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Dicionário das Crianças · Episódio 20

Espalhar Ideias, TEDxKids — Marta Gonzaga (parte 2)

28 de março de 2021 · 32 min · com Marta Gonzaga

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Esta é a segunda parte da conversa de Nuno Simões com Marta Gonzaga, promotora do TEDxKids@CentralTejo e do Lemonade Festival, especialista em produção de conteúdos e curadoria de eventos. Se na primeira parte conhecemos o percurso da convidada, aqui entramos no coração do episódio: como se espalham boas ideias junto das crianças e o que isso nos ensina sobre educação.

Tudo começa nas viagens — a menina que, aos nove anos, fazia contas ao mapa-múndi para saber quantos países conseguiria conhecer — e desagua num tema que hoje ocupa Marta profissionalmente: a sustentabilidade. Com franqueza, explica por que não basta plantar árvores, o que é o mercado do carbono e por que razão a transparência ambiental é uma exigência que também cabe aos consumidores. E deixa claro que tudo isto passa, inevitavelmente, pela educação e por uma comunicação mais simples e consistente.

O momento mais saboroso do episódio é a história da origem do TEDxKids em Portugal: foi a filha Maria, então com 12 anos, revoltada por ser tratada como 'população não activa', que desafiou a mãe a criar um evento onde as crianças também sobem ao palco. Marta conta como descobre e prepara oradores tão novos, com carinho mas sem condescendência, e recorda a palestra improvável de um menino sobre solidariedade — o herói não é o mais forte, é o fraquinho que defende o amigo.

A conversa compara ainda o TEDxKids com o Lemonade Festival, organizado em 2017 com o próprio Nuno, onde as crianças aprenderam ferramentas de empreendedorismo a vender limonada. Dois formatos diferentes, a mesma convicção: as escolas precisam de elementos de fora que agitem os dias e mostrem que uma criança diferente não é uma criança 'desajustada'.

Sobre educação, Marta é ao mesmo tempo alternativa e prudente: defende o ensino obrigatório como protecção dos mais vulneráveis, mas alerta para o risco de educarmos os filhos à nossa medida em vez da medida deles. A história do percurso da filha, retirada da escola num momento em que o liceu a estava a deprimir, é um exemplo de ponderação sem irresponsabilidade. Para pais que hoje questionam o modelo escolar, é uma reflexão que continua actual — e termina com um conselho prático: rotinas, exercício físico e o telemóvel em 'não incomodar' a partir das nove da noite.

Neste episódio

Guia prático

Fundamentos Teóricos e Planeamento

A teoria por trás do brincar, para quem trabalha com crianças.

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Transcrição completa

0:00 cá estamos ah, está incitável foi só um soluço ok, estávamos a falar de viagens está Estavas a falar de viagens. Estavas a falar de viagens. E sobre... Ah, então. Começou cedo. Eu lembro. Força. Então, eu era uma criança que ficava no quarto de um lado para o outro a fazer chão e a dizer como é que eu vou sobreviver até ser crescida e poder andar a viajar à vontade.

0:52 Uau! Portanto, já era. E depois tinha um mapa com as bandeiras todas, que agora já há muitas mais, e fazia contas, isto com 9, 10, 11 anos, fazia contas de como é que eu poderia conhecer todos os países, quantos anos, quantas viagens por ano, o que é que isso me precisaria. Portanto, já não é a minha prioridade, não é a minha. Eu gosto de repetir os sítios que gosto.

1:16 Qual é a tua primeira viagem mais solo, que tu tenhas sentido, mesmo tua? Eu não comecei sozinha para fora de Portugal, eu só comecei a viajar aos 18. Ok. Eu viajava muito, eu era em Portugal. Fazia muitas viagens. E quando eu ia fotografar e andava a passear em Portugal, eu gostava de estar sozinha sempre, mesmo que já acompanhada, quando é aquela altura, porque é muito fácil ter um parceiro ou uma parceira de viagem em que te deixa completamente em paz.

1:52 Havia pessoas que diziam sempre, ah, não estás a fotografar aquilo. Eu se fosse a fotografar uma coisa e a pessoa que está ao meu lado então tira igual eu acho que para todas as minhas viagens mesmo que eu vá acompanhada que eu me ponho a solo grande viagem que eu me... eu não sei se eu viajei muito sozinha ok sabes que estas viagens estas mais recentes, quer dizer, Bali com o sudoeste asiático, com a tua filha, Santiago, Marrocos, eu sei que tu viajas com uma amiga ou com uma prima, etc.

2:37 Isso é quase a sol, não é? Não é também com os pais, eu acho que é diferente. Quando vamos com autonomia é onde se aprendem mais coisas, e se calhar era a minha próxima pergunta, lições mais importantes quando estás a viajar, é mais uma questão cultural, que tu és mais uma pessoa mais cénica, gostas de ir ver as paisagens, as pessoas os costumes, o que é que te toca mais?

3:02 As pessoas são sempre as pessoas. Eu acho que quando tu viajas deves ser o mais transparente possível. Não é? Porque tu não podes mesmo que sejas uma pessoa um pouco mais expansiva. Claro que uma coisa é quando entras num sítio em que há pessoas e o espaço é para conviver. Mas quando tu estás e gostas de deixar as coisas o mais interpretáveis, tu queres ver como elas são realmente, isso vem talvez da minha formação de fotografia que tu para realmente conheceres um sítio tens que lá passar muito tempo, tens que olhar tens que dar o espaço todo quando as pessoas te querem integrar, aí sim tu começas a entrar mas com respeito, tu não estás ali para contar quem tu és, estás ali para aprender qualquer coisa.

3:50 Mas são, sim, são sempre as pessoas. As paisagens fascinam-me, mas raramente tiro fotografias frias em que não há pessoas lá dentro. Eu gosto do movimento, acho que há pessoas que são maravilhosas a fotografar paisagens. Eu geralmente é uma paisagem com alguém lá dentro Sim, olha e lugares de sonho? O que é que ficou assim na tua memória como um sítio tipo, pá, quase não sei, se te sentiste em casa ou se te sentiste só no céu a Indonésia é isso para ti ou foi outro destino qualquer?

4:24 Eu acho que casa é sempre Portugal. Mais especificamente, a casa geralmente é Lisboa. Embora que quando eu viajo para um sítio, se eu estiver com as pessoas, se as pessoas que eu amo estão próximas, eu acho sempre que poderia fazer ali a minha casa. Mas a perfeição é sempre aqui. É isso. Eu me senti muito confortável na Indonésia, mas a perfeição é sempre aqui é isso senti muito confortável na Indonésia mas a saber que acabaria sempre por voltar Muito bem, Marta nós temos aqui imenso para falar sobre educação mas eu ainda queria falar antes disso sobre esta questão do ambiente que é uma um foco teu mais recente, eu sei que estás a trabalhar agora com sustentabilidade, e queria que me falasses um bocadinho sobre esta pequena aventura, um bocadinho mais fora da tua zona de conforto, ou pelo menos da tua área de especialização anterior, como é que isto aconteceu na tua vida e o que é que estás a fazer, e porquê é que é importante prestarmos atenção a estes temas, porque acredito que tenhas investigado recentemente e que tenhas essa matéria fresca na cabeça.

5:22 porque acredito que tenhas investigado recentemente e que tenhas essa matéria fresca na cabeça. Então, o ambiente diz-nos respeito a todos, não é? Nós estamos a viver como se houvesse um cantinho onde podemos esconder o nosso lixo, mas não. Como se há uma máquina, como se a tecnologia, a ciência pudessem resolver o problema do resgate de carbono e da nossa pegada e isso ainda não existe Cortou um bocadinho Agora já está Sim Ok, já estou aí Então, isto é um...

6:06 Diz. Ia-te só perguntar se o teu auricular está com bateria e se não poderá ser isso às vezes que falha, não? Não, é a internet, é mesmo a internet. Aqui está instável. Mas agora estamos está ouvindo. Podes continuar. Eu vou pôr o segundo também. Então, as questões do antepreendente sempre... ...para as empresas... ...nós, como consumidores, fazer também é um lado... Mais precisamente, vou dizer, isto é um mecanismo que é uma ação que faz a certificação do carbono em que tu podes auditorias, certificar dar transparência ao mercado do carbono estamos nesse patamar, transaciona-se muito, o mercado do carbono movimenta muito o dinheiro, mas há muito pouca transparência e muito pouca transparência e muito pouca credibilidade essa credibilidade é o que nós como consumidores também temos que começar a exigir e que a lei tem que legislar e obrigar a uma aplicação mais musculada do nosso lado, preocupa-me mesmo se achamos que está só do lado das empresas e não está nós temos que consumir muito menos não basta plantar árvores eu acho que às vezes passam-nos essa ideia de se plantarem muitas árvores nós salvamos o planeta e não salvamos não há planeta para plantar tantas árvores como as que são necessárias temos talvez três planetas cobertos de árvores, por isso isso não vamos lá assim.

7:49 Nós como consumidores e mesmo o sistema económico tem que levar, o sistema económico tem que ser mesmo um travão de mão e repensarmos tudo isto. Até agora temos vivido numa de... cada empresa tem que ter um crescimento eterno ou depois cair e não é possível porque o planeta é finito em termos de trabalho é uma coisa nova para mim em termos de humanos e como pessoa não é uma coisa nova para mim. Acho que todos nós temos que nos empenhar muito, aliás o Biden assinou, eu não quero ser chata porque isto é uma coisa sobre educação o Biden pôs até recentemente o Presidente como mais importante, mais alarmante a questão do ambiente do que a própria pandemia.

8:35 Nós é como não a estamos a sentir ainda na pele, há países que já estão, achamos que é um problema muito secundário, mas não é. Bom, em termos de escala não tenho dúvida que isso é a verdade, não é? A pandemia está nos a doer e está muito na nossa cara, não é? Portanto é difícil ver o que está para trás, mas o ambiente tem consequências de longo e simples prazo, não é?

8:59 E aí a comunicação tem um papel importante e sabes que não é qualquer pessoa que consegue comunicar, às vezes ter a mensagem e conseguir passá-la são coisas totalmente diferentes e é aí que se calhar a tua responsabilidade é um bocadinho mais alta maior do que dos outros, não é? Porque tens esse talento e agora também tens a estrutura que te permitirá se calhar sensibilizar as pessoas para estes temas no que puderes contar connosco, por favor, dispõe também.

9:26 Eu gostaria imenso de usar a nossa plataforma para espalhar esse tipo de mensagens positivas e implementarmos a mudança que for sustentável, não é? E passa muito pela educação. Passa, porque se tu perguntas às pessoas o que é que é o mercado do carbono, como é que se processa o resgate do carbono, as pessoas não entendem, nem têm a obrigação de entender, ou pelo menos como as coisas se passaram até agora. Mas essa comunicação, estas urgências que nos dizem respeito a todos nós, têm que ser comunicadas de uma forma muito mais simples e mais consistente também.

9:58 Vou contar com a vossa plataforma, vou. Olha lá, não estará na hora de organizar um evento que sensibilize as pessoas para isso, porque isso é um dos teus superpoderes organizar uma coisa convidar as pessoas certas e depois do que sai dali é magia, não é? Eu já pensei num evento, já tenho até uma data e apesar de sermos amigos eu queria dizer que isto não foi nada planeado Eu não sabia Nada Temos. Eu vou anunciar mais tarde, mas queria muito tempo ainda este ano.

10:29 Pô, espetacular. Olha, falando em eventos... Depois, não posso ainda dizer. Falando de eventos, vamos falar no TEDx Kids, que foi pioneiro aqui em Portugal. Primeiro, o que é que é o TEDx Kids, para quem não o conhece? E como é que surgiu na tua vida da primeira vez? Então, eu estava a fazer... Primeiro, para quem não conhece, é um TEDx que são aquelas palestras em que as pessoas falam de forma...

11:03 Isto muito resumidamente. Em que as pessoas têm que falar de forma que toda a gente entenda. Eu sou uma cientista, mas dona de casa, enfermeira, ou pessoa que conduz o táxi, toda a gente tem que entender. Não precisamos de ser da área para entender. E esta foi a maior democratização, para mim, do conhecimento. A partir do momento em que nós falamos do poder, mas havia uma razão, e até há muito pouco tempo, de que era poder saber só tu as coisas, não é?

11:44 Dominares, aliás,, áreas como a advocacia, como até a medicina, em que as pessoas guardavam muito isto é coisas desta área e os outros não têm que entender. O TED veio revolucionar isto tudo, que é toda a gente tem que ter e tu não perdes poder, tu ganhas ainda mais poder com isso, poder no bom sentido. Tu ganhas ainda mais poder com isso. Poder no bom sentido. As palestras TEDxKids, eu fiz, transportei exatamente a mesma lógica.

12:16 Tido...... ... ...... dos caminhos para o futuro. Eu fiz uma coitada, na altura quando comecei a organizar, achei bastante arriscada, que foi buscar crianças para também falarem. É complicado, não é? Porque tu tens que, os adultos, tu só tens que pesquisar um pouco, as pessoas já ganharam currículo, já ganharam mundo. É fácil tu descobrir talentos,os, é muito mais fácil. As crianças não sabem nem que as pessoas as querem ouvir, portanto, quando tu vais ter com elas a dizer, olha, eu gostava muito de ouvir falar sobre ambiente, ou sobre Deus, ou sobre a religião, ou sobre o planeta, ou sobre relações, ou bullying, tudo, é muito interessante que elas próprias ficam espantadas, mas aquilo dá-lhes uma energia enorme e começas a receber propostas.

13:14 Então, como é que isto surgiu? Agora já voltamos aqui. Eu estava a organizar nessa altura o TEDxPorto, estava a organizar com outras pessoas, obviamente, a mim cabia a curadoria dos oradores, com outra pessoa também. E a minha filha acompanhava as minhas histórias, porque eu fiz muito, contei muitas histórias ao longo de todo o processo. E ela começou a pedir-me para estar presente, eu vou estar presente nesse evento, não vou, eu acho que ela na altura teria uns 12 anos.

13:40 Eu disse, olha Maria, não podes pedir isso só para adultos, as crianças não podem estar presentes ai, eu odeio, eu odeio, acho horrível ser parte da população não ativa que era um conceito que ela estava a aprender na escola nessa altura e eu disse, tens toda a razão eu vou-te organizar um evento, eu não sabia nem muito bem o que é que ele estava a dizer eu vou fazer um TEDx Kids e quando comecei a pesquisar o Kids, eu estava a fazer o Porto na altura, sim, estava no Porto, ainda estava a meio, e eu pensei, não, Kids é, se eu fizer o formato, esse formato em que as crianças também falam, não vou conseguir fazer nesta altura, isto vai levar muito tempo, porque tenho que ir pelo país todo, e fiz um jovem em Óbidos.

14:24 isto vai levar muito tempo, porque tenho que ir pelo país todo, e fiz um jovem em Óbidos. Deixo o que desespera, depois ainda fui a Angola a montar o primeiro TEDx Luanda, e quando voltei, acho que em 2013, aí comecei a preparar. O conceito foi este, crianças e adultos a falarem para uma plateia de crianças. Também tivemos adultos, obviamente, mas o conteúdo era tudo para as crianças. Olha, podes partilhar alguma história, algum testemunho de uma dessas crianças que tenhas ouvido e que tenha marcado particularmente?

14:58 Eu, assim, uma história... Não as tenho tão frescas, deixa-me ver. Pode ser do Lemonade também, porque nós encontramos ali alguns momentos uau, não é? Crianças que nós convidámos sabíamos que eram extraordinárias, mas depois vai-se a ver e depois têm testemunhos incrivelmente sábios, maduros e, bom, faz-nos um bocadinho revisitar onde é que eu estava nesta idade, que eu não vi estas coisas, não é? Pelo menos não me lembro de ver as coisas desta maneira Nem aos 20 Nem aos 20 Quando vejo gêniozinhos falarem aos 20 eu penso que onde estava era na discoteca, não é? Exatamente Eu lembro-me vagamente, tu tiveste uma parte de preparação daquelas crianças, não foi?

15:39 Eles não tiveram qualquer formação Tem que ter sempre formação, tem que ter uma preparação. É muito... Mesmo com um trabalho da escola, tu tens de ter preparação. Mas eu lembro-me agora de uma história de um menino num colégio que ele queria fazer uma apresentação. E eu achei que ele tinha muito coração, mas pouca consistência. O trabalho foi muito atabalhoado. E eu disse, olha, não vai poder ser este ano.

16:03 O que tu mandaste não... Porque eu depois tenho que fazer uma seleção como se estivesse a lidar com adult olha, não vai poder ser este ano o que tu mandaste porque eu depois tenho que fazer uma seleção como se estivesse a lidar com adultos não é? Se eu for por condescendência, os conteúdos não vão ser bons por isso trato-os com muito carinho mas tem que ser às vezes até um bocadinho tem que ser firme, é como as pessoas fazem é a minha custa, mas pronto eu até me sinto na necessidade de explicar muitas vezes e há esse menino aqui, eu digo que não e ele no próprio dia nós tínhamos o alinhamento todo isto foi no primeiro TEDxKids o alinhamento todo muito fechado ao segundo estava a trabalhar com um produtor de televisão que é que ele faz mesmo tudo ao segundo nunca me tinham exigido tanta rigidez e este menino chega só perto de mim e diz Marta, por favor, por favor, deixa-me falar é muito importante, eu tenho mesmo uma coisa muito importante para falar e eu disse, olha, tens 3 minutos ou 4 já não sei quanto tempo é que eu lhe dei e foi a melhor apresentação e ele foi lindíssimo, ele veio falar de que da solidariedade entre amigos, entre colegas de escola, que o herói não é aquele que é o sabichão, o brutamonte escandar que é o mais forte de todos, o herói é aquele que até é fraquinho e de repente consegue defender o amigo. E foi uma coisa muito emotiva e foi das coisas mais wow que eu tive nas palestras das crianças.

17:27 Olha, quando é que vai ser o próximo? Não tens ideia de suscitar Eu adorava, eu estou sempre a dizer que sim mas eu sou só uma então eu digo sempre que vai ser para o ano, que vai ser para o ano gostava muito, eu gosto muito de fazer os TEDx dos adultos, os das crianças enchem-me a alma mesmo, porque a inocência como que eles dizem, a falta de filtros, o quão rápido eles se habituam a tratar-me como se eu fosse da idade deles, mas só orientadora, depois telefonam-me e mandam-me whatsapps e mensagens e mais vídeos, e se eu digo que uma coisa não é assim eles são super esforçados não existem egos ainda, sabes?

18:11 Os meninos de 8 anos não vão lá pelo ego vão pelo brilho pelo entusiasmo, então eu gostaria de dizer que foi o ano, mas não sei Ok, então nós também fizemos uma gracinha juntos em 2017 que foi o Lemonade Festival junto com o junto com o Miguel e é assim, é uma das coisas que mais me orgulham há duas semanas acho eu foi das coisas que mais me orgulhou porque ficou particularmente bem. Eu nunca tinha organizado uma coisa com aquela escala e sozinho nunca teria conseguido mas contigo, com o Miguel com a equipa deles, foi espetacular. Como é que tu comparas o Lemonade com um TEDx Kids?

18:58 Porque obviamente que há pontos há coisas comuns e houve outras inovações. Mas para ti, quão diferente foi? Que sensações tiveste, uma vez que tens mais experiência? Eu acho, eu gostei imenso do nosso Lemonade. Tive muita pena que nenhum de nós, com as nossas agendas, conseguiu ainda repetir. Mas eu acho que eles até podem coexistir, embora que são completamente diferentes. Neste sentido. eu acho que eles até podem coexistir embora que são completamente diferentes neste sentido o Lemonade foi muito virado para o empreendedorismo para lhes dar ferramentas de empreendedorismo, não é? Nós tivemos a preparar as crianças a saberem vender, a pensarem nas várias nos vários itens que eles têm que considerar cada vez que vão fazer uma venda, não é?

19:43 Tivemos aqueles mesinhos a prepararem que eles tinham que pensar como é que i vão fazer uma venda, não é? Tivemos aqueles mesinhos a prepararem que eles tinham que pensar de como é que iam enunciar, como é que iam ser diferentes do lado, porque o primeiro, a primeira coisa era a limonada. Se ia ser com limões bio, se ia ser com stevia, mel ou açúcar, pronto, nós tivemos a dar essas ferramentas todas.

20:03 Esse empreendedorismo não existe nos TEDx nós não vamos ensinar a vender num TEDx, é completamente diferente por isso, depois tivemos a parte das palestras aí sim, essa foi a parte que mais coincidia embora que nós estivéssemos a pensar em educação do futuro não é? foi muito, nós focámos mais em ferramentas na escola do futuro na educação do futuro. O TEDx tem uma pelo princípio, não é? Nós somos mesmo, eu não posso fazer um TEDx só de educação. Temos que ter sempre uma visão muito alargada de várias ciências diferentes por isso eu acho que os dois que existem foram os dois riquíssimos.

20:46 Foi fascinante ver que os miúdos foram vendedores incríveis. Eles foram incríveis, não é? Eu não sei se me lembrava daquilo tudo. Foi espetacular. Eu acho que faz a ponte nessa parte da educação que eu também queria falar contigo. O que é que achas que está a faltar hoje em dia? Óbvio que tu és mãe e tens a tua visão e tens o teu próprio alfabeto sobre estes temas.

21:07 Não é muito ortodoxo, tens uma visão muito própria, mas eu acho que casa muito bem com estas ansiedades todas dos pais hoje em dia, não é? Portanto, eu acho que começou a haver uma quebra de confiança com aquele dogma que o Ministério entrega. Portanto, os pais começam a pensar, será que isto chega? Houve uma procura de ensino particular? Há uma procura de ensinos alternativos? Na tua opinião, já conseguiste identificar, assim, duas ou três coisas que realmente fazem particularmente falta no nosso modelo atual, que se calhar está um bocadinho ultrapassado?

21:41 E que cuidados é que tiveste com a tua filha em particular, que já é adulta neste momento, mas que cuidados é que tiveste, ou para ti é mais fácil improvisar e deixar rolar e tens uma confiança particular na nossa curiosidade e na nossa capacidade de encontrar o nosso caminho? Olha, eu acho que hoje em dia há um pouco risco, as coisas mudaram muito nestes últimos 5 anos, não é?

22:01 o risco, as coisas mudaram muito nestes últimos 5 anos, não é? Mesmo em homeschooling. Eu acho que há um risco, a educação tem que levar a uma mudança e essa mudança até está lentamente mas está a acontecer. O risco que neste momento nós corremos é que tu eduques o filho à tua medida e não à medida do teu filho. A educação que tu dás ao teu filho não pode ser só a convicção ou aquilo que te apetece muito fazer ou fazer do teu filho a educação que tu dás ao teu filho não pode ser só a convicção ou aquilo que te apetece muito fazer ou fazer do teu filho quase que uma experiência ou uma cobaia porque tu não queres igualdade para os teus filhos mesmo, tu podes ter quatro filhos e não é igualdade, é equidade cada um vai ter o que precisa, eu não vou pôr em homeschooling ou não vou fazer grandes, arriscar em muitas coisas um miúdo que eu vejo que quer ser médico e que tem talento para isso, ou quer ser um engenheiro da NASA.

22:50 Por isso, não podemos mesmo correr o risco, tal como muitas vezes em alimentação, de começar a fazer experiências com o futuro deles. Eu tenho, de facto, uma visão da educação um pouco mais alternativa, mas aquilo que eu apliquei na minha filha é porque eu a conheço e aquilo adaptava-se a ela, não é porque agora vou fazer experiências e ela não vai nada ser médica ou não vai nada ser isto, vai ser o que me apetece fazer por isso é preciso ter algum cuidado, ter muito respeito, porque aquilo é o futuro deles e a vida deles não nos pertence.

23:30 O que se passou com a Maria? Ela fez uma escola até ao nono ano muito conservadora até. Ela estudou, não é segredo, sempre em colégios particulares, teve umas bases fabulosas, mas a certa altura ela estava a marcar passo o liceu para ela estava a deprimi-la a fazer-lhe bem e então porque ela já tinha muito vincado que queria que queria cozinhar que queria estar em áreas mais criativas marcar aquele passo que estava a fazer mal.

24:07 Daí eu tê-la tirada da escola durante algum tempo e nós termos ido passear e quando ela estava... Portanto, não foi... Vamos brincar que afinal vai ser outra coisa qualquer. Tudo aquilo teve ponderação, teve esse lado que tu estavas a dizer de improviso, porque não foi planeado, foi uma situação de uma forma até privilegiada, que eu podia, que eu pude fazer, mas não teve nada de irresponsabilidade. Tu achas que era possível incorporar alguma dessa parte mais improvisacional ou mais intuitiva no ensino tradicional e, se calhar, uma pergunta de follow-up.

24:52 Como é que nós fazemos isso com o atual corpo docente? e empatizar com a criança e quase que prever o futuro e focarem-se em competências menos do que em matérias e metas curriculares. Mas depois também sabemos que há muitos professores que estão presos na sua realidade e portanto não tiveram outros... Não têm outros inputs, não é? Será que há alguma forma de nós conseguirmos semear alguma desta liberdade precoce no sistema de ensino tradicional ou já desististe dessa guerra?

25:34 Não, eu acho que esse caminho está a ser feito. Eu acho que aqui há algumas questões. Nós não temos muita liberdade, tu não tens toda a liberdade do mundo para tirar os teus filhos da escola. Eu sou a favor do ensino obrigatório. O ensino obrigatório defende principalmente os mais protegidos a que tenham direito a ir à escola. É como a vacinação obrigatória. A vacinação não te obriga a seres vacinado. Obriga o Estado a pagar-te as vacinas.

26:06 Quando as pessoas dizem se põem manifestações a acabar com as vacinas eles estão a desproteger quem mais precisa. Se as vacinas deixarem de ser obrigatórias eu posso ir à mesma a comprá-las. Se calhar há outras crianças, outras pessoas que não podem. Portanto, eu defendo muito o ensino obrigatório. Agora, não há muita margem para os pais improvisarem muito porque depois tens que provar que podes tirá-los da escola para fazer uma experiência como eu e a Maria fizemos mas isso também isso também tu podes circundar, tu podes resolver isso, são coisas meramente burocráticas agora nas escolas eu acho que as escolas precisam muito daquelas coisas que nós fizemos, dos Lemonades, precisam muito dos TEDx Kids, precisam muito de elementos de fora que entram na escola e que os fazem agitar um pouco os dias.

27:02 os dias. Claro que eu e tu e outros que trabalham nas mesmas áreas, nós conhecemos escolas fabulosas, porque isso é possível fazer mesmo no ambiente do ensino público. Mas dá-lhes muito, muito trabalho. Dá-lhes mesmo imenso trabalho. E raramente os professores, e isso eu acho, não é um ataque, mas é obviamente uma crítica, raramente os professores, talvez pela sobrecarga de terem tantos alunos, conseguem pão olhar para um miúdo um pouco diferente e em vez de dizerem, ele devia estar a fazer coisas um pouco, ficam é esta criança não está ajustada ela está com problemas e não está a ser igual aos colegas como se isso fosse um defeito e não é um defeito, é uma característica.

27:46 Para isso, sim, acho que há muito pouca margem, acho que as pessoas ainda estão, na sua maioria, pouco preparadas para lidar com a diferença. É, o que me dói mais é realmente essa assimetria forçada, não é? Há muitas crianças que os seus modelos estão automaticamente condicionados, lá está, essa ortodoxia, vamos lhe chamar assim pouca abertura às vezes pouca inspiração pouca atualização e pronto, é aquela realidade às vezes eu faço umas caras estranhas porquê?

28:22 faz umas caras estranhas porque? porque estou a perder e tu ficas congelado eu às vezes também me acontece do teu lado olha vamos encurtar, livros e filmes que possas recomendar aqui à nossa audiência e a mim próprio eu não tenho jeitinho para isso não tens que me faz comprometer não, eu no outro dia vi um filme lindo e não te sei dizer o nome. Era de uns miúdos numa escola que querem fazer um filme para ganhar um concurso no cinema e não me lembro sequer do...

28:54 Eu não poderia ir àqueles concursos de televisão, porque eu passava por burra facilmente. Ok, olha, então mais uma pergunta final, se calhar mais ao teu jeito. Ok, olha, então uma pergunta final, se calhar mais ao teu jeito. Quando tu és empreendedor, e isto é uma característica às vezes difícil de entender, porque quem nunca fez, mas pronto, há aqui umas camadas de stress quando trabalhamos por conta própria, que nos distraem facilmente, e portanto eu ia-te perguntar qual é o teu segredo para te centrares quando te perdes um bocadinho, quando estás mais estressada ou quando as coisas não correm ao teu jeito, como é que tu fazes para encontrar a tua raiz?

29:34 Eu tenho as minhas rotinas que me fazem estar saudável. E se basta? O quê? E se basta, nunca tens que fazer assim uma higiene forçada mental? Às vezes eu digo que preciso desesperadamente desligar, trabalho tanto com palavras que preciso, não me digam mais nada, não me façam falar às vezes sinto que precisava de fazer assim uma desintoxicação e depois acabo por não poder é raro, é raro eu conseguir mesmo desligar preciso muito de, eu agora ouço alguns podcasts mesmo de meditação há pessoas muito zen, sabes e tu ficas só a ouvir, às vezes há umas palavras que são interessantes e tu acordas mas faço a minha vidinha a ouvir aquelas coisas mas tenho as minhas rotinas, eu preciso de energia física, faço muito exercício e se eu não o fizer, nem a minha cabeça funciona e depois se tem um dia mau, porque nós às vezes quando somos empreendedores e trabalhamos por conta própria, sentimos um pouco a solidão não é? Tu precisas de ligar alguém, faço eu não sei se já fiz isso contigo, se calhar já tipo, não, preciso fazer um brainstorming já fiz, não, já? Pronto preciso fazer um brainstorming, estou demasiado sozinha com estas ideias todas e são essas coisas, é, gastar a minha energia física para conseguir, para a minha intelectualidade conseguir estar bem falar com algumas pessoas chaves, a Patrícia Coen, que às vezes também ligo, o Miguel tento mas ele tem uma agenda um pouco mais complicada mas há sim algumas pessoas também fora do nosso leque a quem eu ligo, o Miguel tento mas ele tem uma agenda um pouco mais complicada mas há sim algumas pessoas também fora do nosso leque a quem eu ligo quando preciso e depois ponho muito o meu telefone no não incomodar a partir das nove da noite Muito bem Isso passou, está sempre no modo não incomodar a partir das nove Ok, Marta, a net hoje não está realmente favorável para nós Não te ajudou Vou encurtar e vou marcar uma segunda conversa contigo o mais rápido possível.

31:30 Queria-te agradecer e desejar o resto de um bom fim de semana, mandar-te um beijinho e passa-me, por favor, links aí do teu projeto que é para eu divulgar aqui na nossa rede, está bem? Ah, sim, gostaria de falar, porque eu vou mesmo fazer o evento e é já daqui a uns 6, 7 meses. Ok, perfeito. Um beijinho grande, até breve. Um beijinho, até breve. Tchau.