Dicionário das Crianças · Episódio 14
Podcast ao Contrário — as crianças fazem as perguntas
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Ao fim de catorze episódios a fazer perguntas, Nuno Simões senta-se do outro lado da mesa. Neste "Podcast ao Contrário", é a psicóloga Inês Marques quem conduz a conversa e faz, como ela própria diz, um raio-x ao podcaster. O resultado é um episódio diferente de todos os outros: em vez de um especialista convidado, conhecemos a história de quem criou o Dicionário das Crianças e do Gymboree Play & Music em Portugal.
Nuno conta como o interesse pelo desenvolvimento infantil nasceu antes do negócio: quando soube que ia ser pai, começou a empilhar livros sobre o tema, entre o fascínio e a ansiedade de quem quer fazer bem. Um ano e meio depois, ao ver o Gymboree numa feira de franquias, teve uma reacção física imediata — o estudo de mercado, diz, começou e acabou naquele segundo. Da pandemia nasceram o Gymboree Online e este próprio podcast, exemplos vivos de como uma crise pode ser transformada em oportunidade.
A conversa entra depois pelo empreendedorismo — o Gymboree é o 17.º negócio de Nuno — com conselhos concretos para quem tem ideias mas medo de arriscar: procurar quem já faça aquilo há dez anos, validar a ideia junto de amigos e família, e aceitar que os erros fazem parte do caminho. A comparação é deliciosa: reagir a um erro deve ser como reagir à birra de uma criança de cinco anos, com sangue frio e sem levar a peito.
Há também espaço para o lado pessoal: a inspiração do pai, que superou a paralisia infantil através dos livros; os valores que quer passar aos filhos — serem boas pessoas e intelectualmente honestas; o papel do desporto e do estado de flow; e os livros e filmes que o marcaram, dos Four Agreements ao Divertida-Mente.
Para pais e educadores que seguem o Dicionário das Crianças, este episódio é a peça que faltava: perceber quem pergunta e porquê. E termina com a lição maior, aprendida com os próprios filhos — a descoberta de um amor que resiste a tudo e que redefine a identidade de quem se torna pai.
Neste episódio
- 0:22 Como nasceu a ideia do podcast Dicionário das Crianças
- 3:32 A descoberta do Gymboree numa feira de franquias
- 7:52 O nascimento do Gymboree Online durante a pandemia
- 11:02 "O Gymboree é o meu 17.º negócio": a veia empreendedora
- 14:14 Conselhos para quem tem ideias mas medo de arriscar
- 17:20 O papel dos erros: crise como perigo e oportunidade
- 21:32 A inspiração do pai, que superou a paralisia infantil
- 28:34 Os maiores desafios das crianças de hoje
- 32:02 Os valores a passar aos filhos: bondade e honestidade intelectual
- 44:04 A coisa mais valiosa que aprendeu com os filhos
A Brincar, A Brincar
O essencial do brincar com intenção, do nascimento aos seis anos.
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0:00 Como estás? Eu estou bem, e tu? Também? Hoje vamos fazer aqui uma brincadeira assustadora. Estás preparado? Tenho que perder-me aqui um bocadinho os papéis. Mais ou menos. Vais fazer um raio-x aqui ao Podcaster, não é? Vamos tentar, vamos tentar. Olha, e se calhar começaram precisamente por aí, por te perguntar. Como é que surgiu esta ideia deste podcast? por aí, para te perguntar como é que surgiu esta ideia deste podcast?
0:24 Uau! Olha, eu acho que estou a seguir as boas práticas do marketing digital. Nós estamos aqui em confinamento, não podíamos operar da forma tradicional e depois de muitos anos a fazer as coisas de uma certa maneira, foi preciso reinventar-nos um bocadinho à força. O podcast surge um bocadinho nesse seguimento. Primeiro, a parte, o significado de ser um podcast e não outra coisa qualquer foi começar a gravar e a registar estas conversas que tenho com alguns amigos e pessoas que eu conheci e que respeitava, que têm uma opinião muito válida e até inovadora em relação à infância e à parentalidade.
1:11 Depois, porque além disso ter um interesse para o público e para mim, eu acho que era interessante absolutamente para o Jim Rui. E não sei, era uma coisa que me dava prazer que me ia desafiar porque pronto não imaginei aqui em frente a uma câmara e ter os seus desafios próprios mas absolutamente tinha um valor próprio, faria isto mesmo que ninguém visse, acho que faria sentido ter feito isto para mim, faço isto pelos meus filhos também, gostava imenso que eles pudessem depois ter acesso a coisas gravadas e com estes temas em particular porque eu acho que estão aqui lições super importantes para eles enquanto pais e enquanto seres humanos.
1:52 Olha, e como é que surge o mundo do desenvolvimento infantil na tua vida? Porque não é assim uma coisa recente, não surge de facto com este podcast, como é que ele surgiu na tua vida? Não, então, nasceu até um bocadinho antes do Jimboree, tudo começou com o meu filho mais velho o meu primeiro filho, portanto eu não tinha nenhuma formação em pedagogia nem em psicologia nem em pediatria, não sabia muito sobre o assunto, apesar do meu pai teve uns colégios, portanto ele já estava no mundo da educação e eu acompanhei um bocadinho o crescimento desses negócios e havia aqui muitos livros sobre educação em casa, portanto não era uma coisa totalmente estranha para nós, mas era uma coisa que eu queria fazer bem.
2:35 Portanto, quando eu soube que ia ser pai e, portanto, aqui a falar um mês de gravidez, há seis semanas de gravidez, comecei a mandar vir livros. Comecei a empilhar livros aqui sobre desenvolvimento infantil, principalmente. E, portanto, comecei a me enriquecer e, portanto, era muito recompensador aprender todas aquelas coisas, mas também aumentava muito a minha ansiedade, não é? Quanto mais lês, mais percebes, um pouco sabes sobre aquele tema, e quase cada página é um susto, eu não sabia isto, como é que eu ia ser pai sem saber isto?
3:09 Todas aquelas ansiedades, e depois daqueles choques com as tuas ambições, eu quero ser um pai especial, e não quero que lhes falhe nada, e portanto estava muito alerta para este tema. Quando, um ano e meio depois, quando o Miguel tinha 18 meses, eu andava à procura de um negócio e queria uma franquia em particular não estava a pensar que ia estar no mundo da educação mas quando vi o Jim Bury exposto numa feira tive uma reação muito física efetivamente eu costumo contar isto fez-me doer a barriga ver aquele vídeo das crianças a brincarem com aquele equipamento era uma coisa tão estranha, não havia em Portugal nada remotamente parecido e eu pensei isto é ótimo o meu estudo de mercado começou e acabou naquele segundo em vez de perguntar a 100 pais o que é que eles achavam sobre aulas de desenvolvimento eu pensei esta reação que eu tive, muitos pais vão ter isto é altamente inspirador e responde às necessidades de muitos pais que não são realmente da área e mesmo aos pais da área porque está aqui muita ciência compactada, são muitos anos de experiência foram escolhidos os equipamentos os planos de lição, as canções e todo um guião à volta daquilo e se tivermos as pessoas certas a dar estas aulas isto vai resultar e portanto começou e acabou aí a ideia do Jimboree E o que é que tu achas que é o principal ingrediente que o distingue de outros programas que possam existir e é verdade há vários anos atrás não existia mesmo nada parecido, agora se calhar de vez em quando vamos tocando ou esbarrando, vá lá num ou noutro programa que possa colar um bocadinho mais com o Jibari, mas o que é que o torna tão especial? O que é que o distingue?
4:53 Olha, a primeira coisa, a mais pragmática foi, era realmente o maior player deste campo, muito distante dos outros. O Jibari é ainda hoje 10 vezes maior do que o nosso maior concorrente. Portanto, o número 2 é muito menor do que nós. Portanto, do ponto de vista do investimento era uma segurança. Perceber que tínhamos realmente uma folga grande para nos estabelecermos num mercado totalmente novo. Eu acho que o Jimboree nasceu realmente de uma mãe com a qual eu me identifiquei imediatamente, portanto ela tinha necessidades absolutamente iguais às minhas, portanto tinha crianças pequenas que ela queria estimular da forma mais sofisticada que existisse na altura, isto foi há 44 anos, e foi atrás desse objetivo e foi-se juntando e portanto há aqui realmente um efeito acumulado de conhecimento que me encantou.
5:43 Ainda hoje eu sinto que o Jimbray é muito baseado numa fraternidade e um entendimento e uma empatia muito particulares, portanto, entre os franchisados, entre as professoras, quando vamos conhecer os colegas internacionais, há ali uma magia, há ali uma linguagem que todos nós entendemos, e é uma linguagem não necessariamente falada mas é realmente uma paixão pelo desenvolvimento e sentimos que é esse um bocadinho o nosso papel, não é? Patrocinar esta educação junto dos pais que têm muitas coisas que fazer e às vezes não têm tempo de reunir todos estes conteúdos numa aula, numa lição, num texto, num vídeo no que seja Olha, e qual é que é a expressividade mais ou menos atual do Jim Rui em Portugal todos estes conteúdos numa aula, numa lição, num texto, num vídeo, no que seja.
6:29 Olha, e qual é que é a expressividade, mais ou menos, atual do Jim Rui em Portugal? E eu também tenho alguma curiosidade em perceber como é que se sobrevive e quais são aqui os mecanismos onde nos vamos agarrar para sobreviver a um contexto como este que nós estamos a viver atualmente. contexto de comércio que nós estamos a viver atualmente. Ok, então, a expressividade, nós estamos presentes em vários locais de norte a sul do país. Em alguns dos territórios onde nós estamos presentes, nós não temos uma loja física, temos só as escolas de dar aulas. O Jimboree tem esta componente que se chama o Jimboree On The Go, que nos permite dar aulas nas escolas com equipamento portátil, portanto é uma operação totalmente ambulante em que a professora desloca-se à escola e dá as aulas lá.
7:09 E ainda hoje em Portugal, e não é assim necessariamente no resto do mundo, esta é a componente mais forte do Jimberry. Nós damos muito mais aulas nas escolas do que damos nos nossos próprios setos. Em relação à sobrevivência neste contexto, tem sido super difícil. Em relação à sobrevivência neste contexto, tem sido super difícil. Nós vimos forçados a fechar as lojas por mandato legal e inclusive aquela componente de ir às escolas ficou impedida porque neste momento até as escolas estão fechadas, como cautelas extra que não queriam violar.
7:49 Portanto, nós tivemos impedidos de ir dar algumas aulas em alguns clientes correntes que estão ativos, mas pronto, não queriam aulas. E foi aí que nasceu até um bocadinho o Jimbore Online, portanto, este programa que nós criámos online, que pronto, já arrancou, não fizemos um lançamento assim muito barulhento, mas está a funcionar. Está disponível, sim. Foi uma forma, precisamente, de não só abordarmos esta dificuldade, darmos as aulas fisicamente, como sempre demos, como tinha uma vantagem acrescida, que era nós agora podemos chegar a muito mais territórios onde não há sequer Jimborish, nem se prevê que hajam no curtíssimo prazo há terras no interior que não têm se calhar um emprego muito grande e às vezes nem têm muitas crianças que justificassem abrir um jimbori por perto mas agora podem ter uma aula igualzinha às pessoas aqui de Lisboa ou do Porto ou dos grandes centros onde realmente as ofertas já são mais populares portanto sobrevive-se dessa maneira foi um bocadinho reinventar-nos e pronto abrirmos a porta a outros temas nós então também fizemos muitas parcerias com algumas grandes marcas algumas delas representam também uma receita adicional e começámos a criar vídeos fora até do programa online que temos publicado gratuitamente mas que estão absolutamente espetaculares e começam a ganhar uma atração interessante e se calhar pode nos permitir fazer depois outros voos à distância.
9:09 Ou seja, no fundo aquilo que tu também me estás a dizer é que dentro desta crise foi possível encontrar algumas oportunidades e levar toda esta filosofia e magia do Jim Marie ainda mais famílias e ainda mais crianças. Absolutamente, sim, sim, sim. Nós tivemos todos que nos reinventar na equipa e aprender competências de vídeo e de marketing digital que não tínhamos necessariamente e portanto foi muito recompensador a muitos níveis mas esse de longe é o melhor e é ótimo, portanto recebemos solicitações de todo o mundo pessoas que falam português e gostavam de ter este tipo de aulas perto de onde estão mas estamos a receber dos países de leste há lá imigrados portugueses de Paris, de Londres, dos Estados Unidos o Brasil não adora o nosso sotaque europeu, mas também temos clientes do nosso programa lá.
10:07 E, portanto, foi sim, foi uma possibilidade de chegar a muito mais gente, com um esforço inicial realmente muito grande, e não foi... Os primeiros vídeos eram uma vergonha, falhavam o guião... Imagino que saibas o que é... Estás a falar com crianças e com pais que há ali uma empatia e uma socialização viva que a gente conhece desde pequeninos passamos a ter que socializar com uma câmera à nossa frente as professoras às vezes falhavam-lhes a voz, depois não acertávamos na luz, depois passava-nos o guião não era respeitado, tínhamos que repetir mas entretanto fomos aprendendo e elas fizeram um trabalho absolutamente fantástico e se fores ver agora estes últimos vídeos, acho que...
10:50 Tenho visto, tenho acompanhado. Todas merecem um Oscar porque têm feito um trabalho absolutamente mágico e estes últimos vídeos, a sério, orgulham-me imenso e é comovente mesmo ver. Tu consideras-te um empreendedor, não? é comovente mesmo ver. Tu consideras-te um empreendedor, não? Sim, eu acho que é uma das minhas funções principais, a vários níveis. Acho que muita gente não sabe isto, mas o Jimboree é o meu 17º negócio, e eu agora tenho um 18º, que é mais virado para a consultoria neste campo do marketing. De longe o Jimbray é o meu principal e portanto é o que eu faço todos os dias e todo o dia praticamente.
11:31 Isto de empreender, tenho muito a agradecer ao meu pai, começou a fazê-lo muito antes de mim, portanto tornou possível esta assunção do risco, que eu acho que é se calhar um dos maiores obstáculos para um empreendedor nós até que costumamos ter um termo que é um entrepreneur, portanto alguém que quer ser um empreendedor antes de o ser a primeira barreira que aparece muitas vezes antes de não ter dinheiro para investir ou não saber o que fazer é vou arriscar de perder o que eu tenho neste momento, portanto o custo da oportunidade de abandonar a sua tarefa principal e nós já falámos sobre isto os dois a nível pessoal.
12:09 Eu tinha uma pergunta para te fazer muito dirigida a esta questão do medo, mas sim, termina, termina. Então, o meu pai permitiu tornar aquilo realmente uma coisa aceitável em termos de risco. Depois é a resposta a duas perguntas e aqui muito me inspirou também um amigo meu que é professor de empreendedorismo nova, que é, aparece às vezes um desafio, uma lacuna no mercado que nós identificamos e nós achamos que ela é robusta e que deve mesmo ser feita. E a pergunta que nós fazemos é, se não for eu a fazer isto, quem é que vai fazer? E se não for agora, quando é que isto será feito? Quando esta pergunta te persegue dia e noite, durante vários dias, tu começas a acordar o teu empreendedor e começas a implementar, porque entre a ideia e a implementação é onde está de longe o desafio é onde as pessoas mais falham e portanto eu tive essa sorte, quer dizer comecei cedo a implementar falhei montes, montes de vezes e perdi muito dinheiro e zanguei muito pelo caminho, frustrei-me muito, principalmente quando entrei numa fase de empreendedorismo que envolvia outras pessoas, não é?
13:13 Equipa, clientes, fornecedores, às vezes quando é assim uma coisa mais simples em que tu intermedias ou quando tu és um explicador, é fácil. Quando tu começas a intermediar, compras uma coisa ao agente A e vendes ao agente B, também é fácil. Quando tu começas a ter que motivar pessoas, recrutá-las, selecioná-las, pagar-lhes, convencer muitos clientes para suportarem a tua estrutura, alugares um espaço, um contabilista, um advogado, essas coisas começam a pesar e começas a sentir um fogo debaixo de ti que tens que pronto, tens que perder umas noites e tens que estudar e tens que te aconselhar e pronto esse tipo de empreendedorismo é realmente mais maduro e mais sofisticado e pronto, eu gostava de lá chegar um dia Então, pegando nisto tu estás a dizer, qual era aí o principal conselho que tu darias a alguém que tem ótimas ideias, muitas ideias, que teve oportunidades à sua volta, mas que teve tal medo de arriscar e de sair das suas zonas de conforto?
14:13 Olha, o melhor conselho que eu posso dar é procurar alguém que já esteja a fazer, que já esteja a empreender, um empresário, idealmente com alguns anos de experiência. Eu diria 10, está bem? Encontrar alguém que já esteja a fazer isto pelo menos há 10 anos, porque as estatísticas aqui são super claras. 3 quartos dos negócios morrem ao fim de 3 anos. Portanto, 75% das empresas não sobrevivem 3 anos.
14:40 E ao fim de 10 anos, 96% das empresas morrem. Portanto, só 4% é que ficam vivas. Alguém que passou esses 10 anos, já passou por muita coisa definitivamente e pode se calhar dar-nos bons conselhos. O outro conselho a seguir era validarem a ideia. E validarem a ideia é irem tentar vender um rascunho do que eles acham que vai ser o seu produto ou serviço aos amigos e à família. O que a gente chama às vezes dos três Fs, não é?
15:06 Friends, Fools and Family, pronto. Tentarmos vender o que temos para vender e se as pessoas efetivamente estiverem interessadas, aceitarmos o dinheiro delas. Olha, eu tenho, eu quero ser coach. Fiz um curso de coaching, sinto-me muito motivado, acho que é o meu chamamento. Ok, então vai tentar vender-se ao teu primo, aos teus amigos mas não é tipo, compravas uma aula de coaching, é se eles disserem que sim pede-lhes 60 euros e dá a tua consulta, aí tu vais ver se eles efetivamente compravam e se essa tua paixão está a passar na tua conta, está sólida a tua ideia, senão vais ter que mudar a tua forma de vender o produto ou se calhar o próprio produto, não está bem.
15:46 Portanto, esses são os dois conselhos principais. Às vezes foi a falar com alguém que lhes possa abrir o caminho e os olhos e depois validarem a ideia porque às vezes não é tão espetacular assim. Depois, se estas coisas passarem, é um ato de implementação diário. Conhecer bem os pilares do empreendedorismo ou da gestão e toda a vida implementar um bocadinho, eu acho que é fundamental. Então, falaste aí a paixão. Achas que é preciso estarmos apaixonados pelas nossas ideias, mais do que ver a tal oportunidade, às vezes, no contexto, acreditarmos naquilo que estamos a vender?
16:19 Esta paixão, este sentir com o corpo, que foi o que tu disseste, sentir isto com o Jim Rui. Paixão, este sentir com o corpo, que foi o que tu disseste, que sentiste com o Jim Rui. Principalmente no sentido de, será que eu faria isto gratuitamente? Se não me pagassem eu faria isto? Pronto, esse tipo de paixão, tipo, isto é uma coisa que me motiva tanto que eu faria isto de graça.
16:37 Pronto, isto é importante. Na outra parte, no contraponto a isto, às vezes a nossa paixão às vezes cega-nos, não é? E portanto estamos tão apaixonados por uma coisa que não é válida que pronto, só nos afundamos mais pronto, aqui indo um bocadinho atrás, eu acho que tecnicamente o empreendedorismo é uma disciplina que se pode ensinar portanto não é uma coisa inata que só uns poucos escolhidos têm mas sim, é preciso ter um drive particular porque mesmo uma pessoa que aprenda, se realmente não tiver estrutura, e se não quiser arriscar, e se não tiver tolerância aos outros e ao entendimento, é muito, muito difícil fazer isto durante muito tempo, sem ter alguma forma de paixão que nos mova.
17:19 Então, e no meio deste cenário, qual é que é o papel dos erros, dos soluços, num percurso como tu dizias há pouco, que não é sempre em linha reta? É fundamental. Isto quase que entra mais no teu campo da psicologia do que no meu do empreendedorismo. Porque, no meu ponto de vista, estes erros a partir de uma certa altura quando tu estás com o sangue frio e quando tu percebes que isto faz parte do caminho tu aprendes com eles e tu quase até consegues sorrir quando aparece um obstáculo, se tu estiveres confortável com os fundamentos estiverem sólidos os erros fazem parte e são realmente olha que giro, olha que interessante este desafio para eu resolver, quando tu conseguires atingir isto, pronto estás a aprender e não gelas quando eles acontecem num primeiro momento, às vezes os erros são paralisantes e a pessoa pensa vou desistir, eu não consigo como é que eu vou pagar aquela conta, aquele imposto e o erro às vezes foi não ter previsto isto dois meses antes um empreendedor às vezes chama-se este tipo de astrologia que é eu devia conseguir adivinhar estas coisas e quando elas acontecem sente-se muito, muito mal.
18:34 Os erros são fundamentais. Acho que devem ser recebidos desta maneira. Eu acho que a forma mais simples de explicar isto é para nós adultos imaginar que uma criança de 5 anos está a fazer uma birra, nos dá uma canelada. Aquilo não nos vai matar e, portanto, dificilmente nos aleijou. Nós não podemos ter uma hiperreação àquilo que aconteceu. Temos que realmente respirar fundo e ter o sangue frio, desarmar aquela situação, porque a criança não tem a culpa daquilo ter acontecido e os erros também não têm a vida.
19:02 ter o sangue frio, desarmar aquela situação, porque a criança não tem a culpa daquilo ter acontecido e os erros também não têm a vida. Nós somos quem pode controlar a reação àquele acidente. E podemos aprender com aquilo e, portanto, acho que gritar não adianta, pôr as culpas nos outros não adianta, aquilo está a acontecer ali, a nós sofrendo naquele momento e até podemos efetivamente sorrir e dizer, ok, tu queres lutar comigo se calhar vais-me ganhar mas se calhar vou dar um bocadinho de luta inteligente e buscar na nossa cabeça uma solução apropriada àquele desafio.
19:35 Tu se calhar já me ouviste dizer isto que eu vou partilhar agora algumas vezes, algumas comunicações que eu faço que é aquela ideia do caráter chinês para a palavra crise, esconder dois conceitos essenciais, o perigo, não é? E podemos olhar para um erro como uma situação perigosa, que nos coloca aqui as vulnerabilidades todas ao rubro, mas ao mesmo tempo essa capacidade de olhar como uma oportunidade. E no fundo acho que era isto que tu estavas a dizer, não é?
20:02 Podemos escolher ficar a matutar no erro e a refilar porque o joelho ficou esfolado e a colocar as culpas em tudo o que está à nossa volta, mas ao mesmo tempo se calhar é o momento de limpar a terra que ficou ali no joelho esfolado, porque caímos, e seguir em frente. Totalmente, totalmente. Até tenho pena de não ter chamado essa palavra, porque realmente é efetivamente uma oportunidade.
20:28 Às vezes não só de aprender, como de fazer um pivô. Encontrar uma situação que seja efetivamente muito melhor do que anteriormente. Às vezes há acidentes que nos acontecem que são life-changing, mudam a nossa vida para melhor. Eu até quero acreditar que o Covid possa vir a ser isto para o Jimboree, percebes? Por causa de todo este aparato do online, de todas as lições que nós tivemos que aprender. Este podcast que se iniciou e que já nos abriu imensas portas. Pronto, é um exemplo vivo do que pode ser um acidente e de como podemos tornar isto uma coisa melhor é aqui um bocadinho quase um jiu-jitsu aproveitar a força do oponente a nosso favor Sim, para o nosso favor, a gente está a dizer isso Eu estava aqui a pensar num livro que eu li recentemente a propósito de empreendedores e das famílias, do papel das famílias nesses empreendedores de sucesso hoje mas que lá está, não tiveram um caminho sempre linear e sempre de sucesso.
21:31 Mas a Vial é um denominador comum e tu já falaste um bocadinho da inspiração do teu pai, que é a família, o papel da família, não poder exercer ali um papel muito superprotetor, mas pelo contrário dar ali aquele empurrãozinho e a coragem e o modelo como uma forma de inspirar alguém que lá está, que tem boas ideias que quer arriscar, que quer fazer a diferença. Sentes de facto que o teu pai foi um bocadinho esse desempenho aí para a tela? Absolutamente o meu pai teve que contrapassar muitos sacrifícios de muitos desafios desde pequeno ele teve paralisia infantil e portanto ficou impedido aos 8 anos de correr atrás de uma bola e de fazer uma atividade física isso de certa forma impediu de acabar por ter uma daquelas profissões indiferenciadas que era se calhar o destino original dele, porque ele viveu numa aldeia pequenina mas portanto quando ficou na cama foi ler e portanto isso quando se tornou pai vinha já com uma bagagem ótima e portanto ele já tinha realmente esta lição de que os desafios são oportunidades e portanto a gente digere-as metam-me qualquer coisa à frente que eu mato, acomo e se calhar evacuo ainda menos, pronto. Portanto, aquela coragem passou para mim e foi altamente inspiradora, portanto, a minha mãe depois acompanhava totalmente, porque isto era um projeto familiar total. Eu se calhar até expandia, depois em termos de familiares portanto, cônjuge filhos, irmãos amigos têm um papel muito importante às vezes obviamente são um contrapeso, não é?
23:17 tem que dizer-nos já, tem que cuidar não te metas nisto, mas no meu caso não foi isso que aconteceu eu realmente senti sempre muita força como tu sabes o meu casamento que estava vivo na altura do Jimbry não está vivo já e eu acho que o negócio não ajudou nada porque nós trabalhávamos juntos e, portanto, criaram-se imensas tensões que nós não estávamos maduros para resolver na altura.
23:40 Mas foi realmente muito importante ter esse apoio e ter podido fazer isso em família foi absolutamente foi o que salvou, houve momentos tão fundos durante o negócio que nós se não tivéssemos aquele apoio teria sido muito complicado de ter sobrevivido e sobreviveu e está aqui já passou uns 10 anos a tal métrica que dizias pronto, e isso é de facto inspirador. Olha, e quando tu eras pequenino, no que é que tu querias ser?
24:27 A primeira vocação que eu senti, assim, mais a sério, foi talvez no oitavo ano, eu tive uma professora de fisicoquímica ótima. Quando era pequenino, se calhar, queria ser polícia e bombeiro, como todos os rapazes querem ser. Mas quando eu estava no oitavo ano, eu conheci uma professora de fisicoquímica absolutamente espetacular, que me cativou para as ciências e, portanto, eu queria ser químico e queria investigar. E, portanto, durante muitos anos eu pensei que ia ser um cientista e, portanto, fui para o técnico estudar Engenharia Química nesta perspectiva de que eu quero ganhar um prémio Nobel, quero descobrir uma coisa super importante.
24:58 E enquanto lá estava, desapaixonei-me. Apesar de a química ser ótima e os laboratórios serem muito estimulantes, o que eu vi que se investigava eram coisas muito pouco sexys e, portanto, não era assim nada, ah, espetacular, eu vou mudar o mundo, eu vou ser conhecido. Essas coisas são muito acidentais e, portanto, o que se estuda são coisas muito pouco sexys e eu não me estava mesmo a ver a fazer aquilo.
25:21 Portanto, mesmo no meio do curso, acabei por escolher um ramo mais prático, não tão teórico, e depois o que acabei por fazer foi mesmo emprestar pela gestão, portanto, o meu primeiro trabalho foi de consultoria de gestão e depois fui estar gestão como licenciado, comecei do zero, e depois o que me vi realmente foi ser empreendedor. licenciado, comecei do zero e depois o que me vi realmente foi ser empreendedor. No campo da educação infantil, pronto, foi uma oportunidade que surgiu, mas eu vejo-me a empreender em muitas áreas diferentes e apoio muitos outros empreendedores e muitos outros startups de muitas áreas e hoje em dia se calhar é aqui que eu me completo.
26:05 Acho que dominar relativamente bem este alfabeto da gestão e do empreendedorismo e poder simplificá-lo para quem está num começo de vida empreendedora. E os próprios filhos também, que às vezes é complicado, porque às vezes eu penso, ah, o que era mesmo bom era eles poderem seguir este meu caminho, porque eu podia ajudá-los em tudo. Tu podes parar de antecipar as minhas perguntas? Ok Eu vou esperar pela pergunta então, mas... Não, não, não, nisso nisso, nisso Mas pronto, sinto esse sinto essa angústia, não é?
26:37 acumulei este conhecimento todo nesta área, tenho tantos contactos tão bons e as perguntas o meu filho mais velho neste momento o que ele me pergunta é escolhem um emprego muito bom para mim, uma coisa que pago muito bem e a palavra emprego é uma palavra-chave para ele, que eu não sinto assim nada motivado a empreender e eu fico a pensar onde é que eu errei porque é que o meu exemplo não foi bom porque ele não quer segui-lo mas pronto, não vou levar isso a peito pronto, o que eu tinha de perguntar era se quer dizer, nós sabemos que eles têm idades diferentes, mas se algum deles já mostrava e se calhar de facto o Miguel sendo o mais velho, poderia ser o que poderia apontar para quero seguir aqui estas pisadas do meu pai, ou inspirar-me nestes conhecimentos do meu pai, era se algum deles mostrava jeitinho vontade, curiosidade para este mundo Eu acho que o João sim, está nessa calha, o João tem 13 neste momento e o João é muito empreendedor e é muito de implementar as suas ideias e às vezes os dois me perguntam, os dois mais velhos, perguntam-me com frequência, como é que eu faço para ganhar 130 euros num mês eles acham que eu sou a pessoa que lhe vai responder a isto, e eu posso-lhes arranjar uma série de ideias e o Miguel se calhar matura aquilo e pronto, e toma nota, mas o João é capaz de começar a implementar e portanto sinto que ele tem se calhar mais esse bichinho mas isto tudo pode mudar, portanto eu com 16 anos que eu também não me imaginava empreendedor assim, profissional também estava a estudar e pronto, achava que o caminho era continuar a estudar e alguma coisa surgia lá mais à frente apesar do meu pai ser empreendedor, mas o meu pai também sempre teve empregado, portanto ele sempre fez as duas coisas ao mesmo tempo.
28:30 Eu se calhar fui das primeiras pessoas na família que fez a tempo inteiro esta coisa do empreendedorismo. Olha, qual é que tu achas que são os maiores desafios das crianças de hoje em dia? Ok. Hum, ok. Olha, sabes que eu acredito que as crianças são um produto dos inputs que recebem, dos modelos que têm, da cultura que têm, calhas e de balizas às quais as crianças não podem fugir.
29:14 Se eu não ensinar um A e nunca usar um A frente a uma criança, ela não vai conseguir perceber o que é um A. E não vai conseguir escrever com A's, ler os A's. Estás aí, Inês? Travou durante um bocadinho a tua câmera. E, portanto, às vezes é mesmo isto. Portanto, no menu de lições que as crianças têm, há umas que têm um menu muito rico e há outras que têm um menu muito pobre.
29:31 E, portanto, isso vai afetar muito a sua vida. Portanto, há aqui este desafio que elas não controlam minimamente, que é os inputs. Ok. Depois há claramente aqui a parte do brincar, não é? Portanto, nós sabemos que o brincar é uma coisa que as crianças fazem de forma natural e que é uma oportunidade como nenhuma outra deles aprenderem a desenvolver-se intelectualmente, socialmente, emocionalmente, fisicamente. Às vezes não há tempo para brincar e não há contrapartes para brincar, não é? Portanto, um filho único ou que tem um irmão muito mais velho, pronto, ele pode obviamente brincar sozinho, mas se isso não for sequer muito bem recebido, não é? E às vezes há pais que podem condenar aquilo, ah, vai fazer mais um trabalho de casa, ou estuda, ou fica, ou metem no tablet porque precisam do sossego, eu acho que isso pode ser um problema do desenvolvimento das crianças.
30:22 isso pode ser um problema no desenvolvimento das crianças. Depois, se calhar, era, não tanto na parte dos modelos, mas se os pais percebessem, às vezes, um bocadinho melhor o alfabeto do desenvolvimento e, se calhar, algumas coisas sobre a dieta das crianças, sobre a importância do dentista, a importância do psicólogo, a importância do pediatra. Se calhar havia aqui alguns obstáculos que também podiam ser ultrapassados por este conhecimento extra, mas pronto lá está os pais também são produto dos seus inputs portanto isto é muito é mesmo preciso realmente ir um bocadinho atrás e perceber que lá atrás no nosso bisavô ninguém sabia nada e portanto foi em cascata chegando até nós há aqui muitas coisas que nós continuamos sem saber e não é por culpa expressa de ninguém, é simplesmente porque não houve acesso E, portanto, foi em cascata, chegando até nós. Há aqui muitas coisas que nós continuamos sem saberes.
31:09 E não é por culpa expressa de ninguém, é simplesmente porque não houve acesso. Quem nos modelou não teve acesso a um modelo muito melhor e, portanto, toda a gente fez o melhor que sabia. Eu acho que passa um bocadinho aqui por nós, pelos negócios desta área, tentarem democratizar alguma desta informação. Olha, se calhar isto ajuda também até a responder a minha primeira pergunta, não é? Um podcast destes faz sentido neste contexto também.
31:32 Sim, sim. Olha, então é nessa cascata, ou nesse input que pode vir da família, se calhar as sementinhas que vão passando de geração para geração acabam por ser os valores, aquilo que é importante em cada família, aquilo que vai guiando as famílias. E isso, se calhar, é uma sementinha que vai sendo nutrida e passando de geração em geração. Tu, enquanto pai, de certeza que tens aí um conjunto de valores dos quais tu não abdicas e achas que são fundamentais passares na educação dos teus filhos.
32:02 És partilhada. Quais são, assim, os teus valores? Sim. Sim. Tu estás farta de ouvir esses valores porque às vezes tu picas mesmo. Quais teus livros? Mandas-me os teus questionários e eu respondo sempre essa pergunta. Mas esse fica muito para mim, não é? E agora é importante se calhar partilhar. Então, olha, eu gostava que eles fossem boas pessoas e para isso às vezes tenho que escavar bem fundo dentro de mim, não é?
32:29 Se estou a ser realmente esse modelo e se os estou a expor a boas pessoas à volta deles. Mas pronto, eu acho que isto é mais importante até do que toda a academia que eles possam colecionar, todos os sucessos, eu acho que era importante realmente serem boas pessoas, o que me preocupa mais era um dia mais tarde, enquanto pai, olhar para um filho meu adulto e pôr-lhe sem causa, não é boa pessoa, aí era onde eu teria falhado mais.
33:00 Depois, eu gostava que eles fossem intelectualmente honestos. Gosto imenso de debater com os meus amigos inteligentes. E onde eu às vezes posso perder mais a cabeça é quando alguém está a defender uma coisa que sabe objetivamente que está errada, ou que não tem fundamento científico. Essa desonestidade intelectual, quando não é é inocente eu acho que é uma coisa que é um retrocesso se calhar invocava aqui um bocadinho à advocacia eu sei que os advogados têm que às vezes defender pessoas que eles sabem que são culpadas mas têm que as defender, é a sua missão tem que fazer o melhor possível para aquela pessoa ter um julgamento o mais justo possível e portanto há leis que nos protegem a todos eu acho que em teoria também conseguia defender uma coisa e o mais justo possível e, portanto, há leis que nos protegem a todos. Eu acho que, em teoria, também conseguia defender uma coisa e o seu contrário e tentar ganhar, mas se fosse meramente académico ou para entretenimento, tudo bem.
33:53 Agora, quando estamos a tentar chegar a algum lado, a tentar convencer alguém e não estamos baseados, às vezes, em bons fundamentos, é uma coisa que me preocupa. Eu tenho que cuidar com isso. Quando eles me fazem uma pergunta, escavar também dentro de mim, perceber se não estou a dar um viés pessoal e tentar perceber o que é que eu sei sobre isto sabido, qual é a ciência que isto tem. E se não houver, ou se eu não conhecer esta ciência, dizer que não sei. E, portanto, seguir em frente e dizer olha, parece-me um tema super interessante, mas eu não sei responder a isto. Ou não sou a pessoa certa para te responder a isto, porque eu acho que tenho um viés muito marcado e não consigo escolher a ciência relevante para este tema destas coisas são importantes, depois há as básicas, pronto gostava que eles soubessem ler e escrever gostava que eles soubessem sumar e sumir gostava que eles soubessem nadar e pronto, e acho também algum valor no desporto, em particular algumas artes marciais que eu acho que são importantes para a resiliência e para a autoconfiança, portanto, não é para eles andarem por aí à pulha, porque eu também nunca andei, mas sinto que me ajudou, portanto, essa parte assim, dos esportes mais difíceis, pela confiança deles.
34:59 Depois há aqueles modelos, há aquelas molduras, os 4Ls, ou aquele dos vetores do desenvolvimento, portanto, saber se eles estão a nutrir aqueles pilares, se eles fisicamente estão saudáveis, se eles emocionalmente estão saudáveis, socialmente, intelectualmente, nutrir estas coisas, é uma coisa que eu lhes falo muitas vezes. Às vezes vamos no carro, numa viagem longa, e eu chamo esta questão dos vetores e dou exemplos. Uma rotina interessante para nós fazermos e que nutre o nosso físico é, vamos dar uma caminhada, emocionalmente vamos tentar sondar as nossas emoções, socialmente vamos ligar um amigo ou falar com um primo e intelectualmente, pronto, lá está, um jogo, ler, ver um filme estimulante.
35:43 Eu acho que são coisas importantes, portanto aqui basicamente são valores de crescimento e de sustentabilidade Falava-se aí da questão do desporto e nós pensando também aqui nestes pilares do nosso bem-estar e do crescer saudável ouvimos falar muito e é mais do que validado também cientificamente da importância da alimentação a importância do sono a importância da atividade física percebi que é algo que tu vais partilhando com eles, qual é que é o papel que estas dimensões ocupam também na tua vida e eu sei que o desporto te traz também alguns ensinamentos curiosos Sim, sim olha, há uma...
36:25 obviamente há aquela parte mais material, não é? Portanto, fisicamente faz bem e, portanto, liberta uma série de hormonas que te fazem sentir bem, melhora o teu metabolismo, melhora o teu sono, melhora a tua performance intelectual, portanto, há aqui uma série de questões práticas que são importantes. Há outras um bocadinho mais metafísicas que não são tão fáceis de explicar, mas, pronto, há um misto uma série de questões práticas que são importantes. Há outras um bocadinho mais metafísicas, que não são tão fáceis de explicar, mas há um misto, quando tu fazes um desporto de fundo, quando estás a correr muito tempo, ou quando vais treinar, ou quando estás a nadar muito tempo, ou quando estás a pedalar muito tempo, há dois estados que se vão alternando.
37:00 Às vezes há um estado de transe, em que tu estás hipnotizado com aquilo que está a acontecer, e é saboroso. Não tenho outra forma de explicar, mas estás num transe e estás a fazer uma coisa difícil e o teu corpo aceitou aquela realidade, aquela dor, aquela superação e, portanto, aquilo está a acontecer. Mas não estás... A psicologia chamamos a isso flow. O flow. Estar em flow. Estás em flow. em futebol. Há outros momentos em que nasce uma clareza, intelectualmente tu ficas conectado com um tema qualquer e acendem-se umas luzes.
37:31 Há muitas coisas que eu resolvo no meio das minhas corridas. Nesse momento eu não estou em transe, eu estou a pensar numa coisa e surge uma solução porque eu estou ali, porque me distraí. Tudo o resto teve que se apagar. Todo aquele ruído das nossas cabeças desaparece e a pessoa consegue se focar num problema, às vezes até parece acidental, às vezes parece sorte. Estes dois status são super importantes e é uma coisa que eu ouço também muitos amigos falarem, amigos deste mundo aqui do desporto.
38:02 Há uma parte social também, mesmo os desportos individuais, quer dizer, quando vais a uma prova, tu conectas com aquelas pessoas todas, identificas-te com elas. Isto é importante, às vezes, para a nossa identidade conectar quase automaticamente com outra pessoa e às vezes é uma pessoa que pode ter ideias opostas às nossas, mas nós percebemos que há aqui coisas que nos unem. Isto aqui se cai até um bocadinho mesmo metafísico.
38:22 Quando a gente fala, às vezes, na questão do cosmos, estamos todos ligados, todos viemos do póós-trelares, e portanto, num momento qualquer, há átomos meus e átomos de Inês que já fizeram parte do mesmo corpo, da mesma pedra, alguns no universo. E portanto, isto devia ajudar-nos a empatizar um com o outro. Nós empatizamos um com o outro, é francamente fácil, Inês, mas às vezes há pessoas com quem é difícil empatizar, e nós podemos chamar um bocadinho esta imagem de, mas olha, este tipo aqui é triatleta como tu, ou este tipo gosta de motos ou é do Benfica e às vezes esta identificação pode ajudar às vezes a destruir algumas barreiras Boa Olha, e tu lês muito e agora vou-te devolver uma pergunta que tu me fizeste a mim no primeiro episódio do teu podcast que é se há algum livro que te tenha marcado particularmente, que te tenha dado aí um ensinamento, uma frase da qual tu te lembres muitas vezes ou vários livros, não sei É, eu acho que vou ter que falar de vários houve imensos livros que me marcaram pronto, houve um livro que eu li há uns anos atrás chamado Os Four Agreements, do Miguel Ruiz.
39:29 E aquilo é um bocadinho um mini curso de psicologia para leigos, em que nos ajuda a ter cuidado com as nossas palavras e com os nossos pensamentos. Não levar as coisas a peito, não assumir nada e darmos o nosso melhor tendo em conta que o nosso melhor não é homogéneo quando eu estou com gripe o meu melhor é uma porcaria e quando eu estou em forma o meu melhor pode ser decente e portanto esse livro marcou-me imenso esse livro eu recebi de forma em áudio e ouvi-o várias vezes e já o partilhei e muita gente ficou muito agradecida por causa dessa partilha portanto é um livro que eu visito com alguma frequência houve romances que me marcaram mais recentemente houve alguns livros que eu gostei muito de ler, porque uns livros do Tim Ferriss chamado Tools of Titans e o Tribe of Mentors, em que ele reúne uma série de mentores pessoas que são altos performers, pronto atletas olímpicos, artistas bilionários escritores, professores tudo e pergunta-lhes um conjunto de perguntas que está pré-determinado e as respostas deles são muito elucidativas, Algumas delas são também o que é que leu que recomendaria ou que objeto mais barato do que 100 dólares mais lhe agradou comprar nos últimos tempos. E às vezes as respostas são absolutamente, nunca me ocorreria e vou ocorrer ver e às vezes abre um novo filão de interesses para mim.
41:04 Portanto, esse livro marcou-me muito porque são pessoas que aprenderam a resolver aquele teorema de Pareto, não é? A regra dos 80-20. Estas pessoas vivem a regra dos 80-20 muito a fundo. Eu acho que elas até vão já na terceira derivada da regra de Pareto, que é os tais 0,8% de esforço geram 50,6% de retorno. É óbvio que é preciso saber muito bem que 0,8% de inputs é que dão esse output, não é?
41:32 Mas eu acredito que estas pessoas que ele convidou são pessoas que realmente dominam muito isso, aprendem muito rápido e as coisas que fazem e que escolheram para fazer da sua especialidade, quando falam e quando a simplificam, chega-nos muito depressa. Portanto, eu considero que um especialista é uma pessoa que realmente consegue simplificar conceitos complexos, portanto se eu te pedisse em duas frases o que é a psicologia tu eras capaz de te aproximar muito do que é realmente a psicologia em duas frases um advogado, o que é o direito em duas frases para uma pessoa, para um caloiro, vá lá, é preciso, não, é preciso pelo menos 10 parágrafos, senão vamos esquecer de alguma coisa importante, mas eu acho que eles conseguem simplificar e portanto o pouco tempo que eu passei a ler aquele livro deu-me uma riqueza infinita e portanto marcou-me muito e achei que devia honrar aqui esse livro Nesta pergunta. É um livro que até mais já ligou E o filme? Há algum filme?
42:20 Há vários filmes Eu gosto daqueles filmes também catárticos Há uns mágicos, o Forrest Gump, os Condenados de Shawshank, há ali uns filmes que sempre que estão na televisão, mesmo que eu apanhe só os últimos 5 minutos, tenho que parar e tenho que os ver. e que me comoveram porque vi muitas vezes com os meus filhos e porque às vezes têm lá lições importantes eu tenho que escolher se calhar o Divertida-Mente como um dos filmes que eu mais gostei na minha vida porque senão eu não ia validar a tua resposta imaginei que tu viesses lá esse filme foi esse tipo explodiu-me o cérebro eu não fazia ideia que aquilo funcionava daquela maneira.
43:08 É quase um andota, não é? Porque às vezes quando as pessoas, quando queremos gozar com alguém que não está a entender, queres que eu te faça um desenho e eles com desenhos conseguiram-me explicar mesmo muito, muito bem o que se passa lá dentro. E depois as misturas, depois eu fui estudar um bocadinho, depois há aquela matriz do inside-out, não é? Que mistura as várias emoções umas com as outras.
43:25 Foi muito marcante, gostei muito desse filme. Então, e já viram o último da Pixar, o Soul? Ainda não. Recomendas? Acho que se vai sobrepor, se calhar, a esse. Uau! Nice. Acho que sim, acho que sim. Fica aí a sugestão. Está bem, vou já vir a seguir. Nós sabemos que estes filmes, não é? De animação, têm ali um... São vistas por umas lentes das crianças e eles retiram umas coisas, mas as verdadeiras mensagens acho que só estão acessíveis a nós adultos.
43:54 E é mágico perceber estes filmes infantis e o impacto que realmente podem ter na vida de um adulto. Qual foi a coisa mais valiosa que tu já aprendeste com os teus filhos? É difícil. Sabes que eles fizeram-me, não é? Portanto, desde o momento em que tu és pai, tu deixas de ser o que eras antes, seja o que isso for. Portanto, há realmente uma parte muito importante da minha identidade que nasceu com os meus filhos.
44:29 De longe que essa é a melhor lição, não é? Como tu te identificas a partir do momento em que tu és responsável, não é? Pelo bem-estar daquelas crianças, também pelos ensinamentos que lhes passas. Isso muda muito a tua vida. E mesmo os teus próprios apetitos, não é? Pessoais. Eu tive que deixar cair muita carga antiga para poder receber esta carga nova. Eu acho que há aqui uma parte no amor, sem dúvida, que é a maior lição.
44:58 Eu não sabia que era possível gostar tanto de alguém. Resistir também às vezes a tantas agressões, não é? Porque eles são impecáveis, mas podem não te deixar dormir, podem fazer a maior birra, que tu continuas a gostar deles e, portanto, continuas a ser o mesmo amor puro, mesmo que te frustre naquele momento, em momento algum tu dizes vou acabar com esta relação, que isto para mim acabou, pronto vou deixar de ser teu pai, não podes fazer isso portanto eu acho que essa foi a minha leção portanto foi, abriu-me um mundo de emoções que eu não tinha tido acesso até aqui Olha, eu estava a olhar para o relógio e a ver como as nossas conversas são um bocadinho como a história das cerejas, não é?
45:41 Umas coisas vão dando às outras e eu tinha pensado fechar aqui a nossa, esta conversa ao contrário, focada em ti com lançando-te aqui uma pergunta que eu acho que já é uma espécie de, o que dizem os teus olhos do Daniel Oliveira mas aqui para o Nuno Simões se tu tivesse um cartaz grande, onde deixar onde nós vamos passando e lendo o que está lá escrito, o que é que tu querias deixar escrito nesse cartaz?
46:09 Canema, sabes que eu já fiz essa pergunta tipo 20 vezes. Eu sei, eu sei. E nunca pensei em respondê-lo eu próprio. Olha, eu estou aqui um bocadinho preso nos Four Agreements que eu te disse há bocado. Eu acho que o que me marcou mais das quatro verdades, em português foi assim que eles traduziram, foi aquela de não levar as coisas a peito. Porque um input que a gente recebe de uma pessoa que nos agrede de alguma maneira nós sentimos-nos agredidos é uma coisa que vive muito mais dentro de nós do que na outra pessoa portanto se nós levarmos aquela agressão a peito basicamente bebemos daquele veneno e isso vai afetar absolutamente a nossa relação dali para a frente e foi se calhar o que eu estava mais longe de fazer naquela altura, eu estava, eu lembro-me muito bem eu estava no Brasil, estava com uma equipa nova portanto num negócio que eu não conhecia estava a tentar que o Jimbury sobrevivesse lá no Brasil e estava a levar muitas coisas a peito e estava a ficar uma pessoa muito irritadiça e comecei a perceber a realidade destas pessoas é diferente da minha, elas têm obviamente os seus interesses e as suas agendas mas não estão a fazer nada disto por mal e portanto eu não tenho que receber isto desta maneira negativa e sei lá bélica ou como vítima portanto isto aqui é absolutamente justo no universo desta pessoa e portanto eu vou deixar de levar as coisas a peito mesmo que as coisas sejam ditas ostensivamente para me magoares eu tenho a escolha de me magoar ou não com elas pronto e eu acho que vejo muito na nossa sociedade vá lá, soluços baseados nesta incapacidade das pessoas não levarem as coisas a peito há pessoas que levam muito a peito estas medidas ou a falência, um despedimento etc, eu acho que há coisas obviamente muito dramáticas que nós temos que lidar mas levar a peito é das coisas mais venenosas e que pronto não sei se isto faz sentido para uma psicóloga tu achas que isto é um bom conselho?
48:25 acho, acho, acho eu dava aí para desmontar-me por isso que tu estavas a dizer mas sim, gosto da tua inspiração ok não há alguma pergunta que eu não fiz e que tu gostasses que eu tivesse feito? não, fizeste todas fizeste todas fizeste todas agora tenho que fazer uma cesta muito profunda para digerir isto que foi aqui dito. Mas foi inspirador. E agora tenho um filme para ir ver, que se chama Soul, não é?
48:52 É esse. É isso. Está bem, combinado. Nuno, obrigado por este bocadinho. Obrigado, viu, Inês. Um beijinho grande. Até breve. Beijinho. Até breve, Nuno. Tchau, tchau. beijinho, até breve