças sujarem-se e aborrecerem-se, dar colo sem medo de "maus hábitos", ir ao quarto quando choram de noite e construir autoestima, sobretudo em crianças com necessidades especiais.

Para pais de hoje, esta conversa é um antídoto contra a pressão e a competição na parentalidade. A mensagem que Andreia escolheria para um cartaz gigante resume tudo: é o sonho que manda na vida — e a felicidade depende, acima de tudo, de nós.

Neste episódio

Guia prático

Fundamentos Teóricos e Planeamento

A teoria por trás do brincar, para quem trabalha com crianças.

Ver o guia

Transcrição completa

0:00 Crianças com Nuno Simões, do Gymboree Play & Music Portugal. Uma conversa semanal com especialistas sobre o dia-a-dia, da parentalidade e do desenvolvimento da primeira infância. Para pais, avós e educadores de crianças do 0 aos 5 anos. O conteúdo deste programa é meramente informativo. Independentemente das opiniões expressas pelos nossos convidados, deverá sempre consultar o seu médico, terapeuta ou pediatra. Olá, Andreia. Olá, Nuno. Antes de mais, muitos parabéns pelo bebê que vem aí.

0:33 Obrigada, obrigada. Ainda não tinha oportunidade de lhe dar os parabéns. Que felicidade, não é? Bem-vinda aos quatro filhos. É verdade, é verdade. Uma família bastante numerosa. Que máximo. olha, muito obrigado por este bocadinho, queria lhe agradecer a si e à sua família por estes minutos do domingo que vos estou a subtrair temos muita gente com vontade de ouvir e portanto, queria agradecer também à Catarina Sarabia por nos teres posto em contacto a Catarina do Jimbury de Carnaxide e queria agradecer à Inês Marques, que é uma amiga da Oficina da Psicologia, que me ajudou a preparar este podcast e que também a segue.

1:13 Andreia, antes de mais, como está e como é que tem vivido estes tempos de pandemia? Já conseguiu voltar ao normal, à sua rotina? Como é que tem sido estes últimos tempos? É assim, eu costumo dizer que eu vivo de uma forma normal dentro desta normalidade. Eu acho que viver no normal do antigamento, acho que estamos longe que isso aconteça. Eu tentei foi adaptar-me aos tempos, tendo uma consciência que tenho três filhos muito pequeninos em casa e que eles não voltam a ter esta idade.

1:46 Portanto, eu não quis de todo e não aceitei que nos enclausurássemos em casa e que eles deixassem de ter tudo o que devem de ter. Porque é o que eu costumo dizer, nós adultos é mais uma viagem, menos uma viagem que podemos fazer num ano, fazemos daqui a dois anos e está tudo bem. Mas eles não voltam a ter cinco anos, não voltam a ter seis, nem vão voltar a ter dois.

2:06 E há coisas que eles só podem viver nestas idades. Por isso eu tento viver o mais dentro da normalidade perante esta situação que nós temos. Há coisas que infelizmente eu não consigo mesmo fazer, como ir, por exemplo, a um musical com os meus filhos, ir a um teatro, porque infelizmente isso foi tudo cortado, estas atividades para as crianças, mas tento fazer o máximo de experiências dentro das medidas de segurança que existem.

2:37 Por acaso, no Natal houve alguns teatros e eu aproveitei e fui, porque de facto eu comecei a ver que a minha filha, com 18 meses, nunca tinha ido a um musical meses nunca tinha ido a um musical nunca tinha ido a um teatro, mesmo hoje embora ir, ela já deixou de ir porque infelizmente também já não estão a fazer ao sábado e entretanto com a minha vida eu não consigo ir durante a semana e custa-me imenso que ela está a perder imenso comparativamente com os irmãos que já tinham feito nesta idade e também tento que o Tomás e o Francisco sintam o menos possível esta pandemia, porque eu acho que as crianças são, sem dúvida, os grandes heróis desta pandemia.

3:16 Totalmente. Nós também sentimos essa dor e, pronto, até recentemente para tentar aproximar-nos das famílias criámos um programa online e eu sei que a Catarina fez um programa ao vivo com aulas muito giras, mas eu também terei muito gosto de enviar-lhe uns vouchers das nossas aulas gravadas, temos agora quase 200 aulas gravadas de Timber Week, que se podem fazer em casa e não são original, são uma boa aproximação do que eventualmente se poderia fazer.

3:42 são uma boa aproximação do que eventualmente se poderia fazer Andreia, eu sei que estudou comunicação empresarial, como é que chegou até aqui? Agora tem um blog com uma escrita sublime é viciante até escreve espetacularmente bem mas como é que foi dado este salto? Eu percebo que o blog nasceu com o Tomás, mas antes disso nunca tinha tido apetite pela escrita? Não, nunca, pelo contrário nunca gostei, por exemplo, quando eram os trabalhos da faculdade e tudo, eu confesso que não era a pessoa responsável pela parte de formar textos, fugia um bocadinho daí, não sei, depois de facto o Tomás nasceu e tive essa necessidade de ter um blog onde mostrasse para a sociedade o que era na realidade ter um filho com o Trissomia 21.

4:27 Porque eu acho que se há pessoas que sabem o que é Trissomia 21 são os pais. Porque de facto, infelizmente, a parte médica ainda está muito pouco informada sobre o assunto. Acho que agora apareceu aqui uma janelinha. Estão muito pouco informados sobre o que é a truce 1021 e muitas vezes transmitem o pior cenário quando isso não acontece e quando eu comecei a perceber que o Tomás com um mês com dois estava a fazer tudo como a criança supostamente deveria estar a fazer ele comia, ele chorava ele mamava pronto, ele fazia praticamente tudo porque é que tinham dado uma sentença tão grande para o Tomás, eu tive essa necessidade para mostrar o que era na realidade a Trissomia 21 e daí ter surgido o blog Muito bem, falando então no Tomás e no enchimento do Tomás que foi seguramente um evento importante como é que se lida com uma surpresa desta natureza?

5:27 Bem, eu também tenho uma coisa, acho que foi muito boa em mim, que é de personalidade, que sou muito positiva. E lembro-me, e infelizmente também tenho uma estrutura familiar muito sólida, o que também me permite muitas vezes ter estas ferramentas, talvez para ser também positiva. E lembro-me que quando o Tomás nasceu foi o primeiro embate que eu tive na minha vida, portanto com 30 anos que me tinha fugido o meu controle mas lembro-me de ter criado em mim logo ferramentas disso não me afetar negativamente ou seja, isto não quer dizer que eu não sofri claro que eu sofri, eu também chorei também tive os meus momentos mas lembro-me que ainda estávamos no bloco de partes, pronto, quando eu senti que o Tomás tinha aterossomia 21 e ainda não havia certezas nenhuma de pensar. força interior para voltar ao de cima não poderia ser de todo a triossomia do meu filho ou a condição do Tomás que me iria perder a felicidade, porque eu sempre fui uma pessoa feliz e muito positiva portanto não podia ser de todo isto que me tornasse infeliz porque eu acho que a felicidade depende exclusivamente de nós tudo o resto depois entret, vem por acréscimo, mas somos nós que mandamos na nossa felicidade, porque eu podia ter escolhido o caminho da infelicidade, eu podia ter escolhido o caminho da lamentação e de me refugiar em mim própria e não querer saber, não falar mais com os meus amigos e afastar-me de tudo, mas eu própria recusei.

7:06 e afastar-me de tudo, mas eu própria recusei essa situação. O Tomás estava cá, não havia tempo para perder, não havia tempo para chorar, o caminho era em frente e vamos arranjar mecanismos para tornar desta coisa menos boa uma coisa normal e positiva e basicamente foi assim. Mas eu acho que isto tem muito a ver com a minha forma de ser. Definitivamente eu destacava a sua positividade, que é realmente notável.

7:28 Está até na base do título deste podcast, que não foi fácil de encontrar. Mas foi precisamente a Inês que nos ajudou a chegar aqui a este contexto, realmente é fantástico, porque a André destaca-se por essa positividade as nossas professoras, a nossa equipa quando esteve a ler, a reler o seu blog, muitas pessoas já a seguem, destacavam sempre isso, uma pessoa com uma positividade incrível, uma inspiração, e pronto, imagino que seja mais fácil uma surpresa nesse contexto. Sim.

8:03 Até porque ninguém está preparado para, independentemente de tudo, ninguém está preparado, ainda para mais o Tomás foi o primeiro filho foi o primeiro neto, o primeiro sobrinho portanto, havia muito aquela expectativa do sonho, da parte cor-de-rosa, da maternidade em que em segundos me foi roubada Claro Eu tenho aqui uma pergunta que parece que é feita para si mas eu acho que é feita para todos os pais porque todos nós de uma forma ou de outra mesmo de forma subconsciente temos que lidar com o filho que não é às vezes o que idealizamos há uma fisiologia que é o luto do filho idealizado e era um bocadinho esse o desafio que eu colocava tinha grandes expectativas em relação a Tomás, foi algo que construiu e que depois teve de se confrontar com a outra realidade em relação ao Francisco e à Constância e agora este é o que aí vem mudou alguma coisa em termos de idealização ou está mais flexível e mais, vá lá, desperta para aceitar a realidade como ela se apresentar? Sim aqui a questão foi que eu dei-me ao deixei, ou seja, o Tomás ensinou-me a viver a vida de outra forma, com outro ritmo, sem grandes expectativas, e se há coisa que o Tomás me ensinou foi viver o presente, porque o futuro faz-se do presente.

9:26 E eu acho que muitas vezes nós estamos agarrados ao futuro, mas esquecemos-nos que para chegar ao futuro temos que ter um caminho que se faz desse presente. E eu costumo dizer a mães que me cruzo que o Tomás é o que é, nesta fase, em termos de desenvolvimento e tudo, porque teve um presente e ele não ficou a falar desta forma mesmo em termos desenvolvimentais não é o... se não houvesse tudo para trás houve muito choro, houve muita frustração, houve muita coisa e respeitar as crianças, porque eu acho que muitas vezes nós estamos agarrados às guidelines que eles têm de começar a andar em X meses, depois têm de começar a andar aqui a comer isto de X meses e isto faz com que nós mães vivemos muito obcecadas e muitas vezes nem vivemos a fase da criança porque há crianças com ritmos muito diferentes tenham elas patologias ou não eu acho que isso foi a minha maior aprendizagem com o Tomás e sou muito descontraída, portanto se ele ou o Tomás a Constança ou o bebê agora que aí vem ou mesmo o Francisco não fizer de acordo, por exemplo o Francisco só começou a andar com 15 meses há crianças que começam com um ano eu estava super tranquila Por exemplo, o Francisco só começou a andar com 15 meses.

10:47 Há crianças que começam com um ano. Eu estava super tranquila. Estava super tranquila. O Tomás só começou a andar com dois anos. Estava super tranquila também. Eu sabia que o Tomás ia ter sempre um ritmo mais lento, mas eu sabia que se estava a fazer um trabalho para isso acontecer, ia chegar o dia que ele ia começar a andar. Portanto, aqui é tentar, não ouvi muitas vozes exterioras, porque há muito isso na maternidade, toda a gente quer dar palpites.

11:17 E eu lembro-me que houve uma... Fui uma vez arranjar as mãos e a esteticista que... Foi a um cabeleireiro que nunca tinha ido, então ela não havia qualquer relação. Mas pronto, estávamos a falar, ela também tinha sido mãe relativamente há pouco tempo. Mas ela não sabia quem era a mãe que estava do outro lado, que era eu neste caso, e que estava a passar por um período em que tinha uma criança com necessidades especiais, mas eu sempre falei a verdade, ou seja, sempre disse, quando estávamos a falar se andava ou não, eu disse que o meu filho ainda não andava e eu acho que nessa altura o Tomás deveria ter uns 15 meses, mais ou menos e ela muito espantada a dizer, ai mas o meu já anda e as pessoas acho que não têm esta sensibilidade para perceberem que se calhar do outro lado está uma mãe a sofrer porque estão sempre mais à frente e querem muito mais das crianças eu acho que infelizmente as crianças hoje em dia são muito vistas como troféus.

12:06 Para nós, para os bisbísimos. E há aparentemente uma competição, quer dizer, tentar fazer uma criança um cavalo de corrida, um carro de fórum, é uma tontice, não é? Sem dúvida, porque quem sofre são as crianças, acima de tudo, porque depois começam a viver nesta redoma de tensão melhor, e por acaso o Tomás agora mudou de escola e na primeira reunião a diretora estava a dizer que naquela escola infelizmente havia muita competitividade e que os pais deveriam mudar isso nas crianças porque as crianças têm que competir com elas próprias e não com os outros e os pais, nós pais inconscientemente muitas vezes incutimos a competência, porque tens de ser melhor que aquele.

12:47 Tens de ser mais que aquele. E isto gera uma frustração e uma energia às crianças que esgota também. E eles ficam muito frustrados, porque muitas vezes não conseguem e depois vão-se descarregar a frustração noutras coisas que nós não queremos. Claro. Claro. Claro que sim. André, como é que foi o papel da família e dos amigos no crescimento? Foi muito importante, foi muito importante, sem dúvida. Eu, assim que o portanto, há o período em que nós tivemos a notícia, mas sem confirmação, isto tem que fazer alguns exames e só passado 15 dias é que iríamos ter essa confirmação, e nesse período eu quis-me resguardar e não contei, a não ser à família mesmo chegada, que estamos a falar de pais e irmãos, porque não quis preocupar, porque ainda havia esperança, para todos os efeitos ainda havia esperança que ele não tivesse.

13:41 Assim que o Tomás soube, eu nesse próprio dia embora tivesse desolado e tivesse de chorar imenso, eu peguei no meu telefone e comecei a contar àqueles meus amigos mais próximos porque não havia nada a esconder o Tomás era o Tomás e eu queria que eles percebessem todos que eu não queria que o Tomás tivesse como alcunha a Trissomia 21 nem que fosse tratado de forma diferente portanto, eu quis mostrar a todos nunca escondia ninguém que o Tomás tinha Trissomia 21, mas deixou de ser assunto nesse dia.

14:11 Portanto, nós falámos, eu chorei, todos os meus amigos, felizmente, e familiares se mostraram disponíveis para o que fosse preciso. Claro que também ficaram tristes porque ninguém está à espera de, mas a partir daí nunca mais foi assunto, pelo contrário, tenho amigos meus que me dizem que quando estão conosco, nem percebem que o Tomás tem Trissomia 21, porque é uma coisa tão normal, e eu fico feliz porque de facto, eu também passo meses que eu não me lembro que o meu filho tem Trissomia 21 portanto, porque não não estou virada e eu nunca aceitei a Trissomia 21 que ganhasse ao meu filho eu quero que o Tomás ganhe como pessoa e que tenha o seu nome completo tanto que na escola e tudo eu nunca comecei a ver uma escola começando por dizer que eu tinha um filho com Trissomia 21 eu tenho um filho com 3 anos que se chama Tomás, no fim da visita eu disse que o Tomás tinha Trissomia 21 Muito bem, o que é que é diferente no acompanhamento da saúde e do cres se chama Tomás. No fim da visita, eu disse que o Tomás tinha transbunhado.

15:07 Muito bem. O que é que é diferente no acompanhamento da saúde e do crescimento do Tomás? O Tomás faz consultas anuais, de visão, de otorrino, de coração, que outra criança não tem necessidade de fazer, só para... O que nós queremos aqui é trabalhar muito na prevenção tanto na parte da saúde como na parte desenvolvimento portanto estas consultas por mais que eu agora já fizemos que o Tomás fez em agosto portanto em setembro outubro eu tô acabar as todas essas consultas e tá tudo bem felizmente mas daqui um ano eu volto lá se ele tiver algum problema antes claro que eu volto antes mas não volta daqui um ano eu volto lá, se ele tiver algum problema antes, claro que eu volto antes, mas se não volto daqui a um ano, não vou esperar, está tudo bem, então não vou.

15:51 Não, porque pode ser, daqui a um ano pode ser detectada uma coisa pequenina que podemos logo atuar, porque tem mais tendência para ter problemas de visão, mesmo na parte de otorrino, como tem os canais mais pequeninos, ter ali alguns problemas de congestionamento, dotites, a parte do coração também teve, o Tomás, entretanto, também foi operado ao coração em, só vemos há um ano atrás que o Tomás iria ser operado e foi operado em agosto ao coração, mas pronto, faz esse tipo de acompanhamento.

16:19 Em termos de terapias, o Tomás faz terapias de, nós temos, fazemos um método de estimulação intensiva que é o método Glenn Doman, desde os 4 meses está com uma psicómetricista também, que aplica ao método e depois faz outro tipo de trabalho com o Tomás e terapia da fala. Estava com a notação, mas agora atendendo à pandemia infelizmente teve que deixar portanto nós trabalhamos muito na prevenção o Tomás está a aprender a matemática e a ler desde os 4 meses parece uma estupidez mas lá está, nós estamos a trabalhar na prevenção o que eu quero é, quando o Tomás chegar à altura certa, já tem essas ferramentas, por mais que não faça sentido às pessoas de forma comum mas é trabalhar sempre na prevenção na prevenção, não é de quando chegar os 6 anos, vamos então trabalhar a ler, nãoção, não é de quando chegar os 6 anos vamos então trabalhar a ler, não está a ser feito um trabalho já há anos para que ele chegue a essa fase e isso já esteja adquirido Faz muito sentido Eu vou só fazer uma pausa, Andreia, para dizer nós estamos a fazer esta emissão em várias plataformas e temos muitas pessoas a juntarem-se aqui à nossa conversa e eu convidava se tiver alguma questão para colocarem no chat porque nós conseguimos ler aqui e eu posso colocar as perguntas à Andreia durante a nossa conversa Claro Aqui a minha próxima pergunta era como é que veio a coragem para ter mais filhos?

17:39 A maioria das pessoas, pais principalmente primeira a viagem que tiveram um filho com necessidade especial, demoram muito tempo a dar este passo, eu sou a primeira pessoa a dizer-lhes força, vão em frente porque eu acho que é o melhor, primeiro eu acho que todos os pais merecem a oportunidade de viver a maternidade em pleno e eu senti que isso me foi roubado no primeiro dia que o Tomás nasceu porque eu não vivi o que uma mãe vive, eu vivi logo num momento da angústia, do stress, será que sim, será que não, do sofrimento, e então eu não vivi aquele momento cor-de-rosa, que falam, na maternidade, portanto, além de que eu sempre quis ter outros filhos, portanto decidi que eu iria ser mãe de outro filho brevemente, tanto que eu engravidei do Francisco quando o Tomás completou o seu ano de idade.

18:31 Mas nunca na forma de, não, eu quero ter um filho para assegurar o futuro do Tomás, para eu faltar e eu ter um irmão. Não, eu não tenho os meus filhos para isso, até porque isso seria dar-lhes um grande peso. Eu não quero que o Francisco,, que o Francisco, como a Constância e agora o bebê que aí vem, sinta essa responsabilidade. O Tomás é a responsabilidade minha e do pai.

18:53 Não quero de todo. Claro que os valores que eu lhes estou a transmitir aos três é de união, de complicidade, de partilha, de se ajudarem mas não pelo Tomás ter 30 e 21, porque eu faço o mesmo não pelo Tomás T32021 porque eu faço o mesmo com o Tomás para o irmão e Tomás para a Constância e assim do Francisco para a Constância, eu quero que eles trabalhem, que eles vivam todos no meio da complicidade e da união claro que a longo prazo vai ser muito bom para o Tomás ter esta estrutura familiar e que vai ser sempre um apoio, mas não quero nunca que eles se sintam sintam isso, porque acho que não seria, não seria justo para eles, eles nascerem com esse peso.

19:34 Claro. André, sente que o coração descomplicou aquilo que as cabeças às vezes complicam? Sem dúvida. Eu acho que nós temos que, muitas vezes, a cabeça complica muito mais do que o coração. Só acho que, de vez em quando, nós basta ouvirmos um bocadinho mais o coração que o caminho acaba por se encarregar de chegar até onde... E eu agi sempre com o coração. É muita coisa e até agora correu tudo bem.

19:58 E nesta altura já se sente doutorada em 3021? Já, sem dúvida. Sem dúvida. Sem dúvida. Queres vir aqui dar olá? o Tomás vai só Tomás olá, como estás? estás tão gato com um cabelo muito giro está enorme olá tchau que máximo beijinho apesar do doutorado eu imagino que agora não se sinta minimamente definida pela triste portanto isso passa a ser um apontamento na vossa vida sim, exatamente da mesma forma que por exemplo um é loiro, outro é moreno, um é gordo e outro é macro é um apontamento, é uma característica. Até porque o caminho que eu estou a fazer com o Tomás é para a autonomia. E foi isso que eu lhe jurei no dia do parto.

20:53 Que eu iria fazer tudo para que o Tomás fosse feliz e que fosse aceito na sociedade. Ele só pode ser aceito na sociedade se ele fizer exatamente o que as outras pessoas fazem. Se comunicar-se bem, se saber estar se andar por isso mesmo é que acho que tu construiu o caminho para que depois eu vir costas pronto, ele vou claro Andreia, eu agora vou-lhe contar uma história, eu hoje de manhã fui correr e fui ouvir algumas coisas sobre a Andreia e estive a ouvir a sua entrevista à Tânia Ribas de Oliveira.

21:29 Não foi assim há tanto tempo. Não, foi... E nessa entrevista contou a história do Bernardo ter feito uma tatuagem com uma cicatriz semelhante à do Tomás, porque o Tomás foi operador. Sim. E foi altamente comovente e, portanto, antes de mais, eu queria deixar aqui uma vénia ao Bernardo que eu não conheço pessoalmente mas que fiquei a admirar imenso e comoveu e me inspirou profundamente depois tive a perceber que nós temos muitas coisas em comum ele também é benfiquista, também gosta de motos gosta de motos nós se calhar cruzámos-nos imensas vezes e não nos apercebemos eu imagino que o Bernardo tenha sido uma parte importantíssima da sua gestão de toda esta situação e vocês dois em conjunto tenham obviamente sido muito mais fortes do que sozinha.

22:16 Vocês têm uma forma diferente de encarar isto? São complementares? Sente-se em sintonia com ele ou em fase? Sim. senta-se em sintonia com ele ou em fase? Sim, eu acho que são claras as relações que duram depois de uma situação como esta infelizmente os casais acabam por separar porque existe sempre aquele sentimento de culpa e acho que isto foi o que foi bom para nós, foi porque em momento algum eu achei que a culpa era do Bernardo, ou ele achou que a culpa era minha, e fomos a força um do outro, ou seja, quando eu caía, ele levantava-me, e quando ele caía, ele levantava-o.

22:57 Nunca tivemos os dois em sintonia, portanto estávamos sempre em equilíbrio, e ainda hoje nós somos assim um bocadinho nesta vida. sempre em equilíbrio e ainda hoje nós somos assim um bocadinho nesta vida, somos um bocadinho os dois ambos muito descomplicados a diferença é que eu sou mais organizada mais pragmática e ele não, nem tanto mas acho que nos completamos bastante e nunca houve aquele sentimento de culpa, ou seja, ficou resolvido nós não temos pontas soltas, aconteceu o que aconteceu com o Tomás, sofremos os dois, cada um da sua forma, como é óbvio, também somos pessoas diferentes, mas nunca houve aquele luto de mesas em que nós criamos em nossa casa uma energia positiva.

23:36 E eu acho que nós temos muito isso. Nós somos duas pessoas que descomplicamos muito da vida. Não agarramos-nos muito às coisas negativas, porque o mal só trai o mal e o bom só trai o bom. vida não agarramos-nos muito às coisas negativas porque o mal só trai o mal e o bom só trai o bom e então agarramos-nos a essa parte positiva e depois é, quando um está menos bem o outro traz a outro para cima Uau, então é uma sorte imensa Sim Andreia, Andreia tem uma outra realidade que se calhar interessa também a quem nos está a ouvir que é esta coisa de ser influencer e ter um blog e ter um Instagram muito populares e muito conhecido como é que é isto de ser influencer o que é que me pode dizer sobre essa realidade quão diferente é da sua vida anterior coisas boas, coisas más eu acho que era interessante falarmos sobre isso isto começou tudo com um objetivo muito muito vingado, que é o Tomás. Portanto, isto quando começou, agora hoje em dia a pessoa é influencer já numa vertente muito comercial. E eu quando comecei, ainda na Instagram havia, o Facebook é que havia e a plataforma blog. Mas eu, acima de tudo, eu tinha esta mensagem que eu queria transmitir à sociedade, queria desmistificar um pouco o que era ter um filho contra o insumia 21 e ajudar os pais.

24:50 E é nesta linha sempre que eu não me quero perder. Portanto, claro que depois tem alguma componente comercial que vai aparecendo, isso é inevitável. Mas este é o meu objetivo máximo, tanto que eu nunca deixei de trabalhar para me dedicar só a esta parte porque eu não o quero. Quero que isto, para todos os efeitos, seja sempre um lobby em que eu mostre e partilhe e que me dê prazer, porque me dá prazer.

25:15 Não tenho muita coisa negativa a apontar, felizmente, é só porque acabamos por ser um bocadinho prisioneiros de nós próprios, aqui da internet, do telefone, da partilha, porque as pessoas acabam por criar uma ligação forte connosco, e ainda bem, porque é isso que nos mantém vivos no digital. Mas também se nós falhamos ou deixamos de aparecer por algum motivo, também somos cobrados, porque se se passa alguma coisa, o que é que é, portanto não temos aquele...

25:44 Não é algum trabalho em que, ok, vou fechar o computador e vou estar de férias uma semana não, isso não acontece porque todos os dias existem conteúdos para partilhar que são conteúdos muitas vezes orgânicos não tem que ser necessariamente comercial isto é quase como uma novela da vida real o meu sonho é que o Tomás pegue nisto, porque isto começou por ele e quando ele chegar nessa fase de escrever e tudo, e que ele faça os próprios textos da vida, eu gostava muito e é isso, claro, sair um bocadinho de cena mas este blog acabou por se tornar um bocadinho um blog de maternidade, eu acabo por abordar vários assuntos e mostro o melhor dos dois mundos, portanto o mundo da necessidade especial de crianças e o mundo da descomplicação da maternidade, que é tudo fácil porque eles aprendem porque sim sem nada, assim sem grande esforço da nossa parte é um caminho bonito que está a ser feito, eu penso, tenho seguidores muito queridos que gosto verdadeiramente deles eu sinto que eles também gostam, que simpatizam muito com a nossa família é quase uma segunda família, portanto eles não vivem sem mim, eu também não vivo sem eles, porque tenho essa necessidade de partilhar. E tem uma equipa muito grande por trás, eu fico espantado, as suas fotos são sempre espetaculares o texto está sempre, o copy está sublime são super frequentes, portanto tocam todos os pontos e eu sei que aquilo não é fácil dá muito trabalho. Muito, muito. As pessoas nem têm noção eu acho, porque muitas vezes vêm há uma fotografia, mas uma fotografia não faz tirar a pegas no telefone, não de vez em quando é preciso tirar cem para ficar uma bem, mas no meio dessas cens há birras, há subornos de gomas há imensas coisas. E de vez em quando eu até gosto de mostrar essa realidade uma foto ao giro e depois o fail que é logo a seguir, ou para fugir e isso fica giro. Eu acho que as pessoas também gostam disto e não só a perfeição.

27:36 Acho que a perfeição já existiu há muitos anos, quando isto começou no mundo digital, mas acho que agora as pessoas procuram um bocadinho mais realidade. E eu se tiver a minha casa desarrumada, eu mostro a minha casa desarrumada porque faz parte. E é muito engraçado depois ver esse feedback, as pessoas, ah, eu fico tão contente, vi que já não é só na minha casa que isso acontece. Eu acho que lhes dá um bocadinho de conforto, porque as redes sociais podem dar conforto, mas também pode criar muita frustração de verem que isto é tudo perfeito. E não é, nós também temos algumas fases menos boas. E eu sempre partilhei o bom e o menos bom na minha rede, mas dá muito trabalho, de facto, porque é pensar o que é que se vai escrever é os temas, é escrever é ter a criatividade para passar as ideias é ter tempo para responder às mensagens das pessoas, portanto dá aqui muito trabalho, é parte da edição, do fotografar, deles não quererem, mas tem que ser, este tipo de coisas.

28:31 E anda sempre com o fotógrafo atrás, naquelas fotos, as fotos são sempre ótimas? Não, é muito raro, ou seja, eu por acaso tenho a sorte de ter uma família de fotógrafos, portanto, por exemplo, nas férias, e se for com o meu irmão ou com o meu pai, muitas vezes eles tiram umas ou outras fotografias e logo ficam mais bonitas que as minhas faço aquelas sessões quando é São Natal, as sessões de grávida e tudo, aí todas pela empresa do meu pai, que são profissionais, mas a maioria aquela fotografia do dia-a-dia é toda minha, é toda e muitas vezes com o telemóvel. E estão ótimas, parabéns Obrigada Obrigada. E André, depois tem uma outra dimensão com a qual eu também me consigo relacionar muito bem, que é a questão de ser empreendedora, porque abriu um projeto próprio que é o Desenvolve-te, que é um centro de terapias que eu lhe pedia para descrever na sua atual fase, porque é fácil de nos a web, mas eu percebo que as empresas evoluem.

29:28 Neste momento, o seu projeto está mais focado no quê? No que é que vocês se tornaram realmente especialistas e para que lado é que querem crescer? Nós somos um centro de desenvolvimento infantil, em que tem um grande objetivo, que é trabalharmos em equipa multidisciplinar, porque é o mais difícil nesta área. É que os pais cheguem a um sítio e encontrem num único espaço tudo o que a criança precisa, porque depois, e eu aprendi isto muito com o meu dia-a-dia com o Tomás, que o Tomás sempre fez muitas terapias, é depois muito, todas as terapias são únicas, mas elas todas complementam-se entre si.

30:03 A terapia da fala vai buscar muita coisa à psicometricidade, à psicometricidade, à terapia ocupacional. E muitas vezes nós temos os pais, cada filho, um filho em cada terapia, mas depois cada terapeuta está a trabalhar por si. E não se complementam porque a terapeuta da fala muitas vezes poderia estar a adaptar alguma estratégia útil na psicometricidade e não se complementam porque a terapeuta da fala muitas vezes poderia estar a adaptar alguma estratégia útil na psicometricidade e não adapta porque não tem esse conhecimento e assim ali no espaço foi esse o objetivo, foi que os pais chegassem e encontrassem no único espaço tudo portanto não existe aquela problemática de marcar reuniões porque nós próprios marcamos as nossas reuniões internas para discutir o caso, para falar sobre a criança e muitas vezes há aquela conversa ocasional de corredora que é o suficiente para articular pequenas coisas na próxima sessão.

30:55 Então trabalhamos muito o objetivo era expandir aqui um bocadinho mais, nós estamos só atualmente em Lisboa e depois temos um polo em que abrange ali a zona de Grândola e Alcácer do Sal e gostávamos de ir para o Norte, enfim porque também temos tido essa procura nesse sentido porque de facto existem muitos centros mas poucos centros que trabalhem em equipa multidisciplinar e a equipa que eu tenho comigo é uma equipa que eu confio a 100% e que o meu filho Tomás e até o Francisco que tem ali terapia ocasional e tem terapia da fala eles estão no desenvolve-te com aquelas terapeutas, portanto é porque eu confio e eu abri com a terapeuta do Tomás, que trabalha com o Tomás desde os seus 4 meses, que eu confio muito nela e admiro-a muito profissionalmente, aliás eu costumo dizer que nunca vai haver dinheiro no mundo que paga o que ela fez pelo desenvolvimento do Tomás.

31:53 Então nós temos aqui num centro as duas visões, de uma técnica e de uma mãe. Portanto eu consigo dar aquele colo que é necessário às mães de lhes mostrar, está tudo bem vamos trabalhar para o excelente a parar as lágrimas mostrar-lhes um caminho, e o Tomás acaba por ser um grande exemplo para as mães e acaba por ser aquela esperança, se ele consegue o meu filho também vai conseguir e vai, desde que haja trabalho porque nada acontece do céu aparece e olha, hoje está e hoje já fala não, é preciso haver muito trabalho por trás para falar e muitas lágrimas muitas vezes. Claro, como é que o Covid afetou a vossa atividade?

32:37 Não afetou naquele momento de quarentena em que nós tínhamos todos que parar, mas tentámos nos readaptar e fazer teleterapia e fazer algumas terapias online aliás o Tomás teve mesmo em terapia online do método e terapia da fala, o Francisco só teve na parte da terapia da fala portanto tentámos-nos aqui readaptar não é a mesma coisa não é o expectável mas assegura os mínimos para não se perder, porque de facto nas crianças tudo que tem a ver com o desenvolvimento o tempo é crucial para nós paramos damos-nos ao luxo de estar dois meses parados e a meter em causa se for preciso um ano de trabalho e não podíamos, então tivemos que ajustar até para os pais também não se sentirem sozinhos.

33:28 Depois, entretanto, reabrimos assim que foi possível. Infelizmente nunca mais parámos, porque de facto houve muitos pais que tiveram mais tempo com as crianças em casa e perceberam de facto as dificuldades deles e investiram também mais no desenvolvimento. Ok. Eu coloquei o link do seu projeto aqui na descrição do vídeo. Obrigada. Para as pessoas não terem dificuldade em encontrar. André, eu sei que não existe um manual de de parentalidade, não há nenhum livro que nos ensina a ser um bom pai ou uma boa mãe de A a Z.

34:01 Mas se houvesse, que capítulos é que nós lá devíamos ter escritos ou que disciplinas é que acha que seriam desejáveis que os pais pudessem ter aprendido antes de serem pais ou até durante a sua paternidade quer arriscar escolher algumas respeitar a criança e o seu tempo acho que esse capítulo era muito importante porque nós não respeitamos as crianças e outro que vai muito de acordo com isso é deixá-los ser crianças.

34:27 Porque muitas vezes os nossos mesos não vais para aí! Não faças isto! Ainda hoje eu fui, antes de nos voltarmos a recolher aqui em casa, fui ao Parque das Nações, nós vivemos perto, e eu vi os meus filhos a subirem um monte gigante de relva, e o Francisco deitou-se e começou a rebolar se eu fosse outra mãe, que sei, tenho amigos assim ficavam em pânico, não deixavam não permitiam, ou porque iam sujar ou porque podiam partir a cabeça e coisas, eu deixei porque eu também fiz isso enquanto criança e é nesta fase que eles têm que fazer não é aos 18 anos que eles vão fazer isso e acho que é muito importante deixá-los brincar, por exemplo quando há água, se estiverem com galochas por que não irem a saltarem nas nas poças por que não, sujarem-se todos e a roupa virar castanha, a roupa é feita para lavarem, muitas vezes acho que nós temos, ai não vais sujar, ai não vais fazer isto, e eu deixo-os muito ser criança acho que estes capítulos são os mais importantes eu identifico-me totalmente um dos meus filhos mais novos, eu tenho um filho agora com 3 anos que está numa está na escola lá fora, uma destas forest school que chega sempre a casa um nojo, parece que foi mergulhado em lá eu às vezes tenho a minha vontade de dar aquela roupa fora porque nem sei onde lhe pegar mas ele fica divertidíssimo e percebo a evolução que eles têm porque lá está, a natureza é realmente um dos melhores professores que nós podemos ter É, sem dúvida, e eles aprendem muito com a natureza e depois eles têm muito o seu timing eu lembro-me que a quarentena não foi fácil, eu acho que não foi fácil para nenhum dos pais, porque nós virámos também professores, além de tudo outras coisas que nós virámos, e eu lembro-me que fiquei muito frustrada que o Francisco e o Tomás não tinham interesse em fazer um desenho, em fazer as atividades que eu lhes propunha, e foi engraçado, passaram tantos meses, entretanto isto foi tipo em março, abril, estamos em janeiro, mas em dezembro, novembro, o Francisco começou a desenhar por ele.

36:29 Adora, vem para a secretária dele e desenha, e isto realmente só prova que as crianças têm o seu timing. Eu, por exemplo, o Francisco, eu nunca ensinei a fazer um puzzle, nunca perdi tempo para estar ali sentada, e agora vamos fazer um puzzle, e agora vais fazer isto. Não, nunca, e o Francisco faz puzzles em 10 minutos e 50 peças mas do um momento para o outro e é muito engraçado perceber que as crianças de facto têm o seu tempo não vale a pena, lá está, nós adultos de vez em quando queremos tanto, tanto, tanto e houve uma coisa que eu também aprendi numa palestra que não me recordo quem a deu porque foi de várias oradoras, que disse que nós pais perdemos muito tempo em metê-los no futebol, na academia de música, no balé, enfim, imensas atividades para quê? Para serem os melhores.

37:18 Para fazerem tudo e serem aquelas crianças exemplares. Mas nunca lhes perguntamos se de facto eles gostam do que estão a fazer e muitas vezes eles estão ali e se calhar não é aquilo que querem, se calhar basta uma, filho escolha o que tu gostas e ele vai para aquela e vai feliz, porque depois eles ficam sem tempo para nada, deixam de ser crianças porque de facto a escola acaba, vão logo para as atividades chegam é casa, tomam banho, jantar dormem, voltam outro dia e nem têm tempo, aquela margem para brincar, para imaginarem, porque os meus filhos eu sou contra um bocadinho o digital de estarem sempre agarrados, acho que é importante eles verem televisão, acho que é importante eles de vez em quando estarem a ver os seus programas no Youtube, mas não que isso torne que estejam o dia todo e muitas vezes eles dizem, ah não tenho nada para fazer ok, não há problema, vais-te sentar e vais olhar para o céu e eles é incrível que depois, eles passaram um bocadinho já estão a brincar e utilizei muito esta técnica na quarentena, porque chegou um ponto que os telefones ficaram muito aqui implementados neles, e eu comecei a ver até que eu tive mesmo que cortar.

38:29 Ah, não quero isto, é que nem queriam ir para o jardim, porque nós fomos logo para a nossa casa da Aroeira, que tem jardim, não queriam ir para o jardim. Não há problema, não tens nada para fazer, ficas sentado e ficas a olhar, e passado um bocadinho eu vi-os a brincar. Isso é precioso, esse conselho. Eu acabo por conhecer também muita gente, mesmo em adultos, pessoas que não estão confortáveis com a sua própria companhia, não é?

38:52 Esses momentos de silêncio são altamente desconfortáveis ou de solidão, não é? E a pessoa não consegue encaixar o silêncio, é um bocadinho por aí, não é? Sim, eu acho também, Nuno, desculpa para interromper, tem muito a ver com a parte emocional enquanto fomos crianças, porque nós só somos adultos dependendo, nós seremos sempre adultos dependendo do que nós fomos enquanto crianças, das bases que nós temos. E isso, eu como estou no centro de terapias tenho psicólogas e tudo e estou muito atenta a isso, porque há muitas falhas que terapias, tenho psicólogas e tudo, e estou muito atenta a isso.

39:26 Porque há muitas falhas que acontecem, que muitas vezes não são culpas dos pais, mas acontecem. E que ficam lá marcas que depois cria adultos insatisfeitos, não confiantes. E acho que é muito importante. Muitas vezes os pais, com a parte da colo, do, ai não, não vais para a minha cama, isso nem pensar porque isso é que é bom não, mas se calhar eles querem ir para a nossa cama querem sentir aquele conforto aquele aconchego, e se nós roubamos isso, eles vão se sentir sozinhos e se calhar vão se sentir adultos inseguros e há uma psicóloga que eu admiro muito que é a doutora Clementina que ela disse, mãe, se não for ao quarto quando ele estiver a chamar ele vai se sentir abandonado porque há aqueles tratamentos do sono, que eles choram choram, choram e até que eles se calam claro que se calam, chegam a um ponto que vão se calar e não é isso que nós queremos, porque isso vai deixar marcas mesmo que a criança não se lembre, ai eu fiquei a chorar vai criar adultos inseguros porque vão sentir, nós quando choramos quem é que nós queremos ao nosso lado?

40:33 Alguém que gostemos, não é? Alguém que nos dê força, se ele chora e nós não estamos nem aí vai fazer o oposto, não estamos a criar adultos fortes nem seguros, pelo contrário,erem seguros, e eu por exemplo muito aqui para o Tomás porque eu acho que o Tomás tem uma autoestima gigante e esta autoestima gigante é muito importante com crianças com necessidades especiais porque facilmente são abaladas pela sociedade e eu é rara a noite não vou para o pé dele, ele já está a dormir e que lhe digo, tenho muito orgulho em ti e o Tomás é uma criança que vê-se que tem muita confiança nele próprio e isso é muito bom porque eu acho que não vai deixar com que ele seja abalado por algumas pessoas que infelizmente nós sabemos que existem na sociedade Claro. André, há bocado estava a falar numa conferência onde aprendeu uma lição e eu lembrei-me de perguntar recomendo algum blog, algum livro, algum filme que tenha marcado e que possa ser giro nós termos acesso, às vezes as pessoas estão sentadas em cima de tesouros e não partilham.

41:42 na parte de leitura e de filmes, confesso que não sou muito boa, eu tenho uma bíblia de livros mas que não os leio porque não tenho mesmo tempo, com três filhos é muito difícil e depois tenho as redes sociais portanto não tenho assim nada eu vou aprendendo muito, ou seja eu não sou daquelas mães que acha que sabe tudo e então eu estou sempre em busca de informação.

42:05 E leio muita coisa, muitos blogs que estão a ver com psicologia infantil, acompanho, por exemplo, o doutor Eduardo Sá, que adoro, transmito muita calma e de vez em quando mostra-nos algum caminho que muitas vezes achamos obscuros. E sou daquele tipo de pessoas que, se eu tenho alguma dúvida em relação aos meus filhos eu não tenho vergonha de dizer eu vou à procura por exemplo o Francisco chegou à terapia ocupacional porque eu fui à procura havia ali alguns sinais que achava esquisitos então eu fui perguntando à psicóloga depois ia perguntar à Filipe a terapeuta do Tomás e perguntei à terapeuta da Fala e chegámos todas à conclusão que ele se calhar precisava ali ele tinha a parte sensorial em excesso e precisávamos aqui de limar as arestas, pronto e tal, mas se calhar se eu fosse uma mãe, não, não vou dizer porque eu tenho vergonha, um filho então, por amor de Deus porque existe, existem muitos filhos, muitas crianças que eu conheço que precisavam de apoio seja de terapia da Fala, seja do que for e os pais rejeitam a ideia. E não é os pais que estão a perder, é aquela criança, porque o tempo nas crianças é crucial.

43:13 Ok, eles podem agora fechar os olhos e fingir que não vêem, mas daqui a 10 anos vão ver e se calhar já não se vai conseguir recuperar o que se devia ter feito aos 6. Totalmente. Andreia, se pudesse ocupar um cartaz gigante para toda a gente ver, que mensagem é que escolheria lá colocar? Isso é difícil. Um bocadinho. Isso é muito difícil. Sim. Acho que tinha o sonho que manda à vida.

43:46 Este é um dos meus maiores lemas. Porque acho que nós nunca nos devemos... Se nós somos capazes de sonhar, é porque somos capazes de fazer. E devemos de seguir depois esse sonho nosso. E acho que temos que viver com os pés na terra, mas também deixar de ser tão racionais. Porque eu confesso-lesso, se eu fosse muito racional, eu acho que nunca tinha tido mais que um filho Claro tem que exercer esse músculo de sonhar, é uma coisa que tem que fazer de forma voluntária ou é uma coisa que sai naturalmente e que tem que travar Eu acho que sai muito voluntariamente porque eu também sou muito positiva, portanto eu nunca vejo o mal em nenhum lado, eu tento ver sempre o copo meio cheio mesmo mesmo quando me acontece alguém tem um comportamento menos normal para mim, ou que eu não gosto tanto, eu tento desculpar, bem, se calhar ela disse isto por causa disto, tentar ver um bocadinho mais o copo menos cheio.

44:44 e sonhar muito e ser muito positivo eu acho que tem muito a ver tentar racionalizar menos, porque eu acho que quando o medo atrofia-nos e se nós damos espaço ao medo ele toma conta de nós totalmente eu também tenho medos, eu também tenho por exemplo, quando eu descobri que estava grávida agora, tive muito medo embora era uma coisa que eu queria, mas daí a querer e a concretizar-se ainda vai uma distância, e quando eu percebi que estava ia ter 4 filhos, pensei, o que é que eu fiz à minha vida?

45:11 já tinha a minha vida mais ou menos orientada, agora vem mais um é mais despesas, e depois pensei assim, não André, depois eu tento trabalhar comigo esta parte, que é, não vais pensar mais nisto não vale a pena vamos fazer um reset, vamos pensar só nas coisas boas que este filho te vai trazer, porque a faculdade o casamento do filho essas coisas ainda falta tanto, vamos trabalhar no presente o futuro, Deus será só se Deus saberá como será, portanto, e foi nisso claro que eu tive medos, agora eu costumo fazer uma pergunta, quando me aparecem assim medos e há mães que vêm falar comigo e pedem ajuda e digo, ó, faça uma pergunta para si própria, que eu tive medos, agora eu costumo fazer uma pergunta, quando me aparecem assim medos e há mães que vêm falar comigo e pedem-me ajuda e digo, ó, faça uma pergunta para si própria, porque eu aprendi isto se tivesse medo se não tivesse medo, eu faria e se a resposta for sim, então siga em frente o caminho já está, não é?

45:58 Eu tenho dois adolescentes e tenho dois bebés, eu achava que ia só ter dois filhos na minha vida, estes dois foram fora de mão e a minha inspiração até é uma professora nossa no Jimboree, nós temos uma professora que tem seis filhos Uau, espetáculo fiz um podcast com ela há umas semanas atrás e as minhas perguntas eram muito por aí, como é que é? como é que tu fazes? e ela é super positiva muito parecida com a Andreia, tem esse aspecto muito zen e parece fácil ela faz aquilo parecer fácil, portanto, acabo por me sentir um menino com quatro filhos.

46:28 Acho que é um bocadinho descomplicar, não é, Nuno? Acho que de vez em quando nós complicamos muito, e eu costumo fazer que mesmo quando eles estão naquela fase em que vamos partir tudo, vamos mandar tudo para o chão, eu tenho aqui um botão no meu cérebro que eu desligo, ou mesmo quando eles estão com pinturas, isso não estou preocupada, a colcha vai sujar, porque se vai lavar e se partir, partiu sujar, sujou, porque a minha mãe é daquelas embora a minha mãe sempre nos deixou fazer tudo e a nossa casa foi sempre vivida por nós mas a minha mãe estimou sempre as coisas, e quando foi agora há pouco tempo, recentemente, quando remodelou a sala estava cheia de pena porque os móveis estavam novos, eu disse mãe, estás a ver as coisas são para ser usadas assim, pelo menos eu quando quiser mudar o sofá mudo, tranquilamente porque ele já está rasgado não é, não estou com mantas e essas coisas e não faças isto, ainda no outro dia os meus filhos estavam aqui a pintar no tapete e eu assim, ai este tapete vai ficar tudo sujo. Bem, depois acabei por os tirar daqui e foram mais para o chão.

47:34 Mas é assim, também pensei o tapete é do Ikea, portanto não é por aí, se estragar estragou de vez. Não, também é o quarto deles brincar. Claro. Que conselhos daria a um jovem casal ou algum casal que esteja a pensar ter filhos no curto prazo? Que não planeiem muito, porque de facto a maternidade não dá para ser planeada que se foquem só nos valores que eles querem transmitir para os filhos e que vivam o dia-a-dia da melhor forma e deixem aproveitem, não deixem ninguém que lhes tire o colo que lhes diga não faças isso ouçam sempre o coração, porque muitas vezes principalmente os pais quando são pais pela primeira vez, como eu também fui ouvimos muito estamos sempre a ouvir e não fa isto, tudo é a opinião.

48:28 Ok. E parece que os nossos filhos muitas vezes acabam por não ser criados por nós, não é? É criados por toda a gente, porque toda a gente tem uma opinião para dar. E muitas vezes até vai contra o que nós queremos. Isso é perfeito. Isso é perfeito já com a minha próxima pergunta aqui era que mais que mais conselhos ou recomendações é que costumam ouvir relacionados com a parentalidade ou até com o desenvolvimento da criança uma vez que tem o desenvolve-te, eu acho que está totalmente por dentro disto e às vezes nós ouvimos coisas que nos deixam um bocadinho desconfortáveis alguma em particular de estimação que queira destacar?

49:03 Eu acho que há muito sobre a amamentação há, mas das mama ainda com 4 meses, como se fosse uma coisa hum hum ai eu não sei como é que tu consegues mas deixas eles ir para a tua cama dormir mas dás assim tanto colo, olha que estás-lhe a dar cola mágica mal habituado sim essas coisas e depois eu acho que nós temos de ter sensibilidade para saber quem temos ao nosso lado portanto não devemos estar a dizer não anda ainda não fala porque nós não sabemos como é que está aquele coração daquela mãe nem sabemos se há algumas coisas por trás eu acho que muitas vezes as pessoas estão sempre a querer mais e muitas vezes acabam por magoar quem tem ali ao lado.

49:54 Claro. Eu tenho uma última pergunta, que eu acho que é a mais fácil, para a Andrea. Quando se sente asobrevada e fora de foco, ou descentrada, o que é que faz para se centrar de novo? Tento respirar muito fundo e apagar essas coisas todas da cabeça que me estão a surgir péssimas e pegar numa coisa boa. Nem que seja numa imagem que eu tenho de ter feito umas férias.

50:21 E fazer reset. Excelente. É por aí que eu costumo ir sempre, e também tenho tempo comigo própria, eu também gosto muito de estar sozinha de estar pensar, o escrever ajuda-me imenso, por exemplo e estar com os meus filhos também, ajuda-me muito Isso é perfeito, e agora, como é que cuida de si? Como é que, onde é que vem buscar energia e zen? Olha, eu sou uma pessoa muito focada em objetivos.

50:49 Portanto, eu estruturo a minha semana, os meus dias, eu sei exatamente o que é que eu tenho que fazer e tento nunca passar o dia sem cumprir o que eu me propus. Porque essa coisa não vai desaparecer. Pelo contrário, vai acumular com o dia seguinte e cada vez vai ser pior. Portanto, eu até não conseguir andar aqui um bocado inquieta mas tento gerir dessa forma e depois tento de vez em quando ir jantar com as amigas ter um ir às compras sozinha, fazer algumas coisas também, sem os meus filhos que também é importante nós termos um tempo só para nós porque senão somos consumidas por tudo e humanamente quase impossível, ainda para mim eu felizmente tenho as ajudas que o meu marido ajuda portanto consegue ficar perfeitamente com ele se eu vou às compras, se vou jantar com as amigas tentamos procurar também de vez em quando fazer um jantar a dois, também tenho felizmente os meus pais aqui ao lado, que estão sempre disponíveis para ficar com os meus filhos e nós vamos passar um fim de semana fora portanto é ir buscar é um equilíbrio é viver um bocadinho um equilíbrio, e a mim também me faz muito bem quando estou, por exemplo na bocadinho, nós passámos o sábado todo em casa agora vamos passar a tarde toda em casa, e com crianças em casa é muito difícil, porque chega um ponto que eles já não sabem o que é que há de fazer nós já não sabemos o que é que vamos fazer e depois temos imensas coisas sempre a fazer em casa. Fui o ter idade para o só um bocadinho esperar a ar puro deixá-los brincar livremente eu acho que é logo vitamina para o meu corpo para a semana.

52:24 Andreia, muito obrigado por este bocadinho. Obrigada e ao Nuno, foi um gosto. Qualquer dúvida que precise, por favor, disponha, está bem? Claro que sim. Muito obrigada, Nuno, pela oportunidade. Foi um prazer. Um beijinho e bom domingo. Obrigada igualmente para todos. Um beijinho. Obrigado. Obrigada. Beijo. Ama o seu filho? Gostava de descobrir mais sobre o seu desenvolvimento para fazer melhor todo o seu potencial? Então está no sítio certo!

52:50 Nós somos o Jim Marie Play Music Portugal Uma equipa de profissionais apaixonados pela infância e pela parentalidade E este é o nosso canal O nosso conceito tem origem americana e chegou a Portugal em 2007 Por um casal que conhecia bem as ansiedades e ambições próprias da parentalidade. Atualmente estamos presentes em todo o mundo. Abarcamos um currículo com mais de 40 anos de experiência e contamos com especialistas internacionais empenhados no desenvolvimento dos nossos programas.

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53:48 Acreditamos no poder da brincadeira para o desenvolvimento da criança e da família. Por isso, se partilha connosco esta paixão, subscreva o nosso canal e ative as notificações para não perder as nossas novidades semanais.