Dicionário das Crianças · Episódio 9
Confinar em Casal — Psicóloga Rita Fonseca de Castro
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Gravado em Janeiro de 2021, à entrada do segundo confinamento, este episódio do Dicionário das Crianças trocou por uma vez o desenvolvimento infantil pelo alicerce que o sustenta: a relação do casal. Nuno Simões conversa com Rita Fonseca de Castro, psicóloga na Oficina de Psicologia e especialista em terapia familiar e de casal, sobre o que acontece a duas pessoas obrigadas a partilhar casa, trabalho e filhos vinte e quatro horas por dia.
A conversa começa pelo princípio: porque é que os humanos precisam de laços e de emparelhar, e que bagagem cada um traz da sua família de origem. Rita Fonseca de Castro explica os conflitos de lealdade que surgem quando um parceiro observa criticamente a família do outro, e defende que os casais deviam conversar sobre os modelos que querem replicar — ou não — antes de constituírem família.
A partir do paradoxo tornado famoso por Esther Perel — queremos do mesmo parceiro segurança e previsibilidade, mas também mistério e aventura —, a psicóloga mostra como o confinamento agudizou tudo: a fadiga pandémica identificada pela Organização Mundial de Saúde, a fusão de papéis entre marido, mulher, colegas de teletrabalho e pais, e a perda dos escapes individuais que alimentam a tolerância ao outro.
As estratégias que propõe são concretas e continuam actuais: ser rígido na protecção do tempo e do espaço de cada um, delimitar horários e papéis profissionais, dividir preventivamente a atenção aos filhos em vez de esperar que o conflito apareça, e, nos casais à distância, fazer projectos em conjunto que devolvam sentido e esperança à relação.
Mas nem tudo é ameaça: muitos casais descobriram no confinamento um bónus de tempo que nem nas férias tinham. E fica um aviso precioso para quem planeia ter um bebé — é frequentemente o nascimento de um filho, ou do segundo, que leva os casais à terapia. Preparar-se para os desafios, falar com outros pais e lembrar que o óbvio também precisa de ser dito são lições que nenhum casal com crianças pequenas deve perder.
Neste episódio
- 2:45 Porque precisamos de laços e de viver em casal
- 3:32 A herança da família de origem e os conflitos de lealdade
- 9:05 O paradoxo de Esther Perel: segurança versus desejo
- 16:10 Efeitos do confinamento e a fadiga pandémica
- 20:23 Criar limites e proteger o tempo individual em casa
- 23:36 Teletrabalho a dois: separar papéis e horários
- 27:07 O lado positivo: o confinamento como bónus de tempo
- 29:32 Casais à distância: videochamadas e projectos em comum
- 39:23 O nascimento de um filho e o pedido de terapia de casal
- 41:53 A mensagem no cartaz: o óbvio também precisa de ser dito
Transcrição completa
0:00 sobre o dia-a-dia da parentalidade e do desenvolvimento da primeira infância para pais, avós e educadores de crianças do 0 aos 5 anos. O conteúdo deste programa é meramente informativo. Independentemente das opiniões expressas pelos nossos convidados, deverá sempre consultar o seu médico, terapeuta ou pediatra. Olá Rita, boa tarde. Olá Nuno, boa tarde. Obrigado por este bocadinho do seu domingo. Eu sei que é uma violência, mas vai nos dar muito jeito.
0:30 Não. Eu é que agradeço a confiança. Ok. Rita, eu já a apresentei mais ou menos na descrição do nosso podcast, mas pronto, a Rita é psicóloga e é terapeuta de casal e familiares. podcast, mas pronto, a Rita é psicóloga e é terapeuta de casal e familiares. É a área que trabalha exclusivamente ou tem outro tipo de terapias que faz ou clientes que aceita? Sim, sim, eu sou psicoterapeuta individual também de adultos e tenho a especialização em terapia familiar e de casal, portanto acompanho tanto pacientes individuais como famílias e casais. E o que é que é mais fácil, é os individuais ou os casais? Não consigo estabelecer uma análise comparativa, tem as suas especificidades, os dois formatos. Muito bem. Ora, então começava aqui com a pergunta mais difícil. Há casais neste momento que já estão a sofrer com as suas vidas pré-confinamento, sentem-se sem rumo, sem energia, sem esperança. O que é que nós lhes podemos dizer que lhes possa despertar a vontade de ouvir o resto deste podcast?
1:47 ainda não tenham tentado tudo, talvez estejam bloqueados ou rigidificados em algumas dificuldades que sentiram, talvez possam ouvir alguma coisa de novo e sabemos o papel que a esperança, que a novidade ocupa na esperança, portanto pode ser que haja alguma novidade que dê aqui um sentido diferente. Muito bem. Eu se calhar gostava de começar mesmo pelo comecinho. O que é que a ciência nos diz sobre esta nossa necessidade de criar relações e de emparelhar neste formato de casal mesmo?
2:15 Porquê? Porquê que os humanos sentem este apetite por acasalarem? Para lá das necessidades se calhar mais biológicas que possam haver, esta formação da família e do casal, onde é que a gente pode ir buscar na sua gêmeos? Bom, nós somos seres com necessidade de laços, não é? É nos laços humanos e do sentimento de pertença que nasce também a criação da nossa própria identidade e é neles que a identidade se forma e se consolida portanto nós precisamos nos sentir ligados a outros ainda há pouco tempo num documentário muito interessante que estreou na RTP2 o Deus Cérbro anunciavam como os seres humanos são os nossos principais qualquer coisa como os nossos principais problemas advêm de outros seres humanos, mas os nossos principais realizações também.
3:11 E de facto assim é, nós temos necessidade de estar ligados a outros e é isso com certeza, é essa necessidade de nos sentirmos validados, de nos sentirmos aceitos em pleno, que nos leva a ligar a outros e a constituir família, obviamente, para lá dos determinismos da espécie biológicos e ontológicos, naturalmente. Muito bem. E ainda neste espírito dos começos, como é que nós podemos reconhecer a nossa carga cultural, familiar, genética, emocional?
3:48 cultural, familiar, genética, emocional, porque, pronto, eu percebo que vocês fazem muitas perguntas sobre a infância, sobre como é que era a relação com o seu pai, como é que era a relação com a sua mãe, eu percebo que isto tem, obviamente, uma importância muito grande para a própria pessoa entender de onde é que vem e como é que pode estar pré-programada para determinados comportamentos e para determinados sofrimentos.
4:45 determinados sofrimentos. Nós conseguimos reconhecê-los sem ajuda, há algum caminho que a gente possa fazer, alguma luz que a gente possa acender aqui dentro e que querem criar um projeto de vida em conjunto, mas estas pessoas trazem consigo toda uma herança, seja cultural, naturalmente, ou mesmo que a cultural seja semelhante, trazem uma bagagem das suas famílias de origem, muitas vezes modelos que na aparência até podem parecer semelhantes, mas que terão com certeza divergências e num período inicial de relação isto tende a ser desvalorizado mesmo as diferenças tendem a ser vistas como algo que faz parte do encantamento e não numa lógica perspetiva dos problemas que isso poderá trazer e a verdade é que há muitos casais que recorrem à terapia por questões relacionadas com a família de origem, que impactam na vida da família, tenham filhos ou não tenham filhos, mas muito especialmente quando têm filhos. E eu diria que o primeiro passo é de facto estar consciente, estar consciente do que é que eu levo comigo, de quais é que são os meus modelos, o que é que eu quero manter, o que é que eu quero não replicar, ter muita consciência disso, porque todos nós crescemos num determinado contexto, somos obviamente o produto não só dele, mas de todas as experiências que fomos tendo, e separarmos para pensar, com certeza que conseguimos identificar o que é que queremos replicar do modelo parental em específico dos nossos pais e o que é que não queremos que se perpetue na nossa família agora isto é a nossa análise individual quando nos juntamos a outro que pode ou não ter feito essa mesma análise nada nos diz que estamos alinhados, não é? E portanto este é um dos principais aspectos sobre o qual os casais não falam, não se têm a falar antes de se construir em uma família e que eu diria que se o fizessem, se calhar, enfim, evitavam depois alguns dissabores mais tarde. Sente que algumas pessoas resistem muito a fazer esse tipo de análise ou às vezes até a reconhecer ou que são demasiado defensivos dos seus pais enquanto modelos e se calhar está ali às vezes uma explicação para algum bloqueio alguma resistência a tornarem-se vulneráveis porque lá está, querem proteger aquela imagem que têm do pai ou da mãe e portanto acabam por não conseguir fazer esse trabalho mais profundo interno Sim, quando falamos nisto falamos muitas vezes em conflitos de lealdade, não é?
6:49 E o facto de fazermos uma análise, de sermos analíticos em relação às pessoas que nos deram muito, ou que fizeram o melhor que sabiam e podiam, muitas vezes é sentido como estarmos a criticar, estarmos a pôr-nos numa posição contra essas pessoas. E não é de todo isso que se trata, é apenas de termos um conhecimento e um distanciamento maiores em relação à forma como fomos educados. Sempre com esta salvaguarda, com certeza, e na maior parte dos casos, assim espero que seja, as pessoas que nos criaram fizeram o melhor que podiam e que sabiam. Isso não significa que não consigamos ter, sobretudo à medida que vamos crescendo, uma análise mais crítica sobre isso, mas obviamente que muitas vezes quando nos juntamos a alguém que adota essa postura, porque vem naturalmente com distanciamento em relação à nossa família de origem, e que portanto a critica ou faz observações, não estou aqui a dizer critica de uma forma pejorativa nem negativa, nós tendemos a assumir uma postura defensiva, ficamos muitas vezes entre conflitos, entre o conflito com a família constituída e um conflito de lealdade com a família constituída e de lealdade com a família de origem, quando na verdade não tem que ser assim, não temos que ficar entre famílias não é?
8:08 E se calhar também há aqui uma análise mais meta que pode ser feita que é os nossos pais também tiveram pais, por sua vez tiveram pais portanto esta questão da culpa não tem obviamente que ser tirada daqui para acolá, é só simplesmente analisar que nós somos um produto de um hardware e de um software que muitas vezes não tivemos qualquer controle e quem nos passou esse software muitas vezes não teve controle pelo software que recebeu A culpa nem sequer deve ser uma variável tida aqui em consideração não se trata de toda uma culpabilização trata-se de ser analítico de ter um sentido crítico e de olhar com distanciamento para contextos para os quais não conseguimos olhar com esse distanciamento porque fazíamos parte deles, não é? Éramos parte integrante.
8:51 E isto em nada tem a ver muitas vezes até com o modelo de relação que se consegue ter depois enquanto adulto, que muitas vezes é diferente daquele que foi, que existiu em fases mais precoces. que existiu em fases mais precoces. Sim. Rita, eu tenho aqui umas frases da Esther Perel, aquela terapeuta conhecida, que eu acho que ela ficou famosa por esta análise, que não é totalmente original, mas ela a colocou de forma muito simples e acessível.
9:20 E diz qualquer coisa do género. Nas relações de hoje nós queremos segurança, queremos crianças, queremos um projeto e a respeitabilidade que se cria no passado, mas também queremos ser amados, desejados, admirados, queremos ser os melhores amigos, confidentes e amantes apaixonados. Ela depois expande um bocadinho. Esse paradoxo, não? Este paradoxo. Não haverá aqui algumas contradições, queremos que a pessoa amada nos ofereça estabilidade, segurança, previsibilidade e confiabilidade, mas também queremos que essa pessoa nos expande, nos crie mistério, aventura e risco acho que isto é um problema demasiado presente nas suas consultas e se calhar é por aqui que devemos começar a perceber este paradoxo Sim, sem dúvida sem ambos, dificilmente as relações se mantêm como satisfatórias a longo prazo agora, é um equilíbrio difícil de conseguir naturalmente Sem ambos, dificilmente as relações se mantêm como satisfatórias a longo prazo.
10:08 Agora, é um equilíbrio difícil de conseguir, naturalmente. Sem o primeiro, é-nos difícil, obviamente, sem o garante de estabilidade, previsibilidade, é-nos difícil sentir confiança na relação e num projeto de vida que se esteja a construir com outra pessoa. Mas sem o segundo, essa relação deixa de nos empolgar, deixa de nos entusiasmar. E portanto, o grande desafio aqui, e que de facto é presente em muitas consultas de terapia de casal, na sua maioria, é o de criar novidade, de criar, como introduzir novidade, sedução, em relações que se pretendem estáveis, seguras e de confiança. E isto é possível, é possível com esforço e com empenho, mas as relações são construídas diariamente, não desaparecem feitas, muito menos relações satisfatórias.
11:02 se calhar o promotor dessa procura vai tentar corrigir o seu parceiro quer dizer, se o meu trabalho está feito aqui do meu lado, eu preciso é que a doutora corrija aqui o meu parceiro ou a minha parceira porque há aqui uns assuntos que eu não consigo viver acho que há muito esta atitude felizmente é residual obviamente o que acontece casais em que um dos elementos sente que tem razão, não é? Que é muitas vezes aqui a questão que leva a grandes tritos, é a disputa da razão, e que pretende um aliado para mostrar ao outro de que lado é que está a razão.
11:40 é que está à razão mas eu diria que felizmente, porque é sempre enfim, temos logo que começar por dizer que não somos nós que vamos desempenhar esse papel mas felizmente acontece acontece pouco Ótimo, porque eu acho que isto liga aqui com a minha pergunta seguinte que é, será que a responsabilidade não é a liberdade suprema, não é? Quando nós conseguimos consumir um bocadinho o rumo das nossas sensações e da nossa visão, o nosso filtro, é muito mais uma coisa que nós podemos controlar do que o outro pode controlar.
12:10 Se deixarmos de delegar a felicidade no outro, conseguimos encontrar a liberdade que procuramos. Mas isto é realmente uma coisa que nunca nos ensinaram quando crescemos e, portanto, os modelos que vimos até não foram isso. quando crescemos e portanto os modelos que vimos até não foram isso há muita reivindicação há muitas expectativas há muito empowerment do outro toma este poder para me fazeres feliz e agora usa-o bem e depois isso tipicamente está em desilusão eu diria que ninguém quer carregar essas expectativas são um peso demasiado grande teremos que carregar essas expectativas, não é? São um peso demasiado grande.
12:50 Teremos que carregar em primeira instância expectativas sobre nos fazer felizes a nós mesmos, não é? Exercendo essa liberdade com responsabilidade. Naturalmente que isso não invalida que façamos movimentos em direção ao outro e para agradar ao outro. Até porque em última instância isso nos deixará felizes a nós mesmos o cuidado, a preocupação para com o outro e o exercício dessa liberdade com respeito pela relação em que se está mas naturalmente colocar sobre o outro todas as expectativas da nossa felicidade parece-me um peso demasiado excessivo Claro, voltando um bocadinho atrás essa coisa que disse de assumirmos a responsabilidade pela nossa felicidade. Quais são os pilares da nossa felicidade? O que é que nós podemos nutrir para sentirmos essa felicidade de forma a que não dependa totalmente de uma outra pessoa?
13:41 mais se usa atualmente que era muito utilizado com o apogeu da psicologia positiva pensa-se mais hoje em dia em conceitos como o bem-estar ou satisfação com a vida que se ergue sobre uma série de pilares dos quais faz parte ou que fazem parte da nossa vida e as relações humanas obviamente estão aí contidas como eu disse no início a nossa vida dificilmente tem significado e nos sentimos satisfeitos se não estivermos vinculados a outros, o que não se circunscreve obviamente às relações românticas.
14:14 Existem depois outros caminhos de realização, naturalmente o cultivo da espiritualidade, que não é sinónimo de religiosidade, tem a ver com termos um sentido espiritual e do alimentarmos, é um outro pilar fundamental. E termos um significado para a vida, numa lógica mais existencial, se não tivermos objetivos, se não conseguirmos dotar cada dia de um significado, que contribua depois para um significado maior, dificilmente nos sentiremos felizes, satisfeitos com a vida ou teremos bem-estar.
14:50 Ok. Então estamos aqui a falar-se da pirâmide de Maslow ou uma imagem parecida com essa? Um bocadinho já mais atualmente mais sofisticada, sim. Mas sim, as nossas necessidades estão contempladas nessa pirâmide. E distribuir às vezes também a nossa atenção pela profissão, pelos amigos, pelo bem-estar pessoal? As questões de saúde, do bem-estar físico, obviamente de saúde emocional e mental indissociáveis da saúde física. emocional e mental indissociáveis da saúde física, as questões da realização por via da profissão, de uma vocação, de uma aptidão que nos permite sentir realizados, as questões dos vínculos fundamentais familiares ou outros, e barro outros, são dimensões fundamentais. A própria e o sentido de pertença a uma comunidade. Sentir que fazemos parte de uma dimensão maior de pessoas é também uma dimensão fundamental.
15:56 Muito bem. Rita, nós estamos a entrar agora num confinamento e é um bocadinho também a razão deste podcast. Portanto, todos já passámos por um há pouco tempo e não foi agradável. A minha primeira pergunta sobre isto era quais são os efeitos do confinamento numa pessoa? Nestes modos, é óbvio que nós não estamos numa prisão totalmente, mas que efeitos é que são expectáveis num indivíduo de ficar restrito na sua liberdade de circulação e de contacto, de socialização, o que é que é expectável para nos centrarmos?
16:29 Bom, eu diria que este segundo confinamento, segundo confinamento nestes moldes, embora algo mais ligeiros que o primeiro, mas tem um lado positivo de não ser novidade e tem um lado negativo que tem a ver com o cansaço. A Organização Mundial de Saúde já identificou a fadiga, o cansaço pandémico, que tem a ver com esta dimensão de incerteza na qual vivemos há aproximadamente um ano, o que gera, enfim, muito baixa tolerância a não sabermos exatamente quando é que vai terminar tem mais a ver com quando é que vai terminar obviamente que existem depois outras dimensões associadas à ameaça à saúde física que possamos já ter sentido ou que outros próximos de nós possam estar a sentir ter sentido ou o medo que venham a sentir diria que é natural que estejamos todos com níveis de stress relativamente elevados níveis de preocupação de alguma intolerância já à incerteza e sobretudo cansados é de facto a maior prova que estamos todos a ter aos nossos níveis de resiliência, nunca foi tão falado nos mais diversos fóruns, de capacidade para tolerar adversidades que vêm em várias frentes e para as quais não estávamos naturalmente preparados.
18:00 Portanto, estamos em constante solicitação de adaptação a desafios novos, com a incerteza de outros que poderão vir. E num grupo, que tipo de efeitos é que a gente pode esperar? Sendo que este grupo é muito específico, é um grupo familiar, ou às vezes é só um casal, é óbvio que não é a mesma coisa estar confinado sozinho ou estar confinado com outras pessoas. O que é que podemos esperar nesta circunstância?
18:28 Bom, se por um lado podem surgir todos os efeitos positivos daquilo que é a união e a coesão familiar, multiplicamos este turbilhão e estes desafios emocionais pelo número de elementos que fazem parte da família e portanto é necessário também níveis adicionais de tolerância emocional chamaria eu para com as emoções do outro se nós temos medos, se nós temos incertezas se nós temos cansaços, as pessoas que vivem connosco também têm agora isso pode ser partilhado e com certeza que ao ser partilhado empaticamente conseguiremos modelar aqui um bocadinho o impacto que tem a nós, mas temos que estar receptivos para isso Então, eu lembro-me aqui de uma história nós em jovens fazemos às vezes inter-rails e, portanto, estamos um mês em particular com um conjunto de amigos ou com uma namorada ou com o que seja, e aquelas pessoas que adoramos no primeiro dia e que estamos dispostos a fazer um desvio de 50 quilómetros para ir ver aquele museu ou um desvio de 30 minutos a pé para ir comprar aquele iogurte, ao fim de 15 dias ou ao fim de um mês, nós queremos matá-los só pela mera sugestão e estamos de férias e está sol e portanto, supostamente é tudo divertido portanto eu imagino que confinado seja um bocadinho mais complicado, é uma questão imatura na altura do Interrail eu sinto que isto não mudou muito como muitas pessoas à minha volta continuam a sentir este stress querem um escape, não é?
20:06 Precisam do seu tempo sozinhos, precisam de ouvir o silêncio e aqueles momentos em que se afastavam da família e era uma energia que iam buscar a outras distrações. Há algum exercício que a gente possa fazer para acomodar isto um pouco melhor? Às vezes as casas não são grandes o suficiente, não é? O desafio é esse mesmo, Ou seja, é criar limites. Aqui parece-me que ter controle e ser rígido não é problemático.
20:31 Ter controle e ser rígido sobre esses espaços e esse tempo individuais, ao qual vamos buscar precisamente muita da tolerância, da aceitação e da empatia que é necessário para a convivência com o outro. Em casa, ou saindo, que nos é permitido, obviamente com todas as cautelas, acho que fundamental, que é indiscutível, quão fundamental é termos todos e quando digo todos digo desde a mais, tem realidade, temos espaço para nós termos, vedados de muitas das atividades de lazer habituais, conseguirmos encontrar rotinas de escape.
21:16 E que seja estarmos sentados no chão, ou no chão, por chão simplesmente a respirar em contato connosco, seja ir dar uma volta em redor do prédio onde vivemos, seja o que for, mas tirar algum tempo para nós, eu diria que é vital e obviamente que todos funcionem como promotores deste espaço e deste tempo dos outros. Promotores e facilitadores. Mas com certeza que a partir do momento em que eu sinto as vantagens que isso tem para mim, eu vou promover que o outro também tenha esse tempo.
21:57 Se gostávamos de... se a nossa atividade de escape de tempos livres era um exercício físico podemos retirar algum tempo por dia e fazer exercício físico em casa ou próximo de casa se era estar com amigos podemos fazer videochamadas plataformas hoje em dia que facilitem este contacto, não faltam não é? E portanto tentar adaptar tudo aquilo que era a nossa rotina aos moldes em que temos que existir neste confinamento.
22:32 Mas tentar, ao máximo, não abdicar daquilo que são as nossas necessidades vitais. Se estivermos sempre em esforço, enfim, será bastante mais difícil. Claro. E estas novas descobertas, esta questão de trabalharmos lado a lado, às vezes obviamente que é uma novidade, às vezes mesmo depois de anos de relação nunca tínhamos ouvido aquela pessoa a ter uma reunião de trabalho ou a desabafar com o colega ou a rir ou a estressar de uma forma porque lá está, nunca tivemos que lidar com aquilo.
23:03 Sim, muitas vezes conhece-se a pessoa há muitos anos mas nunca se viu a pessoa no desempenho daquele papel não é? E não é fácil, às vezes é uma desilusão não é? Não estava a contar isto desiludo mas não estava a contar que que a pessoa lidasse desta maneira com este tema obviamente que ela também está com as suas próprias lutas e confinada mas sim, apareceu-me muito bons pessoa lidasse desta maneira com este tema. Obviamente que ela também está com as suas próprias lutas, não é? E confinada. Mas sim, apareceu-me muito bons conselhos e dar uma volta à volta do prédio, ou meditar um bocadinho. E em relação a isto, o marido, o mulher, o companheiro, a companheira, não é um colega de trabalho.
23:38 São duas pessoas que por força das circunstâncias estão a trabalhar no mesmo local. E que deverá ser tanto quanto possível, quanto obviamente as condições habitacionais permitirem que não seja o mesmo espaço ou seja, haver aqui os limites, ou que até possa entrar a trabalhar na mesma mesa, mas está cada um numa ponta da mesa no seu local de trabalho, no seu horário de trabalho e durante o horário de trabalho está no seu papel profissional e está dedicado ao seu papel profissional.
24:06 Fazem com pausas, como teria no seu local de trabalho, cumprindo estritamente os horários de trabalho, para que estes papéis, que já tão facilmente se podem fundir, enfim, para diminuir a probabilidade que isso aconteça. Ao almoço, com certeza, encontra-se marido e mulher. Não são os colegas de trabalho que estavam antes a partilhar a mesma mesa. O que não invalida é que não possam desabafar obviamente sobre o dia de trabalho, como fariam noutra circunstância. Mas tentarem ao máximo estabelecer os limites entre aquilo que são os diferentes papéis, papel de mãe, pai, profissional, marido, mulher.
24:46 E isto faz-se muitas vezes com recurso ao espaço e com recurso ao tempo não é? Claro, e na possibilidade de termos crianças em casa, porque pode-se estar o caso, ainda não chegámos aí, mas se o confinamento se alargar também às escolas ou pronto, às crianças óbvio que a coisa se complica um bocadinho. Depois há um conjunto de tarefas. Eu diria que isso é uma das grandes vantagens para os casais deste confinamento em relação ao primeiro, que é não terem que acumular ainda a atenção aos filhos, às aulas dos filhos, aos trabalhos, às exigências associadas a ter os filhos em casa.
25:24 E nesse caso, se tivessem que acomodar também as crianças, o que é que seria melhor? Tipo dividir em tarefas e estancar em conseguirem ter um tempo de trabalho puro ou deixar rolar e ver quem é que está mais disponível? Depende muito das características do trabalho naturalmente e da idade das crianças, mas o que tem funcionado com alguns casais é de facto delimitarem com que têm filhos mais pequenos que carecem de mais atenção, é delimitarem os horários de trabalho e quando têm reuniões, quando têm momentos que exigem total atenção, concentração e foco, o outro assume portanto dividem dentro do que consegues marca reuniões e compromissos da parte da manhã eu marco da parte da tarde estabelecerem muito bem estes limites e assumirem maioritariamente a atenção e os cuidados aos filhos quando o outro está mais dedicado à esfera profissional isto são tudo medidas preventivas diria eu, que funcionam melhor do que esperar para ver o que acontece. Porque esperar para ver o que acontece muitas vezes pode levar aqui a grandes desencontros e depois a mágoas porque, enfim, consigo imaginar, não é?
26:38 O teu trabalho é mais importante que o meu, sou sempre eu que abdico, etc. Portanto, quanto mais definido estiver, mesmo que não seja a realidade atual, mas de um modo preventivo, até porque quando as coisas são conversadas num clima de harmonia e em que ainda não está a acontecer nenhuma dificuldade de conjugação, será sempre muito mais produtivo do que esperar porque aparece o problema. E já agora do lado positivo, que oportunidades é que existem para melhorar a relação em algumas dimensões?
27:10 Portanto, não tem que ser tudo mau, não é? Não, tudo. Juntas. Alguma, sei lá, alguma lista de coisas positivas que a gente pode tirar daqui e se calhar podemos picá-las e saboreá-las um pouco melhor às vezes não estamos conscientes que elas existem Há muitos casais que referem isso, felizmente que estes períodos de confinamento e o facto de poderem estar em casa de não terem o despêndio de tempo que tinham entre casa, local de trabalho, escolas dos filhos portanto não estarem tão assobrabados pelas distâncias, pelos períodos passados no trânsito, etc., os libertou.
27:52 E ao libertar, os deixou mais disponíveis, não apenas em termos de tempo, mas também emocionalmente para o outro e para a relação. E portanto, há casais que veem estes períodos de confinamento como um bónus de tempo e que consegu também por ser para ir visitar pais, familiares, com amigos, acabava por sobrar muito pouco tempo para a família nuclear e para o casal. Com estas restrições, há muitas famílias que estão a conseguir retirar proveito disso, de um tempo que não tinham.
28:43 Às vezes nem mesmo nas férias tinham tanto tempo para se dedicarem uns aos outros e ouço narrativas muito interessantes de casais e de famílias que estão a conseguir retirar esse sumo positivo portanto nem tudo é mau Claro, isto é um bocadinho até a imagem da ilha deserta não é? Se fôssemos para uma ilha deserta quem é que gostaríamos de levar? Em alguns casos se calhar seria mesmo aquela pessoa que está ali ao nosso lado porque porque queixar-nos, não é? alguns casos se calhar seria mesmo aquela pessoa que está ali ao nosso lado porque queixar-nos, não é?
29:07 Sim, claro que sim. Acrescem depois aqui obviamente uma série de preocupações, não é? As preocupações com a própria pandemia, as preocupações financeiras que sabemos que estão a invadir muitas famílias, portanto não é tão paradisíaco assim o contexto, mas pode ser visto em termos de tempo de facto como um bónus de um tempo que nunca existiria entre as correrias de um cotidiano normal. Claro. Rita, e os casais que não vivem juntos? O que é que podemos dizer-lhes? Porque estão numa situação oposta, estão confinados, mas não podem estar com a sua cara metade por alguma razão logística ou porque vivem em países diferentes ou porque têm uma relação à distância e elas ficam a tornar-se ainda mais distantes com esta proibição de circular que estratégias ideais chamadas eu não sei se agrava, se facilita não, facilita naturalmente a manutenção do contacto reservar tal como os casais que vivem juntos, reservar um tempo do dia que é dedicado ao casal. Através da realização de videochamadas, podem partilhar uma refeição, aqui a criatividade será sempre útil.
30:25 Será sempre útil. Podem nestas conversas também, para recuperar o tal sentido de esperança, perspectivar como é que vai ser a sua vida quando puderem estar juntos. Fazer projetos em conjunto tende a ser um ótimo preditor para uma relação satisfatória, porque o casal perspectiva-se no futuro. Perspectiva-se e acredita que vai ficar junto e que vai concretizar aqueles projetos Peço desculpa Entrou uma chamada, não faz mal a dessa Tive aqui uma interrupção, peço desculpa Para além do há bocadinho falámos do tal de necessidade de significado ou de sentido para a vida, aqui é necessidade de sentido e significado para a relação perspectivar a relação pós-pandemia, embora obviamente não saibamos, não saiba quando é que isso vai ser, mas pode dar aqui um alento necessário à relação, com certeza que vão conseguir estar juntos em breve, não sabendo, obviamente, quando será o em breve. Que tipo de projetos é que são mais bem-sucedidos? Esses projetos que me falou, podemos listar alguns?
31:30 Podem ser umas férias. Há casais a viverem distantes por situações muito distintas. Pode ser umas férias, pode ser uma mudança de casa, pode ser um novo projeto profissional que é só de um, mas que vai possibilitar estarem mais próximos, por exemplo, e torna-se aí um projeto dos dois. Pode ser simplesmente o que é que vamos fazer da próxima semana em cada momento que estivermos juntos, vamos jogar um jogo, vamos partilhar uma refeição, vamos...
32:00 Isto também é um projeto em casal, a mais curto prazo, naturalmente. Mas eu diria que os projetos vão desde o curto prazo até ao longo prazo. Como é que vai ser a nossa vida em casal? Quais é que são os projetos que temos? Como é que imaginamos a nossa família no futuro? as nossas próximas férias em conjunto, onde e como é que vão ser, o que é que gostavas de fazer, o que é que eu gostava de fazer.
32:31 Isto dá-nos um sentido de continuidade da relação no futuro e lá está o tal sentido de esperança que todos estamos tão necessitados. Claro. Rita, sentiu um afluxo, procura, pelas suas consultas de terapia desde o último confinamento? Sim, houve um período em que houve um acréscimo, sim. Que eu vejo como positivo, ou seja, foi de alguns... O facto de também estarmos mais disponíveis para a realização de consultas online no primeiro confinamento permitiu a alguns casais, sem necessidade de conciliação, de agendas, com quem deixar os filhos, uma série de questões mais logísticas, terem algum tempo livre e pensarem em recorrer à terapia.
33:10 Não necessariamente por consequências do confinamento, mas porque havia alguns aspectos que achavam que já andavam a aviar, a procrastinar, e que se calhar valia a pena olhar para eles. Eu diria que houve um aumento muito positivo porque foram pedidos não numa lógica muito remediativa e quase que os pedidos de SOS que às vezes recebemos mas pedidos numa ótica mais preventiva que eu acho que são sempre mais desejáveis enfim, obviamente que aqui não estou a considerar questões mais não nos podemos esquecer que há uma realidade depois, por trás deste confinamento, há realidades de casal muito duras e graves, não é? Enfim, essas estatísticas fazem eco disso, não é? Mas esses casais infelizmente também não chegam muitas vezes a períodos de terapia de casal.
34:04 também não chegam muitas vezes a períodos de terapia de casal. Como é que descreveria os seus melhores pacientes? Ou os melhores pacientes não têm de ser os seus em particular? O que é que é um bom paciente de psicologia em terapia de casal? Eu diria que um paciente que está preparado para mudar. Isto em qualquer modelo de terapia, seja individual, seja familiar, seja de casal, que está predisposto para a mudança e que vê na terapia uma oportunidade e um catalisador para realizar essa mudança.
34:47 E portanto os mais desafiantes são os que não têm essa predisposição. Sim, que não têm esta predisposição para mudar, naturalmente. Que estão num estádio de consciência da mudança bastante mais... Estão mais atrás nesse processo de preparação para a mudança. E então, se estivermos a falar de terapia de casal, se houver aqui um desencontro entre ambos, é mais difícil, naturalmente, conseguir aquele elemento que está mais resistente se ali ao processo terapêutico Eu aqui há uns anos li um livro que eram as 5 linguagens do amor não sei se a Rita já ouviu falar nisto e portanto nós não falamos necessariamente todos a mesma língua e portanto há pessoas que têm uns desejos que não são necessariamente os mesmos dos outros.
35:26 Isto é uma forma válida de olhar para as relações, ou devemos ir mais por Marte e Vênus, ou Marte e Marte, Vênus e Vênus. Qual é, assim, uma imagem acessível a um leigo da psicologia para entender a relação e poder trabalhar sobre ela passo a passo? Eu diria que é ver que um mais um, independentemente do planeta de que vem é um mais um que se unem e que vão formar um três, não é?
35:53 Que é uma outra coisa, que não é um somatório das características de um e do outro é uma nova entidade é a relação que é formada por ambos que obviamente vai colher aspectos de um e de outro, mas que acima de tudo tem aspectos que são co-construídos. Esta é a melhor forma de olhar para uma relação, é como uma relação, é uma entidade nova que se constrói a cada dia e que carece de empenho e de trabalho de ambos os elementos que estão nessa relação.
36:28 Porque senão entra em desequilíbrio naturalmente. E o equilíbrio é fundamental. Como eu digo muitas vezes aos casais, não tem que ser 50-50. É nada. Pode ser 60-40 numas dimensões, 70-30 nas outras. É importante que haja um equilíbrio geral. é importante é que haja um equilíbrio um equilíbrio geral digamos Eu percebo que agora há uma especialização em sexologia, será assim que se chama? Sim Quando é que é apropriado indicar um casal para uma consulta desse tipo ou quando é que a coisa está no testágio não sei, há sinais assim claros de que é uma coisa mais específica Há dificuldades a nível da sexualidade do casal que remetem, e nós percebemos isso em consulta e em avaliação, que têm a ver não com a vida sexual do casal, mas com dificuldades de comunicação, rigidificação de padrões de outra natureza, e que estão desbloqueando esses modos de funcionamento em terapia de casal, as dificuldades a nível da sexualidade são ultrapassadas. Há dificuldades que são efetivamente meramente da esfera sexual e essas devem ser obviamente algo de abordagem por um sexólogo existem perturbações a nível de tanto do homem como da mulher, da sexualidade, que interferem na relação, ou existem dificuldades de ajustamento dos dois, que são meramente da esfera sexual, que são melhor endereçados por um sexólogo.
37:55 E qual é a prevalência destes problemas, Rita? É uma coisa abundante? É mais rara? Da minha experiência clínica, as dificuldades de sexualidade mais comuns são uma extensão de dificuldades a nível da vivência do casal há dificuldades a nível da vivência do casal que se refletem na intimidade que é um conceito sempre mais largo e mais amplo do que a sexualidade ao serem desbloqueadas essas dificuldades a nível da intimidade a vida sexual pode ser também reconstruída e as dificuldades são nível da intimidade, a vida sexual pode ser também reconstruída e as dificuldades são naturalmente superadas.
38:29 Diria que é, até porque muitas vezes os casos de perturbações da sexualidade procuram terapia individual, muitas vezes não são dificuldades na relação, na interação, são dificuldades de cada um. não são dificuldades na relação, na interação, são dificuldades de cada um. A maior parte das dificuldades da sexualidade eu vejo como um contínuo, como dificuldades da relação que se manifestam em todas as esferas e naturalmente também na sexualidade.
38:57 Ok. E os desafios dos casais são transversais às balizas de idade que existem ou há problemas típicos de casais mais jovens, ou de casais mais idosos, na sua experiência é uma coisa... Bom, há um acontecimento, um ou dois, enfim, depende, ou três, mas que muitas vezes dita o pedido de terapia de casal, mais ou menos próximo do acontecimento que tem a ver com o nascimento de um filho.
39:26 Eu digo de um ou dois porque muitas vezes não é após o nascimento do primeiro filho, é após o nascimento de um segundo filho que os casais percebem que se calhar teria sido útil pedir ajuda no nascimento do primeiro, porque vem agudizar as dificuldades que já vinham sentindo. E de facto não significa, e isto muitas vezes tem que ser desmistificado junto dos casais, não significa que o nascimento de um filho não tenha sido o acontecimento mais feliz das suas vidas e que não seja um acontecimento que é obviamente globalmente positivo, mas traz é um acréscimo de desafios e de dificuldades de gestão da vida familiar e da vida de casal para que muitas vezes os casais não estavam suficientemente preparados. E por isso é natural que fiquem, enfim, depois com, sendo alimentadas aqui alguns mal entendidos, falhas de comunicação, etc., vai criando um caldo que depois é difícil os casais sozinhos conseguirem olhar com distanciamento e sair desse modo de funcionamento.
40:29 Muito bem. Rita, o romance e o amor devem ser das coisas mais abordadas nos livros e nos filmes. Imagino que alguns deles, nos seus olhos, estejam profundamente errados e outros, calhar, estejam mais alinhados com o que realmente devia ser a imagem que nós devíamos ter do modelo de uma relação. Gostaria de recomendar algum livro em particular ou algum filme para a nossa audiência, do que lhe pareça ser, isto é saudável, aquilo não tanto.
40:57 Bem, há um livro, começámos por falar na Esther Perel, há um livro, há um filme que se chama Nunes, novidade no Netflix com a Esther Perel e há um livro, há um filme que se chama Nunes, novidade no Netflix, com Esther Perel. Muito interessante. De 2018, penso eu. E que aborda precisamente esse paradoxo de que começámos por falar. E, portanto, acho que é um livro um filme altamente recomendável.
41:21 Vou recomendar um sobre o que não fazer. É o Kramer contra Kramer lembro-me sempre deste filme o que não fazer em situações de conflito parece-me um filme muito interessante um clássico sobre o que não fazer mas enfim, em relação ao o que fazer, eu diria que por mais romanciados que possam ser os filmes são sempre uma ótima inspiração sobre aquilo que se pode fazer para alimentar a relação desde que não se construam expectativas obviamente demasiado tópicas Ok Se pudesse ocupar um cartaz gigante para toda a gente ler que mensagem é que escolheria lá colocar?
42:01 Se calhar vou dizer uma coisa que tenho muitas vezes em consulta e que é uma frase feita, mas que não deixa de me fazer sentido, que é o óbvio também precisa de ser dito ok é muito frequente ouvir em consulta muito frequente mesmo, mas tu não me tinhas dito que não tinhas gostado disso, ou mas tu não me tinhas dito que querias aquilo, tu não me tinhas dito, nunca me tinhas dito é mesmo muito frequente e casais que podem estar muito tempo juntos mas o tempo não é necessariamente equivalente e o confinamento provavelmente mostra isso a quantidade de tempo não é equivalente à qualidade da comunicação e da partilha e daquilo que é transmitido ao outro portanto eu acho que esta parece ser uma boa frase.
42:46 Sobre todos os aspectos da vida em casal. Muito bem. Nos últimos anos houve alguma nova crença ou algum comportamento ou hábito que tenha melhorado particularmente a sua vida? Bom, eu diria que tudo o que tem a ver com hábitos de... Eu sou tendencialmente muito notívaga, portanto tudo o que tem a ver com hábitos de higiene de sono e de tentar rotinar-me e habituar-me a ter uma higiene de sono mais ajustada tem sido bastante proveitoso.
43:18 Enfim, obviamente para além de outras práticas com que fui tendo contacto, meditativas e de atenção ao corpo e à respiração que são também altamente benéficas Podemos aprofundar um bocadinho que tipo de meditação é que faz usa um tantra só observa-se Não, simplesmente estar em enfim, um tipo de meditação simples, diria eu apenas estar em contacto com o corpo, com a respiração Tentar encontrar um bocadinho de silêncio ou então observar os pensamentos mais... Exatamente Que conselhos é que poderíamos dar a um jovem casal ou alguém que esteja a planear ter um bebê? Um casal que tenha conhecido há relativamente pouco tempo o que é que podemos semear que possa ser particularmente útil?
44:05 Não quer ser entendida como negativa, mas diria que considerem todas as possibilidades ou seja, pensem obviamente nas coisas boas, nas coisas positivas façam uma preparação para a parentalidade em todos os níveis mas pensem também, falando por exemplo com outros casais porque muitas vezes há a sensação de só nós é que estamos a passar por isto os outros pais parece que corre tudo tão bem conosco há estas dificuldades e muitos dos casais sentem-se sós nisto e portanto tentarem preparar-se para também aquilo que são os desafios mais uma vez a lógica preventiva é sempre parece-me que faz muito sentido, obviamente que se os desafios que anteciparam não se concretizarem ficam preparados para outros mas parece muito importante preparar-se para todo o tipo de cenários e todo o tipo de desafios e discutir essas questões de uma forma construtiva, de uma forma proactiva e não quando depois as questões surgem muitas vezes no meio de cansaço, privação de sono de muitos desafios, enfim, ter um filho no contexto macro em que vivemos não é com certeza fácil e portanto eu diria para olharem para o futuro obviamente com sentido de esperança e de otimismo mas pensando também com otimismo e com esperança como é que em conjunto vão enfrentar desafios com que também se vão naturalmente confrontar. E como é que se prepara a parentalidade, tendo em conta que muitas vezes nós não sabemos o que não sabemos? Mas podemos falar com quem sabe, podemos procurar informação, podemos ler, podemos, como eu disse, falar com os pais pode ser um momento até de união com os familiares perguntar aos pais como é que foi perguntar aos amigos como é que foi desmistificando como eu dizia há bocadinho que não é tudo fácil eu fiquei partilhando com outros receios, ouv com outros receios ouvindo os receios que os outros também tiveram falando com especialistas, lendo obviamente nós não sabemos tudo, mas podemos procurar saber mais do que aquilo que sabemos, não é?
46:14 Bom, no seguimento desta resposta, lembrem-me agora a Esther Perel tem um podcast, eu não sei como lhe chamar tem um programa que é o Where Should We Start? onde casais revelam a sua experiência e aquilo é absolutamente comovente e marcante porque no fundo para mim que não sou psicólogo ter acesso àquele nível de vulnerabilidade os casais a descreverem as suas relações e os seus desafios a forma como os ultrapassaram ou como ainda estão por ultrapassar é realmente muito marcante e inspirador porque podemos prevenir todos aqueles problemas em nós próprios quando os vimos já realmente desenrolarem-se de A a Z em outro casal, não é?
46:55 E nós sabemos que, e é essa a grande força que têm os grupos terapêuticos, os grupos de apoio, nós sabemos que não há nada como a experiência vivida e a partilha eu diria que se calhar se houvesse grupos de pais, de recém-pais, que partilhassem as suas dúvidas, os seus medos, as suas incertezas num espaço que sentissem como seguro e em que fossem acolhidos, se calhar seria interessante, não é, para perceber de viva voz quais é que são as dificuldades mais do que fazer leituras teóricas isto obviamente também é válido para a experiência de casal, quantas vezes não há quando se está em sofrimento a sensação de que se é o único a sentir daquela forma perante aquela circunstância, portanto esse sentido de identificação é muito importante e é muito poderoso.
47:48 Ok. Rita, existe alguma má recomendação que costumava ouvir associada à sua profissão? Um mito urbano muito prevalente ou algo que se calhar devíamos... Somos todos psicólogos. Se calhar esse. Isso é um problema, não é? Ainda existe a crença é? ainda existe a crença ainda existe a crença se calhar, acho que é uma boa vou deixar por aí, não preciso aprofundar porque é auto-explicativo e a última pergunta era, quando se sente assorbada e sem foco, o que é que faz?
48:20 acho que consegui imaginar medita um bocadinho ou tem outros truques? felizmente eu tenho uma proximidade de casa do mar muito grande e, portanto, mesmo com estas restrições, conseguir vê-lo e ouvi-lo e, sem dúvida, que é, enfim, se me estou a sentir a superar a bada num determinado contexto, é tentar sair um bocadinho desse espaço, não é? Porque o espaço também tem algum poder sobre nós e estar um bocadinho em contacto comigo, obviamente que não tem que ser necessariamente sair de casa, mas lá está a introduzir alguma novidade, alguma mudança e regressar então depois com novos olhos e com novas formas de sentir ao contexto onde me estava a sentir dessa forma.
49:04 Ok. Ganha a distância, diria eu. Finalmente, das pessoas que se quiserem encontrar, eu sei que há consultas na Oficina de Psicologia, eu achei super fácil encontrá-las, se quiserem o seu nome online, aparece logo a sua landing page e podem embarcar uma consulta online. Podem, exatamente, na agenda da oficina da Psicologia. Muito bem. Pronto, eu espero que esta conversa bom, espero e não espero, que lhe esgota a sua agenda.
49:30 Pronto, pelas melhores razões, para ficar a fazer um bocadinho de higiene de casal e de família. E agradeço mais uma vez o seu tempo. Eu é que agradeço. Muito obrigada. E espero que nos vejamos de novo também. Muito obrigada, Nuno. Até à próxima. Muito obrigada. Vejamos de novo também. Está bem. Muito obrigada, Nuno. Obrigada. Até à próxima. Bom domingo. Até. Muito obrigada. Ama o seu filho? Gostava de descobrir mais sobre o seu desenvolvimento para fazer melhor todo o seu potencial?
49:57 Então, está no sítio certo. Nós somos o Jim Marie Play Music. Uma equipa de profissionais apaixonados pela infância e pela parentalidade. E este é o nosso canal. O nosso conceito tem origem americana e chegou a Portugal em 2007 por um casal que conhecia bem as ansiedades e ambições próprias da parentalidade. Atualmente estamos presentes em todo o mundo. Abarcamos um currículo com mais de 40 anos de experiência e contamos com especialistas internacionais empenhados no desenvolvimento dos nossos programas.
50:25 Aqui encontrará a melhor informação científica acerca do desenvolvimento infantil, em vídeos de atividades dos 0 aos 5 anos, minutos de jimbering, entrevistas e podcasts com expertos nacionais, análises de brinquedos, sugestões de livros e tudo o que diz respeito às nossas crianças. Através da brincadeira, da música, das artes, propomos ajudar as famílias a estreitar os seus laços afetivos e a descobrirem muitas formas criativas de superar os desafios da infância.
50:54 Acreditamos no poder da brincadeira para o desenvolvimento da criança e da família. Por isso, se partilha connosco esta paixão, subscreva o nosso canal e ative as notificações para não perder as nossas novidades semanais.