Dicionário das Crianças · Episódio 19
Espalhar Ideias, TEDxKids — Marta Gonzaga (parte 1)
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Há convidados que não cabem numa única etiqueta, e Marta Gonzaga é um deles: escritora de crónicas, fotógrafa, consultora estratégica, curadora e organizadora de eventos, mãe e viajante. É também a promotora do TEDxKids@CentralTejo e do Lemonade Festival, dois projectos dedicados a espalhar boas ideias junto de crianças e famílias. Nesta primeira parte da conversa com Nuno Simões, gravada durante o confinamento, ficamos a conhecer a pessoa por detrás dos projectos.
Questionada sobre a origem da sua inspiração, Marta responde sem hesitar: curiosidade. Diz mais vezes "sim" do que "não", abre a porta a desconhecidos que lhe pedem uma conversa e vê em cada pedido de ajuda uma troca em que ambos ganham. Ao longo dos anos foi construindo aquilo a que chama a sua "biblioteca" de histórias e de pessoas extraordinárias, que guarda até chegar o momento certo de as projectar num palco ou num festival.
A fotografia foi a primeira vocação: estudou no Ar.Co aos 18 anos e sonhava ser fotógrafa de guerra, um caminho que a maternidade transformou, porque a vida dela deixou de lhe pertencer só a ela. A escrita chegou com mais pudor. Filha de uma escritora que admira profundamente, Marta escrevia ficção científica na adolescência mas tinha receio de mostrar os textos, e conta, com humor, a professora que teve de inventar duas notas para ela: uma para a criatividade, outra para a organização.
Foi o jornalismo que a obrigou a disciplinar as ideias, levando-a a estudar ciências da comunicação por uma questão de honestidade e coerência com o trabalho que já exercia. Hoje não tem livros publicados, faz questão de o esclarecer, mas as suas crónicas e blogs são pequenas montanhas-russas de lugares, emoções e conceitos, com começos inesperados que agarram o leitor sem que ele perceba como.
O episódio termina de forma involuntariamente cómica, com a internet a falhar mesmo quando a conversa ia entrar nas viagens que fazem parte da identidade de Marta. A história continua na parte 2, onde se fala das viagens em família e do trabalho de espalhar ideias com o TEDxKids. Para pais e educadores, fica desta primeira metade uma lição intemporal: a curiosidade cultiva-se dizendo "sim" ao que é novo, e isso aprende-se em casa.
Neste episódio
- 00:31 Escritora, fotógrafa, curadora, mãe: com que papel se identifica mais?
- 02:02 Onde vai buscar inspiração: curiosidade e dizer mais "sim" do que "não"
- 03:27 A "biblioteca" de histórias e pessoas guardadas para o momento certo
- 03:59 Fotografia: o curso no Ar.Co e o sonho de ser fotógrafa de guerra
- 05:00 A escrita: da ficção científica na adolescência à mãe escritora
- 05:32 A professora que inventou duas notas: criatividade e organização
- 06:00 Do jornalismo ao curso de ciências da comunicação
- 07:08 Crónicas, blogs e redes: escrever sem ter livros publicados
- 08:29 As viagens como identidade — e a ligação que cai a meio da conversa
A Brincar, A Brincar
O essencial do brincar com intenção, do nascimento aos seis anos.
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0:00 Olá Marta Olá Nuno Como estás? Eu estou ótima, estou mesmo ótima apanhei imenso sol hoje, está tudo fabuloso Olha, muito obrigado por me ceder um bocadinho do teu fim de semana tenho aqui umas perguntas para te fazer e queria te apresentar aqui ao nosso público porque és das pessoas mais interessantes que eu conheço e eu acho que toda a gente vai gostar imenso de ouvir o seu testemunho.
0:27 E aqui, um bocadinho em jeito da apresentação, eu ia começar por fazer aqui um pequeno claim. Tu és escritora, és fotógrafa, és consultora, curadora, organizadora de eventos, empreendedora, és mãe, és viajante. Com qual destes papéis é que tu te identificas mais? Isso é tão difícil como perguntar, bom, como mãe, não é? Mas isso é um papel que não abdicas nunca. Mas é como perguntar se gostas mais da mãe ou do pai, não consigo abdicar de nenhum.
0:58 Eu não arranco um braço por causa do outro. Muito bem. Olha, Marta, eu agora estava a refrescar, nós somos amigos, eu não tenho que ir a investigar, mas estava à procura de temas para falarmos aqui hoje e portanto fui ver um bocadinho as tuas redes, o teu blog e portanto relembrar aquela frustração de ver as tuas fotografias e pensar eu nunca vou conseguir fotografar assim, os teus textos de problemas e depois também os convidados que tu trazes pós-eventos que são sempre... Espera aí só um bocadinho ó Gabriel, eu agora estou com crianças, agora foi a Jasmine estou a subir aqui. Olá Gabriel Agora é a Jasmine o Gabriel já fugiu. Ok, era a Jasmine ok, mais é Sim. Diz-me Que giro. Estava-te a falar um bocadinho sobre a questão das tuas fotos os teus textos e os convidados que tu escolhes são sempre coisas muito frustrantes para quem está a trabalhar contigo porque levas sempre o nível de uma maneira chocante e portanto há aqui um traço comum é sempre, pronto, são sempre escolhas muito inteligentes e inspiradas e a minha pergunta é onde é que tu vais buscar inspiração para este tipo de output que fazes?
2:05 Porque eu acho que é um traço relevante do teu trabalho. Olha, desculpa, eu vou ter que chamar os pais destas crianças. Força, força. Porque senão eles não vão sair daqui mesmo. Era só um bocadinho. Então, eu acho que acima de tudo é curiosidade. E eu não invento estas pessoas, eu acho que acima de tudo é curiosidade e eu não invento estas pessoas eu não invento estas paisagens eu sou muito, muito curiosa é o que acima de tudo me faz mexer e manter em movimento por isso como eu me mexo muito eu procuro sempre dizer mais sim do que não quando dizem vamos até ali eu vou, mesmo que isso eu esteja mais cansada ou mais qualquer coisa, é uma novidade, eu vou quando uma pessoa diz que quer ter uma conversa comigo mesmo que eu não a conhecei eu abro sempre a porta para ver se há alguma coisa em que eu possa ajudar e que seja interessante também para mim, porque quando alguém nos pede ajuda há uma troca, não é?
3:06 E nessa troca ganho eu e ganho a outra pessoa. Então, como eu estou sempre em movimento, às vezes são paisagens, às vezes são pessoas que eu encontro e que me espantam, são sempre há pessoas com histórias extraordinárias e eu não queria usar a palavra usar, não é isso, mas eu essas pessoas ficam guardadas para o momento que eu sei que vou projetar aquela história num momento como nós fizemos, por exemplo Lemonade, não é naquele momento que essas pessoas surgem, não é? Aquelas pessoas já existem na minha biblioteca, na minha fonte e eu vou buscá-las porque é a altura certa eu acho que eu tenho uma uma boa biblioteca, na minha fonte e eu vou buscá-las porque é a altura certa. Eu acho que eu tenho uma boa biblioteca de histórias e de pessoas com que me vou cruzando. As fotografias, já agora as fotografias. Eu não exerço fotografia, eu faço fotografia, estudei no Ar.Co aos 18 anos, não fiz o terceiro ano de fotografia avançada, fiz os dois anos. Era a profissão que eu queria ter tido inicialmente eu queria ser fotógrafa de guerra eu era fã dos grandes clássicos mas comecei a trabalhar e depois fui mãe e como mãe eu já não iria ser fotógrafa de guerra porque a minha vida já não pertencia só a mim mas a fotografia, se eu tivesse que, agora voltando atrás talvez haja uma resposta para a tua primeira pergunta, se eu tivesse que abdicar das outras profissões eu acho que talvez a fotografia aos outros trabalhos Sim nesse processo, quando já estavas a trabalhar a fotografia aos outros trabalhos Sim nesse processo quando já estavas a trabalhar e já eras mãe foi quando tu foste estar depois também em comunicação social a escrita já existia na tua vida antes disso ou foi uma paixão mais recente?
4:58 Então, eu escrevia ficção científica quando era adolescente e escrevia sempre umas coisas um pouco fora, mas eu tinha alguma vergonha de escrever, porque a minha mãe é escritora, é uma escritora incrível, maravilhosa e a fasquia era muito alta e eu tinha até receio de lhe mostrar textos meus. Era muita trabalhoada e eu às vezes sou rápida demais, não me foco só numa coisa e então eu despejava imensas ideias para o papel, mas de tal maneira que uma das minhas professoras dizia que teve que inventar duas notas para mim na primeira vez em 30 anos de ser professora então exerceu uma quanto à criatividade dava-me uma nota para a criatividade e uma nota para a organização e o português, que eu nunca dei erros ortográficos, mas era tudo vírgulas, pontos finais, ou mesmo as pessoas tinham que fazer um grande esforço para entender até as ligações que eu fazia.
5:57 Acho que ainda hoje, mas já sou bem mais organizada. Por isso, a escrita levou-me muito tempo, depois comecei a trabalhar em jornalismo, tive que me organizar, foi mesmo um esforço enorme e acabei por estudar comunicação social, ciências da comunicação mais precisamente, porque já que estava a exercer jornalismo era uma questão de honestidade, de coerência e de fazer melhor o meu trabalho. Ok, bom, eu acho que tu também és uma escritora maravilhosa tu estavas-te aí a falar com a tua mãe eu já tive momentos de elevada frustração daquela inveja boa de estar a ler as tuas cenas e pensar, parar a meio, dizer não vou ler mais porque isto vai me fazer mal à minha autoconfiança não vou escrever mais nada na vida depois de ler este texto da Marta e acabamos por delegar em ti depois os teus amigos abusam de ti e entregam-te as redes sociais e entregam-te os textos porque vai sair melhor, não é?
6:45 É verdade. É verdade. Mas pode-se acontecer, mas, pá, assim, eu fui um adolescente muito voraz em termos de leitura também, gostava muito de ler e, quer dizer, quando disseram que te escreves mal, portanto, eu confiava na minha escrita, até começar a ler-te a ti e outras carolas, e pronto, e depois é frustrante. Olha, Marta, vamos falar um bocadinho das tuas viagens que eu também acho fascinantes vamos, deixa só esclarecer as pessoas eu não tenho livros eu escrevo crónicas eu escrevo para os meus blogs, eu escrevo nas minhas redes sociais eu não tenho livros eu não sou escritora a ponto de ter livros não é esse género é só uma questão de tamanho porque os teus textos, há o teu blog, há o teu blog que é um pequeno livro, se quisermos, é fértil, tens lá imensas histórias, depois temos as tuas redes, depois temos, há artigos teus, aí perdidos, se a pessoa quiser procurar vai encontrar isto que eu estou a falar. Isto passa muito porque os teus começos são inesperados, não é? Tu começas a história lá, tipo, em Andrómeda e, de repente, nós estamos a olhar e, tipo, a história já está no meu colo e eu não sei como é que isto aconteceu.
7:53 E, pronto, é fascinante porque, pronto, nós... É uma montanha russa, não é? De locais e de emoções e de conceitos que eu acho notável e recomendo vivamente que toda a gente siga, não só os links que eu recomendei, como outros que o Google vai oferecer mas diz, diz A próxima crónica da Bica dá mais saltos ainda Ok, muito bem, vamos a isso Dá mais saltos ainda, por acaso acho que eu estou bem à espera que a revista Bica a próxima saia porque essa dá muitos saltos é muito emotiva também Ótimo, olha e sobre viagens vamos falar um bocadinho das tuas viagens porque eu percebo que faz um bocadinho parte da tua identidade isso começou muito cedo acho que travamos aqui, ficamos sem Marta ... Acho que travamos aqui, ficamos a Marta por um bocadinho. Eu estou...
9:30 Estás com o neto, mas... Não está. Eu acho que... Eu te vejo de parada e... Queres-te voltar a ligar por aquele link que eu te dei? Eu acho que agora já estás com o bonete. A tua ligação caiu aqui no streamer, mas já funcionou. Até já. Vamos esperar que a Marta entre aqui na plataforma. Porque eu acho que ela está com uma net fraquinha. Legenda Adriana Zanotto Legenda Adriana Zanotto Legenda Adriana Zanotto Legenda Adriana Zanotto E aí Eu peço desculpa a quem está à nossa espera.
15:17 Eu vou iniciar um stream novo com a Marta porque estamos com problemas técnicos. Até já.