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Dicionário das Crianças · Episódio 7

Psicomotricidade Infantil — Psicomotricista Rita Palma

4 de janeiro de 2021 · 59 min · com Rita Palma

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"Nós somos um corpo, não temos um corpo." É esta a ideia que atravessa todo o sétimo episódio do Dicionário das Crianças, em que Nuno Simões conversa com Rita Palma, psicomotricista formada na Faculdade de Motricidade Humana e criadora das PsicoMotri Talks, um projecto online que nasceu durante o confinamento para divulgar a psicomotricidade junto de profissionais, educadores e famílias.

Rita Palma trabalha em contexto clínico e hospitalar — integra a equipa de pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia — e começa por desfazer a confusão mais comum: psicomotricidade não é educação física, dança ou natação. Todas essas experiências enriquecem o repertório psicomotor da criança, e quanto maior o repertório, melhor. Mas a intervenção psicomotora distingue-se pela intencionalidade terapêutica: não se salta só por saltar, joga-se com as dimensões motora, cognitiva e socioemocional ao serviço de um projecto pensado para cada criança.

A conversa ganha especial interesse quando chega ao brincar. Inspirada pelo professor Carlos Neto, com quem estudou, Rita defende que a brincadeira é a linguagem natural da infância: é a brincar que a criança testa, experimenta e cresce. Desconstrói até o receio dos pais perante as brincadeiras de luta — bem mais saudáveis, argumenta, do que videojogos onde a violência não tem consequência — e responde a uma dúvida frequente: será que existe uma hierarquia do brincar? A resposta passa menos por regras e mais por sentir cada criança.

Há ainda espaço para temas que continuam actuais: a pressão das notas e a ansiedade crescente nas crianças, o papel dos pais enquanto modelos de vida activa, as potencialidades do meio aquático e o caminho que a profissão ainda tem de percorrer em Portugal, com França como referência.

Gravado em Janeiro de 2021, o episódio termina com uma mensagem que qualquer família pode levar para casa: deixem-se de regras de adultos, baixem-se ao nível das vossas crianças e dêem-lhes tempo. Porque, como diz Rita, quando nasce uma criança, nasce um pai — e ninguém aprende isso num livro.

Neste episódio

Guia prático

Marcos e Design de Sessões

Os marcos do desenvolvimento e como desenhar sessões à volta deles.

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Transcrição completa

0:00 Uma conversa semanal com especialistas sobre o dia-a-dia da parentalidade e do desenvolvimento da primeira infância para pais, avós e educadores de crianças do 0 aos 5 anos. O conteúdo deste programa é meramente informativo. Independentemente das opiniões expressas pelos nossos convidados, deverá sempre consultar o seu médico, terapeuta ou pediatra. Olá Rita. Olá. Tudo bem? Tudo bem Obrigado por este bocadinho Obrigada eu pelo convite É uma honra estar aqui Para essa É uma honra nossa Eu já assisti a alguns dos teus podcasts Os que tu permites Porque há alguns que são secretos Para a profissão Mas acho que faz um trabalho fascinante e eu ia começar por aí, eu ia te pedir que te apresentasses e que falasses um bocadinho dos seus projetos, principalmente no teu podcast, que eu acho que é fascinante e que pode interessar a nossa audiência também.

0:57 Obrigada, antes de mais, muito obrigada por me teres convidado, realmente eu acho que este mundo virtual permitiu-nos estar mais ligados como estávamos a falar também há bocadinho é que já não se admite a barreira da distância cada vez estamos mais próximos e eu acho que temos que utilizar isto para crescermos e foi com isto que nasceram os PsicoMotri Talks foi um projeto online que nasceu em abril e nasceu muito da minha necessidade de falar sobre psicomotricidade e falar de psicomotricidade com psicomotricistas. O objetivo primeiro foi mesmo para psicomotricistas, mas depois percebi que também fazia sentido divulgar a nossa área e então fiz algumas PsicoMotri Talks abertas a todos os participantes, todos os que quisessem, profissionais, educadores, psicomotricistas, pais, pronto, mas faz sentido se calhar também explicar um bocadinho quem é que eu sou, o meu nome é Rita Palma, sou psicomotricista, sou uma amante da área da psicomotricidade, gosto muito do que faço e acho que isso faz toda a diferença.

2:09 Sou algarvia de gema, mas estou em Lisboa e uma coisa que gosto muito de Lisboa foi as oportunme tirar uma formação, tirei a minha formação na Faculdade de Motricidade Humana, numa faculdade que é mais conhecida por desporto, mas que tem professores fantásticos, como o professor Carlos Neto, o professor Rui Martins, que nos fazem crescer e pensar e tornar-nos psicomotricistas e permitiu-me também depois começar a trabalhar numpeuta que é o espaço crescente que é um espaço de intervenções terapêuticas em telheiras e basicamente é isto Como é que podemos encontrar a crescente?

3:14 Tens um endereço que nós possamos consultar? Sim, nós temos na página de Facebook, mas nós temos o espaço em telheiras e a página de Facebook chama-se mesmo Crescente, com dois S, ou seja, é de crescer e de sentir, na página do Facebook. E depois também temos as nossas páginas de Facebook profissionais e individuais. Muito bem. Olha, vamos começar aqui em grande com uma pergunta importante para um laico como eu. Apesar de eu trabalhar aqui à volta desta área, a minha formação é em gestão e eu ia-te perguntar a ti, em particular, o que é a psicomotricidade ou o que é para ti a psicomotricidade?

4:01 ano da faculdade, que nos perguntam psicomotriquei? Como é que isso se diz? O que é que isso é? E eu acho que estamos sempre muito preocupados em definir qual é que é a melhor definição para explicar o que é que é a psicomotricidade. Para mim, a psicomotricidade é uma terapia de mediação corporal, que utiliza o corpo, o corpo em movimento, na relação para intervir qualquer problemática. Quando existe doença ou na ausência de doença?

4:30 Nós trabalhamos na prevenção, na intervenção e na reeducação e utilizamos diferentes técnicas, técnicas mais expressivas, técnicas de relaxação, de consciencialização corporal, técnicas de relaxação, de consciencialização corporal, utilizamos também o jogo simbólico, mas a nossa intencionalidade quando propomos à criança uma atividade está muito relacionada com o projeto terapêutico que definimos para aquela criança. Eu falo muito para crianças, mas a Gymboree também é para crianças mas tenho muitos colegas meus a trabalhar com outras populações e também em contextos diferentes o meu contexto é contexto hospitalar contexto clínico, mas tenho colegas meus a trabalhar em contexto educacional institucional com idosos, com crianças com adultos e tanto no campo da prevenção, como na reeducação, como na intervenção. Mas basicamente é isso. Há uma palavra que aparece muitas vezes e que eu acho que eu queria abordar aqui, que é a palavra corpo. E eu acho que era interessante se calhar ouvir a tua definição de corpo. O que é para ti o corpo? Vai muito além de uma ferramenta? É um invólucro?

6:02 qual o potencial e se calhar onde é que esse potencial fica encurtado para a maior parte das pessoas que não estão conscientes da sua importância Há uma coisa que me preocupa imenso, essa pergunta é muito difícil mas há uma coisa que me preocupa imenso que é pensar onde é que está o corpo eu sinto para mim o corpo é muito mais do que uma imagem e temos que definir isso, o corpo é muito mais do que uma imagem.

6:32 O corpo é o sentir, o corpo é um envelope, é verdade, é pele, é um conjunto de órgãos, mas é o que nos permite também estar em contato com o mundo, estar na relação com o outro. E através da linguagem não verbal, o corpo expressa emoções, informações que não é possível traduzir em palavras. E quem aprende a falar esta linguagem do corpo tem ferramentas e canais de comunicação excelentes e formidáveis e o que nos vai retirar a tecnologia esta sociedade que valoriza mais a estética do que a ética isto vem-nos tirar realmente esta importância que nós damos ao corpo, ou que deveríamos dar ao corpo porque não nos podemos esquecer do nosso corpo ancestral não nos podemos esquecer da história que carregamos e não nos podemos esquecer do que somos e nós somos um corpo, não temos um corpo somos um corpo e eu acho que estamos um bocadinho perdidos nesta questão e isso preocupa-me imenso.

7:45 Enquanto psicomotricista, enquanto pessoa, enquanto ser humano, enquanto pessoa que se gosta de relacionar com os outros, preocupa-me imenso. Onde é que está o corpo? E com isto também pergunto, e por causa das PsicoMotri Talks tenho permitido conversar com pessoas bastante interessantes, o doutor Augusto fala, ok, onde é que está o corpo, mas onde é que está o pensamento? Quando um pensamento não é organizado, não é contido, onde é que ele vai emergir? Vai emergir no corpo. Quando falamos, por exemplo, na patologia, nas automotilações, patologia, nas automotilações nas patologias como a anorexia nervosa o corpo fala o que a mente não consegue falar e como é que nós podemos estar atentos a esta linguagem e darmos um significado a esta linguagem e intervirmos sobre isto sobre esta questão e por isso é impossível desvalorizarmos o corpo Rita, há bocado antes de nós entrarmos no ar, eu tinha-te...

8:48 Estávamos a falar um bocadinho sobre o nome da vossa licenciatura, que se chama Reabilitação Psicomotora. E eu até tinha perguntado se não achavas que prejudicava um bocadinho termos posto esta palavra de reabilitação. Quando há tanto para fazer fora da reabilitação? De forma preventiva ou proactiva? A minha pergunta seguinte era qual é obviamente a importância da psicomotricidade, mas eu queria dar aqui algumas balizas. Nós, no currículo português, nós temos uma disciplina que toca no corpo que se chama educação física. Essa é a disciplina que nós sabemos que é obrigatória e que a maior parte das crianças têm acesso. Como é que a gente pode fazer esta questão da educação física versus a psicomotricidade? Onde é que elas se tocam e onde é que elas estão separadas? E eu se calhar iria um bocadinho além disto. Em vez de educação física versus psicomotricidade, podíamos falar também sobre a dança versus a psicomotricidade, a natação versus a psicomotricidade. Conseguimos falar sobre isto um bocadinho porque eu acho que era importante para as pessoas que estão fora perceber realmente onde é que elas se tocam e onde é que elas se separam.

10:07 As nossas crianças, em qualquer atividade que tenham, aumentam o seu repertório psicomotor. E quanto maior for o repertório, melhor. Ou seja, seja através da dança, através do jogo, através de um desporto específico, através do subir às árvores, do brincar à apanhada. Isso são experiências psicomotoras. E eu acho que quanto maior for o repertório das nossas crianças se elas souberem saltar dar cambalhotas correr, dançar quanto maior mais saúde mais saúde mental, mais felicidade mais empreendedorismo mais sucesso depois, quando falamos de psicomotricidade e é interessante falarmos sobre isto porque, por exemplo, educação física na pré-escolar e tudo mais chama-se psicomotricidade aqui existe uma diferença com a intervenção psicomotora nós não pulamos só por pular para aumentar o repertório motor não corremos só por correr mas temos uma intencionalidade terapêutica.

11:07 E nesta intencionalidade nós jogamos, seja com a dimensão motora, seja com a dimensão cognitiva ou com a dimensão socioemocional. E aí faz a diferença. Não é só o jogo por jogo, que também é muito importante, não é só o brincar livre pelo brincar livre, que também é muito importante, não é só o brincar livre pelo brincar livre, que também é muito importante, mas sim sempre com uma intencionalidade terapêutica e é aí que difere a intervenção psicomotora da psicomotricidade no geral e das experiências psicomotoras.

11:39 Ok, imagina que tu tinhas um papel importante e podias definir o currículo da educação física podíamos lhe chamar outra coisa qualquer se calhar um bocadinho mais abrangente e que pudesse tocar o que a educação física não faz porque eu acho que isso é uma lacuna atualmente todas as pessoas tiveram educação física mas muito poucas se calhar adquiriram aquele alfabeto de movimentos, aquele reportório que estavas a falar e depois obviamente que isso afeta muitas coisas na sua vida, a linguagem a forma como sentem, a forma como se projetam a sua autoconfiança o que é que tu mudarias?

12:18 E a partir de que idade? Eu acho que é difícil, porque eu acho que motivava mais as pessoas, ou seja, tentava mostrar, e isto pode ser um bocadinho sonhador, mas se o professor Carlos Neto com aquela idade pode ser muito sonhador, eu também posso. Porque eu acho que as pessoas estão perdidas de qual é que é a verdadeira motivação para o qual educação física faz parte do currículo.

12:59 Eu tenho miúdas que sigo em consulta que não querem, e é interessante que isto também é uma patologia interessante, que são aquelas mais perfeccionistas que não querem educação física no currículo. Mas porquê? Porquê que realmente mexer o corpo, ter movimento e mover o corpo a poder pensar e depois do pensamento mover com intencionalidade, porquê que não há de fazer parte do currículo? Porquê que isso tem que ser desvalorizado? Porquê que a média é mais importante do que a experiência?

13:24 E eu acho que está aí eu acho que precisamos de professores de educação física que motivem mais os alunos e que se calhar eles também são muito pressionados com o plano que têm que cumprir mas que motivem mais o porquê do movimento, porque é que é realmente importante e que o movimento traz bem-estar físico e mental eu acho que é por aí, essas são as principais vantagens da prevenção de saúde mental, da prevenção de problemas cardiorrespiratórios e isso também me assusta um bocadinho, que é este sedentarismo ao qual estamos a caminhar, isto tem consequências e essas consequências são muito mais caras do que uma prevenção agora.

14:08 Uma doença, cardio ou respiratória, ou seja, o que for, num futuro vai ser muito mais caro para o nosso sistema. Porquê que não investimos na prevenção? Mas isto eu acho que tem outras dimensões. E achas que o currículo é adequado ou podíamos alterá-lo? Não é só uma questão de vontade política, é uma questão de... tem qualidade. A questão do básquet, estão-se ali umas cambalhotas, o vôlei, portanto, tocam-se ali uma série de esportes.

14:38 Se calhar não se toca nos artes marciais, que é uma parte que se calhar é um bocadinho mais cara. Não há natação, se calhar, por questões logísticas, mas devemos fazer um esforço para mudar aquilo, se calhar fazer coisas com maior retorno e se calhar que possam ser mais motivadoras e que possam ficar mais permanentes na aprendizagem das crianças. Eu considero que o basquete é importantíssimo. Eu considero que os jogos de grupo são importantíssimos.

15:10 Um jogo de basquete, um jogo de futebol, um jogo de regras, é importantíssimo para as nossas crianças mais tarde fazerem um transfer para uma reunião de trabalho, um trabalho em equipa numa empresa. Eu acho que essas competências que se aprendem na disciplina de educação física, com esse tipo de jogos, são competências que não se aprendem na promoção de competências académicas, numa biologia, talvez nos trabalhos de grupo, mas não é igual.

15:36 O espírito de equipa, o lutar por um objetivo, o espírito crítico, o encontrar a solução. Eu acho que a educação física promove estas questões e não podemos desvalorizar. Claro que é importante o plano, o plano curricular, mas também faz toda a diferença quando o professor de educação física motiva os nossos alunos a isso, não é? E eu com isto, ou seja, não sou a melhor, a mais conhecedora desta questão, eu não sei quais são os planos, eu falo como aluna, não é? Já fui aluna de educação física e para mim foi muito importante, não só porque praticava desporto na escola, em educação física, mas também praticava outro tipo de desportos e para mim isso foi importantíssimo, até mesmo para criar um grupo de amigos fora da minha turma, é um grupo com outros interesses, com quem aprendi outras questões.

16:38 E agora por exemplo, agora estou a pensar no futebol, o futebol não é só para Cristianos Ronaldos, o futebol é para ensinar muitas mais coisas mas aqui os meus amigos de educação física falam muito melhor do que eu nesta questão nós vamos falar com o professor de educação física brevemente já está na calha mas ainda não é olha é um treinador de esgrima e eu ainda não falei com ele, portanto não quero... Está bem, está bem, mas se precisarem, sim, sim, sim.

17:06 Eu acho que é... Olha, se calhar agora chegamos a uma altura interessante para começar a falar do brincar e da importância do brincar. É uma linguagem e é uma coisa super natural para uma criança, portanto não precisamos de ter regras e não precisamos de a convencer. É uma coisa que se pode começar a fazer desde muito cedo e pronto. A minha praia no Jim Maria também como pai eu sinto que é a forma mais rápida e mais eficaz de chegar aos meus filhos é através da brincadeira.

17:39 Eu imagino que seja uma parte importante da vossa formação. Quer nos falar um bocadinho sobre isso e o que é que te tocou mais quando estavas a aprender sobre o brincar? Qual foi assim o momento uau que tiveste na faculdade sobre este sobre este campo? O momento uau foi na cadeira que tive com o professor Carlos Neto, em que nós tivemos a honra de poder participar nós tínhamos uma turma de crianças que iam à nossa faculdade ter educação física com o professor Carlos Neto e nós observávamos o nosso trabalho era observar e brincar com elas e isso foi fantástico, foi ok é isto, brincar não é só brincar brincar.

18:27 Brincar é muito mais do que isso. E uma criança fala através do brincar. Testa através do brincar. Experimenta. Cresce. E é aí que está o futuro. É aí que está o futuro. Não é na repetição de tarefas. Não é só no sentar e ficar e decorar que está o futuro e que está o sucesso. É através do brincar. Eu acho que o brincar é uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento e para o futuro da nossa sociedade.

18:56 Porque realmente nós estamos muito preocupados, e o professor Carlos Neto fala disto muito bem, isto é impossível falar sobre o brincar em Portugal e fora de Portugal sem falar do professor Carlos Neto. O professor Carlos Neto lançou agora um livro do Libertem as Crianças, mas desde o início da minha formação académica que eu ouço o professor Carlos Neto a dizer isto, não é? De que passeiam-se mais os cães do que as crianças.

19:21 Que as pessoas que estão na prisão têm mais tempo ao ar livre do que as próprias crianças as pessoas que estão na prisão têm mais tempo ao ar livre do que as próprias crianças. Para mim isto era impensável, eu sou, e como me apresentei no início, sou algarvi e sou de uma terra muito mais pequenina, onde a minha infância foi feita também no brincar na rua, isto para mim é impensável saber que uma criança cá nestas condições não o faz, e acho que é importantíssimo. Agora, pensando também como um instrumento de intervenção, eu consigo muito mais chegar à criança e muito mais atingir os objetivos terapêuticos da criança quando o faço através da brincadeira espontânea.

20:01 é a linguagem delas eu posso pedir para ela fazer uma atividade, pode ser sugerida por mim, pensada para ela mas é na relação e no brincar é quando eu me baixo ao nível da criança e sinto aquela criança que em conjunto criamos crescimento criamos coisas bonitas. E vou falar disto, por exemplo, o brincar às lutas. Isto é um assunto difícil, enquanto dizem, não, isso é uma brincadeira muito agressiva, pistolas, nervos, que horror. Não, aquilo é super divertido. E quando eu falo disto com os pais, e tento desconstruir um bocado isto, que é, vocês pensam que os nossos pais, e eu tenho imensa empatia pelos pais, eu acho que é super difícil ser spy na sociedade em que nos encontramos agora, em que tudo está explicado nos livros. Existem livros para explicar como é que eles têm que comer, como é que eles têm que dormir e tem que ser feito daquela forma por isso eu acho que é muito difícil mesmo ser spy mas como estava a dizer estávamos a falar sobre a brincadeira das lutas e os pais dizem não, não, não isso é muito agressivo mas depois as nossas crianças estão com o ecrã a matar a cada 10 segundos a atropelar em que o objetivo do jogo é quantas pessoas a atropelar em que o objetivo do jogo é quantas pessoas se atropelam são jogos super, super, super agressivos e que não têm consequência porque assim que acaba eles metem play outra vez e começa tudo de novo e quando eu brinco ao jogo do matar em sessão, é importantíssimo porque ele sabe que me mata e eu vou fingir que estou caída e que estou morta existe uma consequência ele pode meter no play e ele diz Rita, então, não brincas tens que me ressuscitar se queres que eu brinque contigo tu tiraste para...

21:54 tem uma consequência e isto pode ser através do brincar isto tem que ser experimentado através do brincar e, por exemplo, quando eu falo disto com os pais e digo, então, mas o que é que o seu filho brinca? Ah, brinca aos videojogos. Mas já se sentou ao lado dele? Tente saber o que é que ele está a brincar. Brinque com ele. Pense como construir ou recriar essa brincadeira no mundo real e faça com ele. Só que eu acho que isto é super difícil quando temos imenso estímulos e imenso marketing à volta destes videojogos que prendem a atenção das crianças e também faz lembrar de outra coisa que é quando nós perguntamos a nossa criança quando está fechado em casa o que é que ela quer fazer e quando ela em casa tem um Playstation um computador e um telemóvel ela vai querer fazer isso quando estamos por exemplo hoje de manhã fui passear em Monsanto com uma filha dos amigos meus e quando eu lhe pergunto o que é que ela quer fazer ela quer subir as árvores ela quer agarrar nos paus ela quer correr ela quer andar na lama e sujar-se até os joelhos ela não quer agarrar-se ao telemóvel por isso a importância também é importante vermos qual é o contexto em que nós fazemos a pergunta não é?

23:11 porque eu acho que o brincar é fundamental Olha só fazer, voltar um bocadinho atrás porque falaste no Carlos Neto já mais do que uma vez o professor Carlos Neto visitou o Jimburi nós quando abrimos há 14 anos atrás a convite de uma professora nossa que foi aluna dele chamada Filipe Marcelino, ele foi visitar o Jimboree e portanto foi uma inspiração para nós estávamos a começar, portanto sabíamos ler e escrever nesta área, apesar de termos trazido muito conhecimento dos Estados Unidos e do resto do mundo foi ótimo ver um um decano como ele, já na altura era uma sumidade na área poder dar-nos uma força e portanto foi altamente inspirador ainda estavas a falar no brincar existe uma hierarquia do brincar existe uma brincadeira mais valiosa do que a outra fala-se muito na importância do brincar na rua o brincar em casa é menos importante do que o brincar na rua um jogo de tabuleiro é menosiosa do que a outra? Fala-se muito na importância do brincar na rua. O brincar em casa é menos importante do que o brincar na rua. Um jogo de tabuleiro é menos importante do que o brincar em casa de outra forma com o corpo. Qual é a tua opinião sobre isso? Eu acho que não existe uma regra de qual é que é o ideal.

24:18 Eu acho que já existem tantas regras que eu acho que temos que nos desligar um bocadinho disso e sentir a nossa criança. Temos que sentir o que é que nos desligar um bocadinho disso e sentir a nossa criança. Temos que sentir o que é que será que podemos fazer com ela agora. E se existem brincadeiras muito repetitivas, nós também podemos propor, mas tem que ir também do interesse à criança, porque senão deixa de ser uma brincadeira e passa a ser uma tarefa.

24:45 Eu posso aqui dizer que realmente o jogo de tabuleiro é importantíssimo dos seis aos sete vai estar ali o pai impingido e isso já não é o brincar livre eu acho que temos que sentir, é importante todo esse tipo de jogos e eu acho que o pai o educador e tudo mais pode propor jogos, mas tem que ser do interesse de um e do outro porque o pai, e isto aqui eu sou uma adulta e eu também gosto muito de brincar com as minhas crianças mas eu sei que para os pais também é muito importante que ele esteja bem, que ele esteja com prazer na atividade, senão também não passa a ser prazeroso para os dois, mas sim, existem atividades específicas para cada idade mas eu acho que mais importante que isso é o interesse de ambas as partes que estão a jogar e a brincar. Muito bem só aqui uma nota o Pedro Valentim foi o meu mestre de taekwondo e ele é professor de educação física, deixou-nos aqui um comentário muito simpático no facebook é mais um statement do que uma pergunta, mas pronto, queria agradecer ao Pedro e convidar as pessoas a fazerem perguntas à Rita enquanto estamos aqui em direto, porque depois já vai ser tarde.

25:54 Eu consigo ler as mensagens, mas não consigo responder, só se forem feitas através do YouTube. Rita, qual é a importância da água na psicomotricidade e no desenvolvimento? Eu também vi que é uma coisa que aparece com alguma frequência e sei que há psicomotricistas que trabalham mais no meio aquático do que outros, não é? Eu não trabalho em meio aquático, mas já tive a oportunidade de intervir num tempo da minha formação em meio aquático e a água tem realmente potencialidades enormes ao nível do desenvolvimento infantil da promoção de competências não só competências motoras relacionadas com a natação mas também com estimulação, por exemplo no contexto da água sei que os idosos, o peso do corpo dentro da água tem outro peso e aí nós podemos brincar com essa questão.

26:55 E também as nossas crianças muitas vezes, por exemplo, com um corpo mais hipertónico, isto quer dizer, mais contraído, com algumas atividades nós psicomotricistas conseguimos promover uma maior relaxação neste meio aquático tem uma potencialidade enorme também por exemplo eu trabalhei com crianças com perturbação do espectro do autismo e então através na piscina onde as crianças gostavam muito nós conseguimos fazer tarefas cognitivas de completar espaços enigmas dentro d'água e isso tinha assim um campo enorme de possibilidades Ok olha, em relação aos pais, qual é que achas que deve ser a intervenção dos pais e qual é o papel dos pais enquanto modelos?

27:52 Isto realmente mete um bocadinho para a conversa que tivemos há bocado da importância da educação física e se calhar dessa tua paciente profissionista que não dava importância porque aquilo não conta muito para a média, ou que se calhar ela não consegue ter tão boas notas e, portanto, não contribui para a sua entrada na faculdade. Mas os pais vivem muito também nesta prisão, não é? Do que é que conta e a carreira e a educação física parece uma coisa secundária porque não estão tão sensibilizados para toda a saúde que está ali ligada e o equilíbrio emocional, a saúde física e a própria curiosidade e a cognição ficam muito afetadas onde é que achas que nós podemos começar a recrutar os pais para ajudar no desenvolvimento da criança e do adolescente e depois até do jovem adulto eu acho que é são as pequenas escolhas que fazemos no dia a dia se essas escolhas forem mais promotoras de saúde de atividade e menos promotoras de sedentarismo eu acho que aí já estamos a mudar mentalidades mas lá está isto aqui também é importante o modelo do pai e dos pais não estou com isto a dizer que todos os pais têm que ser muito ativos e têm que correr e fazer jogging mas os pais podem realmente fazer escolhas como ir para o parque com as nossas crianças e permitirem que elas possam ter outro tipo de experiências mais ativas porque as nossas crianças precisam de se mexer, precisam de se mover para continuar a construir pensamento crítico. curricular em que as notas realmente têm um peso enorme e é uma pressão brutal mas isto podia ser analisado não é? Porque é que realmente uma criança que está no nono ano ou no oitavo ano, a nota é assim tão importante é importante a criança aprender a gostar da escola, por exemplo no primeiro ano ela tem que aprender a gostar da escola o objetivo não é tanto a letra tão perfeita, mas sim aprender gostar de aprender e aí também vem muito pela pelo modelo dos pais se os pais promovem esta questão de que é importante gostar de aprender, é importante o que estão realmente a aprender a promover o espírito crítico e tudo mais e não tanto qual é a nota final ou seja a qualidade e não a quantidade eu acho que é importantíssimo e se os pais puderem eu acho que se apaziguar com isso eu acho que teríamos crianças mais felizes e se calhar com menos pressão e atrevo-me a dizer, se calhar com melhores notas porque eu também trabalho numa população muito específica e com isto não quero dar em erro, eu acho que no início do podcast dizes com muita razão que isto são opiniões mas eu não quero induzir em erro, mas se as nossas crianças eu vejo agora cada vez mais crianças com imensa ansiedade sem capacidade de regular os seus estados emocionais e se elas tivessem menos pressão menos necessidade de serem perfeitas menos necessidade de terem as melhores notas para serem vistas eu acho que elas estariam mais tranquilas e eu trevo-me a dizer que ter as melhores notas para serem vistas, eu acho que elas estariam mais tranquilas e eu trevo-me a dizer que teriam melhores notas isto é um risco mas se alguém tiver contra pode dizer e podemos discutir esse assunto mas realmente a pressão que estamos a viver e com isto a pressão para os pais também porque os seus filhos terem boas notas também é o sucesso dos pais, se calhar não é bem assim.

31:48 Se calhar temos que colocar isto em crítica. Consegues ler esta pergunta, Rita, que o Pedro Valentim colocou? As crianças hoje em dia não conseguem brincar sem a moderação do adulto. Não é importante para a sua criatividade e autonomia brincarem sozinhas? Sim, também é. Também é. Eu acho que é importante brincarem sozinhos. Sim, também é. Também é. Eu acho que é importante brincarem sozinhos. Tem que ser um jogo.

32:08 Eles têm que ter tempo para a brincadeira autónoma, mas também com a mediação com os adultos. Porque eu tenho crianças, eu intervenho num contexto muito particular, mas, por exemplo, eu intervenho num contexto muito particular, mas, por exemplo, uma filha de uns amigos meus, em que, numa conversa, em que ele me dizia Ah, mas eu digo para ela ir para o quarto brincar, e ela não vai, e ela prefere estar a ver televisão.

32:39 E pede, e pede, e eu é que tenho que ir com ela. E é verdade, ele vai, os pais vão no início, mas depois de se deixarem lá, ela fica lá a brincar sozinha. E se calhar isto tem que ser um processo. O pai pode, os pais podem brincar com as crianças, mas depois podem lhe dar as ferramentas necessárias para elas brincarem sozinhas. E depois para criarem também o seu imaginário criarem brincadeiras de faz de conta e depois elas podem continuar a história ou seja, este tipo de estratégias eu acho que são importantes para promover também a autonomia na brincadeira das nossas crianças, sim mas acho tão importante um como o outro Ok aqui como uma opinião pessoal que vale o que vale eu acho que nós temos um papel muito importante no modelo que somos e esse papel começa anos antes de sermos pais já em pequeninos a forma como nós brincamos e estamos receptivos a um conjunto de conhecimentos e alfabetos diferentes o alfabeto do movimento é um deles, há muitos outros há um alfabeto de emoções há um alfabeto da curiosidade há obviamente um alfabeto da matemática e da lógica se nós usarmos esse alfabeto e o mostrarmos com abundância, os nossos filhos vão acabar por receber esses inputs e vão ficar curiosos, ou pelo menos vão saber que eles existem.

34:11 Porque existe uma inocência com a qual nós nascemos, que é, há um conjunto de coisas que nós não sabemos e nós não sabemos que não sabemos. Eu, por exemplo, sei que não sei falar de mandarim, mas eu sei que existe o mandarim. Há pessoas que não têm essa consciência sequer. Se eu tivesse crescido na Amazónia, não sabia que havia não sei quantas línguas diferentes para eu aprender.

34:33 E, portanto, a inocência, às vezes é uma coisa triste porque nós não conseguimos agir sobre ela, porque nós não sabemos que não sabemos. E, portanto, se começamos a ficar sensíveis para o modelo que nós somos, vai inspirar os nossos filhos a fazer mais assim ou mais a sala, pelo menos vai-lhes dar caminhos, eu acho que devemos usar esse privilégio de modeladores que somos e tentar ajudá-los como for possível Rita, sobre o reconhecimento da vossa profissão que é uma coisa que me preocupa um bocadinho a psicomotricidade quanto tempo é que tem em Portugal?

35:09 Qual tem sido mais ou menos o vosso histórico? Qual é o status da profissão neste momento? Então, nós somos ainda uns adultos jovens adultos ou seja, tem muito pouco tempo é verdade, mas fala-se de psicomotricidade há muito tempo ou seja, nós estamos inseridos na faculdade de Motricidade Humana, por exemplo, e também noutras faculdades, estou sempre a falar da minha faculdade, mas a reabilitação psicomotora existe há pouco tempo, enquanto licenciatura.

35:43 Antigamente chamava-se, não quero errar, mas tinha a ver mais com a educação especial e reabilitação psicomotora, ou seja, este foi todo um processo. A dificuldade no reconhecimento tem a ver com questões também legais, que ainda não estão a avançar por isso mesmo. Por termos pouco tempo e também por precisarmos de fundamentação teórica que existe mas precisamos também de lançar mais reconhecimento a esse nível mas eu acho que também tem muito a ver e é nisto que eu gosto de acreditar e é por isso que este projeto o projeto das PsicoMotri Talks também foi para a frente que é o quanto nós acreditamos nisto, enquanto nós psicomotricistas achamos que realmente achamos não, temos a certeza que isto faz a diferença isto é uma intervenção com base científica, é na intencionalidade, é na relação é na intervenção psicomotora que nós conseguimos intervir através do não verbal, através de patologias, através da prevenção.

36:50 Isto faz mesmo todo o sentido. E nós temos um papel fundamental por isso. Não é só a nossa associação portuguesa de psicomotricidade que tem que lutar por este reconhecimento, mas também nós psicomotricistas, sendo rigorosos no trabalho que fazemos, na divulgação, porque eu acho que isto também é importante, não vamos a lado nenhum se não vendermos o nosso peixe, na divulgação, nas nossas práticas, e realmente a escrever artigos científicos, mas também outro tipo de escritas, escrever papais, a escrever artigos científicos, mas também outro tipo de escritas, escrever para pais, a escrever...

37:26 Porque todas as pessoas que estão aqui e conhecem um psicomotricista, reconhecem isto. Por isso, se todos os psicomotricistas darem-se a conhecer, vamos promover que a nossa área seja mais reconhecida. Ok. Existe algum país que seja um modelo a seguir? Existe algum país que tu sintas tão-tão-tão à frente e é para ali que a gente deve caminhar? Sim, Paris. Paris está muito... França está muito integrado. Está muito bem integrado. Ok.

37:58 Somos reconhecidos e temos uma grande área de investigação e reconhecidos mesmo como, por exemplo, em hospitais somos fazemos sempre parte das equipas multidisciplinares, mas estamos aí por esse caminho, por exemplo até há pouco tempo não existia psicomotricista tantos psicomotricistas nos hospitais eu felizmente faço parte de uma equipa multidisciplinar onde no hospital Dona Estefânia, na equipa da pedopsiquiatria, temos uma psicomotricista que sou eu no internamento e em consulta externa, temos outra na clínica do parque, ou seja e trabalhamos sempre em multidisciplinaridade, por exemplo com terapeutas ocupacionais psicólogos e essa equipa reconhece reconhece-nos por isso é andar para a frente em França, Paris em particular isso é transversal a todas as idades portanto toca toda a população sim, sim, sim seja com idosos, adultos, crianças com patologia, sem patologia sim como é que achas que eles chegaram aí?

39:04 foi uma questão sensibilizada? eu acho que anos a nossa licenciatura a nossa área começou lá, ou seja tem mais tempo de investigação lá mas é por aí, eu acho que o caminho é por aí lembrem-me aqui de uma questão ainda não és mãe, não é? és muito jovem mas se quando fores Lembrem-me aqui de uma questão eu não sei, tu ainda não és mãe, não é? Tu és muito jovem Mas se quando fores o que é que tu farias? Como é que tu complementarias a educação do teu filho ou da tua filha ou dos teus filhos para integrar todo o teu conhecimento em psicomotricidade? O que é que escolherias?

39:40 Colocava-los na dança? Colocava-los sei lá, na equitação? O que é que achas que era mesmo importante se pudesses se tivesse essa possibilidade, como é que enriquecerias o crescimento deles? Essa pergunta é muito gira mas eu acho que o que me afeta essa resposta não tem só a ver enquanto psicomotricista, mas também enquanto a minha experiência enquanto criança. Todos nós fomos crianças, não é? E para mim fez sentido que os meus pais promovessem, que eu pudesse escolher qual era o desporto que eu queria, para onde é que eu queria ir, e isso ajudou-me bastante.

40:20 Brincar na rua e a psicomotricidade, sim. Claro que vai falava disto com uma colega que ser psicomotricista deixou de ser só uma profissão porque eu acho que depois nós temos um olhar igual para vários papéis da nossa vida e eu acho que enquanto, por exemplo eu sou tia, sou muito próxima das minhas sobrinhas e vejo isso, a forma como eu educo ou a forma como eu brinco, a minha intencionalidade tem um peso diferente por ser, é diferente por ser psicomotricista.

41:00 Sim, sem dúvida. Eu acho que, conselhoshos eu acho que já dei um que é sentir as nossas crianças é aumentar o maior o maior número de experiências para as nossas crianças e perceber o que é que elas gostam ir com elas para os parques permitir que elas caiam, que elas se sujem experimentar diferentes desportos, eu acho que esta questão do desporto dos 3 anos, do mesmo desporto dos 3 anos aos 20, exatamente o mesmo, eu acho que tem vantagens, mas nós não estamos a construir só Cristianos Ronaldo já é a segunda vez que falo nele, mas ou seja, esta especificação tão profissionista, não é preciso.

41:52 Ele pode andar no futebol no início porque gosta muito do futebol, mas depois pode perceber que gosta da natação. E os pais vão acompanhando. E sem pressão. Sem pressão de ter que ser o melhor, de ter que ganhar na competição a competição pode ser saudável não precisa de ser uma competição não saudável o desporto de alta competição com idades muito precoces a mim faz muita comissão e também não vou falar sobre isto porque eu acho que muita gente entra em desacordo comigo mas pedirmos a crianças por exemplo se calhar não vou dizer isto mas isto aqui tem uma uma implicação na saúde mental das nossas crianças por exemplo, desportos que seja necessário o peso por exemplo, os desportos marciais que são, se isto não é integrado, em que nós pedimos à nossa criança, olha, se calhar tens que ter cuidado porque tens que competir nesta categoria se isto não for integrado que impacto é que isto vai ter nas nossas crianças?

43:04 o desporto é ótimo eu acho que o desporto, as artes marciais são ótimas para ensinar competências excelentes e temos que aproveitar isso, temos que aproveitar essas vantagens Sim isso é uma área que eu conheço mais ou menos bem. Então podemos falar sobre isso podemos falar sobre isso como aluno, eu fiz um taekwondo uma série de anos, eu comecei com 15, já não era propriamente uma criança pequenina e portanto quando fui competir foi por vontade própria e porque sentia-me integrado nos meus pares e nessa altura, agora era treinado por um mestre que sempre fez taekwondo e era o que ele sabia fazer.

43:41 Mas mais tarde fui treinado por um professor de educação física. Da minha idade, aliás, nós começámos a treinar mais ou menos ao mesmo tempo, eu depois esperei uns anos e ele cresceu imenso. E há uma diferença, quando tu tens realmente um profissional com uma licenciatura na área, a forma também como ele aborda a educação das crianças e a competição, e ele veio para lá os meus filhos, é totalmente diferente.

44:05 E é uma questão totalmente opcional, eu percebo que há benefícios, há uma preservança que se cria e, portanto, mas também é uma forma de brincar, portanto, eu nunca vi realmente agressividade na competição das crianças. Mais tarde, eu comecei a experimentar um outro arte marcial, que se chama Jiu Jitsu brasileiro e esse é mais divertido ainda, portanto todo o treino é uma brincadeira, não é? É uma brincadeira no chão e portanto há uma componente muito lúdica de folia, portanto estamos aqui a falar por si como se saísse de brincadeira na competição depois depende muito do tono que os pais colocam a importância do resultado. Para mim realmente não é enorme. Eu entretanto desliguei o botão de me importar com os resultados, até com as notas.

45:19 de pessoas que têm performance muito alta, ou pessoas que eu considero bem sucedidas, são pessoas que vivem, jogam por regras muito próprias, portanto recusam a conversa negativa eada no ler e no escrever, no sumar e no sumir, não é? Portanto, matemática e português. Eu acho que era muito importante as crianças terem a linguagem da natação, pelo menos, porque acho super completa e é um meio diferente e requer um shift na nossa cabeça.

45:41 As artes marciais também são importantes porque realmente dão-nos confiança, não é para andarmos a lutar, mas tu aprendes muito sobre ti próprio, é uma comunicação, pronto, tens que estar preparado, há uma bilateralidade muito importante, eu sei que é uma palavra cara para os psicomotricistas, mas esta componente de comunicação e de perceber que, pá, eu realmente tenho aqui uma série de armas mas eu também tenho que me defender das armas do meu colega ou do meu oponente e ganha-se um respeito muito peculiar e há uma altura em que é um bocadinho como o jogo do galo se tu jogares o jogo do galo mil vezes e se fores inteligente nunca mais perdes o pior que pode acontecer é empatares e as artes marciais sentem-se um bocadinho assim, há uma altura em que tu percebes que não vale a pena lutar, ninguém vai ganhar, potencialmente podemos sair daqui os dois muito aleijados, portanto não vamos lutar, mas podemos brincar a isto.

46:36 E portanto eu integrei isso na educação dos meus filhos. Também gostava que eles fizessem outros desportos, mais de cardio, de resistência, só porque lá está, também são um bocadinho meditativos e zen, não é? A corrida, o ciclismo, eu agora estou um bocadinho focado no triatlo, porque acho muito giro, mas é uma crise de meia-edade, claramente. Se quer, não se repassam. Mas gostava que eles tivessem, que eles provassem desses desportos todos que tu falaste e pudessem falar várias linguagens, vários alfabetos porque acho realmente fundamental E é interessante, vários alfabetos motores porque realmente utilizam outros grupos musculares, criam outras memórias para o corpo Eu acho que sim Claro Diz Rita, diz Acho que é importantíssimo podermos, e estavas a falar para o corpo. Eu acho que sim. Claro. Diz, Rita, diz.

47:27 Acho que é importantíssimo, acho que é importantíssimo podermos dar, e estavas a falar que os modelos dos pais, e agora depois de falares sobre o teu percurso do desporto, para mim não foram só os meus modelos, não foram só os meus pais, mas os meus treinadores, os meus professores. E é interessante que os professores que ficam na escola na nossa memória também são os professores de educação física e porquê que será?

47:54 Eles também têm um papel fundamental nestas questões e nesta forma de ver e eu acho que é uma responsabilidade acrescida quando os professores de educação física também têm que ser o modelo desta questão da atividade física, não é? Da promoção de comportamentos mais saudáveis. Por isso é importantíssimo. E nós, fora da escola, também temos que reconhecer isto. Nós, pais, também temos que reconhecer a. Nós, pais, também temos que reconhecer a importância da educação física.

48:28 E não tanto... Ah, isso não conta para nada, não te importes. Não, claro que conta. Claro. Rita, se pudesse ocupar um cartaz gigante com uma mensagem para toda a gente ver, o que é que escolherias lá colocar? Isso é difícil. O que é que seria não vai ser libertem as nossas crianças um livro mas tinha que ter assim um impacto eu acho que tinha que apaziguar um bocadinho os pais que é deixem-se de regras de adultos e baixem-se ao nível das vossas crianças e sintam-nas eu acho que seria seria assim a mensagem porque realmente falta tempo, eu acho que que seria seria assim a mensagem porque realmente falta tempo eu acho que falta tempo eu acho que os nossos adultos que se preocupam em dar o melhor para os filhos, eu acho que é importantíssimo eu acho que o mais valioso é dar tempo é dar tempo para senti- É dar tempo para senti-las, dar tempo para ouvi-las, dar tempo para falar como é que foi o dia na escola, dar tempo para pensar porque será que está a correr mal, dar tempo para pensar porque é que está a correr bem. Falar sobre emoções, quando pergunto a uma criança, por exemplo, no internamento ou em consulta, pergunto como é que te sentes, e aquilo parece uma pergunta...

50:13 Mas como assim não pensas sobre isto? Como é que te sentes? E o sentir, é importante que tenha que existir a outra pessoa do outro lado que queira ouvir realmente, genuinamente, o que é que existir a outra pessoa do outro lado que queira ouvir realmente genuinamente o que é que está a sentir e lá está, como disse há pouco, existem tantos livros e tanta pressão de como ser o melhor pai que se deixa de ser o melhor pai porque é tudo, eu tenho uma história interessante que é o meu pai foi pai novo e tem duas filhas eu e a minha irmã muito próximas e uma vez ele tem um colega que é mais velho e foi pai mais velho então chego ao pé dele e nós já estávamos criadas e chego ao pé dele e digo assim pronto, o meu filho acabou de nascer qual é que foi o livro que leste para educar as tuas filhas?

51:05 eu disse não li nenhum livro e ele conta isto com muita orgulho e se ele não está a ver vai ficar todo contente por eu ter falado nele mas eu acho que quando nasce uma criança, nasce um pai e aquele pai vai aprender a ser pai daquela criança e aquele filho vai aprender a ser filho daquele pai, por isso isto não existe num livro uau, isso é bastante profundo isso é bastante profundo por isso sim, então tirem o peso das costas e vivam ok, tenho aqui uma última pergunta para ti.

51:46 Quando te sentes a sobrevada, estressada, sem foco, o que é que fazes? Vou correr. Desculpa? Vou correr. Espontaneamente é vou correr. Vou correr, acho que sinto muita necessidade de voltar à minha base. Ou seja, sou algarvia, vou correr para junto do mar vou sentir vou estar com as minhas pessoas, vou tocar vou abraçar eu acho que é importantíssimo por isso, eu acho não é só quando estou a suburbada ou quando estou triste porque eu adulta das emoções eu também fico triste e muitas vezes e choro também.

52:30 É quando também estamos um bocadinho alienados. A mim, eu acho que me preocupa mais estar alienada do que estar triste. Quando estou alienada, que é o ter de fazer, o ter uma agenda, o ter de cumprir e eu nem estou a perceber que não estou a viver estou só a cumprir a agenda, eu acho que isso preocupa-me mais e então quando estou assim sinto necessidade de parar e é impressionante que o nosso corpo fala e quando ele está...

53:01 Acho que estamos com alguns problemas de ligação, Rita Estás-me a ouvir? Não sei. Estou exatamente no mesmo sítio. Não sei se não perdemos a Rita. Mas já estou-vos a ouvir. Já está? Rita, eu acho que... Eu estou-te a ouvir com imensos cortes não percebo aqui a nossa plataforma diz que estamos com boa ligação os dois mas estou a ouvir com bastantes cortes Abrir a porta, não? Aqui diz que a ligação está ótima Não? Agora acho que está ok.

53:46 Está? Sim. Está bem que parte? Bom, disseste que ia escorrer, mas depois disseste que... Eu ouvi uma parte mais à frente e depois começou a ouvir com imensos cortes. Eu não sei se foi só eu ou se foi toda a audiência, mas se puderes repetir as últimas frases, acho que era ótimo. Ok, parece que nos ouviram bem, sou eu que tive problemas. Pronto, então quando estou a suburbada, o que eu faço sim, vou correr, mas quando penso em suburbada, penso quando estou triste, ou quando estou muito cansada, mas também penso quando estou um longo período, assim, alienada.

54:24 Quando estou só a cumprir agenda preciso às vezes de parar e eu acho que se tivermos muito atentos ao nosso corpo quando é que nós ficamos doentes quando é que nós ficamos com a nossa imunidade em baixa quando deixamos de cuidar de nós e há pouco tempo eu utilizei esta metáfora com uma miúda minha e foi mesmo interessante que ela apanhou ela está doente, ela tem uma anorexia nervosa e o objeto de conflito dela é o corpo dela.

54:51 E quando estávamos a falar sobre quando um carro está avariado e quando aparece uma luz de uma avaria, o que é que nós fazemos? Nós cuidamos dessa avaria. Então, quando o nosso corpo está doente e quando está alguma coisa mal, um sinal mal, nós temos que cuidar disso. Não podemos atacar o nosso corpo. Nós não atacamos o nosso carro quando alguma coisa está avariada. Nós temos que cuidar dele.

55:22 E depois também perceber porque é que esse sinal tocou. Alguma coisa estamos a fazer errada errado, alguma coisa não estamos a respeitar o nosso ritmo isso é fundamental, mas sabes que não nos ensinam isso na escola e lá está, eu acho que estamos um bocadinho naquele campo da inocência nós não sabemos sequer que isso é uma possibilidade esta coisa de escutar o corpo é uma coisa que eu se calhar comecei a aprender muito nos 30 quando fazemos uma meditação guiada ou quando fazemos um yoga ou uma coisa desse género, porque até lá, não sei, se calhar tive azar mas não me ensinaram a fazer isso e nunca me falaram que era uma possibilidade e duvido que os meus pais me pudessem ter ensinado, porque também não lhes ensinaram a eles e portanto isto é um efeito cascata A escola está fora de moda, não é?

56:10 Quando já todos percebemos que o sucesso, os grandes empreendedores as pessoas mais felizes, não foram as pessoas que tiveram melhores notas, mas sim as pessoas que conseguem ter uma vida em equilíbrio que conseguem meditar, que conseguem encontrar e escutar o seu corpo se sabemos que essa é a solução porque é que não vamos por aí? a nossa escola está fora de boda só entra o cérebro não entra o corpo para a nossa escola e claro que existem as escolas com modelos fantásticos já e ainda bem e não é só a nível internacional também existe a nível nacional existem bo existem escolas com modelos fantásticos já e ainda bem e não é só a nível internacional também existe a nível nacional existem boas escolas agora nós também podemos ser modelos não é? E a Gymboree pode lembrar isto aos pais eu posso relembrar isto aos pais e relembrar esta questão da escuta do corpo, da importância de meditar, da importância do eu do cuidar Excelente Rita, obrigado por este bocadinho espero ter-te aqui de novo pedi às pessoas para seguirem as tuas conversas e as tuas páginas porque gostei imenso da tua forma de pensar quando te descobri pela primeira vez, foi no LinkedIn que tens alguma atividade lá e a tua veia empreendedora também, portanto a forma como estás a tornar público o vosso trabalho e a importância da vossa ciência, acho que tem muito mérito e deve ser apoiada Obrigada, eu posso aproveitar eu estou no Instagram, no Facebook como Rita Palma.psicomotricista e agora também estou na plataforma Patreon onde vou divulgando algumas PsicoMotri Talks gravadas e alguns conteúdos exclusivos para os associados e os elementos que apoiam este projeto. Eu acho que é importantíssimo falarmos sobre estas questões e obrigada por me dar-lhes essa oportunidade. Eu espero que se há alguma coisa que eu gostava que retivessem desta conversa é esta possibilidade de podermos pensar em conjunto de nos podermos colocar em questão mas sem nos destruirmos é podermos nos colocar em questão e está tudo bem, podemos melhorar a partir de agora, não nos culparmos não quero de todo que sintam isso, mas que sintam que podem fazer diferente e que podemos mudar pelo menos o nosso mundo Ok, eu coloquei os teus links na descrição do vídeo no Youtube portanto quem fizer uma busca por podcast Psicometricidade Infantil em princípio vai descobrir este podcast e depois estão lá nas descrições os teus links, principalmente o do Patreon para as pessoas poderem ajudar-te a continuar o projeto. Se quiseres alguma coisa e se alguém precisar, podem contar comigo. Obrigada.

59:12 Excelente. Obrigado, Rita. Bom resto de domingo. Obrigada, Nuno. Bom trabalho e parabéns. Ora é essa. Obrigado eu. Parabéns pelo teu projeto. Obrigada. Até à próxima. Até à próxima. ..