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Dicionário das Crianças · Episódio 4

Famílias Numerosas — Psicóloga Carolina Canto, mãe de 6

14 de dezembro de 2020 · 1 h 01 min · com Carolina Almeida Canto

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Quantas cenouras é preciso comprar para fazer sopa para oito pessoas todos os dias? E como se dá banho a seis crianças sem perder a cabeça? Neste quarto episódio do Dicionário das Crianças, Nuno Simões conversa com Carolina Almeida Canto, psicóloga, professora sénior do Gymboree Play & Music Portugal desde a primeira hora e, acima de tudo neste episódio, mãe de seis filhos, incluindo um par de gémeos bebés.

A conversa começa pelo retrato de um dia típico: acordar às sete, distribuir cinco crianças por escolas diferentes, trabalhar a partir de casa entre máquinas de roupa e sopas, e terminar o dia com três levas de banhos e uma rotina de deitar interiorizada por todos. A Carolina desmonta o mito da supermãe com uma honestidade desarmante: o mais difícil não é a logística, é gerir as discussões entre irmãos e conhecer os próprios gatilhos antes de explodir.

Pelo meio ficam truques concretos que qualquer família pode aproveitar: comprar em grandes quantidades nos fornecedores de restauração, privilegiar refeições de tabuleiro que rendem, aproveitar o jantar de véspera para os almoços, e sobretudo preparar tudo na noite anterior, das roupas escolhidas ao levantar quinze minutos antes das crianças, o hábito que diz ter-lhe mudado a vida.

Mas este não é apenas um episódio de logística. Como psicóloga, a Carolina fala de ciúmes na chegada de cada irmão, da importância de os pais serem o modelo do comportamento que querem ver, da empatia e da escuta ativa nos momentos de birra, e das competências que realmente preparam uma criança para a vida, muito para lá das notas da escola.

Gravada em dezembro de 2020, em pleno contexto de pandemia, esta conversa continua atual para pais de um, dois ou seis filhos: porque, como diz a Carolina, cada família tem as suas dores válidas, é preciso uma aldeia para educar uma criança, e o melhor conselho para quem vai ter um bebé é ler muito, mas escutar sempre o coração.

Neste episódio

Guia prático

Educar com Amor

Disciplina positiva sem gritos, castigos ou culpa.

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Transcrição completa

0:00 com Nuno Simões, do Gymboree Play & Music Portugal, uma conversa semanal com especialistas sobre o dia-a-dia da parentalidade e do desenvolvimento da primeira infância, para pais, avós e educadores de crianças do 0 aos 5 anos. O conteúdo deste programa é meramente informativo, independentemente das opiniões expressas pelos nossos convidados, deverá sempre consultar o seu médico, terapeuta ou pediatra. Olá Carolina! Olá! Boa tarde, como estás? Boa tarde, tudo bem?

0:32 Olha, antes de mais, obrigado por este bocadinho, é um fim de semana e o teu fim de semana então é particular, não é? Porque tu tens aí seis crianças em casa. Às vezes ainda com algumas ajudas dos avós vamos conseguindo reduzir o número de crianças em casa e pronto, hoje é sim um fim de semana mais calminho, sim. Muito bem. Olha, para quem não te conhece, que é difícil, tu és a nossa professora sénior no Jimboree, estás connosco desde o início, portanto viste o Jimboree a nascer, mas também és psicóloga e hoje em particular estás aqui no papel de mãe porque és uma mãe especial, não é? Porque tens muitos filhos e eu acho que há um conjunto de perguntas que seguramente ouves muitas vezes e que eu hoje vou repetir mas que eu acho que são particularmente inspiradoras para, até para as pessoas que têm menos filhos porque às vezes parece que um já é demasiado e quando vamos acrescentando complexidade também temos que encontrar uma forma de simplificar tudo isto, não é?

1:30 E é um bocadinho atrás destas respostas que nós vamos hoje e será uma primeira de, eu espero que sejam muitas conversas nossas sobre muitos temas. Eu ia começar pela pergunta mais fácil, que é, podes-me descrever um dia típico teu? Como é que tu fazes? Desenha-me um dia teu, tens que acordar às três da manhã, deitas-te às duas, como é que tu fazes? Há dias um bocadinho mais longos do que outros, mas genericamente, eu acordo às sete. E agora, neste momento, a mais velha está no quinto ano.

2:09 E também com esta situação da pandemia e a reorganização das escolas. E ela é aquela que entra mais cedo. E, portanto, é levá-la à escola, voltar para casa. E depois os outros entram a seguir. Outros dois, mas vão, mas vão, já os restantes cinco no carro para serem distribuídos por etapas porque também estão em diferentes sítios e depois regresso a casa onde trabalho e onde faço, tenho a minha rotina do trabalho mas que também às vezes é intercalada com tarefas da casa, que têm que ser feitas, entre máquinas a pôr para lavar, louça para tirar, coisas para arrumar, pronto, e assim me vou organizando até à hora de depois chegar para os ir buscar e de recolher de todos. Sendo que de mais velha então só tenho aulas de manhã e vou buscá-la para almoçar.

3:06 Ok. Tu tens uma rotina escrita ou pelo menos planeada na tua cabeça ou a deixas fluir? Já está automático? Não tens que pensar nisso? Está automático, na verdade é isso. No fundo é organizar no início do ano letivo o esquema em casa e depois vai-se reajustando também se surge algo imprevisto, naturalmente mas eu diria que tipicamente no arranque do ano letivo há um esquema organizado e aquelas rotinas da hora do levantar e do deitar que se vão interiorizando e que fazem parte do nosso dia-a-dia e tentamos cumprir ao máximo acho que é fundamental esses horários para eles também estarem organizados para todos estarmos organizados Sim, olha, minha próxima pergunta parece pouco natural porque tu és a pessoa mais zen que eu conheço tens sempre uma atitude positiva em relação a tudo ouvimos-te sempre com o ângulo mais favorável pessoa mais zen que eu conheço, tem sempre uma atitude positiva em relação a tudo, ouvimos-te sempre com o ângulo mais favorável, mas a pergunta é, o que é que é mais desafiante?

4:17 Onde é que tu encontras desafios nesta logística toda e nesta realidade que é peculiar? Sim, é mesmo no embate com a realidade, com as dificuldades do dia-a-dia, porque as crianças são são inesperadas, não é? Portanto, às vezes nós esperamos uma coisa delas e surge uma bomba que nós temos que resolver. Neste momento, eu diria que, atualmente, a maior dificuldade é gerir discussões entre os irmãos, é aí em que eu sinto que é mais desafiante para mim e acho que isto é uma caminhada e eu estou longe de estar perto do ideal também é um conhecimento pessoal, dia a dia ir reconhecendo e conhecendo os meus limites e a perceber onde é que está o meu gatilho, onde é que eu vou explodir para começar a antecipar cada vez mais e a evitar essas minhas explosões também porque porque é isso, o dia a dia é único, não é?

5:20 Eu não posso dizer que um dia é igual ao outro e estas circunstâncias que vivemos atualmente acho que também nos ajudaram e a mim ajudou-me e forçou-me realmente a ainda mais trabalhar a paciência o aceitar a imprevisibilidade do dia-a-dia a reajustar os planos que posso ter para o meu dia mas que forçosamente vão ter que ser reajustados e é isso, eu acho que a paciência é aquela virtude que atualmente está a ser mais trabalhada em mim e cá em casa.

5:50 É assim, tu estás particularmente bem equipada, não é? Tu tens uma formação em Psicologia e eu lembro-me muito bem do teu processo de recrutamento, nós tínhamos centenas de candidatos, portanto tu foste tipo uma das três estrelas que nós escolhemos naquela altura, portanto sentimos que era muito sólida a tua formação, mas também o teu léxico e a tua paixão pelas crianças, portanto dá a ideia que tu tens um talento particular para tudo isto, não só a maternidade como o desenvolvimento infantil.

6:22 alturas muito recompensadoras, mas tu estavas a falar aqui nesta busca por paciência quando tu vês outras pessoas a falarem em falta de paciência e só tem um filho ou só tem dois filhos o que é que tu pensas? Tu tens muitos, não é? Quão mais difícil é aquele terceiro, aquele quarto, aquele quinto, aquele sexto? Eu acho que é uma coisa, é uma reaprendizagem constante, eu agora também estou a expandir um bocadinho a minha família, mas ainda não cheguei perto dos teus números.

6:48 Vamos ver. Bem, eu acho que cada um tem mesmo a sua dificuldade muito própria. E às vezes eu percebo a dificuldade que é pais com apenas uma criança conseguirem ter essa paciência, ou que seja a capacidade de manter uma criança entretm ter essa paciência ou que seja a capacidade de manter uma criança entretida durante um fim de semana em que tem que estar recolhidos em casa eu acho que é mais difícil até apenas com um filho do que com mais porque para já os pais também vão tendo a sua experiência e depois quando são muitos, eles também brincam uns com os outros, não é? Portanto, eu acho que efetivamente todas as queixas ou as dores de cada família são válidas e porque todos nós passamos por momentos diferentes da nossa vida e de crescimento.

7:37 Eu acho que é isso. Eu quando tinha um ou dois, se calhar queixava-me à minha maneira de determinadas coisas, que eu olho para trás e penso, ok, era eu naquela altura, agora não me queixo disso, poderei me queixava-me à minha maneira de determinadas coisas, que eu os olho para trás e penso, ok, era eu naquela altura, agora não me queixo disso poderei me queixar de outras coisas mas é isso, também é uma caminhada mesmo.

7:53 Olha, o que é que achas que é mais recompensador? Portanto, também nesta escala destes filhos todos, o que é que achas que se tornou mais recompensador, que se calhar não era tanto no início e que agora tu encontraste todo um bálsamo que se calhar não está ao alcance destas famílias com menos filhos? mais lhe despertava em mim, em concreto, ou na família, era o continuar a valorizar cada um como único.

8:31 E graças às educadoras que eu também fui e também um bocadinho da minha experiência no Jimboree naturalmente, que fui aprendendo a olhar para cada criança como única, mas continua a ser isso. eu poder-me maravilhar com cada um deles, porque todos são diferentes e mesmo nos dias mais de atrito ou mesmo às vezes no meio de uma birra, vai, e que depois começa a ser solucionada e começa a abrandar e vê-se ali um carinho, vê-se ali aquele sorriso, aquele abraço da criança e como isso é que é o recompensador, é que no dia-a-dia, nas dificuldades mesmo, às vezes naquelas gestões mais difíceis, surge aquele abraço.

9:17 Pronto, isso basta para continuar. Claro, espetacular. Olha, eu agora tenho aqui umas perguntas mais práticas. Há uma que me explode o cérebro, porque eu tenho apenas 4 filhos, são uma fração dos teus. E eu tenho que ir às compras quase todos os dias, comprar comida, fazer comida para eles, lavar a loiça. Como é que tu fazes? Como é que tu alimentas essa tropa toda? essa tropa toda, que truques é que tu usas para gerir as doses e para teres porque as cobertas não estão feitas para famílias grandes, não é? As suas têm 4 bifes e depois só têm 5 e a matemática não bate, que truques é que tu aprendeste ao longo deste tempo para convergir na alimentação?

9:57 Ok, assim, não tenho acho que grandes magias e tenho muito a aprender também o meu marido faz muitas compras ele é que vai essencialmente às compras e nós abastecemos numa grande superfície daquelas que abastece os os restaurantes e assim é que acontece e então nós compramos algumas coisas em muita quantidade sobretudo aquilo que consumimos mais em arroz, massas, farinha, para fazermos pão e depois há os bolos, etc.

10:32 Há algumas coisas que nós compramos em muita quantidade, leite então, foi daquelas coisas que eu vi aumentar paletes e paletes para vir para casa, cenouras, eu compro imensas cenouras por causa das sopas e a minha mãe às vezes fica mas onde é que tu vais guardar essas cenouras, eu compro imensas cenouras por causa das sopas e a minha mãe às vezes fica, mas onde é que tu vais guardar essas cenouras todas?

10:47 E lá elas cabem, é verdade, elas cabem dentro das gavetas do frigorífico não tenho um frigorífico enorme eu sei que há famílias, por exemplo, numerosas que foram reajustando as suas necessidades, tipo, comprar uma arca congeladora, ainda não vi essa necessidade mas isso depende muito da lá está, do que é que a família faz, eu não congelo muito a comida e eu sei que é uma daquelas práticas que ajuda imenso, sem dúvida mas eu não sou muito de congelar a comida, mas há coisas que eu faço sobretudo refeições que são de forno que para mim são muito práticas também utilizo robôs de cozinha para me ajudar imenso na logística do final do dia com as crianças.

11:29 Há uma coisa que eu faço muito e tenho que aprimorar, que é sopa, que eu faço sopa quase todos os dias para eles, para dar para todos, não é? Mas são comidas de tabuleiro e que vão ao forno e que rendem mais. E vamos aprendendo, às vezes, um frango que sobrou e que dá desfiado, ou uma carne que é migada e triturada e que vai dar para o empadão.

11:54 Pronto, há coisas que vão esticando e que nós, na nossa ginástica, vamos fazendo. Olha, no outro dia tinha imenso pão duro e fiz uma torda ótima e eles todos adoraram É espetáculo, olha tu sabes quando tens um frigorífico grande, como é que tu fazes? Com a proteína, carne, peixe, essas coisas têm que ser compradas em uma quantidade... Sim, já vamos realmente comprando com mais regularidade o peixe e a carne, que sim que estão congelados, mas vamos comprando com mais regularidade, sim, mais frequente Então, eu suponho que eles comem todos na escola e tu não tens de te preocupar com a refeição do almoço?

12:30 Leonor vem almoçar a casa, a mais velha, e os bebés levam comida também. Portanto, é o jantar do dia anterior que é o almoço deles. Ok. E nas férias, como é que tu fazes? Almoço, jantar, pequeno almoço, tudo vezes 8, não é? Vocês são 8. Sim, normalmente assumimos esta logística também nas refeições das férias, que seja o jantar é uma refeição que nós fazemos em maior quantidade, que dê para o dia a seguir, ou que seja o almoço ou então, ou para o jantar, pronto, vai ter que, alguma coisa nós vamos ter que aproveitar para o dia a seguir, para facilitar uma refeição e refeições rápidas depois tem que ser, também no verão é muito mais simples qualquer coisa simples eles comem e é andar Olha, e os banhos?

13:17 É outro mistério para mim, como é que tu das banho nessas crianças todas? É muito cansativo eu confesso que chego àquela hora em que vai ter que ser a hora dos banhos e digo, bolas, ainda faltam mais dois, quatro, mas eles já são crescidos, portanto já tomam banho. É mais o mandá-los para o banho, neste momento. É mais o, tens que ir tomar banho e eles não querem ir tomar banho.

13:36 Mas eles tomam, agora é aos pares, pronto. Basicamente são três levas de banhos. Ok. E depois dos banhos, ao deitar, também deve ser uma coisa espetacular, não é? Lá está. A hora está interiorizada, o relógio biológico, não é? E os mais novos vão primeiro, os bebés. E depois vão os outros quatro. E entre guerras e sempre de encontrões para lavar a dente, etc e sempre garantir que está tudo feito lavar a dente, xixi, está tudo ok e depois algumas medicações que eles fazem preventivas há uma rotina também já interiorizada aqui e todos eles sabem o que têm que fazer e vão para a cama depois tem aquela coisa da rotina de um ver a história o outro que já lê há sempre discussões isto eu acho que é mesmo para dizer que não é nada de sonho não é nada cor-de-rosa todos os dias, há sempre aquele que quer mais um bocado e eu digo agora não pode ser isto passava a aguardar também algum tempo de descanso de nós pais tu lembras-te de algum mais rebelde que tenha de forma consistente resistido ao deitar ou à refeição assim uma coisa mesmo que tenhas ficado preocupada como é que eu vou fazer isto e eles são tantos e este em particular não está a ajudar?

15:00 Não me lembro assim de nada de muito prolongado no tempo normalmente associava a algum período de doença em que estavam mais sensíveis ou alguma mudança na escola, pronto. Nunca houve assim nada de muito prolongado no tempo, ou seja, aqueles picos do desenvolvimento também, depois nós vamos procurar saber e descobrir porque é que poderá estar a reagir desta maneira, mas nada assim de muito difícil. Ok. Olha, e as fraldas?

15:30 Eu aposto que a Dodot ou a Chicco, provavelmente a Chicco tem lá um busto teu à entrada da fábrica e chamou à fábrica, tipo esta é a fábrica da Carolina, nós aqui estamos a tentar servir aquelas crianças. Já deve ter visto mais fraldas do que qualquer outra pessoa. E atenção, eu tenho uma história gira para contar. Há pouco tempo eu estive em tua casa e eu levei o meu bebé.

15:51 E ela odeia que lhe troquem a fralda. São precisos dois homens adultos para lhe mudar uma fralda. E ela grita o tempo todo. E tu conseguiste trocá-la sem ela fazer muito barulho. Eu não sei se tens uma varinha mágica. E eventualmente eu vou te dizer que faças um vídeo sobre isso também A verdade é que eles quando são alguém de fora, não é? reagem sempre de uma maneira diferente e normalmente até melhor que envergonham os pais, não é?

16:16 Mas é isso muitas fraldas sem dúvida e neste momento então como são dois bebés eles usam muitas, eu vejo as fraldas voar eu confesso que nunca fiz contas às fraldas reutilizáveis, seria uma coisa mais vantajosa para mim provavelmente até seria, nunca cheguei a fazer contas a fundo, mas sempre pensei mais na logística, ter que lavar e como isso neste momento também ainda não é não está muito afinado cá em casa, tenho sempre muita roupa para lavar e então olha ainda não são as descartáveis e realmente são muitas, muitas, muitas falas Olha, fala-me nisso, fala-me nessa questão de lavar roupa de quantas máquinas tens tens secador tens espaço, pensa o que tens não tenho secador mas estou a pensar em comprar um secador tens espaço não tenho secador mas estou a pensar em comprar um secador andamos à procura neste momento entre ontem e hoje andámos a ver máquinas para secar só tens uma máquina de lavar ou tens uma máquina para brancos e outra para escuros não, só tenho uma máquina e máquina de lavar a roupa sempre tive máquina de lavar a louça é que nem sempre tive de roupa sim aumentei um bocadinho a capacidade dela, mas também não é das maiores é daquelas de 8kg e sinto a necessidade de ter uma maior porque passo rápido máquinas de roupa todos os dias às vezes tenho que aguentar mais roupa no cesto e não lavar por causa do tempo, porque ainda não tenho a máquina de secar, mas e muita gente me pergunta, mas como é que tu não tens uma máquina de secar? Como é que tu fazes? É uma loucura pois realmente a roupa vai acumulando um bocado e sempre que possível estender lá fora mas pronto, vai-se fazendo às vezes é preciso ir comprar mais umas calças de fato treino ou duas para poder suplantar essa falha de roupa nos dias de inverno que não conseguem secar a tempo mas vamos ter sempre há sempre uma avó que trouxe umas calças de fato treino a mais Olha, tu achas que eles reconhecem quer dizer, essas são as minhas roupas aquelas são as da Leonor, ou aquilo, às vezes, tem que ser tudo vale, não é?

18:28 Dos rapazes, tudo vale, sim. Embora eles discutam também com isso, eu acho que ainda vou ver as etiquetas dos tamanhos para garantir, mas, sobretudo, os dois mais crescidos, às vezes, já é tudo o mesmo tamanho, que é para não haver cá complicações, mas eles ainda vão distinguindo entre cuecas e meias de cada um às vezes aquelas especiais que eles, se não é mesmo é o que vier Sim, sabes que eu vou fazer aqui uma confissão eu tenho filhos em duas fornadas como tu sabes os mais velhos são adolescentes e depois tenho dois bebés, um com 13 e um uma com 1 e portanto entre o de 13 e o de 3 é uma diferença supostamente grande de tamanho mas eu já transferi pijamas tipo de agora, do adolescente para o de 3, tipo arregaço as mangas arregaço as pernas, está ótimo é para dormir e pronto quem me quiser julgar pode fazê-lo mas eu tive que fazer isso já uma vez ou duas o meu, portanto, como eu estava a dizer este fim de semana foi mais tranquilo e já há muito, muito, muito tempo dadas as circunstâncias que os miúdos não iam à casa dos avós paternos e eles foram lá dormir e o mais novo dos dois que foram, esqueceu-se do saco da roupa,o pronto, à porta e ele sai de casa sem o saco e o meu marido foi deixá-lo e disse confirma que o saco dele está aí, sim está pronto, vou deixá-lo, ou então ele até disse, eu vou levá-lo para casa, ele não fica porque não trouxe o saco mas as avós que amolecem corações, disse, não, não, ele fica cá e vestiu um pijama da tia em 20 anos eu não que amolecem corações disse, não, não, ele fica cá e vestiu um pijama da tia em 20 anos eu não imagino porque ele dormiu, mas certamente também muito arregaçado Olha, viajar com crianças, como é que é?

20:17 Quando vocês vão de férias, tem um carro que leva toda a gente, ou tens que levar dois carros as cadeiras cabem todas? Neste momento não, não cabem todas e realmente nos últimos no último verão tivemos que ir em dois carros, porque ainda não tínhamos o carro grande onde coubessem todos e teve que ser, mas também eu queria frisar isto que quando pensei nesta conversa que eu tenho felizmente imensa ajuda tanto dos meus pais como dos meus sogros e não faltou quem disse nós levamos o nosso carro e vamos lá deixá-los e depois vamos lá buscá-los portanto, neste caso levámos nós os nossos dois carros mas não faltavam estas ajudas preciosas e valiosas que estão, felizmente, e eu tenho realmente esta sorte de ter os avós por perto, tanto de um lado como do outro, que facilitam muito o nosso dia-a-dia.

21:15 Olha, mas eles guerreiam muito na viagem e fazem-se neques, deixam-se parar para fazer xixi, não sei quantas vezes, como é que é? Os xixis às vezes uma vez ou outra, pronto, mas lá está, assegurar que quando saímos de casa todos fizeram o xixi. Sim, gritam e às vezes é difícil a concentração. Sobretudo, pronto, eu acho que é mais com os bebés. Mas os outros que discutem lá atrás levam um grito de ordem do pai e fica tudo em silêncio.

21:46 Se vão só comigo, eu tenho que dar mais uns dois ou três berros até eles se calarem ou então é distrações depois entre os jogos e olhar para fora e etc e começar a entrar na distração para eles é o normal Tu tens gêmeos bebés tens dois bebés pequeninos Portanto, estas últimas férias fizeste-os Com eles a viajar, como é que tu conseguiste? Tu tinhas alguém a dar-lhes atenção?

22:11 Lá está Se era eu que ia sozinha Fiz uma das viagens Portanto, sozinha com eles os dois A irmã mais velha Foi comigo, portanto, para garantir A mais velha, que é a rapariga Vai no carro comigo porque ela consegue dar uma boa ajuda tenho sempre bolachas comigo também, assim, na viagem não gosto muito de dar, pronto, não me sinto muito confortável com isso, mas se for preciso parar o carro numa área de serviço pronto, parar para ver o que é que é preciso ajustar lembro, por exemplo, quando fomos aí, já fomos os dois no mesmo carro serviço, pronto, parar para ver o que é que é preciso ajustar.

22:51 Lembro, por exemplo, quando fomos aí, já fomos os dois no mesmo carro e houve outros que foram com a avó, no carro da avó, para baixo, e aí foi preciso tocar, por exemplo, a bebé, que é mais refilona, veio para trás para estar ao pé de mim e ele ia mais tranquilo à frente, pronto, vamos reajustando. Olha, como é que eles foram recebendo os irmãos mais novos?

23:11 Queria falar aqui um bocadinho sobre a questão dos ciúmes, a questão também do amor fraterno que se vai encontrando, às vezes uma das coisas mais espetaculares quando eles realmente estão conectados, mas também imensa preocupação quando eles que reiam, às vezes parece que eles nunca se vão dar bem, eles têm medo que se matem um ou outro. Como é que isso correu aí na tua família? Sim, eu acho que os ciúmes nunca surgiram de forma muito viamente, não se notava assim uma agressividade, eu não queria dizer isto, mas eu nunca notei assim um terror por ter um irmão mais novo a cada altura lembro-me de tomar consciência disto, que se eu mostrar como cuidar deste bebé de forma atenciosa carinhosa eu acho que eu tomei esta consciência, eu achei que isso seria bom, que o meu modelo e o modelo dos adultos que cuidam e do no fundo, depois quando havia mais irmãos também, não é? Como nós cuidamos dele, que isso seria um modelo para a criança. Claro que, claro que, isto para dizer que eles tiveram ciúmes, sim, eu notei em cada um deles um momento em que eles tiveram ciúmes, sim eu notei em cada um deles um momento em que havia uma chamada de atenção porque queriam a minha atenção então eles sempre em cima de mim quando eu tinha os bebés no colo claro que são estas pequenas manifestações, eu sempre notei ou aquele que já anda muito bem e de repente pede mais colo na rua, por exemplo, todos eles e eu sei que até a mais velha agora precisa de atenção particular e eu não sei porque os meus ainda estão nem na adolescência entraram mas eu diria que esta atenção particular este sentimento especial cada um deles vai ter uma linha para sempre se calhar, não sei, mas durante mais tempo vão ter de certeza e sim, houve ciúmes, lembro-me de estar com um bebé ao colo e o outro, e eu ralhei com o outro por estar a fazer uma asneira e a reação dele foi de bater no bebé, foi levantar a mão para dar uma palmada no bebé não é? É o ciúme, portanto tu tens o bebé ao col levantar a mão para dar uma palmada no bebé, não é?

25:25 É o ciúme, portanto, tu tens o bebé ao colo e estás agora a ralhar comigo. Há bocado tocaste num ponto super importante que foi a questão de sermos o modelo certo, não é? E basicamente inspirarmos o comportamento que nós queremos que eles tenham. E isso realmente é super difícil porque nós também somos fruto de modelos e, portanto, alguns lá atrás é natural que alguém não tenha sido um modelo perfeito porque não tinha como, não é?

25:48 Não tinha essa inspiração e às vezes é complicado tentarmos conscientemente irmos manipulando essa nossa forma de estar, quer dizer, nós queremos ser bons modelos e, portanto, às vezes por defeito não somos e queremos ser, portanto é uma luta, não é? E portanto eu acho que isso dá uma conversa totalmente independente, que vamos ter noutro dia. Mas eu ia-te perguntar, tu às vezes sentes que tens que ir buscar um bocadinho da tua formação académica para resolver um assunto em particular, tens que dizer assim, eu treinei para isto, eu estudei isto em particular e eu tenho consciência do que estou aqui a ver, consegues etiquetar aqueles comportamentos ou estás, ou és uma mãe normal como nós, não é que não está a ver, quer dizer, está só a resolver o instante sem grande consciência, não é mais em reação do que em proação?

26:42 Não, há aqueles momentos em que eu sobretudo se calhar ao final do dia em que vou identificar aquele comportamento, aquela atitude que me chamou a atenção e que eu achei um bocadinho fora do normal ou fora do contexto e ponho-me a pensar um bocadinho dentro das minhas dos meus conhecimentos mais académicos depois também procurando confrontar isto com outras amigas psicólogas ou não, mas outras mães e eu acho que por defeito vai sempre haver aqui esse essa necessidade ou esse é automático não é eu tentar pensar se há aqui alguma coisa de desviante no comportamento dele em termos de lidar com eu acho que sim a forma como me relaciono com eles ou como tento resolver determinadas situações das birras em particular claro que vou buscar aquilo que aprendi ou aquilo que também fui lendo e fui aprendendo sobre isso, mais até como já como mãe do que na faculdade, mas pequenas coisas, não é, que nós percebemos que fazem a ponte e que fazem sentido, como, por exemplo, a empatia, o empatizar com o outro numa numa solução à procura da busca de uma resolução ou de se questionar sobre isto ou aquilo naturalmente que com os filhos também é assim num momento de birra, realmente como é importante esta empatia é o colocar-nos nos sapatos do outro e escutar realmente a escuta ativa, o psicólogo quer dizer, tem isso mais do que eu vi isto na minha formação e como isto faz sentido com eles também é importante escutá-los e olhar nos olhos e demonstrar toda a nossa disponibilidade e presença para eles se sentirem compreendidos e para avançar.

28:47 Ok. Olha, tínhamos que apagar aqui uma pergunta há bocado sobre a logística, que era as cadeirinhas e os carrinhos de passeio. Portanto, cadeirinhas para o carro, imagino que todos eles têm que ter a sua, não é? E já me disseste. Agora, carrinhos de passeio, como é que tu fazes? Seguramente tu não tens seis pares de mãos, não é? Como é que tu fazes para passear? Todos têm direito a carrinho? Alguns já têm que andar fazes? Seguramente tu não tens seis pais de mãos, não é? Como é que tu fazes para passear? Todos têm direito a carrinho ou alguns já têm que andar a pé ou em polidatos? Sim, não, só mesmo os gêmeos é que têm carrinho. Foram poucas as vezes que eu saí com os seis sozinha e é uma aventura.

29:19 Eu devia parecer daquelas loucas a passear não sei quantos. Desculpem aqui o paralismo ou a comparação, mas com muitas estrelas, para tentar aguentar os cães a fugir. Mas não iam contra elas. Só para dizer que só os gêmeos é que têm carrinho. Tive a cedência de carrinhos de gêmeos de amigas, mas presentemente não uso nenhum deles quando saio, também porque o carro dos gêmeos de amigas, mas presentemente não uso nenhum deles quando saio, também porque ele não me cabe, o carro dos gêmeos não cabe no carro que temos presentemente, se vou com todas as cadeiras, portanto, montadas pelos lá estarem todos e portanto é um marsúpio e um carrinho bengala simples para para os transportar E muitos colos, não é?

30:03 Os teus braços devem ser notavelmente feridos sim, as minhas costas têm-se queixado muito bem, temos que tratar disso agora, mesmo a sério, tens dores de costas efetivamente, ou não? eu tive umas queixas por acaso assim, na altura, no verão na zona lombar, mas entretanto também uma super mãe, amiga mãe de uma amiga da minha filha que me mandou uns exercícios pronto, é assim realmente nós é preciso uma aldeia para educar uma criança, não é verdade? Não é o que dizem e sem dúvida, quer dizer, não somos nada sozinhos eu em particular felizmente digo que realmente como já disse tenho a ajuda da minha família mas no dia a dia vai-se alargando esta rede de apoio e nós vamos nos apoiando, às vezes naquelas pessoas que menos esperávamos mas vão surgindo, um pai de uma amiga, mãe de uma amiga que diz, não te preocupes eu vou buscá-la, não te preocupes, eu fico com ela essas coisas que surgem e que...

31:07 Acho que uma família tão grande só mesmo assim é que é possível. Sim. Olha, e à noite, quando estás a descansar, não há aqueles acordares, ou porque estão constipados, ou aquelas tosse, ou aqueles xixi, ou aquele cocó fora de horas, como é que têm sido? Estas horas são muito interrompidas, ou não? Eu não diria que são muito interrompidas, é mesmo quando estão doentes, uma tosse, como dizias, uma, aquele que está doente e agora tem um com varicela e, portanto, as noites não têm sido tão fáceis para ele, mas, regra geral, eles dormem todos bem neste momento. É melhor não dizer isto muito alto mas eles neste momento dão boas noites todos eles, agora quando estão doentes sim há duas ou três vezes têm que se levantar, há noites mais difíceis outras nem por isso Olha, eu sei que tens um com varicela, os outros já tiveram vão ter agora, tu tentas casar essas doenças para ficar já despechada ou não?

32:05 Eu estou aqui num misto, não sei muito bem se os mando uns para cima dos outros ou não, porque há três deles que ainda não tiveram mas eles fazem a sua vida normal em casa, portanto o pediatra diz que seguramente no Natal alguém vai estar ainda com varicela portanto... Sim Os crescidos já tiveram todos, não é? Portanto não não tens de preocupar com os adultos, se já estão...

32:28 Sim, sim. Adultos estão, sim, já todos nós tivemos, sim. Muito bem. Tu já respondeste parcialmente a uma parte desta pergunta, mas eu queria-te fazer concretamente. Como é que tu achas que a maternidade afetou a tua profissão? Tu começaste a ser mãe já no Jimboree e eu sei que depois, como psicóloga, também das consultas, se bem que não é assim a tua atividade principal, mas seguramente que teve um efeito.

32:53 Tu consegues identificar, houve assim momentos em que tu sentiste, ok, eu sou uma pessoa diferente agora que sou mãe, porque consigo reconhecer isto perfeitamente, não só na mãe, como na criança, como neste episódio em particular. Queres-me contar, se calhar, algum detalhe que tenha tornado isso super evidente? Eu não consigo identificar assim nenhum momento em particular em que me desse conta dessa transformação, mas acho que sim, acho que de alguma forma a maternidade trouxe alguma outra alteração também à minha...

33:31 Dizia já que acha que eu sou muito zen, muito calma. Eu acho que sempre fui, ou não sei, bem, o que dizem, sim, a maioria das pessoas que me conhecem dizem isso. o que dizem, sim, a maioria das pessoas que me conhecem dizem isso. Acho que a maternidade ainda pode ter feito com que eu me tornasse ainda mais ponderada nas reações e ter mais cuidado ao que o outro não mostra, mas pode estar a pensar. Bom, ter mais cuidado nas avaliações ou nos julgamentos que fazemos sem fundamento.

34:12 Sim, acho que houve alguma ponderação acrescida, não só pela maturidade e o crescimento, mas eu diria também, em parte, claro, pela maternidade que nos transforma, sem dúvida. Agora não consigo identificar, assim, pela maternidade que nos transforma. Sem dúvida. Agora não consigo identificar, assim, nada em particular. Bom, eu acho que a pergunta contrária vais identificar de certeza. De que forma é que seres professora de Jimboree afetou a tua maternidade?

34:39 Os teus filhos são seguramente inundados com canções, com jimbos, com bolinhos de sabão. Eles gostam muito do jimbo, todos eles, sem dúvida. O Jimboree foi uma ajuda muito grande para mim, não só na bagagem de brincadeiras que fui aprendendo, como eu dizia muito sobre a forma de estar com as crianças, porque era um conhecimento ali na vanguarda e portanto que eu estava a beber de uma informação valiosa e que aproveitei naturalmente para mim e para os meus filhos portanto, depois diretamente mas mesmo com algumas coisas que aprendi um workshop para acalmar o choro do bebé quer dizer, houve muitas, muitas ferramentas que eu pude e que tenho comigo naturalmente depois de muitos anos no Jimboree como eu dizia no início o saber que cada uma delas é única e estar atenta ao desenvolvimento de cada uma delas claro que o Jimboree me ajudou a identificar também essas coisas que eles são capazes ou não de fazer, o que é que a criança gosta e sem dúvida agora com os bebés, apesar de já serem o quinto e o sexto, como nos continuamos a espantar, com a rapidez como eles aprendem gestos para falar, como começam a dizer as primeiras palavras, como eles são tão rápidos, como é que é impressionante que com o ano, como o cérebro deles está super ativo, é impressionante mesmo.

36:20 E o Jim Barry Clark abriu os olhos e continua a abrir para isso. Claro. Olha, uma pergunta que eu nunca te fiz, mas que eu acho interessante, não só para mim como para as outras pessoas que nos estão a ouvir. Tu tens acesso aos escritos todos do Jim Rory, tens acesso aos programas quando eles ainda estão em versão beta, quando estão em teste, falas com as programadoras nos Estados Unidos, falas com colegas no mundo inteiro.

36:42 falas com as programadoras nos Estados Unidos, falas com colegas no mundo inteiro nem tudo isso chega obviamente ao cliente final porque não cabe nas aulas ou nos planos de lição achas que ainda estamos a guardar muita coisa achas que há muitos segredos estamos a muitos anos de conseguir fazer chegar aquele conhecimento mais capilar às pessoas ou achas que estamos a dar o essencial para já e que muito mais do que isso era a sobrevente porque às vezes para mim é a sobrevente, eu não sou da área da psicologia nem da pedagogia e quando recebo um plano de lição ou um manual, aquilo assusta-me é tanta coisa, eu não sei como é que eu vou conseguir aplicar isto e o que é que me vai escapar e quão importante é o que eu não vou usar. Se calhar tu podes me ajudar nessa questão Bom, eu acho que nós vamos transmitindo as coisas aos bocadinhos, não é?

37:33 E se não fosse assim o que é sobrevente para nós ou o que nos parece esmagador seria também para quem está a receber a informação, portanto acho que os conteúdos são dados e são transmitidos e entregues aos pais de uma forma escalonada e adaptada e porque tudo se move na prática e na convivência não é direta depois com os pais que se vai percebendo o que é que necessidades, que curiosidades têm e o que é que é preciso dizer mais, o que é que é preciso acrescentar de maior valor para corresponder à necessidade daquela família em concreto.

38:20 famílias, não é? Acho que as coisas são dadas, se calhar sim, demora o seu tempo, não é? Naturalmente, não dizemos tudo de uma vez, há um conteúdo teórico que é transmitido em determinado momento, mas depois vamos acrescentando mais e mais valores, eu acho que sim, que da experiência que temos tido até aqui, eu acho que as professoras têm em si um enorme conhecimento e que vão partilhando isso com as suas famílias à medida daquilo que elas necessitam. focávamos um bocadinho nas idades fora do Jimboree para não sermos tão parciais, porque às vezes é difícil mas vamos imaginar as crianças a partir dos 5, vamos expor que aquela parte da psicomotricidade ficou bem feita, vamos expor que as crianças são saudáveis, fisicamente saudáveis, emocionalmente saudáveis, socialmente adaptadas intelectualmente curiosas como é que achas que os pais podem continuar a ajudar no crescimento das crianças a seguir a isso? Se houvesse uma escola de pais, o que é que tu achas que faz mais falta? O que é que nós poderíamos substituir, se calhar, na nossa disciplina de História, ou de Geografia, ou de Matemática, ou de Português, ou de coisas que se calhar aprendemos e que não usámos, mas há tantas coisas que a gente precisa e que não aprendeu e que às vezes nos causam grande ansiedade e angústia tu aceitavas este desafio de tentarmos desenhar aqui umas disciplinas para as famílias se sentirem mais tranquilas com este trabalho tão nobre mas também tão desafiante que é educar crianças Sim, sim é claro, assim que estava a falar, aquilo que eu me lembro-me um bocadinho também, lá está, das nossas dificuldades enquanto estávamos na escola, o que é que depois foi mais desafiante para nós.

40:13 E daquilo que depois vou então aqui percebendo com os meus em casa. E que me espanta imenso como ela, a mais velha, vá. Aquela, o que eu acho necessário, importante, confiança na relação social, o serem certos de si, aquilo que são, não é? O autoconhecimento das suas capacidades, das suas limitações e de conseguirem ir limando as suas arestas, que eu acho fundamental, acho que é muito difundido, não é?

40:53 E que se vai falando muito sobre esta questão da avaliação, do que é que é mais importante, que a criança tire boas notas e que tenha uma avaliação de excelência, mas que depois, na verdade, nas suas competências, aquelas mais transversais, não é, que sabemos, em termos de perseverança, de autorregulação, isso sim, como é fundamental para eles, vem com uma nota menos boa. Mas o que é que é realmente importante? Olhar para essa nota menos boa, com ela, não é? Ou com ele, e ver, mas o que é que aqui falhou?

41:32 Vamos lá ver, ajustar alguma necessidade que tenha no estudo, ir percebendo aqui o que é que é preciso reformular. Aquelas bases que o Jim Barim nos ensina, que é importante estimular na criança até aos 5, 6 anos, mas que são fundamentais depois um bocadinho mais à frente. No que diz respeito a isto, a meu ver na formação do ser, da criança se sentir confiante de enfrentar, de encontrar soluções para os seus problemas, para os seus problemas ser também uma luz para os outros à sua volta, acho que a parte social e humana é muito importante a sua bondade o seu respeito Olha, eu vivo uma pequena frustração porque eu acho que há aqui um pequeno paradoxo que é, nós podemos criar o melhor programa para a criança, mas muito mais do que o que ela ouve, ela vai repetir o que ela vê, não é? E portanto, o modelo tem que ser muito bom. E portanto, antes de afetarmos a criança, nós devíamos conseguir afetar o adulto, e o Jim Bray, desde o início, que se preocupou com isso, e portanto, metade da aula sempre foi muito dedicada a explicar aos adultos porque é que isto é importante, portanto, dá-lhes aquele alfabeto básico. Mas, pronto, a preservar a ciência também praticando-a, não é? E a tolerância, a resiliência, a empatia, e essas coisas não saem naturais para alguns adultos, porque nós, claro, cimentámos uma série de defaults, não é? Que às vezes não foram os melhores.

43:08 Como é que achas que nós podemos ajudar os adultos a terem essa presença? Porque todos eles obviamente têm a melhor vontade e querem fazer o melhor para os seus filhos. Há alguma fonte de inspiração? Achas que neste momento há alguma solução, tipo o mindfulness, achas que resolve? Achas que é uma questão de terapia? Como é que achas que nós podíamos afetar os oleiros não é? Porque aquela imagem que eu usei com a Inês no podcast entregaram-nos uma peça de barro mágica, não é?

43:36 E nós vamos moldá-la, quer queremos quer não e como é que a gente ajuda o oleiro? Sim, eu acho que se puder dar aqui um bocadinho é aquilo que eu que eu procuro, então também para mim em termos de enquanto mãe e pais, portanto em geral nós temos que realmente beber temos que beber à fonte e procurar inspiração em conhecimento teórico válido, naturalmente, procurar especialistas na área e dar essas ferramentas, falar como a importância desse modelo, nós temos que continuamente nos nos melhorar, sem dúvida e estar à procura de mais informação para nós sermos melhores modelos para os nossos filhos tem que ser uma busca contínua mas sem dúvida que a parte de poder dar formação e de poder falar sobre esta melhoria pessoal.

44:50 Olha, por falar nisso, como é que tu te inspiras e tens tempo para recriação, tens tempo para ler, tens tempo para ver filmes ou séries? Queres-nos recomendar algum livro livro alguma série ou algum filme? Não leio muito, nem vejo umas séries sim, vou às vezes buscando uma ou outra que está a dar no momento para poder relaxar um bocadinho ao fim do dia que é, eu posso estar a cair de sono, mas eu tenho que ir um bocadinho para o sofá para sentir que houve um momento do meu dia de paragem que não seja ser logo ir para a cama depois de arrumar a cozinha.

45:30 Tenho que me sentar um bocado no sofá e ver o que está a dar na televisão. Não sei se há alguma outra série que eu gosto de ver, mas não tenho assim nada especial para recomendar. Livros realmente não consigo ler com muita facilidade, porque esqueces do tempo e também ao fim do dia é mais cansada. Mas durante o dia eu acho que é importante fazermos pequenas pausas e encontrarmos aquilo que mais gostamos de fazer e de pausar.

46:00 Para mim a pausa do café e seguir ao almoço é um bálsamo para o meu dia e há outras paragens do meu dia para parar, para escutar, para rezar, é importante para mim e faço diariamente a meio do dia com uma oração que me chega pelo telemóvel via WhatsApp e porque a tecnologia acompanha-nos, sem dúvida, a uma velocidade atroz e é bom recorrer a estas novas tecnologias também para isso.

46:27 E é um momento de paragem do dia, sem dúvida, em portanto pequenos momentos, já que quando as crianças estão em casa o ritmo é alucinante e às vezes de manhã eu já sinto, onde é que eu vou buscar energia para ainda vestir mais dois e ainda carregar o carro e ir distribuí-los tomo vitaminas e pronto e é isto Bom, tu agora além de consumidora de conteúdos também és produtora de conteúdos, não é? Agora estás és também atriz e és realizadora fazes além de professora de Jimboree agora tens produzido uma série de conteúdos, não é? Agora estás, és também atriz e és realizadora fazes, além de professora de Jimboree, agora tens produzido uma série de conteúdos em vídeo como é que tem sido esta experiência?

47:12 Tem sido giro, sim eu acho que na faculdade diziam que eu tinha uma voz de rádio e então não gastei nada não faço rádio, não é? Mas agora que falas nisso, acho que sim, é adequado, sim. Sempre gostei de fazer coisas para os miúdos e para os pais, não é? Gosto de dar formação e gosto de partilhar um bocadinho também da minha experiência e de juntar isso àquilo que vou aprendendo em termos teóricos portanto tem sido muito divertido também e lá está na perspectiva sempre de estarmos a aprender coisas novas também, como é preciso agora aprender mais sobre a câmera fotográfica e ler o manual das instruções e como ajustar determinadas coisas para fazer um filme ótimo para o YouTube é preciso aprender muita coisa e tem sido também uma experiência gira E nós temos umas colegas bastante mais novas do que eu um bocadinho mais novas do que tu com um monte de à vontade com as tecnologias outro dia a Patrícia esteve aqui no meu escritório, eu precisei de ajuda para editar aqui um vídeo e ela fez aquilo em segundos, tipo para voar.

48:29 Ela fez aquilo para ser eu a explicar ao meu pai ou à minha mãe como é que se mexia no telemóvel ou no computador. O tédio que eu tinha, o fastio que eu tinha, tipo, não é tão fácil. E foi assim, tipo, ela fez aquilo em três toques e eu pensei, mas eu pensava que tinha estudado engenharia e que sabia estas coisas, mas não não sei Sentes esse gap destas colegas tipo serem mais rápidas e mais facilmente adaptáveis às novas tecnologias?

48:56 Sinto, eu tenho um irmão da idade delas e ele às vezes também olha para mim tipo e então? Não faço isso. Eu estou a agir. Muito bem. Olha, próximo desafio. Imagina que eu te dava um cartaz enorme para toda a gente poder ler e te pedia para escolheres uma mensagem para lá colocares. Que mensagem é que tu escolherias? Pode parecer clichê, não é? Mas, desculpem, estamos na altura então do Natal e o amor está sempre no ar, não é?

49:34 Portanto, eu acho que amar sem fim, o amar incondicionalmente, toda eu com as minhas limitações e com as minhas falhas, reconheço como é difícil todas as horas do dia estar com o coração disposto a a reconhecer no outro algo de bom e como isso é uma caminhada, pronto e quando eu digo outro é mesmo o desconhecido, aquele que eu não conheço de lado nenhum e que me fala torto sei lá, nos correios ou no supermercado mas como é importante estarmos de sorriso no rosto para a diversidade que possa aparecer é mesmo o amor, o respeito e o saber acolher-nos uns aos outros Eu ia- te pedir ajuda numa definição própria de amor porque eu acho que algumas pessoas que fizeram este trabalho interno nunca receberam esta inspiração às vezes a palavra amor é confundida com muitas coisas e para mim, obviamente que eu tenho esse significado mais comum do amor, mas também tenho um significado mais de conexão com o outro e de essa empatia particular que tu agora descreveste e realmente termos a capacidade de reagir sem violência mesmo a estímulos que parecem agressões tu tens algum truque, houve alguma fonte de inspiração tens um modelo, uma moldura desse amor que pudesse explicar ou é uma coisa muito que não consegues pôr em palavras não, a minha fonte de inspiração é sem dúvida a parte da religião, essa que me ensinou o significado da palavra amor é o presépio pronto, não é nada mais estamos no Natal, quase a chegar ao Natal e hoje é o domingo da alegria e então é mesmo isso é para nos alegrarmos porque porque é no presépio que está ali a luz e ali é o amor pronto, para mim é isso e é essa a minha fonte de inspiração Máximo, boa eu tinha aqui outra questão para ti que era, nos últimos anos lembras-te de alguma crença ou algum hábito que tenha mudado a tua forma de encarar a vida, alguma coisa que te tenha ajudado particularmente que te lembres?

52:20 Pode repetir a pergunta se nos últimos anos houve algum hábito alguma crença, algum comportamento que sintas que tenha melhorado a tua vida, de alguma forma. E atenção, acho que podia tomar a forma de, ah, eu aprendi a meditar, eu comecei a fazer exercício, eu escolhi uma dieta nova. sei fazer exercício, eu escolhi uma dieta nova. Estava a pensar realmente, porque antes desta conversa estava a pensar para mim o que é que eu tinha mudado e à medida que os filhos foram nascendo e é uma coisa que eu vou constatando quase diariamente, a importância da organização e como eu me tornei mais organizada, eu acho que já era, mas sobretudo antecipar cada vez mais as coisas, o ter um planeamento cada vez mais definido mas no dia a dia é a preparação prévia como as coisas estão preparadas previamente, isto parece uma é uma coisa muito organizada quase como uma tarefa de um trabalho não é?

53:29 não ia dizer uma empresa, mas como termos definidas as tarefas de cada um e como as coisas estão organizadas, mas em particular para mim o que eu fui melhorando, o que eu fui mudando e porque outros me diziam, nomeadamente o meu marido ah, mas tens que preparar isto previamente tens que antecipar isto isto um bocado vindo da profissão dele também mas como são muito mais objetivos os homens também e então isso para mim positivamente ou outras pessoas que me diziam mas tu podes deixar isto preparado previamente ou depois eu lia como é importante ter as roupas deles escolhidas antes, como é importante levantar-se 15 minutos antes dos teus filhos se levantarem, e isto, por acaso, foi uma coisa que eu li no livro, eu vou dizer, da Mams da Boss, da Magda, Magda então, para mim também foi revolucionário quando eu li pequenas coisas e que ela dizia se estás vestida da cabeça aos pés e com os sapatos calçados, pronta para sair de casa, isso para os teus filhos vai ser também mais motivador portanto, tu estás preparada antes de eles se levantarem e deles começarem a vestir e etc pronto, pequenas coisas que eu fui melhorando também Não parecem nada pequenas coisas que eu fui melhorando também Não parecem nada pequenas Carolina, já ouvi aí várias bem interessantes portanto seguramente algo a rever e se calhar até podemos convidar a Magda para vir falar connosco um dia destes Olha, que conselhos darias a um casal que está a planear ter um bebé ou que tem um bebé pequeno?

55:05 se ficassem algum conselho, se tivesse muito pouco tempo assim de fugir e eles olhassem para ti olha aqui uma deusa que já tem seis filhos o que é que lhes dirias? eu diria para ok, leiam alguns livros e aprendam algumas coisas porque é importante essa curiosidade e ainda bem que nós, quando temos um primeiro filho, que queremos saber muito mas que escutem muito o coração, que façam aquilo realmente que faz sentido fala-se muito hoje em dia do dar colo, não dar colo e aquelas, e livros que às vezes lemos, não é? De como ajudar o bebé a adormecer para mim foi revolucionário quando eu li Dá o colo que quiseres, porque eu queria muito que a minha filha adormecesse sozinha no berço, a minha primeira filha, eu queria muito seguir tudo by the book, daqueles livros que estava a ler.

55:59 E quando li numa revista, assim, daquelas tipo Pais e Filhos, ou já não sei e uma mãe que dizia não, é dar o colo que for necessário se for preciso pões um colchão ao lado da cama e deitas-te ao lado da cama com a criança para ela adormecer é preciso ir ajustando as estratégias de cada família sem dúvida, mas no princípio aquilo que eu olho para trás hoje e que não faria se fosse a minha primeira vez era realmente não tentar forçar nada daquilo que leio, mas sim interiorizar e ver o que é que me faz sentido se o meu coração me diz não vais por aí, não vão por aí Ok, sabes o que é que era gira?

56:42 Era tu escreveres um livro, Carolina se não compilares essas coisas que eu acho que por aí. Ok. Sabes o que é que era, Gireira? Tu escreves um livro, Carolina. Se calhar compilares essas coisas que eu acho que isso faz falta. Temos que pôr isso aí na nossa lista. Há um tempo comecei a fazer umas gravações no telemóvel de algumas coisas que me iam ocorrendo. Alguns pensamentos, não é? E em vez disso escrever e ia falando para o telefone.

57:02 Quem sabe? Quem sabe? Se calhar, pá, podemos pedir inspiração à Inês, que já vai no seu quarto livro pela lançada acho que ela não vai parar por aqui, acho que ela vai escrever muitos mais, ainda bem olha, finalmente, quando tu te sentes a soberbada, o que é que tu fazes? tens algum truque para te centrar quando te sentes assim mais perdida qual é o teu segredo? é parar, sim, sem dúvida parar um bocadinho respirar fundo, beber água rezar sempre me ajudou e tem que ser parar só preciso perguntar a alguém o que partilhar, não é?

57:45 Acho que é importante falarmos, partilhar alguns sentimentos. Muitas vezes o sentir-se a soberbada, para mim, na prática, tem muito a ver com a relação também com os meus filhos, não é? Como às vezes o que é mais desafiante, o que provoca mais em mim é a perda de controle. Portanto, é preciso recuar. É preciso, muitas vezes, sair daquele contexto, ir a outra divisão da casa, ir à rua se for preciso, um bocadinho respirar fundo e deixar passar.

58:17 Tem que ser. Muitas vezes é mesmo isso. É dar espaço. É dar espaço a todos. Olha, como é que te imaginas? Quando eles começarem a crescer e a sair de casa, para a faculdade, para o estrangeiro, para a casa dos seus parceiros ou do casal, não é? Já antecipaste esse momento? Nunca pensei muito a fundo nisso, mas eu acho que vou sentir sempre... Vou sentir a falta deles, naturalmente, e que me vou sentir um bocadinho perdida.

58:50 Não é a mesma coisa, mas às vezes já não estão em casa num período de férias, porque vão com os avós ou a pessoa já sente a estranheza. Então, quando ficarem muito crescidos e já não estiverem mesmo em casa de todo, vai sempre sentir-se aquela... é o ninho vazio, como se diz. Sim, sim. Depois de reaprender a viver. Tu tens algum cuidado particular? Fazes algum exercício físico?

59:18 Tu estás sempre fit? Não, é genético. Capaz de ser. Ou então é do stress do dia-a-dia com eles, é o carregar bebés nos braços. Mas não, não faço realmente nenhum exercício. Gostava de fazer, sim. Gostava de ter um tempo do meu dia para poder fazer uma caminhada. Faz muito bem e sabe tão bem. Isto é ridículo, mas eu no outro dia saí só ali ao jardim e senti o ar fresco aqueles dias mais frios e aquilo soube-me pela vida, portanto eu acredito que se fosse fazer caminhadas ao ar livre então ia ser mesmo bom. Olha, tu foste escoteira.

59:57 Os seus filhos são escoteiros, há planos disso ou não? Sim, os mais velhos mostram o interesse estávamos para iniciar, vamos ver se arrancamos ainda este ano ou só para o próximo. Eu fui escuteira, o meu marido foi escuteiro e, portanto, não forçámos, não é? Pronto, não forçámos a entrada deles, dos miúdos, mas, porque inicialmente diziam mesmo que não queriam, mas depois foram vendo uns amigos que são escoteiros e isto e aquilo, foi-lhes despertando o interesse e eu acho que é uma coisa mesmo valiosa.

1:00:33 Espetacular. Olha, obrigado por este bocadinho, vou-te levar à tua família. Obrigada a eu. Amanhã começas um bocadinho mais tarde, descansa bem e vamos falando. Obrigado por tudo, Carolina. Obrigada, Nuno. Até amanhã. Um resto de um bom dia. Até amanhã. Obrigado. Tchau, tchau, vizinhos. Tchau, tchau. E aí