Dicionário das Crianças · Episódio 2
Super Professora — Sandra Gonçalves dos Santos
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Há professores que cumprem o currículo e há professores que fazem escola. Sandra Gonçalves dos Santos, convidada deste episódio do Dicionário das Crianças, pertence claramente ao segundo grupo. Enquanto coordenadora da Escola Básica Fernando José dos Santos, criou a primeira associação de estudantes do ensino básico em Portugal, fez nascer uma horta, adoptou gatinhos e recebia formalmente, na sua agenda de coordenadora, as crianças que lhe batiam à porta com ideias — incluindo uma associação para proteger as formigas do recreio.
Nesta conversa com Nuno Simões, Sandra desmonta a ideia de que o ensino público é incompatível com a inovação. Para ela, o currículo não é uma barreira: é um mapa que se pode enriquecer por muitos caminhos, desde que a escola se abra à comunidade, aos pais e, sobretudo, às ideias que fervilham nas cabeças das crianças. Condicionar essas ideias, diz, é um crime.
O episódio percorre o dia-a-dia de uma sala de aula viva: as histórias como ponto de partida das aprendizagens — com direito às pegadas do Grufalão espalhadas pelo chão numa segunda-feira de manhã —, os mapas de ideias construídos pelos próprios alunos, a repetição usada com conta e medida, e as regras que não se penduram na parede porque têm de viver dentro de cada um.
Para os pais, ficam dicas concretas e libertadoras: a autonomia vale cinquenta por cento do sucesso escolar, escolher a maionese no supermercado pode ser um trabalho de casa, e há quatro anos inteiros para aprender a ler, escrever e contar — não tem de acontecer tudo já. Sobre avaliação, Sandra é frontal: a aprendizagem pertence à criança, e nada motiva mais do que ela própria reconhecer a sua evolução.
Gravada em 2020, esta conversa continua actual para qualquer família de hoje. Quando lhe perguntam o que faria se fosse Ministra da Educação por um dia, a resposta sai sem hesitação: tudo para a rua. Natureza, envolvimento e alegria — porque, como repete ao longo do episódio, sem felicidade naquilo que se faz, as coisas simplesmente não acontecem.
Neste episódio
- 02:24 Coordenar uma escola pública: horta, gatinhos e a primeira associação de estudantes
- 04:09 A associação para proteger as formigas: levar as ideias das crianças a sério
- 08:09 A saúde física e mental dos professores enquanto modelos
- 13:44 Como a maternidade enriqueceu a professora (e vice-versa)
- 21:31 Regras que não se pintam nem se penduram na parede
- 25:04 Trabalhos de casa alternativos: caminhadas, supermercado e autonomia
- 29:24 As pegadas do Grufalão: encenação para conquistar a turma
- 31:23 Mapas de ideias no 1.º ciclo: os alunos escolhem o que aprender
- 42:06 Avaliação: para quem é, afinal, a aprendizagem?
- 53:37 Ministra da Educação por um dia: "tudo para a rua"
Fundamentos Teóricos e Planeamento
A teoria por trás do brincar, para quem trabalha com crianças.
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0:00 Portugal, uma conversa semanal com especialistas sobre o dia-a-dia da parentalidade e do desenvolvimento da primeira infância, para pais, avós e educadores de crianças do 0 aos 5 anos. O conteúdo deste programa é meramente informativo, independentemente das opiniões expressas pelos nossos convidados, deverá sempre consultar o seu médico, terapeuta ou pediatra. Olá Sandra. Olá Nuno. Então, como estás? Muito obrigada, tudo bem, e tu também? Tudo ótimo. Olha, antes de mais, muito obrigado por teres aceito este convite, mas ainda há um domingo. Eu queria muito ter esta conversa contigo, nós já tivemos tantas conversas espetaculares, estava a bocado a lamentar-me de não as termos gravado e emitido e reduzimos aqui todo este fator de stress e de nervos de estarinho a nossa audiência, tu és uma professora do básico agora, não é? Vens de Educação Visual e Tecnológica e fizeste uma especialização em Ensino Especial, é assim que se chama?
1:16 Sim, ensino especial, duas vertentes, sim, vão organizámos o Lemonade há uns anos atrás, e eu fiquei convencido que tinha conhecido a melhor professora do mundo, não era só de Portugal, e entretanto tenho-te picado um bocadinho o teu saber, porque tens tido uma influência na forma como eu vejo a educação a esse nível. Eu estava mais focado por via do Gymboree na primeiríssima infância, mas é óbvio que as crianças depois, a partir dos 5 anos e dos 6, continuam a ser crianças e a precisar de aprender coisas, e eu comecei a pensar como é que nós podemos influenciar e sermos bons modelos para essa fase do ensino também e para as fases seguintes e, portanto, todas as bases que nós criamos são obviamente muito importantes.
2:24 tu eras coordenadora de uma escola pública, a escola básica Fernando José dos Santos, não é? E falei com alguns pais que tinham lá crianças e viviam todos super impressionados com as tuas ideias, tu criaste a primeira associação de estudantes de Portugal no ensino básico, criaste uma horta, adotaste uns gatinhos, as crianças todas as semanas tinham, todos os meses tinham projetos e apresentavam-te desafios que tu ajudavas a implementar, e eu ia-te pedir que falasses um bocadinho sobre isso, porque fizeste isso ainda por cima num contexto de escola pública, com, acredito eu, um conjunto de constrangimentos orçamentais, de tempo, metas curriculares, e no entanto tu avançaste com aquilo com imenso sucesso. Lembras-te desses tempos? Queres-nos falar um bocadinho sobre isso?
3:03 com imenso sucesso. Lembras-te desses tempos? Queres-me falar um bocadinho sobre isso? Eu acho que esses tempos vão estar sempre comigo, não há hipótese. Foram seis anos muito ricos e seis anos de aprendizagem para mim e para toda a equipa que tivemos juntos na Fernando José dos Santos, incluindo pais também, porque eles tinham um peso muito grande, que a Associação de Pais estava muito parceira com os professores e com a equipa que estava lá e com o agrupamento.
3:30 Eu acho que o grande não é truque, mas é deixar fluir, quer dizer, nós não podemos tornar estranho o pensamento das nossas crianças e cada vez que eles batiam à porta a requerer uma reunião com a coordenadora professora Sandra, tem na sua agenda por favor um tempinho que nós queríamos pôr uma ideia e eu ia à minha agenda e via com calma isto hoje está difícil amanhã nove, dez, também é difícil amanhã ao meio dia e meia será que podem estar?
3:59 ai sim, sim, professora Sandra, então passava um documentozinho assinado por mim e eu disse pronto amanhã e lá vinham eles no dia seguinte com o papelinho ao meio de e-mail assim, é agora? vamos fazer uma reunião formal então sempre quando me ouviram, temos que proteger as formigas na escola, queríamos formar uma associação para proteger as formigas porque elas estavam a sair dos seus espados e eram pisadas, pronto quando se deixa que a magia acontece quando se deixa que as ideias que as crianças têm e daí nós termos conhecido naquele momento do Lemonade Festival que foi tão rico quando se deixa que a magia acontece quando se deixa que as ideias que as crianças têm e nós termos conhecido naquele momento do Lemonade Festival que foi tão rico tudo pode acontecer há barreiras, há um currículo mas eu não acho que isto seja condicionante nunca achei que isso fosse condicionante para que as coisas acontecessem as coisas podem enriquecer o currículo de outra forma tendo-se entre currículo na nossa cabeça e tudo o que temos que fazercer o currículo de outra forma. Tendo-se entre currículo na nossa cabeça e tudo o que temos que fazer com o currículo, tudo o resto vem ajudar.
4:50 Portanto, tudo o que eles possam trazer vem ajudar. E eles são ricos em ideias. Nós não lhes podemos, é um crime condicionar as ideias e condicionar aquelas cabeças a fervilhar. E temos que os encaminhar em algumas ideias e alguns processos mas de resto não podemos Ok ainda hoje, quer dizer, não há nenhum impedimento para os professores no ensino público terem essa abordagem um bocadinho mais sofisticada inovadora, ou foi uma coisa muito difícil pela qual tiveste que debater?
5:25 Não, é assim, não posso dizer isto assim porque as pessoas que estão a ouvir depois vão pensar mal de mim, não é? Há uma série de leis, não é? Que supostamente nós temos conhecimento delas, mas será que isso tem que ser barreira para que as coisas aconteçam? Será que nós não podemos fazer o que todos os professores têm vontade de fazer? Quem faz as escolas somos nós, não é?
5:51 Quem faz as escolas são as pessoas que estão lá dentro e que vão todos os dias de manhã, depois da sua manhã com filhos ou sem filhos em casa vão todos os dias entrar por aquele espaço com aquele espírito, não é? E tem que haver alegria. Se não houver alegria e felicidade naquilo que se está a fazer, as coisas não conseguem acontecer. Não há hipótese. Claro que existia sempre várias pessoas que me acompanharam e que me perguntavam sempre, Sandra, tens a certeza disso que estás a fazer? Tu tens a certeza que queres levar a tua turma a uma exposição do Israel Baudis em Lisboa?
6:24 Tu tens a certeza que queres pôr o terceiro ano a olhar para aqueles corpos todos eu tenho, eu sei do que é que eles são capazes isto é um exemplo, não é? mas estas pessoas que passam pela nossa vida e que nos perguntam na altura certa e num momento certo, tens a certeza disso que estás a fazer ou não serás melhores por aqui ou isto por ali isso é importante isso faz falta, daí as equipas educ ali, isso é importante, isso faz falta.
6:47 Daí as equipas educativas são muito importantes para que isso tudo aconteça. Portanto, eu não vejo isso como condicionante, eu vejo como alertas, não é? Chamadas de atenção, que depois tu podes considerar e até reformar as tuas ideias, pensar duas vezes e quem sabe, pronto. Falaste nos constrangimentos financeiros, existem, não é? Existem constrangimentos, mas se tu tens alunos, tens pais disponíveis, tens pais com profissões fantásticas disponíveis para te ajudar, que te conhecem um mundo, imagina a rede que se pode formar, a equipa que se pode formar, porque a equipa não são só os professores e os alunos, não podes ser estanque, a escola tem que estar aberta para toda a sua comunidade e tudo o que se pode exagerar daí, portanto é difícil dizer que existem barreiras porque não existem, se nós quisermos não existem barreiras Claro Olha, há um tema que me é particularmente querido que é esta imagem de que nós somos os modelos das crianças e portanto muito mais importante do que nós lhes dizemos é o comportamento que eles nos observam.
7:48 E portanto uma coisa que me preocupa muito, pá, também sou pai e vou assistindo aos problemas das várias escolas onde os meus filhos andam, e alguns professores realmente parecem às vezes um bocadinho fora de si, portanto têm reações que são incompreensíveis, parece que não são no melhor interesse das crianças, e portanto o que me preocupa realmente é como é que nós conseguimos manter o equilíbrio e a saúde física e mental e social e emocional de um professor.
8:18 Ao longo da tua experiência deves ter encontrado colegas teus se calhar muito mais alinhados com o teu flow, não é? E outros se calhar um bocadinho mais presos a outras formas e às vezes até se calhar ao seu ego. Eu gostava de te ouvir um bocadinho sobre isto. Podemos fazer alguma coisa para harmonizar a saúde e o equilíbrio dos professores enquanto modelos, porque eles podem realmente tecnicamente ser espetaculares, mas depois se são resingões, se não ouvem a criança, se não seguem o seu melhor interesse e se estão presos obviamente naquelas suas prisões emocionais acabamos por ter um resultado final muito mau, não é?
8:57 Sim, tu vieste uma pergunta muito difícil, essa que tu estás a fazer Eu posso dar pequenas experiências e é engraçado que na semana passada estava a partilhar isto com as colegas minhas que eu atualmente posso dizer que sou a mais velha da equipe educativa mas inclusive passa um tempinho e passamos a mais velha e também já nos dá uma maneira de pensar um bocadinho a energia toda que eu tinha aos meus 20, 25 aos meus 25 era uma energia imparável eu conseguia tudo e avançava com tudo e determinadas pessoas, num determinado momento, com outra idade, com outra maneira de ver as coisas, me unem.
9:47 Toma atenção, isso agora é assim, mas daqui a um tempo será diferente. E uma coisa é certa. E há uma outra pessoa que eu guardo em memória que tem uma maneira de estar com a minha, em contexto de sala de aula, em contexto de professor, mas que em determinados minha, em contexto de sala de aula, em contexto de professor mas que em determinados momentos em determinados conjuntos ou assuntos eu vou buscar o que eu aprendi com elas eu vou buscar o que elas me ensinaram e até muitas das vezes quando elas estavam comigo na equipe negativa, eu ia chamá-las para irem para o meu lugar e eu sentava ao lado dos meus alunos e dava-lhes a palavra.
10:29 Com a experiência que têm, com a experiência que têm, e isso parecendo que não. Nós, professores, quando funcionamos desta forma, e temos que funcionar desta forma para que coisas sejam tranquilamente, porque com tanto documento que coisas sejam tranquilamente porque com tanto documento que existe para preencher com tanto papel que existe para ver com tantas coisas que voltem qualquer coisa que aparece tem que ser feito um projeto e tem que ser feito uma consideração e tem que ser vistos todos os pontos de vista e deixar escrito. E se parecendo que não condiciona-nos a parte mais que nós devemos ter que é a parte linguística pensar em alternativas pensar em ambientes educativos diferentes diversificados, pensar em formas de chegar lá, como estamos a chegar a todos os alunos desde quando há alguma falha como é que vamos lá chegar, falta-nos tempo efetivamente para isso e se todos nós quiséssemos arrancar o equilíbrio para que a coisa fluísse, as coisas eram muito mais tranquilas e às vezes muito calmas e às vezes criam-se barreiras entre os próprios profissionais uns e os outros que não nos deixavam estar tranquilamente na sala de aula e agora vais-me dizer, mas nem todos são iguais e vais-me dizer assim eu ia perguntar um bocadinho era também como é que tu, a nível pessoal, não é? Eu sei que tu faz uma série de escolhas saudáveis na tua vida, eu sei que tu és triatleta, tentas manter o suco.
11:55 Agora não. Agora já não é, já foste. Agora já não. Nunca deixamos de ser, nunca deixamos de ser. E, quer dizer, dá a ideia Que, quer dizer Tu tens essa preocupação, não é? Eu quero ser uma pessoa saudável, se calhar não tanto para ensinar Mas é uma coisa que te sai naturalmente Ou tu às vezes esforças comportamentos saudáveis Porque sabes que estás a ser observada Seja como mãe, seja como professora Não de tudo, eu sou eu Eu própria, não é?
12:20 Não é normal, ok Sou assim, de vez em quando Um dia não corro tão bem Aconteceu na semana quando um dia não corre tão bem aconteceu na semana passada, não corre tão bem e eles estavam barulhentos ou inquietos e não me ouviam e pronto, aquelas atrizes entre professores e alunos no dia seguinte eu disse vou entrar, eu vou entrar com uma pessoa diferente, vou entrar bruta, a ser uma professora por mais que dure 10 minutos não é dura 10 minutos não é?
12:46 dura 10 minutos não dá ou é uma história, ou uma envolvência ou uma partilha que as coisas portanto, e é engraçado que quando tu às vezes falas com pais, e se calhar tu vês nos teus filhos também, o que eles levam para casa é a imagem do que eles veem nas escolas basta eles ficarem a fazer uma brincadeira tranquilos no quarto. Tu vês exatamente o perfil de professor que tu tens olhando para os teus filhos.
13:12 Eles reticulam. Não há forma mais gira de perceber como é que tu és em sala de aula se puseres os alunos à frente a fazer o direito da tua posição. Faz-te conta que agora és a professora samba. Tu apanhas os tefeitos todos. Todos. Consegues apanhar tudo palavras que não dizes apanhas tudo e isso é a melhor forma de tu apanhar ok, olha, por acaso tocaste aí num ponto super giro e que despleta uma pergunta que eu tinha aqui para te fazer, que é como é que a maternidade afetou a professora e como é que seres professora afetou os seres mãe?
13:51 Consegues recordar? Sim, eu acho que não afetou, eu acho que enriqueceu, sim, muito. E enriqueceu muito porque os meus filhos são muito falados em sala de aula, muito, muito, muitas histórias de manhã que eu depois dou conselhos aos meus alunos aconteceu isto com a mãe, com os meus filhos portanto, vocês com os nossos pais assim, assim, assim, pelas coisas que eu tenho são-se como pistas não a ver tudo, de tudo é claro que há uma coisa eu acho que a profissão de professora ocupa-nos ocupa-nos, é uma ser professora ocupa-nos é uma ser professora é uma entrega é uma entrega quase a uma causa nós temos que nos disciplinar imenso para que as coisas não não se tornem só por situação, não pode, nós temos que ter o equilíbrio e na minha vida eu tive que aprender isso de uma forma mais dura mas aprendi porque trabalhava demasiado efetivamente para aquela causa tem que haver aqui um equilíbrio de tudo na nossa vida a parte da alimentação, da natureza, daquilo que eu sou eu sou assim portanto, eu sou assim e tento passar isso para os meus alunos não queirando eu que eles sejam tal e qual como eu, mas criando diferenças e oportunidades para que eles façam as coisas melhores para eles.
15:12 Faz-me perceber. Sim, lindamente. Olha, entrando aqui um bocadinho mais nas tuas aulas, no teu dia-a-dia, quão importante é para ti a contagem de histórias? Se usas muito esse recurso, se além das que contaste, se pões as crianças a viverem essas histórias? Porque eu percebo que há aqui umas tendências recentes de colocar as crianças a representar determinados textos para elas aprenderem mais facilmente. Eu não sei se isto se aplica bem nas idades que tu serves, mas tinha curiosidade, estava para te perguntar isto há algum tempo.
15:45 Representar como? A contagem de histórias, portanto, o contar histórias em contexto de aula e o viver a história, quer dizer, fazer as crianças contarem uns aos outros ou representarem certos personagens. Saches que é um bom recurso educativo? É excelente, extraordinário. Eu acho que, e é isso que e nós atualmente estamos a partir sempre de histórias para fazer as nossas aprendizagens mas fora isso eu acho uma aprendizagem não está nessa efetiva quando os alunos estão envolvidos nela própria não é? Estão envolvidos se eles não estão entregues àquilo que está a acontecer tu não tens um aluno, não é?
16:24 Tu tens ali um ser que está a olhar para ti que se calhar está a pensar no que é que aconteceu de manhã ou que festa de hoje te gira até no fim de semana ou o que é que vai acontecer logo à noite quando os meus pais estiverem aqui se tu não tiveres os teus alunos envolvidos naquilo que está a acontecer em sala de aula tu não os tens, efetivamente e tu queres mais do que aprender tens de aprender de uma forma feliz e que estejas lá porque queres estar lá e às vezes isso é algo que me deixa preocupada isso eu analiso muito entre os meus filhos a maneira deles estarem na escola com as minhas colegas e eu como professora e ando sempre ali à volta daquilo tudo que está a acontecer e fazer um balanço das coisas todas porque para nós professores há dias eu própria tenho de me fazer um auto-reconhecimento e ponderação daquilo que estou a fazer sei exatamente onde não me identifico e onde não quero, mas depois tens todo um eco de currículo e de colegas que estão a fazer de uma determinada maneira ou tens sempre pais que vão seguir contigo e que se perguntam ao professor Sandra mas o meu sobrinho já está na letra tal e a professora Sandra está a fazer isto assim desta forma não acha? Isto é válido são inseguranças válido, não é?
17:47 são inseguranças válidas dos pais e isso preocupa o povo e é difícil para ti como profissional dar a confiança que tu tens aos pais ou isso não, existem 4 anos para aprender a ler, existem 4 anos para escrever, 4 anos para fazer contas, 4 anos de aprendizagem não tem que acontecer tudo agora tem sim que ele está aí feliz contente quatro anos para escrever, quatro anos para fazer contas, quatro anos de aprendizagem.
18:06 Não tem que acontecer tudo agora. Tem sim que ele está aí frio, contente, e querendo descobrir. O que é que é mais desafinante? Descobrir a leitura, como descobrir a escrita. Porque eu preciso dela. Eu, efetivamente, quero ler, porque eu quero ler este texto. Eu quero ler o que é que diz aquela placa. Se eu vou para a quinta, eu quero ler as normas para eu poder lá estar dentro.
18:26 Mas porquê eu quero? Não porque eu tenho que estar sentada e treinar aquilo lá e aquilo vir daquela forma, formadinho, gorducho, porque tem que ser assim. E isso não é fácil. Claro. E eu ia te perguntar como é que isso se casa, por exemplo, com outro recurso educativo que é a repetição, que eu acredito que muitos professores recorrem a ele, não é? Para tentarem gerar permanência ou automatismos na criança.
18:49 Tu tens espaço para a repetição no teu estilo de aulas? Ou é uma coisa que tu descartas completamente ou deixas para a frente? Não, de tudo. Há momentos que eu costumo dizer, agora quem me anda aqui sou eu. Ponto. Ou assim, sentam-se e quem me anda aqui sou eu. Existem muitos dias que também é preciso, não é? Nós estamos a lidar com crianças que também precisam de alguma rotina, em alguns pontos.
19:11 Estruturas, fronteiras, claro. Sim, para eles perceberem algumas coisas. Mas a repetição que faço são três vezes, duas vezes. Não estou linhas inteiras a repetir. Porque não precisas tão simples quanto quando tu estás a escrever o teu nome tu estás a utilizar o alfabeto todo tu não precisas andar depois de escrever o teu nome andas a retirar se tu estás a escrever o teu nome, quantas vezes já repetiste lá no teu nome? Não precisas de mais, e isto tem que haver aqui um balanço pronto, e é claro que tu tens uma dinâmica de turma, em que tens grupos de trabalho, e tens os miúdos todos a fazer barulho a gruburinha aqui, mas tu te chegares um bocadinho perto de cada grupo, até estás a reparar que eles estão a falar alguma coisa relacionada com aquilo que estás a querer trabalhar, não é fácil é exaustivo sais de lá às vezes cansada e às vezes com aquela sensação de bolas tu tens os dossiers dos meninos arrumadinhos na parteleira para pôr lá fichas e os trabalhinhos mas depois das contas os dossiers estão vazios não fiz nada não tenho nada.
20:25 Não tenho nada para pôr no dossier. Mas tu tens uma riqueza de trabalho em contexto sala, em contexto comum. Tenho certeza que está guardado lá dentro. Não tens um papel? Não tens. Mas tens uma informação dentro do coração de cada um deles, válida para eles usarem mais à frente. Outra coisa que me assusta é que o mundo não se passa no primeiro ciclo. O mundo não se passa só agora.
20:50 Tu estás a preparar jovens para a frente, para eles tomarem decisões lá à frente, para eles gostarem de estudar lá à frente, para eles fazerem as suas escolhas lá à frente, que saibam safar lá à frente, não é? E isto, esta questão da pandemia, tem-nos mostrado muito isto, não é? E isto, esta questão da pandemia, tem-nos mostrado muito isto, não é? Ou tu estás consciente e feliz e íntegro naquilo que tu queres na tua vida, ou então deixas-te ir abaixo com estes isolamentos todos e com estas questões todas familiares.
21:19 E é isso que tu tens de preparar estas crianças para, não é? Bom, esta tua resposta agora dava para três horas de conversa. Pois há, pois há. E eu ia começar a se calhar pelo início, e se quiseres ser breve pode ser. Como é que tu geres esta questão das regras na sala de aula? E mais ainda, tendo em conta que tu nem sempre estás em sala de aula, tu também vais para fora, tu tens liberdade de ir para uma quinta.
21:42 Que tipo de regras é que tu achas que são importantes? Se focas, tens que visitar muitas vezes esse tema, se é uma coisa que fica esclarecida no início do ano e eles depois respeitam não deve ser fácil porque eles são muito pequeninos não é? Sim, não para já eu nunca faço regras a pintar e colocar na parede não, as regras não têm de estar na parede as regras têm de estar dentro de nós próprios nós temos longas conversas sobre esse assunto porque eles. As regras não têm de estar na parede. As regras têm de estar dentro de nós próprias, não é? Nós temos longas conversas sobre esse assunto porque eles sabem as regras todas e mais algumas. Desde que nascemos, nós andamos acerbalizados com regras enormes, não é? Portanto, porque é que eu tenho novamente no primeiro ano e às vezes começamos a rir com este assunto. Eles sabem tudo. A questão nas crianças é quando terem de aplicar.
22:24 E isso também acontece com os meus filhos os meus filhos são os diabetos portanto é igual é igual tu tens que fazer longas assembleias tens que fazer conversas com eles e às vezes eu deixo-os estar saio da sala e digo eu vou 10 minutos ali fora quando eu chegar eu depois converso com vocês e deixo-os a conversar sozinhos deixo-os a conversar sozinhos deixo-os a conversar sozinhos sobre os assuntos que aconteceram menos felizes acontecem assuntos menos felizes, muitos até, acontecem muitos temos que ir devagarinho, ir falando e ir balizando esses comportamentos porque estão lá todos, eu não lhes vou ensinar nada, se perguntasse a uma criança o que é que está correto e não está correto, eles sabem.
23:06 Eles, desde que nasceram, estão a ser bombardeados com regras enormes, regras enormes, portanto eles sabem. A aplicação dessas regras enormes é que é a magia das coisas todas, não é? E depois há a parte que é do entusiasmo que eles estão envolvidos numa determinada tarefa e ser contagiantes e tão eufóricos que não se conseguem concentrar e a coisa anima-se ou então estás ali catalisador de normas e regras e tens um bom comportamento, não tens um bom comportamento e se não leves um vermelho isso é outra história que não me assiste muito o que é que eu tento?
23:44 que eles sejam conscientes das atitudes, conscientes e verdadeiros perante aquilo que querem ser e demonstrar para si e para os outros respeitando-se ok, olha, tu sentes muito os efeitos do ambiente familiar na sala de aula sentes diferenças muito chocantes eu queria se calhar falar aqui um bocadinho contigo sobre de que forma é que os pais podem ajudar na literacia da criança na curiosidade, no foco se calhar as tuas dicas eram importantes Ok, os pais não sabem mas os professores são os confidentes se soubessem.
24:26 É um compromisso entre alunos e professores. Mas é muito chique. Se tu tens alunos que conversam contigo e que vão à sala de aula e que dizem espontaneamente, professora, ontem aconteceu-me isto e aquilo e aquilo outro. Ontem não foi muito bom porque eu fiz isto. É maravilhoso. É maravilhoso porque eles estão a confiar em ti e estão a confiar em ti de uma forma que tu tens ali um compromisso sério, tens ali um compromisso que é encaminhar uma criança e não deixar que essa criança tenha confiança em ti e ires ajudando aquelas coisas em casa em casa eu costumo às vezes os dias de trabalho de casa que é uma coisa que é complicada coisas em casa eu costumo às vezes os ditos trabalhos de casa, que é uma coisa que é complicada, eu percebo que se gosta mas eu às vezes, coitada das professoras dos meus filhos eu às vezes digo assim, não fizemos trabalho de casa porque fomos para a terra fomos subir a terra de Sintra fizemos 12 quilómetros isso foi acontecido um outro fim de semana não conseguimos fazer trabalho de casa porque fizemos outras coisas fmetros isso foi acontecido um fim de semana para um outro fim de semana não conseguimos fazer trabalho de casa porque fizemos outras coisas e fomos ao supermercado e o meu filho mãe, precisamos de de maionese eu estava enfim, vai à partilheira e vê entre fator preço quantidade e custo qual é aquele que achas que nós devemos levar, ele teve 20 minutos não é?
25:46 e trouxe a embalagem que acha mas isto são aprendizagens, não é? ele tem que ler, ele tem que comparar preços, ele tem que ver as quantidades imagina os conteúdos aqui que tu estás aqui a manipular, não é? e eu sei que às vezes não é fácil mas fazer a lista a lista das compras ou arrumar as coisas em casa a autonomia, a autonomia de uma criança que está tão condicionada agora e eu não percebo porquê vestir-se. Eu sei que é mais rápido um pai agarrar na bexila, olha, está aqui, leva para a escola, está pronta mas eles têm que ser parte desse processo, eles têm que fazer essas coisas sozinhos e às vezes é mais fácil eu vais que anda cá, isto é o meu filho, vais que anda cá veste o casaco, toma, veste toma, leva a mochila, vai-te embora mas não podemos tudo o que nós pais pudermos fazer para desenvolver-lhes a autonomia é 50% de sucesso na escola. Não preciso estar sentado na secretária a fazer as letras ou fazer uma ficha, digamos assim.
26:53 Outra coisa, isso aí é fundamental, outra coisa que eu se calhar iniciava também é falar com eles, falar muito com eles, enriquecer o vocabulário deles, pensar em voz alta, passarmos também esses mecanismos, essas ligações que nós fazemos e que aprendemos também em algum lado, para eles são preciosas, e há realmente uma diferença muito grande a nível escolar, mas a nível também profissional e até a nível social.
27:20 As famílias que realmente enriquecem o vocabulário das crianças, falando com elas, e falando com elas às vezes dezenas de milhões de palavras a mais do que as famílias que não falam, acabam por lhes dar uma vantagem desigual, mas que não é complicado, portanto é só realmente falar mais com eles e descrevermos o que estamos a fazer, às vezes mesmo durante a muda da fralda podemos estar a explicar o que estamos a fazer ou a pensar em voz alta, para eles é precioso e depois toda essa autonomia que tu falaste também é crítica porque é aprender fazendo eu vou mais sempre para o lado da faixa de talho do primeiro ciclo mas há brincadeiras giríssimas que eu me lembro de fazer com os meus filhos quando eles eram bebês que eram as partes do corpo quando mudamos a fralda em mágica quando andávamos a brincar, eu vi isso num vídeo vosso, muito giro, e andava-se a brincar com músicas a cantar lá músicas e a tocar nos pontos estratégicos do corpo e essas coisas vão ficando, não é?
28:18 Vão ficando e é delicioso Sim, olha E as histórias As histórias Eu ia-te perguntar, tu recorres muito a jogos e as histórias as histórias eu ia te perguntar, tu recorres muito a jogos ou à gamificação como se diz hoje em dia portanto criar jogos ou tornar as coisas divertidas ou não sei, às vezes não tem que ser competitivas mas tem que ser divertidas algo que eles realmente consigam transformar numa brincadeira é uma coisa útil fazes com frequência, é fácil recomendas é fácil, muito tudo o que entre na dimensão da música, teatro, dança envolvida em tudo o resto funciona muito bem porque fica guardado e tudo o que é prazeroso fica guardado, fica guardado, está efetivo.
29:06 Está dentro do coração e fica. Houve uma história que eu dei logo no início do ano, deste ano letivo, que era o Grufalão. Trouxeram uma série de livros do Grufalão. Trouxeram uma série de livros e no meio desses livros todos estava lá o famoso Grufalão e eles disseram vamos trabalhar o Grufalão, vamos fazer coisas com o Grufalão. Isso numa sexta-feira, que nós fazemos sempre o nosso balanço de atividades à sexta-feira para depois iniciarmos um novo plano a partir de segunda-feira.
29:38 Na segunda-feira, o que é que estava marcado no chão? Eu fui mais cedo e pus pegadas de monstros do grufalão entrar pela sala toda pelo chão e eu disse o grufalão esteve cá durante o fim de semana e tinha as patas sujas toda a brincadeira que consegues fazer tu já os tens, tu tens a turma inteira contigo toda a brincadeira e encenação que tu consegues fazer já está, consegues fazer, dali consegues fazer tudo, e sujou as patas e deixou aqui estas marcas, pronto foi uma animação, as patinhas e eles respeitavam porque eles não pisavam as patas do grufalão, eles entravam na sala contornavam as patas para não desmanchar aquilo que eles consideravam que era a marca do que falavam tu tens ali um palco eu me acostumava com pessoas que me são muito queridas e um grande amigo que eu tenho e tínhamos também grandes festas mais ou menos como as natas é um palco, tu tens ali um palco um palco para ti e um palco para os próprios alunos tu podes deixar que a magia aconteça no seu todo às vezes que eu brinco com eles que eles de repente vêm com uma ideia eliminada e eu disse assim pronto no meu contrato de trabalho eu tinha que ir à professora do primeiro ano eu vou-me embora vou-me embora, vou procurar uma turma que precise de mim tu ali fico a turma inchada, orgulhosa porque está mais além e tu tens que ir brincando tens que ir brincando sempre tu ali fico a turma inchada orgulhosa porque está mais além não é?
31:06 e tu tens que ir brincando tens que ir brincando sempre olha, tu falaste numa ferramenta que vocês usam que são os mapas de ideias, que é uma coisa que não havia no nosso tempo, como é que funcionam como é que tu guias as crianças pelos mapas de ideias ou não guias-te todo, é só tipo colecionar? É uma coisa que a gente usa também muito na consultoria mais recentemente e no design thinking, mas tu estás a fazer isso muito, muito precocemente e eu acho isso precioso. Como é que funciona?
31:41 e foi as nossas conversas há alguns tempos para cá eu tenho enriquecido muito a minha forma de estar e algumas coisas e há uma coisa que é a vertente empresarial essas mapas todas que se fazem tu podes trazer isto cá para baixo para o primeiro ciclo que é a tradição de que consegues fazer coisas giras estes mapas de ideias nada acontece por acaso e tudo o que acontece em contexto de aprendizagem, quando falo em sala de aula não quero só balizar lá aquele espaço de paredes a sala de aula é o todo, não é?
32:18 Pode ser fora, pode ser dentro, pode ser onde se quiser Eles vêm com inúmeras ideias ideias de livros ideias de filmes, ideias de histórias que ouviram e que depois em votação arranja-se um tema de turma que eles acham que é para trabalhar como aconteceu o Grufalão e dentro do Grufalão o que é que eles acham que podem aprender fazendo assim uma revisão do mapa de ideias do que não me fugir aqui no meu pensamento que eles arranjaram, saber coisas sobre os animais saber como é que eles eram revestidos o que é que eles comiam professora já que estamos aqui a falar do grufalão e na palavra grufalão temos ali uma coisa que nós gostamos muito que é o ão. Podemos descobrir outras palavras com o ão.
33:08 Eles dizem isto tudo de uma forma muito simples. Tu tens de estar consciente, o professor tem de estar consciente daquilo que se chama currículo, não é? Tens de estar muito consciente do currículo. Mas não é só o currículo do primeiro ano. Do modo transversal, do primeiro ao quarto, tudo pode acontecer, não é? E tu podes ir buscar coisas que estão pensadas para o terceiro no dito papel, mas podem acontecer já ali, porque não?
33:28 Porque é que eu não posso já fazer uma abordagem de assuntos desde que lhes seja e que lhes faça sentido? É claro que tu às vezes vais dentro do currículo, vais alimando um branco e vai surgindo ali uma série de coisas que tu podes ir aproveitando para umas noções que podes ir buscando e agora falando contigo mesmo contigo lembrando dos limões a última quinta-feira, nas quintas num projeto que nós temos foi sobre os limões e os limões, então estivemos a apanhar limões e eu lembrei-me imenso do Lemon Festival Lemonade Festival e com essa brincadeira dos limões e porque eles apanharam imensos limões andámos a fazer com todos a ordem crescente e decrescente dos limões e eles andaram a perceber exatamente e depois entraram os números no meio e isso fez sentido fez sentido, fez.
34:26 Era uma coisa que eles gostavam de fazer, gostavam de fazer porque estava lá naquele momento e era manipulável, não é? Tu não estás a sentar na secretária com a folha à frente e a falar desse tema, não se esquecem mais, não, já está, está tratado, nem precisas fazer mais nada, está tratado. Portanto, esses mapas de ideias surgem com as ideias deles, eles vão dizendo o que é que querem descobrir no início do ano, mapas de ideias muito simples, muito simples com três ou quatro ideias deles, nada mais, uma coisa muito simples, agora já temos mapas de ideias muito arrojados que tem que ser eu a dizer calma meninos, temos duas semanas para este mapa de ideias, vamos aqui priorizar situações, portanto, já são eles a querem dar muitas propostas de aprendizagem, vamos ver onde é que vai parar, não é?
35:10 Muito bem, muito cheiro. Olha, já agora vou só fazer aqui uma introdução, porque algumas pessoas que nos estão a ver não sabem o que é o Lemonade Festival, e eu posso explicar, o Lemonade Festival foi um festival que nós organizámos há três anos atrás em Cascais e que se propunha explorar o espírito empreendedor das crianças e usámos esta figura do Lemonade porque as bancas de limonada são muito populares nos Estados Unidos e portanto já havia um histórico de festivais de limonadas e convidámos uma série de escolas para fazerem as suas próprias bancas de limonadas e portanto elas inovaram imenso com as vendas, tiveram outros empreendedores jovens a falar connosco, tiveram uma série de especialistas onde tu te encontravas, tínhamos psicólogos, outros professores notáveis e empreendedores também foi muito giro. E existe informação sobre isto no Facebook, se as pessoas quiserem procurar por Lemonade Festival, temos lá o histórico todo e foi muito giro e até há vídeos.
36:11 Olha, eu agora tenho umas perguntas para te fazer, que eu te enviei previamente, eu não sei se tiveste a oportunidade de olhar para elas, porque algumas delas requerem tempo para pensarmos um bocadinho, mas que são muito giras e que ajudam-nos a conhecer-te e ajudam a guiar-nos, porque é super importante às vezes termos a perspectiva de um professor a responder a estas perguntas, pode-nos abrir imensos caminhos. E a primeira pergunta era, numa escola de pais, que tipo de disciplinas é que tu escolherias para lhes darmos?
36:44 Não tens que dar um currículo completo, mas duas ou três que tu achas que fossem importantes e que nos faltam enquanto pais, não professores. Pronto, eu rimo quando li essa pergunta, mas ainda de ti, para mim. Aquilo que eu gosto de dizer. Se eu imaginar. Eu não consigo ter disciplinas formais tantas. Eu às vezes quando tenho que... Bom, eu agora vou fazer... Hoje vou tirar uma fotocópia e vou pôr esta fotocópia à frente.
37:18 É uma agonia. É uma agonia. Porque não está enquadrado em nada portanto, esta é e toda a disciplina nós sabemos que há áreas que nós temos que tocar, certo? Tu sabes como profissional, tu sabes como pesquisar, tu tens disciplinas gestantes a dizer que agora vou só trabalhar o português agora vou só trabalhar a matemática. Agora vou só olhar para o tudo bem. Agora vou só fazer artes visuais.
37:52 Não consegues. Tu não consegues. Tu tens que ter uma abordagem transversal de tudo. Eu não consigo. Podes primar por ambientes. Podes pensar em ambientes. Que ambientes é que eu quero favorecer aos meus alunos, ou que ambientes é que eu quero lhes oferecer para que tudo aconteça tu poderás pensar assim agora criar modelos e engraçado que eu às vezes faço algumas reflexões pessoais no meu início de carreira e como vinha do segundo ciclo da EBT, no início quando fiquei no primeiro ciclo era muito agarrada àquele horário do segundo ciclo, não é?
38:34 Uma hora portuguesa, uma hora matemática, assim achava, convicta achava que tinha que ser assim, os alunos no primeiro ciclo tinham que se habituar àquele horário para depois quando chegarem ao segundo ciclo já estarem habituadinhos a tudo o que possa assim. Os alunos, no primeiro ciclo, tinham que se habituar àquele horário para depois, quando chegarem ao segundo ciclo, já estarem habituados e dizemos a tudo o que possa acontecer. Hoje já não acho isto, porque é impossível.
38:52 Num assunto, o assunto é transversal e tens de olhar muito àquele grupo que tu tens, ao meio onde tu estás, à classe com que tu estás, às famílias que tu tens à tua frente tudo o que a comunidade te pode oferecer para tu trazeres para dentro da escola tudo isso é condicionante agora, não consigo pensar em disciplinas não consigo não consigo é muito difícil para mim pensar podes-me perguntar assim o que é que tu achas que é importante despertar nas crianças de hoje em dia?
39:28 Qual é o respeito que eles devem ter perante a sociedade que têm para se prepararem para o futuro? Aí posso talvez te incentivar, porque eu acho que a natureza é importantíssima, o saber fazer e desenrascar-se em algumas situações, acho que é importantíssimo, e isso, portuguesa, matemática e tudo o resto, vai-te ajudar. Não vai ser o modo principal para que tudo aconteça, é ao contrário. Sim. Sabes que eu faço esta pergunta porque eu não tenho uma resposta.
39:56 O meu pai, desde que eu era muito pequenino, ele costumava dizer que nós começámos a ser pais 20 anos antes do nosso filho nascer. pequenino, ele costumava dizer que nós começamos a ser pais 20 anos antes do nosso filho nascer. E eu acho que a essência que eu tirei desse conselho era que o nosso exemplo começa muito antes de nós sermos pais efetivamente, se nós formos uns estroinas durante a nossa adolescência, os primeiros anos de tempo de adulto, se formos particularmente irresponsáveis, perdemos um bocadinho a moral de pedir responsabilidade ou de pedirmos, sei lá, regras, o que seja.
40:29 E, no entanto, realmente nós nunca tivemos disciplinas para sermos pais, nós podemos autorregular-nos e podemos nos inspirar em professores, em médicos, em psicólogos, em artistas, em atletas de grande performance, há ali sempre qualquer coisinha que nós podemos tirar como inspiração, mas não há disciplinas, mas eu gostava de facilitar a vida aos pais nesse sentido, eu gostava de, a prazo, começar a guiá-los a dizer, olha, gastem algum tempo com este tema em particular, isto, os vossos filhos vão beneficiar disto. Este tema aqui, no passado passado parecia importante provou-se que não era e portanto eu acho que através destas conversas vou tentando distrair essa informação dos meus convidados Outra pergunta que eu te queria fazer era como é que tu vês este processo de uma criança que chega ao pé de ti às vezes inocente numa determinada matéria e de repente passa a ter um certo conhecimento e mais tarde passa a ser aquele conhecimento, portanto quando incorporou aquele saber e pode ser a aprendizagem de um detalhe qualquer musical ou artístico ou a própria letra, quer dizer, depois daquilo ficar automático parece que é fácil e que sempre esteve ali mas como é que tu observas esse processo da inocência para a sabedoria porque eu às vezes gosto de ter uma moldura de um professor como é que vocês veem isto e como é que tu vês esta criança está mais perto esta está mais longe como é que tu vais colocando a nutrição pelo caminho para ela chegar de A até ao ponto B?
42:06 Isso é até uma questão de quase optar aí na avaliação, naquele assunto assim tão delicado que é sempre aquela avaliação e como é que existe uma avaliação e que é muito delicado e andamos sempre em discussão do que é que devemos e não devemos fazer agora. é muito delicado e andamos sempre em discussão do que é que devemos e não fazemos fazer agora. Para quem é que é mais importante o saber alguma coisa? Não é para nós, não é para mim, professor.
42:33 Eu não... Tudo bem, fico satisfeita, mas para quem é essencial essa aprendizagem? É para o próprio. E eu perceber dessa evolução, perceber que o antes não conseguia fazer e agora já consegue fazer, é um sucesso. Independentemente se possa ter uma ou outra falha pelo processo ou ainda não estar muito bem. Eles são os maiores críticos, eles próprios. Não existe e nós estávamos a fazer uma aflição de notoria de conhecimentos e até de inglês no primeiro ano e eu tinha tomado umas notinhas no meu caderno para fazer uma experiência com eles eu ando sempre em experiência se algum pai dos meus alunos me estiver a ouvir ou me ouvir, por favor, aceita que estou fatiga, está bem?
43:22 é importante que é ouvir ou me ouvir, por favor, aceita o que estou a fazer, está bem? É importante. Tu fazes um determinado exercício que ele não conseguiu desempenhar com tanto sucesso, mas isto perguntas, achas que estiveste bem? Achas que podes melhorar? Ele, sim, efetivamente não estive bem, posso melhorar, posso fazer diferente. Queres fazer outra vez? Ele quer. Quando é que tu estás preparado? Já? Não. Ele disse, vamos passar uns dias e fazes novamente.
43:55 E quando tu tens um aluno a perguntar-te, depois de teres feito novo exercício, e até ele obteve melhores resultados, e ele pergunta, professora, podes-me dizer como é que eu estava na semana passada? Como é que eu estava? E eu disse, olha, tu ficaste por aqui e não conseguiste fazer mais, hoje já chegaste ali, agora diz-me, aquilo é para quem? Para ti, professor? Tu precisas daquilo? Ou quem é que ganhou com aquilo efetivamente?
44:14 Tu não precisas pôr aquilo num papel, efetivamente tens que mandar aos pais no final de X tempo um papel, um documento que te diga exatamente onde é que o colocas. Mas para a criança, aquela evolução foi o melhor que aconteceu, e exatamente onde é que o colocas mas para a criança aquela evolução foi o melhor que aconteceu e ele de certeza que arranjou maior motivação para me perguntar professora, deixa-me tentar outra vez agora quer ir mais longe, deixa-me tentar outra vez isto era o máximo que poderia existir em sala de aula era isto, era só isto eu não preciso para si, eu não preciso ter uma avaliação comparativa com os outros, mas para quem?
44:50 agora, ninguém nos está a ouvir eu era tão feliz se eu não tivesse avaliações e só tivesse uma ponderação no final de ciclo eu não preciso ter avaliações durante este caminho todo, agora eu vou ser despedida não, não mais eu só preciso efetivamente durante este caminho todo. Agora, eu vou ser despedida. Não, não mais. Eu só preciso, efetivamente, balizar o meu aluno e considerar o meu aluno num final de ciclo.
45:12 Ou se ele mudar de escola, não é? E aí converso com a colega que irá, que o Iricu irá receber, porque nós todos sabemos aquilo que estamos a fazer. Mas antes, porquê? Para quê? Não é o próprio aluno que tem que tomar consciência das suas aprendizagens e se ele efetivamente obteve sucesso, não existe nada mais motivacional para que ele consiga prosseguir. Não existe. Claro. Pronto. Nós temos ainda...
45:39 É uma parte daquela magia que falavas no início, não é? Portanto... Já falámos sobre esse assunto várias vezes, não é? O que é que isto vai trazer lá à frente? Que falavas no início, não é? Já falámos sobre este assunto várias vezes, não é? O que é que isto vai trazer lá à frente? Que ele não desista, não é? E que faça as coisas por vontade própria e por orgulho próprio e que consiga desafiar-se nos desafios de vida, que são muitos para além, são muitos, são muitos, com motivação própria e com orgulho próprio e atingir o sucesso por ele, não é?
46:09 Muito bem, olha algum livro ou livros que nos recomendes, tenhas gostado particularmente, consegues escolher ou és daquelas pessoas que não consegues? Eu li essa pergunta com muito cuidado eu faço eu sou daquelas que não têm uma linha de leitura, um fio, é sempre aquele tipo de livro que leio, não, eu leio consoante aquilo que me dá, na altura me está a mover. cerca de talvez uns 4 anos me derem a ler eu estou sempre a reler quando preciso eu só vou dar o nome e as pessoas vão investigar, é muito simples e mete animais portanto é muito fácil de se ler mete um animal lindo e especial que é o suricata que é estrategicamente delicioso e é o Suricata que é estrategicamente delicioso e é o de nosso deserto está a mudar não sei se tu já conheces o nosso deserto está a mudar não, não não vais freitar é simples, muito simples é muito simples de leitura e tu consegues-te posicionar o nosso deserto está a mudar consegues-te posicionar o nosso deserto está a mudar consegues-te posicionar no papel daquele suricata ou do outro suricata e o que me desafiaram na altura que me deram a conhecer isto agora escolhe o suricata que tu és agora vou escolher aquele suricata que eu sou, escolhe e não digo mais nada, ia ler e eu consigo, obviamente, ler mesmo Boa, espetáculo E filmes?
47:50 Tens algum em mente? Recente ou não? Não, não eu vejo de tudo às vezes estou assim mais de tudo e pouco, gosto especialmente de animação com os meus filhos não tenho nenhum filme de animação com os meus filhos. Não tenho nenhum filho de animação. Olha, e lembras-te de algum vou por entre aspas, algum falhanço na tua vida que tenha levado a um sucesso posterior? Alguma coisa que tenha feito aprender?
48:20 Algo crítico? E que não seja muito pessoal mas se quiseres partilhar eu acho que às vezes é catártico constantemente às vezes acontece-nos isso e isto talvez os colegas os meus colegas me podem entender quando nós saímos da sala de aula e pronto já passei por algumas escolas, já passei por várias escolas e nos últimos dois anos foi assim talvez o período mais desafiante da minha vida que me ensinou muito quantas vezes eu não saí da sala assim, eu não tive os momentos comigo, eu não consegui mas tu conseguiste fazer a pergunta é, onde é que eu estou a falhar?
49:03 onde é que eu estou onde é que eu tenho a falhar onde é que eu estou onde é que eu tenho que me alterar e rever para que consiga lá chegar quando tu fazes este auto-reconhecimento de alguma situação tu consegues lá chegar, não é logo mas consegues lá chegar e depois de ter saído da escola que referiste, eu passei por um desafio profissional grande que foi para uma escola difícil perto de um bairro social em que tu fazes, tu sais de um contexto que estás confortável estás bem e e fazes coisas engraçadas, de repente tudo o que tu fizeste até aquele momento pões em causa sim, bolas, então mas eu consegui fazer isto tudo e agora de repente não consigo, o que é que se está a passar mas não são os alunos, és tu és tu que tens de posicionar e rever e retirar aqueles que tu tens definido em ti como ideal e olhares para a turma que tu tens definido em ti como ideal e olhares para a turma que tu tens à tua frente e eu saí durante três meses desesperada assim, bolas ainda não é o que é que eu tenho que fazer para conseguir lá chegar? E consegue o que tens é que retirar isto atualmente as neiras, eu consegues tudo não é as neiras, mas contos assim de vida e que eu acho que houve um dia que uma colega minha decidiu ter uma conversa comigo para tentar perceber de onde é que tudo vinha em mim e sentou-se ao meu lado e disse, agora vamos fazer uma revisão da tua vida e de tudo o que tu fizeste, que passaste na tua vida, porque é que tu és assim? É das melhores coisas e eu aconselho toda a gente a fazer.
50:50 Sentar-se e pensar, da minha vida, porque é que eu sou assim hoje? Porque tudo o que eu passei, houve muitos momentos que nos condicionaram, nós não percebemos tanto, mas tudo o que eu passei, do que é que eu posso retirar, eu vou ter assim hoje. e é uma brincadeira riquíssima e uma avaliação Olha, nos últimos anos lembras-te de algum hábito novo que tenha melhorado a tua vida?
51:17 Uma coisa mais recente, nos últimos 5 anos alguma coisa que tenhas mudado já na idade adulta e que sintas isto ajudou-me imenso como profissional um hábito, uma crença nova um comportamento que tenhas mudado olha falo-me muito mais vezes do que falava antigamente é tão bom ouvir e ouvir não é ouvir, é escutar realmente, escutar escutarmos o outro ou os outros ou escutarmos até os nossos alunos das coisas mais ricas que nós podemos ter é ouvir, e ou isso muito mais isso é super zen e é muito comum às pessoas sábias que tu és que ficam super contemplativas às vezes olha que más recomendações costumas ouvir relacionadas com a tua profissão não tem que ser necessariamente por parte de colegas teus, mas coisas que tu ouves sobre educação que tu sabes isto está errado e podia dizer esclarecido.
52:34 O que me custa realmente, acho que não existem mais recomendações, eu acho que existem aquelas opiniões ligeiras e de cabeça quente e de ânimo leve, que às vezes por mais que eu não goste ou que eu não me sinta à vontade com determinada atitude ou determinado comportamento, ou até eu enquanto mãe, com determinado... com os professores ou com os professores dos meus filhos, nós nunca podemos pôr em causa. Eu vou sempre com uma perspectiva de os professores dos meus filhos.
53:11 O que é que eu posso fazer para ajudar? O que é que eu posso fazer para ajudar? Realmente, os contextos de escola não são fáceis, os contextos de turma muito menos. E às vezes as opiniões que se têm, se tem-se ter a certeza do que está a acontecer, às vezes fica cruel, é muito menos. E às vezes as opiniões que se têm, da mim leve, tem-se ter a certeza do que está a acontecer, às vezes fica cruel, é muito cruel para quem está lá.
53:32 É mais difícil. Se tu fosses, esta pergunta eu não tinha feito, mas se tu fosses Ministra da Educação por um dia, qual era a medida que te focavas nesse dia? O que é que tu escolhias fazer? O que é que ordenavas? Tipo, olha, só que então um dia eu quero que vocês façam isto evas nesse dia, o que é que tu escolhias fazer o que é que ordenavas, tipo, olha só que estou um dia, eu quero que vocês façam isto e depois vão-me embora tudo para a rua tudo para a rua não estava à espera dessa resposta tudo para a rua, não despedias toda a gente mandavas as pessoas ensinar na rua, ok tudo, tudo, tudo sabes que eu ainda não te contei, mas eu tenho um filho meu numa forest school ele está todo o dia na rua, todos os dias faz a chuva, faz a sol chega a casa um autêntico esterco todo cheio de lama lama nas cuecas, não sei como é que ele faz mas é muito giro parece também todo picado de bexarocos, mas pronto, está a ficar um samurai e o que é que ele te conta?
54:24 olha ele ainda está numa fase de adaptação, ainda só está lá talvez há umas 3 semanas ou 4, portanto às vezes ainda choraminga um bocado ou para ficar ou para se vir embora quando é para se vir embora, quando está entretido com uma poça está a encher um balde com lama não se quer vir embora e eu tenho que ir lá buscar e fico todo sujo também e tem sido uma lição para mim também, agora sou pai de uma criança selvagem, que tenho que começar a lidar com a lama no meu corpo, e quando eu pego ao colo as botas dele enchem-me de porcaria, mas no final eu pensei exatamente isto que eu queria, e eu acho que ele está a desenvolver-se imenso a nível motor, sem dúvida eu acho que a nível social e emocional também, a nível cognitivo é óbvio que a floresta gera imensas curiosidades, não é?
55:14 Portanto ele acaba por ter perguntas muito relevantes e portanto estou super contente portanto gosto muito dessa medida de tudo para a rua mas pronto, achas que resultava mais à frente, tipo aquelas crianças mais crescidinhas estão a aprender trigonometria e EVT, quer dizer EVT se calhar faz todo o sentido ir para a rua mas aquelas matemáticas mais densas se calhar não dá, não é? É sim, os teus usamentos podes criar, e agora com isto tudo que nos aconteceu que nos veio dar uma vertente diferente disto do que é a escola nós estamos todos nos adaptar eu estou-me a adaptar a estas tecnologias estas conversas, é a primeira vez que estamos assim todos em cima a conversa portanto estamos a adaptar a isto tudo e eu acho que sim tudo é possível, é claro que nós não nos podemos esquecer que todos eles precisam de um momento de estrutura uma base às vezes temos que acalmar, temos que sentar e até...
56:08 Porquê que não pode ser feito em ambientes que eles se sintam confortáveis? Porquê que eles têm que definir? E nós já conversámos isso naquela altura. Porquê que tem que ser aquele contexto de sala de aula e só ali que se considera que é uma aprendizagem efetiva? Porquê? Porquê que eu não posso estar à beira de uma árvore e posso estar sentada e fui com o meu pensamento e fui com os meus exercícios porque não, se ali me dá prazer, ali eu tenho prazer que isso aconteça e respeitando, e isto é muito importante, eu acho que quis dizer respeitando cada um dos teus alunos tu não podes querer que todos gostam, nem todos gostam destes momentos, ok? Nem todos gostam de estar ao pé do mar eu no outro dia estava com eles, vamos todos abraçar o mar e para o ouvir e escutar, eu tive uma aluna que me pôs assim a pontinha do dedo da árvore assim agora eu vou abraçar o mar mas tu não podes julgar tu tens que respeitar, não é?
57:11 a ela não lhe fez sentido e é válido tu não podes obrigar podes mostrar vários caminhos mas também não podes obrigar que isso seja feito não é? Claro, olha quando te sentes sem foco ou sobrevada, o que é que fazes? Respiro respiro muito e essencialmente procuro espaços que me tragam alguma tranquilidade e eu estou numa do silêncio e ao escutar e tu deslocares-te para um espaço onde tentes encontrar é muito importante, seja ele qual for até pode ser para mim é o silêncio mas para algumas pessoas poderá não ser poderá ser junto com um grupo de pessoas que transmite essa tranquilidade mas é muito importante e ainda há pouco estava a conversar sobre isso que tu tenhas um foco e uma visão positiva das coisas e isso é o que eu gosto e gostaria de transmitir aos meus alunos que é ver sempre o lado positivo e de mudança e de crescimento das coisas se nós estamos sempre a focar no lado negativo nós sabemos, estamos fortes de saber que é o lado negativo e que há sempre um lado negativo das coisas, mas se tu conseguiste transformar essa parte negativa em algum propósito e algum fator de crescimento isso ganhas o mundo, não é?
58:33 Todos ganham o mundo e isso é o que eu queria muito que os meus alunos se lembrassem de mim, assim nesses modos Eu acho que isso está garantido como eu disse, eu estive a levantar uns testemunhos, já na altura do Lemonade tinha falado com pais, mas voltei a falar com eles agora, antes de, quando estava a preparar esta conversa, toda a gente se lembra de ti, pais, crianças, mas de forma apaixonada e depois não se calam, vão por aí fora, eles são meus amigos, portanto eu posso dizer isto.
59:03 As ideias que sempre havia novas e fez uma horta e tivemos uns gatinhos e fazíamos isto e fizemos aquilo e a minha filha ainda hoje se lembra disto e são crescidas e estão já, sei lá, oitavo, nono ano e por aí fora. Olha Sandra, obrigado por este bocadinho, eu vou-te convidar mais vezes, eu vou-te convidar mais vezes para virmos falar destes temas da educação obrigado obrigado pelo teu domingo pede desculpa aí aos teus filhotes por lhes ter roubado a mãe durante um bocadinho e voltamos a falar em breve está bem?
59:37 obrigado Nuno, força beijinhos, obrigado, até breve beijinhos, obrigado Até breve. Obrigada.