Dicionário das Crianças · Episódio 22
Liderança sem Culpas — Susana André Alves
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Quem nunca sentiu aquela culpa surda de sair mais tarde do escritório numa semana cheia, ou de faltar a uma reunião para ir à festa da escola? É precisamente desse conflito que trata este episódio do Dicionário das Crianças, em que Nuno Simões conversa com Susana André Alves, psicóloga de formação, com uma longa carreira em gestão de recursos humanos e hoje consultora e psicóloga coach dedicada ao tema que dá nome à conversa: a liderança sem culpas.
Susana passou cinco anos no Holmes Place e dez na Nestlé, onde trabalhou em recrutamento, formação e desenvolvimento. Dessa experiência traz um retrato franco do mundo corporativo: objetivos exigentes, dias engolidos por reuniões e o choque, muitas vezes só percebido anos depois, entre quem éramos antes dos filhos e o papel em que nos tornamos quando eles chegam. Foi aí, conta, que descobriu que o conflito entre carreira e maternidade é sobretudo um conflito interno, resolvido na forma como definimos prioridades.
A conversa acompanha depois a sua viragem de carreira: a decisão difícil de deixar uma multinacional depois dos 40, a pós-graduação em coaching psicológico e a diferença entre o trabalho de um psicólogo coach, centrado no presente e no futuro, e a psicoterapia. Como diz a própria, às vezes é preciso afastarmo-nos da margem para descobrir se sabemos nadar.
Para pais e mães, o episódio está cheio de conselhos práticos. Susana defende uma base biológica antes de tudo — sono, alimentação e atividade física — e acrescenta hábitos simples: celebrar os pequenos sucessos em vez de esperar pelo resultado final, reservar todos os dias um momento de me time, desligar os ecrãs uma hora antes de deitar.
O final é uma delícia para famílias em que um dos dois treina muito: casada com um triatleta, Susana explica como uma escala de casal, feita de compreensão e apoio mútuo, permite que cada um tenha o seu espaço sem ressentimentos. Uma conversa gravada em 2021, mas cujo tema — sermos felizes em todas as dimensões da vida, sem culpas — continua atualíssimo para qualquer pai ou mãe.
Neste episódio
- 00:38 Apresentação: psicóloga, recursos humanos e coaching
- 04:22 Entrar na Nestlé a substituir uma licença de maternidade
- 06:43 O conflito interno entre quem eras e o papel de mãe
- 13:04 Recrutar competências: soft skills, valores e cultura
- 21:55 Uma cadeira de imersão no mundo real para a faculdade
- 30:28 A decisão de sair da Nestlé e abraçar o coaching
- 35:20 A base da pirâmide: sono, alimentação e exercício
- 45:30 Porquê a liderança sem culpas: o avatar somos nós
- 50:23 Celebrar pequenos sucessos e reservar o me time
- 55:20 Ser mulher de um triatleta: a escala de casal
Transcrição completa
0:00 Olá, Susana. Olá, Nuno. Como estás? Tudo bem? Olha, obrigado por esta oportunidade. É fantástico estar aqui contigo e poder falar um bocadinho. Obrigado. Eu estou a te roubar aqui uns momentos de família, não um domingo. Ainda por cima com ótimo tempo, mas precisava muito do teu tempo, e portanto, olha, não vou sentir culpa nenhuma de te roubar aqui esta horinha. Eu também, é um prazer, sim. Ana, queria-te apresentar aqui à nossa audiência.
0:38 Tu és licenciada em Psicologia e tens uma carreira mais longa em gestão de recursos humanos e passaste por grandes empresas. Uma das quais é a Nestlé, que é uma empresa muito conhecida das famílias com crianças pequeninas, porque em algumas categorias é se calhar a única oferta e seguramente a melhor oferta em muitas delas. E, portanto, acho que nos vai poder dar uma perspectiva muito gira sobre o que é isto da gestão de recursos humanos e o que é que implica recrutamento, seleção, a formação, a motivação, eu sei que é um mundo que às vezes está um bocadinho fora do universo da pessoa que não trabalha em gestão e mais ainda em gestão de recursos humanos.
1:16 Mais recentemente, tornaste-te empreendedor e estás a fazer coaching e também vamos falar um bocadinho sobre isso. Escapou-me alguma coisa aqui nesta pequena apresentação, se não me engano. Sou mãe, sou mulher, é importante. Portanto, isto acumula depois no resto das nossas funções, não é? Portanto, em termos de horário de trabalho, horário de lazer, horário para a família. Mas sim, é exatamente isto, portanto, é Psicologia de Base, é a gestão de cursos humanos também para a geração, mais recentemente para a família. Mas sim, é exatamente isto. Portanto, é psicologia de base, é gestão de cursos humanos também para a geração, mais recentemente para a gestão também de coaching psicológico e uma viragem, uma viragem de carreira.
1:53 É isso mesmo. Podes-me falar um bocadinho sobre as aprendizagens do que foi isto da gestão de carreiras? Se calhar, não sei se a Nestlé foi para ti uma escola particularmente importante em relação às outras empresas, queres tratar todas por igual ou se queres te focar nesta? Nós temos a ideia que a Nestlé isto de gerir carreiras de pais e de mães com crianças pequeninas, que cuidados é que isso requer, que necessidades particulares é que eles te pedem, por exemplo? Ok, olha, é assim, eu comecei a minha carreira em consultoria e ainda bem que eu era solteira na altura, porque eu vinha dormir a casa às vezes, havia semanas em que eu vivia com os meus pais, na altura em que eu vivia com os meus pais, ao fim de semana.
2:48 Era bom, fazia Porto, Coimbra e depois vinha dormir a casa no final da semana. Adorei a experiência. Depois passei para o lado do cliente, porque ia muito passar para o lado do cliente, portanto entrei também numa outra multinacional ligada ao fitness e entrei também na área do recortamento adorei. O Holmes Place se calhar era importante dizermos porque é uma grande marca, não é assim? Exatamente pronto, olha não estava aqui, estava aqui na indecisão de dizer ou não dizer sim, o Holmes Place é uma grande marca, é uma empresa que realmente preza pela inovação acima de tudo pela adaptação eu nunca conheci nenhuma empresa que se adaptasse tão facilmente à mudança no sentido em que íamos implementar e já implementámos.
3:30 Ok? Portanto, os cursos humanos lá, ou seja, e as pessoas que lá trabalham são fantásticos, portanto gostei muito da experiência, estive lá há 5 anos. A Nestlé surgiu há 11 anos atrás e surgiu de uma anos atrás e surgiu de uma maneira espetacular. Eu tinha um sonho, um dia trabalhar numa empresa deste ano. Pois é, a Nestlé é aquele sonho, não é? Nós crescemos com a Nestlé. Quem é que não conhece a Cerelac? Quem é que não conhece o Nestú? No nosso tempo eram os Nestúns, havia muitos também, não é?
4:04 Quem é que não conhece a Nestlé? Portanto, desde pequenino. E os chocolates, então, para não falar dos chocolates. Na altura não bebemos café ainda, mas depois vemos mais tarde, também pelos cafés. Eu tinha muito o sonho de trabalhar naquela empresa e surgiu uma oportunidade fantástica. Eu comecei na Nestlé com uma oportunidade de fazer uma licença de maternidade. E pensei, olha, isto como uma oportunidade de fazer uma licença de maternidade. E pensei, olha, isto é uma oportunidade excelente, hoje começo uma licença de maternidade, mas vou fazer tudo por tudo para continuar.
4:33 E fiz, e fiquei. E fiquei lá durante 10 anos. As pessoas e o local de trabalho, só quem trabalha lá é que consegue, eu agora estou a falar, mas parece pouco. Quem trabalha lá sabe o que é que eu estou a dizer. Crias muito facilmente ligação, é uma empresa com imensos departamentos, imensas áreas de negócio. se atreva a dizer que é uma empresa individual e a tua perspectiva de carreira é aquela que te for, que tu também te puseres a fazer e sendo que a empresa te dá uma panopla imensa de oportunidades de tu fazeres uma evolução crescer horizontalmente ou verticalmente acima de tudo o crescer horizontalmente não é um crescer em termos de liderança mas é um crescer em termos de desenvolvimento de novos conhecimentos.
5:29 Sabemos cada vez mais que hoje em dia a adaptabilidade é muito recrutada. Depois, o ser mãe na Nestlé teve um sabor especial. Eu entrei na Nestlé e só fui mãe em 2014, portanto já foi, já entrei há muitos anos, entrei em 2010, fui mãe em 2014. Durante aqueles primeiros 4 anos, o que é que eu sentia? Olha, eu sentia, é quase mal comparado com ser trabalhador gestante.
6:00 Tu tens colegas que são trabalhadores gestantes, que têm aquele tempo para estudar e aquele tempo para trabalhar, e aquele tempo para trabalhar e aquele tempo para trabalhar e para estudar é efetivo só tens aquele tempo, portanto vais vê-lo da melhor forma quando tu não tens ainda filhos tu dás-te ao luxo de trabalhar até mais tarde não tens horas, trazes trabalho para casa porque te apetece trazer trabalho para casa depois quando surgem aqui os filhos surge aqui uma coisa engraçada que é um grande conflito entre o que tu eras e o que tu passas a ser em termos de papel sou o pai e dois anos mais tarde depois de eu ser mãe é que eu percebi que esse conflito é um conflito interno é um conflito interno que tem tudo a ver com a forma como tu geres também o teu tempo, a forma como tu priorizas aquilo que é realmente importante para ti e de repente as prioridades também mudam.
6:56 Portanto, no meio disto tudo senti este grande conflito. A Nestlé é uma empresa fantástica também nesse aspecto aliás recorda-te, os primeiros clientes da Nestlé são os bebés portanto eles começam com o leite são os primeiros clientes, com as papas portanto é óbvio que é uma empresa que incentiva obviamente a maternidade também não só pensando nas próprias mães e nos colaboradores que está a trabalho, como também nos próprios clientes.
7:26 Portanto, está tudo interligado. E tu consegues ser mãe, ser trabalhadora e ter tempo para isto tudo naquela empresa, está bem? Portanto, é muito amiga da maternidade. É óbvio que, como em qualquer empresa, tu tens resultados para apresentar. Tens resultados para apresentar, tens trabalho para apresentar, tens objetivos e não vais te adaptar de modo especial ou diferente porque és mãe ou porque és pai, como é óbvio, não é?
7:58 Portanto, tens o teu horário mas pronto, aquilo que se espera e tu também entregues, não é? Obviamente. Até seria estranho. Sim, sim, sim. Eu ia te perguntar, tens ideia se espera é que tu também entregues, não é? Obviamente até seria estranho sim, sim, sim tens ideia de qual é o tamanho da equipe da Nestlé Portugal? Quantos funcionários vocês têm em Portugal? já não estás lá quando eu saí eram cerca de 1800 colaboradores a nível nacional estamos a falar que eles são efetivos é muita gente nacional, ok? Estamos a falar que eles são efetivos.
8:26 Pronto, é muita gente, é muita gente. E, óbvio, tu tinhas, se calhar, o Departamento de Recursos Humanos deve ser também enorme, tu tinhas qual era a natureza da tua tarefa lá, mais agora para o final, por exemplo? Ok, olha, nós o Departamento de Recursos Humanos tinha vários áreas e eu trabalhei sempre ligada à área do Centro de Apexos Partidos, neste caso, à área de especialistas, que abrange a formação, a área de desenvolvimento e a área do recrutamento.
8:57 Portanto, sempre trabalhei nessa área. E deves ter aprendido imenso. E agora eu estava aqui a pensar, quando nós temos essa preocupação de formar a nossa equipe, aprendido imenso e agora estava aqui a pensar quando nós temos essa preocupação de formar a nossa equipe, nós precisamos ter um avatar, temos de conhecer o nosso cliente interno, no caso eu ia te pedir ajuda aqui a criarmos esse avatar, quais eram as principais dores do teu cliente médio quais eram as suas principais aspirações ou sonhos, ainda tens isso presente?
9:24 Nós em Recurso Médio lidávamos com muitas dores e muitas aspirações. Toda a gente, em termos de dores, tem muito a ver com os objetivos, muitas das vezes. Ou seja, com aquilo que eu também já te disse, que é os objetivos versus o teu equilíbrio de família e aquilo que tu consegues dar. Os objetivos eram, de facto, desafiantes, ou seja, obviamente, mas são executíveis. Todos os objetivos são smart, ok?
9:57 São específicos, são mensuráveis, são alcançáveis, são realistas e são num tempo definido. Portanto, todos eles são definidos no início de cada ano e são realistas. Agora, claro que são sempre desafiantes. Eu acho que essa era uma dor muitas vezes que as pessoas tinham, dos seus próprios objetivos. O tempo de trabalho que às vezes, às vezes acontece que tu não consegues derivar o teu tempo de trabalho, porque há acontece que tu não consegues viver bem o teu tempo de trabalho porque há coisas que acontecem, nem todos os dias nós podemos trabalhar 8 horas por dia, há dias em que tu trabalhas menos porque realmente consegues ser eficiente, há outros dias em que tu tens um dia cheio de reuniões e no final dessas reuniões acabas por ter outras coisas para fazer.
10:40 As reuniões, tal como noutras empresas, são muitas. Eu acho que isso também é uma dor sentida por muitos de nós. Que é, tu passas um dia em reunião e sais de uma em outra, sais de uma em outra, pronto, naturalmente. Às vezes equipas internacionais, às vezes dentro da própria empresa, a nível nacional, equipas internas, portanto, tudo bem. Mas depois, no final do dia, é uma série de todos os que ficam por fazer, sendo que para além disso também traz-se trabalho das próprias reuniões, não é?
11:11 Então, imagina, este é um bocadinho frustrante para muitos colaboradores. Há outras alternativas? Se calhar, se calhar, fazer menos reuniões ou ser mais efetivo nas reuniões. O português, o português tem esta questão que é, vamos fazer uma reunião para resolver um assunto. Fazemos uma reunião, não resolvemos o assunto e trazemos muitas das vezes mais algumas coisas para fazer. Portanto, fazemos a outra reunião, que é para falar sobre aquele assunto mais as outras coisas.
11:44 Pronto, nós somos acabamos por ser todos assim aqui os anos já não faltam especificamente em relação à empresa, eu acho que é da nossa natureza sermos também assim eu acho que se melhorássemos aqui um bocadinho esta eficiência as pessoas sentiriam menos dor isto para falar aqui das dores que nós sentíamos lá era muito isto e recorda-me qual é que era a outra questão? Os sonhos, as inspirações menos o que é que achas que o colaborador médio mais aspira e tem que ser uma aspiração que a gente não consiga ajudar, não é?
12:18 Se quiser ser astronauta não está no sítio certo para ajudar-nos mas às vezes há outras aspirações, podem ser aspirações de carreira, familiares, pessoais, não é? Uns é rendimento, para outros é organizagem, para outros é estímulo. Eu não sei até que ponto é que a cultura depois também escolhe, tem um viés na escolha que pronto, que torna isto se calhar um bocadinho mais harmonioso, não é? Se calhar se todas as pessoas estiverem alinhadas com a cultura logo a montante a coisa torna-se fácil. Ou se vocês deixam a cultura rolar um bocadinho mais espontaneamente e recrutam pelas competências e depois deixam a empresa ser afetada pela cultura de cada pessoa, e se tu tens uma preferência, não sei.
13:00 não sei. Olha, a Nestlé recruta competências ok? E recruta competências e recruta dentro das competências para além dos art skills e os shop skills está bem? Isto porque a empresa tem uma cultura como tu disseste, uma cultura organizacional mas também tem uma série de valores pelos quais as pessoas são também avaliadas todos os anos na sua avaliação de desempenho e que é esperado de cada um dos colaboradores.
13:26 Portanto, imagina, é óbvio que uma pessoa de fora não conhece estes valores, não conhece aquilo que é esperado, vai conhecer depois quando lá está. Aquilo que nós tentávamos fazer, ou tentávamos fazer na altura, era recortar pessoas que eventualmente percebêssemos que estavam alinhadas, ou dentro do mais possível, com o que são os valores fulcrais da empresa. Portanto, são os valores pelos quais a empresa não vai abdicar nunca, portanto, aqui o que eu sentia, as pessoas adaptam-se naturalmente, sabes?
13:55 O que é importante é recrutar realmente a pessoa com a capacidade de, que é esperada para aquela função, ou seja, em termos de competência soft skills também e hard skills, claro. Há muitas coisas que se ensinam, tu ensinas muito daquilo que é a parte técnica. Agora, há outras coisas que são tratos de personalidade que muitas vezes ou tens ou não tens. E isso acaba por ser muito importante em cada vez mais empresas, não é?
14:21 Até porque isso depois também te vai dizer muito como é que vai ser a forma como o SOS vai adaptar, ou não, não é? empresas e que também estiveram. Quanto, quão frequente foi na tua experiência, contrataste uma pessoa que num primeiro momento parece uma estrela, vai arrasar, checa todas as, ou pica todas as caixinhas que tu querias e depois passaram os tempos, desmotiva ou tu sentes que já não está a produzir ou perdeu se calhar o seu drive, não sei, foi frequente na tua carreira encontrar os casos destes, sentiste dificuldade tu própria nisto, em manter a tua motivação ao longo do tempo, e é culpa, não é?
15:12 É culpa da empresa, é culpa do ordinário, não se deve falar em culpas, que ferramentas é que nós devemos pôr em cima da mesa para evitar isso? Se calhar vamos entrar já. Sim, olha, só para terminar a outra questão que tu me colocaste, é que as pessoas procuram também, aspirações é desenvolvimento, oportunidades de desenvolvimento de carreira, está bem? Desenvolver carreira como? Eu quero ser aquilo, como é que eu chego lá?
15:38 Quero ser aquela função, como é que eu chego lá? E o que eles esperam é que a empresa lhes proporcione essas oportunidades de carreira ok? Para isso também existem recortamentos internos, existem anúncios internos que o fazem também, exatamente com este objetivo. Portanto, isto para responder a outra questão. Pronto, agora em relação a esta questão, esta última, sim, já me aconteceu. Olha, sabes que os recrutadores vão ter culpa de tudo não querendo achar que são fatores externos às vezes enganamos às vezes enganamos às vezes cruzamos cruzamos testes de personalidade cruzamos testes psicotécnicos cruzamos entrevistas que fazemos baseadas em competências também, são entrevistas bastante específicas, com questões específicas para avaliar temas de traços.
16:36 Ou seja, normalmente nem é só entrevistado por uma pessoa, emprestado por uma pessoa, pelo line manager, às vezes pelo business partner, imagina, sim nós enganamos. E já aconteceu, já aconteceu enganar e já aconteceu a pessoa não se adaptar à equipa, ao line manager, à própria cultura, à própria cultura da organização. da organização. Ok? E vou-te, por exemplo, dar um exemplo. Uma pessoa que esteja habituada a estar em pequena empresa, pequena é pequena empresa e entra numa multinacional, vai ter um choque daquilo que é a própria organização e o modo de operar em uma multinacional.
17:18 Uma pessoa que esteja habituada a trabalhar em empresas que são, que prezam só a inovação e nada mais, claro que vai ter um choque quando entrar numa empresa que tem alguma componente tem muita inovação mas tem outra componente se calhar que para estas pessoas é boring é boring, estás a ver? Mais administrativa mais burocrática, percebe? Claro que sim ou então aquelas pessoas que querem hoje entrar numa função e amanhã já querem estar na outra função mas não é na função horizontal, é na função Claro que sim. Ou então aquelas pessoas que querem hoje entrar numa função e amanhã já querem estar na outra função.
17:48 Mas não é função horizontal, é função vertical. E não querem esperar. E saem. Porque não querem esperar, percebes? Já aconteceu vezes sem conta. O que é que eu te posso dizer sobre isto? As pessoas que o fazem no início de carreira, não têm qualquer perspectiva de mercado, não têm conhecimento do que se passa lá fora, saem e muitas vezes voltam. Precisavam daquela experiência, saíram e muitas vezes voltam.
18:20 E pronto, era o que muitas vezes eu via acontecer. Tu sentes que essa valência, essa insatisfação ou essa impaciência que tu ainda estavas a descrever no final de querer subir mais rapidamente, acreditas que isso acontece em todos os estratos etários ou são os mais jovens, se calhar, estas novas gerações que são mais impacientes? Eu não sei, na minha geração eu acho que éramos um bocadinho mais pacientes do que o que eu tenho visto agora em quem está a sair da faculdade.
18:43 Mas diz-me tu, posso estar enganado. Olha, não querendo dizer que todos são iguais, não é? Não querendo talhar todos pelo mesmo, porque na realidade eu conheço pessoas da mesma geração tão diferentes, tão diferentes, tem muito a ver com aquilo que tu também queres e emocionas em termos de carregar, em termos de experiências. Tem muito a ver com aquilo que tu também queres e emocionas em termos de carreira, em termos de experiências.
19:10 Eu não acho, eu vejo muito isso acontecer em pessoas mais jovens, sem dúvida, ok? Dos seus vídeos e tais, realmente. Vejo muito isso acontecer e não vejo mal nisso, não vejo mal nisso, Anu, sabes? Porque, olha, já não há empresas para a vida, muitas vezes as pessoas realizam muito estas experiências, este cruzamento de experiências, é muito enriquecedor ter este cruzamento de experiências. Esta é uma empresa que possibilita esse cruzamento de empresas, por acaso, pela dimensão. Mas eu percebo perfeitamente que as pessoas querem ter outras e querem-mas ascender rapidamente e não querem esperar, percebo perfeitamente que as pessoas querem ter outras e querem ascender rapidamente e não querem esperar.
19:45 Percebo perfeitamente. Neste caso, nesses casos, a empresa também não dificulta, ou seja, está bem, a saída ou de maneira nenhuma, se a pessoa não está motivada e quer experimentar outras coisas rapidamente não surge a oportunidade. Agora, vê-se sempre quando dizia, vê-se sempre, imagina, identifica-se sempre se existe oportunidade para a pessoa, está bem? Portanto, não são deixadas ir só porque querem experimentar. Vamos ver se existem oportunidades aqui e às vezes novas experiências, às vezes as pessoas precisam às vezes até de ter novos projetos.
20:17 Às vezes as pessoas não precisam de uma nova função, precisam de um novo projeto, precisam de um desafio, ok? E só com isso já ficam muito satisfeitos, portanto, acontece muitas vezes. Ok, olha, lembrei-me agora aqui de uma pergunta interessante, um desafio para ti. Sabes que há muita coisa que nós não aprendemos na faculdade, mesmo quem vai estudar gestão de recursos humanos e vai um dia ter uma posição parecida com a que tu tiveste lá na Nestlé, há coisas que tu não aprendeste, há métrica de trabalho, há coisas que tu não aprendeste há métrica de trabalho há coisas que nós aprendemos ou em casa ou com um livro que lemos ou com experiência mas às vezes tu reparas há pessoas que são extremamente competentes numa boa faculdade mas depois chega uma oposição e estão preocupadas com o prato do lado ah, aquele meu colega parece que não faz tanto como eu, não tem promovido e nunca estão satisfeitos realmente há esta insatisfação que se falou e a pergunta que eu colocava era, se pudesse escolher uma disciplina para se ensinar em todos os cursos, across the board para preparar as pessoas para o mundo corporativo, para trabalhar seja por conta de outra, seja por conta própria como é que lhe chamarias e que tipo de cadeira seria essa? Essa cadeira existe?
21:23 Achas que era possível criar uma cadeira semestral, por exemplo, que ajudasse as pessoas a prepararem-se mais? Alguma vez pensaste nisso? Acho que era giro. Já pensei. É um grande choque, eu acho, para as pessoas que saem da faculdade. Às vezes têm experiências logo assim, à séria. E sim, tens razão. Acho que as faculdades não preparam a totalidade das pessoas para aquilo que aí vem. Agora, existe uma questão que é, duas questões, primeiro, essa cadeia que se podia fazer que era tipo, que se chamava por exemplo, uma imersão, cadeia, imersão na experiência do mundo real, ok?
22:06 E, por exemplo, imagina, se calhar não sejam seis meses, mas todos os anos, desde o princípio da faculdade até o final, a pessoa teria uma experiência numa empresa, por exemplo, nas férias de verão. Em vez de ter três meses de férias de verão, tinha lá, dois meses de férias de verão e um mês e experimentar uma área diferente de uma empresa diferente, ok? Sei lá, uma contabilidade, para aqueles que são financeiros, uma contabilidade de um ano, ok? E outra parte mais de gest. Agora, temos também que querer muito, sabes?
22:49 Os outros não podem fazer as coisas por nós. E aquilo que eu acho, que eu realmente vejo como essencial é as pessoas quererem, irem à procura e pedirem para. Então, imagina, há pessoas que querem um estágio e podem ter um estágio curricular, podem falar com o faculado e dizer eu quero propor para um estágio curricular ou para, ok, e ou terem experiências, até sei lá, em empresas dos amigos, dos pais, de ter algumas, ok, demonstrarem interesse, ok?
23:19 E desde novos, desde novos. Olha, neste tem uma coisa que se chama estágios de verão, para filhos colaboradores. E isso é o quê? A partir de, até aos 8 anos, fazem estágios de verão para filhos dos colaboradores durante 15 dias. Imagina! Imagina. E depois eles escolhem as áreas e vão fazendo... Não é espetacular? E tem uma experiência todos os anos se quiserem na empresa dos pais em áreas diferentes.
23:53 É claro que todos os anos às vezes não existem vagas. Mas de vez em quando existem vagas para muitos destes alunos. E é espetacular. Às vezes é preciso que tu cresças. E depois há alunos que nunca querem há filhos que nunca querem isto, não é? não querem, não é? e acho que é espetacular esta experiência portanto, há duas coisas há, ok, a faculdade poder dar esta cadeira de imersão na experiência do mundo real e depois a própria pessoa querer e predispôr-se a querer estás a ver? Às vezes situações, olha, voluntariados, que depois, olha, literalmente põem-se a jeito, ok?
24:32 Porque isto traz, mais do que experiência na área, traz experiência cruzada, contato com pessoas, com realidades, com o mundo real, para além daquilo que é o mundo académico, esse tão enriquecedor do ponto de vista da competência Claro, isso não tem preço, mas pensar o valor da hora de um colaborador da Nestlé, na vossa sede que eu já tive a oportunidade de visitar todas as pessoas espetaculares com formações ótimas, com uma experiência internacional muito gira, se tu pudeste estar ali com eles e eles te deram uma hora do teu tempo, uma hora que vale se calhar 200 euros, 500 euros em alguns casos uma hora, e eles estão-te a dar aquela hora, quer dizer, não tem preço ao fim de um mês saíste lá, um aluno com outros horizontes, não é?
25:20 portanto acho que a ideia é ótima e acho que devia ser universalizada e acho que é mais por aí, como tu disseste, acho que tem que ser uma coisa que venha da vontade do aluno ou do candidato, não é? A futuro, mais do que se calhar as faculdades empurrarem esse tipo de conhecimento e de vontade, porque se a pessoa não tiver resposta não se chega lá. Olha, tu agora és uma empreendedora e tu escolheste o coaching para o teu projeto de consumo. A minha primeira pergunta é, porquê que tu sentiste esse drive de sair do mundo corporativo e seguir-se um caminho mais solitário?
25:59 Quando é que isso aconteceu e pronto, os dois primeiros passos, qual foi aquele ruído interno mental que te fez fazer este shift, que deve ser, eu acho que é giro saber essa parte da história. É, olha, sabes quando eu escrevi a minha história, porque eu já escrevi a minha história para, eu escrevi a minha história para também mostrá-la, e quando eu comecei a escrever a minha história eu tive tantos insights e foi tão engraçado.
26:23 É mais difícil escrever a história do que se pensa. Pronto, agora, recorda-te, eu comecei em consultoria, como já disse, e depois passei para o cliente. Eu comecei consultoria, onde eu queria muito começar a minha carreira, pela experiência, pela vasta experiência de lidar com muitas empresas, pelo contato com a área comercial, que era uma coisa que me incomodava imenso ok? E depois passei para a área do cliente, que também queria muito. Na área do cliente me mantive durante cerca de 15 anos da minha vida mas havia outro sonho que sempre tive, que é o trabalhar um dia para mim e tentar e experienciar isso desafiar-me literalmente não quis fazer muito isso, percebes?
27:13 acho que às tantas é deixar fluir e deixar ver se realmente faz sentido em todas as fases da tua vida dá dois anos para cá mentira, vou te dizer mais dá três anos para cá há dois anos e meio eu comecei a sentir que eu não ia com aquela felicidade para o trabalho que eu iria todos os dias. muito grata por aquilo que tenho e não sou mais do que as outras pessoas é a minha forma de estar, eu agradeço aquilo que tenho todos os dias e sou feliz naquilo que tenho, então também sou feliz no trabalho, também sou feliz a fazer aquilo que faço. Quando eu comecei a sentir que acordava e não estava feliz a ir para o local de trabalho e que não tinha a ver com o local de trabalho quando comecei a perceber que afinal não era o local de trabalho e não eram os outros que estavam a ter a culpa, era eu que estava a acontecer alguma coisa comigo, comecei a perceber que estava na altura de começar a pensar em mudar.
28:22 tem seis anos, o Vicente tem dez e na altura eram bastante mais novos. De qualquer das maneiras, também era super desconfortável uma decisão naquela fase da vida, não é? Depois dos 40, todas as decisões às vezes são mais desconfortáveis, começas a pensar de outra maneira. Agora, eventualmente, também o era agora ou não era nunca. O coaching foi uma coisa que sempre foi, é uma, devo muito à Nestlé, deixem-me dizer-te.
28:46 Comecei a ter formação em coaching passado pouco tempo de ter entrado na Nestlé. Como sou certificada em coaching dentro da Nestlé, também comecei a ser coach dentro da Nestlé. Esta experiência que eu ia tendo enquanto coach na Nestlé fez-me cada vez mais gostar daquela profissão, daquela área. Eu fazia também, paralelo à minha função, fazia parte da equipa dos cursos humanos, havia alguns coaches internos que acompanhavam outros cobradores.
29:15 Sempre aliado à performance, sempre aliado à performance e à avaliação de 360, naquela de devolução dos dados de 360 e fazer um pequeno acompanhamento aliado à avaliação de 360, mas era uma paixão, tornou-se uma paixão para mim. Depois comecei a ter alguns feedbacks de pessoas a dizerem assim, olha que gostavam que eu fazia bem, ou até achavam que eu comecei a gostar muito e depois houve uma altura em que eu vi uma pós-graduação em coaching psicológico na Faculdade de Psicologia de Lisboa eu sou psicóloga de formação eu acredito muito, pronto, perdoem-me todos os restantes coaches, mas eu acredito muito nas bases da psicologia e acredito muito naquilo que está investigado, que é científico.
30:07 E, portanto, o coaching psicológico, para mim, fazia-me toda a diferença. De fato, despertou de uma maneira que eu pensei assim, isto é para mim, eu vou me inscrever. E, olha, quem detém, inscreve-me e comecei a fazer o curso. Antes de, neste período, entre o inscrever-me e começar a fazer o curso, foi ao tempo em que eu tomei a decisão de sair da Nestlé. Ok. Talvez das decisões mais difíceis em tempos profissionais que eu vivo até hoje.
30:38 Muito bem. E, ao longo desse período, e óbvio que no início, seguramente, tinhas uma ideia sobre o que é que ia ser o coaching psicológico, durante o curso outra ideia, agora tens outra ideia que amadureceste isso e começaste a exercer. Em termos gerais, como é que tu ajudas o teu cliente hoje em dia? Olha, eu durante o curso fui coachee o tempo todo. Fui coachee e coach o tempo todo.
31:03 É uma verdadeira experiência de mudança. Na Nestlé eu também já tinha fui coachee e coach o tempo todo é uma verdadeira experiência de mudança na Nestlé eu também já conheci coachee e coach a experiência de mudança é muito grande e olha e eu vou te dizer se eu pudesse aconselhar todas as pessoas não querendo puxar a base da sardinha porque não tem nada a ver com puxar a base da sardinha porque como te digo, eu também sou coachee ainda hoje é espetacular é espetacular passar por este processo de transformação identificar o potencial que existe em nós como é que eu faço as minhas como é que eu faço o meu trabalho eu sou psicóloga e portanto tudo aquilo que eu faço está certificado também, tem certificação em hipot tem certificação em coaching psicológico e aquilo que eu faço com os meus coaches é ajudá-los nesses processos de mudança sempre com esta base da teoria da psicologia, porque o coaching psicológico para quem não sabe, é uma especialidade avançada da psicologia e portanto as teorias que nós usamos durante o processo portanto, as teorias que nós usamos durante o processo de coaching são muitas teorias que nós usamos, aliás, são claramente as teorias que estão na base da psicologia.
32:14 Portanto, cada psicólogo coach tem algo, tem alguma abordagem específica, ou seja, uma abordagem singular, mas existem uma base, uma linhagem, ok, e transversal a todos nós. Depois, estamos todos ligados à ordem dos psicólogos, e é uma entidade, acima de tudo, que é uma atividade regulada. Isso para mim é muito importante. Descobri que tenho mais ética do que eu imaginava que tinha. As outras profissões, ou seja, o coaching do ICF também, obviamente, tem um código de ética, está bem? Não estou a dizer que não mas eu gosto do nosso código de ética e então olha, abracei e estou a abraçar este desafio de uma forma muito engraçada que é, tenho descoberto tanto tanto de mim e até podia dizer que tenho descoberto muito de mim na questão do Covid mas não, eu tenho descoberto muito de mim porque me põe a jeito.
33:07 O Covid também é só mais uma função, é mais um fator de descoberta. Tenho estado muito na zona de desconforto. Tenho conhecido algumas capacidades em mim que desconhecia, porque nunca estive fora de uma empresa. Ou seja, eu sempre estive fora de uma empresa, ou seja, eu sempre estive ligada a uma entidade patronal. É como eu costumo dizer às vezes, tu às vezes para saber nadar tens que te afastar um bocadinho da margem, que queres entrar em mar alto, afasta-te um bocadinho da margem e percebes se sabes nadar ou não.
33:40 E neste momento é como eu me sinto, estou em Maral, estou a descobrir oportunidades de trabalho, adoro formação e não te vou mentir, tenho muitas saudades de estar com muita gente todos os dias, tenho muitas saudades da minha equipa de trabalho, porque temos um ambiente excepcional. Agora, é um mundo, portanto, é mais, neste momento sinto-me mais isolada, ou seja, menos este contacto com a equipe a trabalho, mas o contacto com pessoas é diário, portanto, pronto, é a ter, nós normalmente temos supervisão, temos sessões de supervisão e de intervisão, intervisão entre colegas supervisão com professores, também para garantir que as nossas técnicas de trabalho estão validadas e são aquelas que nós devemos utilizar com os nossos coaches.
34:41 Os meus coaches, eu já coloquei alguns dos muitos no meu Instagram, mas olha, eu acredito que estejam satisfeitos. Temos uma relação de confiança, é a base de qualquer processo de coaching, está bem? Temos uma relação confidencial, uma relação de confiança e, acima de tudo, muito orientada para aquilo que são os resultados deles, está bem? Eles gostam eu trabalho muito a componente biológica em primeiro lugar, ou seja, imagina numa pirâmide tu tens três componentes essenciais de trabalho para mim são fundamentais que é o sono, a alimentação e o exercício físico exercício físico, eu coloco aqui atividade física, pois exercício físico às vezes pode ser demasiado, algumas pessoas não gostam mesmo mas uma atividade física que seja um caminhar às vezes uma yoga, um pilates, o que as pessoas conseguirem fazer, mas que se mexam uma dança, que se mexam e que gostem eu trabalho muito isto, sono, alimentação exercício físico na base de qualquer trabalho que eu faça com os meus coaches e basicamente eu posso falar muito mais e exercício físico na base de qualquer trabalho que eu faça com os meus coaches.
35:48 E basicamente, posso falar muito mais. Eu ia-te fazer aqui uma pergunta, se puder, um bocadinho intermédia, que é para laicos como nós, a maior parte das pessoas que estão aqui a assistir, não somos psicólogos, como é que tu distinguirias a psicologia tradicional, não sei se lhe vou chamar análise, não sei se faz sentido ou não, e o coaching? Eu acho que muita gente tem ideia, se calhar é a minha, se eu tivesse que descrever o coaching era, se for dado por um psicólogo, é a psicologia se calhar constróide, temos um prazo mais curto, temos, não tanto, se calhar a tua prioridade é mais a performance da pessoa, ou tentar atingir um determinado objetivo, ferramentas que atalham um bocadinho mais.
36:29 Mas diz-me tu, por favor, como é que tu distingues a psicologia tradicional, vá lá, analítica, típica, tipo, eu estou com um problema, quero falar com um psicólogo, de uma pessoa que procura um coach como tu, por exemplo. Olha, um psicólogo coach é antes de ser coach um psicólogo. Elas não estão muito separadas. Elas estão ligadas. Ok? Pronto. Obviamente nós estamos muito mais focados na prática do coaching para situações que vêm do presente para o futuro.
36:58 Ok? Presente e futuro. Não passado como é, por exemplo, uma psicoterapia. Está bem? Ou aliado a qualquer doença mental. Claro, para a psicoterapia também tu vai ajudar. No doença mental tu não trabalhas com coaching, não é? Pronto. Podes trabalhar em paralelo, coaching para uma situação, ok? E psicoterapia para outra. Isso pode ser feito em paralelo, está bem? Um psicólogo que tem esta vantagem, que é, tu és psicóloga antes de mais.
37:21 Portanto, tu sabes diferenciar aquilo que é expectável para a psicoterapia, aquilo que é expectável para coaching e obviamente no coaching tu centras-te muito mais em resultados mais rápidos, como é óbvio, tudo aquilo que acontece em coaching psicológico tem resultados mais rápidos do que uma psicoterapia se vamos falar de uma curta duração mas eventualmente imagina podemos estar a falar de 6 meses podemos estar a falar de mais, podemos estar a falar de 12 sessões podemos estar a falar de 24 sessões, podemos estar a falar de 24 sessões, depende daquilo que for o objetivo da pessoa.
37:50 Há objetivos que precisam de mais espaço e de mais tempo, entre sessões, por exemplo, podem não ser semanais, podem ser quinzenais, podem ser três em três semanas, mas o que interessa aqui é que os objetivos sejam de facto e se coibas a grande daquele período de tempo. É sempre centrado no presente e no futuro. Eventualmente podemos ir buscar alguma coisa ao passado, apenas por uma questão de perceber o que é que está por trás.
38:16 Mas o nosso foco é muito centrado naquilo que é o presente e no futuro, com objetivos que a pessoa delineia. Vemos que as pessoas que estão com o corpo, sentam a necessidade de mudar, quer dizer venham a ruminar essa ideia já de algum tempo como é que as pessoas se ajudam antes de chegar ao coach qual é a tua opinião sobre os livros da tua ajuda e os conselhos, se calhar, mais avulsos que as pessoas vão apanhando na internet ou no ginásio, às vezes toda a gente tem uma opinião sobre como é que se pode mudar a vida de um amigo como é que diz isso? toda a gente tem uma opinião sobre como é que se pode mudar a vida de um amigo. Como é que diz isso?
38:47 Não faz mal ter uma opinião. Essa é parte social, não é? Aliás, quando tens algum problema, imagina-te, certeza que vais falar com um amigo sobre isso. Olha, mas sabes, às vezes não precisas ouvir a opinião do amigo, basta desabafares com o amigo e já percebes uma série de coisas porque ouves-te a falar porque desabafas aligeiras um bocadinho a dor e às vezes até consegues superar essa dor com maior facilidade um coach não te dá conceitos não é?
39:20 um coach ouve-te e um coach ajuda-te a potenciar aquilo que já está dentro de ti. Na realidade, a fazer-te ouvir. Ou seja, um coach ajuda-te a chegar lá com os teus próprios meios. Portanto, é quase um instrumento. Um instrumento sou eu. As pessoas às vezes perguntam, mas que tem a que em casa é que usa? É o quê? É a roda da vida? A roda dos valores?
39:45 Sim, também uso isso se for necessário, mas o instrumento, eu vou ser o instrumento do princípio ao fim, sou eu que vou questionar sou eu que vou desafiar, ok? É comigo que vai conversar é comigo que vai escrever é comigo que vai mudar e vai experienciar algumas coisas que até hoje não experienciou, portanto eu sou o instrumento portanto, eu sou instrumento. Portanto, aqui não faz mal as pessoas que cada vez mais têm acesso à informação, percebes? Portanto, é difícil dizer, para não consultarem livros de autoajuda. As pessoas querem ferramentas para as ajudar a chegar lá. E não faz mal comprar livros de autoajuda e consultarem em termos na internet ou de falarem com amigos, percebes?
40:29 Só que há situações que não se resolvem assim. Há situações que as pessoas desconhecem em si próprias, porque acham que é outra coisa, mas afinal não é outra coisa, é outra. Acontece muitas vezes, no processo de coaching, que tu começas por definir, imagina, dois objetivos e chegas a meio do processo e redefines os objetivos. Ou redefines porque já não são só aqueles ou redefines porque afinal são outros, não são aqueles.
40:54 Os outros é questão de bloquear aqueles, percebes? Portanto, assim, é uma história de… acontece tanto, acontece muito. E, portanto, lá está, para te responder, não faz mal que isso assim seja, desde que as pessoas, às vezes é preciso, sabes, nós pagamos um personal trainer para mudar porque queremos ficar em forma, não é? Vamos almoçar e vamos jantar fora porque queremos, ok, agora então, agora já não vamos tanto, mas em tempos normais vamos almoçar e vamos jantar fora.
41:26 Vamos comprar uma peça de roupa, vamos… Então, qual é que é o tempo e o investimento que nós fazemos naquilo que é a base, que é a saúde mental? Não é? Porque, pára, uma pessoa, não necessariamente uma pessoa mais gordinha tem menos saúde do que uma pessoa mais magrinha. E vice-versa, não é? Mas lá está, mas uma pessoa com problemas de saúde mental, neste caso com algum problema que esteja na base da sua saúde mental, sei lá, com alguma crença limitadora, com medos, tantos medos que às vezes nos impedem de chegar onde quer que seja, aquele sentimento de que não sou capaz, e tantas outras coisas que podem estar na base e que não nos ajudam, se calhar, a ter uma qualidade de vida.
42:12 Repara, não é? Qualidade de vida não é só física, é muito mais do que física. Olha, e as pessoas que resistem, às vezes é evidente que precisam de ajuda, mas por uma questão de ego, de orgulho, às vezes por falta de, lá está o horizonte, é demasiado curto e resistem muito. Eu não preciso de ajuda, eu desenrasco-me, está tudo bem assim. E às vezes isto acontece até dentro dos casais, às vezes alguém que identifica, olha, estou a ver aí uma crença autolimitante, afeta imenso a tua vida, afeta-te todos os dias, eu vejo isso de caras mas a outra pessoa diz, não, eu acho que preciso de ajuda vocês falam nisso, no vosso curso como é que se desbloqueia uma situação destas?
42:53 como é que a gente faz uma pessoa ver às vezes que se calhar não era mau comprar as 4 sessões de coaching se gostas tens alguma dica que a gente possa espalhar? quando conhecemos alguém que precise Olha aqui nada acontece com pressão, portanto imagina quando uma pessoa vai à procura e vai experimentar já está com vontade de mudar Agora, quando uma pessoa não está à procura e não quer, é perda de tempo até para o próprio coach, não é? Porque, repara, eu não faço nada com ninguém se a pessoa não estiver disposta a... porque na realidade o trabalho, 100% do trabalho da mudança, ok, isto é uma parceria entre mim e o coach mas se a pessoa não estiver disposta a mudar a experimentar, a fazer é muito difícil fazermos alguma coisa portanto, se conhecemos alguém que precisa, eu acho que temos que começar a falar dos benefícios, não é?
43:54 Eu falei, vou-me colocar aqui no papel de uma amiga agora vou-me colocar fora do papel de profissional, que é mais fácil eu acho que nessa experiência para ver se resulta, o que é mais fácil eu acho que essa é uma experiência para ver se resulta o que acontece ou seja imagina que gostas vai lá experimenta fala com a pessoa se querias empatia muitas vezes aqui também esta na base de tudo está uma relação não é então a relação constrói-se às vezes as pessoas podem ter empatia com o coach ou com o psicólogo não é pode acontecer não conseguem se isso acontecer também não vai acontecer nada daí para frente porque não há confiança não há abertura percebes não fica fica por ali mas se eu nunca experimentar se eu nunca for lá porque nunca vou saber não é? Como tudo na vida, não é? Claro, eu acho que sim Olha, tu só aprendes a andar de bicicleta quando tu experimentas É verdade É verdade Senão nunca sabes se gostavas ou não achas giro, mas nunca experimentaste porque tens medo de cair ou porque não te faz falta, não é?
45:02 Já vamos também falar um pouquinho de bicicletas também por causa do teu marido, que vai ser uma parte gira da nossa conversa. Olha, Susana, tu tens um nicho, em particular no teu coaching, ou pelo menos uma parte da tua marca, é a liderança sem culpas. E até tens um, vá lá, tens um supimento para mulheres, que eu percebo que às vezes possam estar um bocadinho menos receptivas e, port portanto tu gaste uma mensagem muito cheia à volta disto.
45:29 Porquê a liderança sem culpas? Como é que te lembraste disto? Era uma dor que tu tinhas do passado? Geralmente isto tem uma géneros interessante, estas escolhas. Exatamente. Sabes, não é? Ou seja, normalmente o nosso avatar somos nós, não é? Normalmente o nosso avatar é o público-alvo, para quem não sabe, não é? Porque o avatar somos nós, a dor, a liderança sem culpas. fui eu a que pensei, ok, o que é que me está a impedir, o que é que me está a fazer sentir culpada?
46:12 Porquê que eu me sinto culpada enquanto mãe, enquanto mulher, enquanto profissional? Enquanto pessoa? Porque depois tudo interfere, não é? E também sou filha, não é? Portanto, imagina, nestas cinco dimensões, o que é que me faz sentir culpada? Então percebi que claro, obviamente o meu avatar são claramente as pessoas que tal como eu são profissionais, querem construir uma carreira querem construir uma carreira, não é só uma carreira é uma carreira de sucesso são mães são mulheres, são pessoas e querem ser felizes nas dimensões todas e a minha pergunta é e porquê não?
46:46 O que é que nos impede de ser ser felizes nas dimensões todas e a minha pergunta é e porquê não? Ok? O que é que nos impede de sermos felizes em todas estas esferas da nossa vida? Ok? E porquê que nos temos a sentir culpadas porque há uma semana em que tínhamos tanto trabalho, tanto trabalho, tanto trabalho pedimos tão pouco tempo para a família mas há outra semana em que vamos compensar?
47:00 E porquê que nos sentimos culpadas? Porque gostávamos de estar mais tempo com os nossos filhos. Ok, então vamos estar mais tempo com os nossos filhos quando consegu de estar mais tempo com os nossos filhos. Ok, então vamos estar mais tempo com os nossos filhos. Quando conseguimos estar mais tempo com os nossos filhos? E quando não conseguimos? Tudo bem, porque também temos de trabalhar e por isso também somos felizes enquanto trabalhadoras.
47:14 E portanto, isto é tirar o melhor de todos os mundos, a liderança. Começa em nós, percebes Nuno? E então, nós falamos, a liderança é um termo que abrange muita coisa, não é? É um palavrão grande onde cabe muito lá dentro, liderança é muita coisa, mas começa no próprio, eu tenho que saber liderar a minha vida e se eu souber liderar a minha vida, tudo o resto também é pura creche, não é?
47:39 e portanto eu tenho que saber desenvolver-me eu tenho que saber crescer, eu tenho que saber estar com-me, eu tenho que saber crescer, eu tenho que saber estar com os outros, eu tenho que saber falhar, eu tenho que aceitar e, portanto, eu tenho que andar para a frente. E isto é uma... Olha, como dizia o meu marido, e já vamos falar sobre ele, a vida é uma roda de capoeira, já ouvi-te falar isto. A vida é uma roda de capoeira. Nós nunca estamos lá em cima, nunca estamos cá em baixo, nós estamos sempre assim. E é neste circuitda de capoeira. Nós nunca estamos lá em cima, nunca estamos cá em baixo.
48:05 Nós estamos sempre assim. E é neste circuito que nós aprendemos. Muito bem. Parece simples, mas é super complexo. Quando tu vais a ver a quantidade de dimensões que tu tens. Eu uso um bocadinho uma imagem que eu aprendi também no livro da Autorjuda, chamado First Things First, do Carver. E ele ensina-nos a dividir a nossa vida em papéis, não é? Eu sou pai, eu sou filho, eu sou gestor, eu sou atleta, eu sou gestor, e ensina-nos a fazer a nossa metatudo no domingo anterior, para a semana inteira, para cada um daqueles papéis, para ter como pai quais são as minhas tarefas durante esta semana, onde é que eu os vou colocar.
48:43 para cada um daqueles papéis, para ter como pai quais são as minhas tarefas durante esta semana, onde é que eu os vou colocar. E, portanto, não nos deixarmos, não nos esquecermos realmente desses nossos papéis e, obviamente, torná-los prioritários, não é? Porque, se para a gente não apagar focos a semana toda e responder ao e-mail e nada daquilo é efetivamente o nosso papel, entramos num modo reativo e, portanto, deixamos cair um conjunto de coisas importantes para responder a coisas urgentes e necessariamente importantes e, port portanto eu sei que esta distinção é complexa.
49:08 E isto aconteceu numa altura super difícil, quando eu estava no Brasil, imigrado, longe da família, e foi precioso conseguir encontrar esse insight e começar a trabalhar nele. Mas às vezes é super difícil, às vezes passar esta mensagem, mas ainda em pouco tempo, e para quem não seja um profissional, então eu diria que é quase impossível, portanto, é todo, é conciliável procurar um profissional que nos possa ajudar e guiar, às vezes há pessoas que precisam se calhar só de um toquezinho, há pessoas que precisam de mais tempo e de montar algumas barreiras.
49:45 Eu ia te perguntar, falaste em coisas muito importantes, a questão da alimentação, da atividade física, do descanso, que tipo de outros conselhos práticos é que nós podemos dar a uma pessoa para começar a entrar, se calhar, num caminho mais harmonioso e sustentável, se não estiver já nesse caminho? e ser mais goloso e sustentável se não estiver já nesse caminho. Olha, respeitar-se a si própria e o gostar de si, eu gosto da palavra autocuidado e autoestima.
50:18 Eu gosto muito destas palavras, e autocompaixão. Então é assim, porquê que nós não celebramos mais os nossos sucessos? Nós queremos um resultado final, mas até o resultado final chegar celebramos mais os nossos sucessos? Nós queremos um resultado final, mas até o resultado final chegar nós temos pequenos sucessos. E o que nos move para o resultado final são exatamente estes pequenos sucessos que nos motivam. Se fosse só um resultado final, nós provavelmente desmotivaríamos a meio do caminho.
50:40 Imagina há um ano, estás a ver, imagina a meio do caminho, não conseguia ter pequenos sucessos, de um momento eu ia desmotivar.ia ter pequenos sucessos normalmente eu ia desmotivar estes pequenos sucessos, a minha pergunta é quantas vezes é que nós os celebramos? Celebrar é agradecer e agradecer porque nós conseguimos mais alguma coisa, ou seja olhamos para dentro e pensamos, pá, eu consegui eu estou a conseguir aos poucos coisas que são pequenas mas que são tão significativas para mim e às vezes isto acontece semanalmente às vezes acontece diariamente e me perguntei, e porquê nós não celebramos isto?
51:12 é celebrar aí o jantar fora ou passar umas férias? Não, comprar alguma coisa seja o que for seja o que for que nos dê prazer, mas vamos celebrar nem que seja brindar, brindar a nós próprios no final de um dia porque não? é jantar o dia agradável, port final de um dia. Porque não? É um hotel agradável. Portanto, sim, para mim isto é um dos conselhos que eu dou, as pessoas celebrem mais.
51:33 Depois, conectarem-se mais com elas próprias, ter o me time. Eu gosto muito do me time e falo muito nisso aos meus coachees. Qual é que é o me time que têm para si? Quantas vezes está consigo próprio? Eu fazia aquilo que lhe ap consigo próprio? Eu fazer aquilo que lhe apetece durante o tempo que lhe apetece durante o dia, ou seja, tem 5 minutos para estar consigo próprio, então o que é que vai fazer durante esses 5 minutos?
51:52 Idealmente mais tempo, não é? Idealmente mais tempo. Em meia hora que tenha durante o dia inteiro, ok, o dia inteiro antes de ir para a cama, o que é que vai fazer para si? Por si, é 30 minutos que seja por dia, para fazer só aquilo que lhe apetece. Isto são pequenas pequenas segredos, às vezes isto significa ter mais amor próprio. Nós somos mais importantes, nós somos mais importantes, porque se nós estivermos bem connosco, se estivermos bem com todos os restantes, com todas as restantes esferas da nossa vida e as pessoas também que estão à nossa volta às vezes o parar para respirar o inspirar e o inspirar profundamente quantas vezes nós não precisamos de fazer isto levantarmos um bocadinho inspirar e inspirar profundamente um tempo às vezes para meditar seja pequeno, 5 minutos por dia de meditação, seja conexão, um caminhar lá fora é tão importante isto, um ler um livro um pintar, olha, eu não sei pintar e conheço uma pessoa que também não sabe, diz que não tem muito jeito para pintar, mas que está neste momento a pintar é parte criativa, não é?
53:01 que nos faz às vezes voar um bocadinho sonhar um bocadinho, deitar cá para fora é tão importante o ler como já te disse pois claro eu diria exercício físico, mas pronto eu agora sou suspeita, nem toda a gente gosta de exercício físico mas seja o que for, nem que seja ir à rua, fazer uma caminhadazinha andar mais a pé, 30 minutos por dia porque não? É tão importante isto, sabes?
53:29 Pronto. E isto são alguns conselhos que eu dou. O não o ver em televisão uma hora antes de irem para a cama. O não ligarem telemóveis, ecrãs, uma hora antes de irem para a cama. Desligarem os ecrãs. Porquê? Porque o sono vai refletir-se e vai ter muito mais qualidade. Nessa hora, antes deê para a cama, desligarem os ecrãs. Porquê? Porque o sono vai refletir-se e vai ter muito mais qualidade.
53:48 Nessa hora nos dê para a cama, façam-nos apreciar. Ler, ver um copo vinho enquanto ouvem música, qualquer coisa. Então é tão melhor do que ver mais uma série. E depois ao fim de semana vêm as séries todas, e a sexta-feira e não está tudo bem. Mas isto, esta desconexão com ecrãs, com trabalho. Então agora estamos em teletrabalho, imagina o dia todo, não é? As pessoas estão o dia todo em teletrabalho.
54:16 Mas é alguma coisa para desconectarem do mundo? Estarem mais com elas próprias. É tão importante. Exatamente. Olha, nós já nos tínhamos cruzado antes de eu saber que tu tinhas casado com um amigo meu, porque na Nestlé tivemos uma vez uma reunião, mas ficámos amigos porque eu sou colega do teu marido, originalmente no Jiu Jitsuitsu ele é um atleta feroz, é importante dizer isso, ele limpava-nos aqui no Ruele limpava-nos aqui no Ruele e temos aqui vamos aqui falar de um homem que é vegetariano, a gente olha para ele, ah ele comeu umas ervinhas, vai estar fraquinho não, ele é tipo, ele é feroz mas mais recentemente, ele é um mentor de toda a gente que está à volta, pronto, olha para o teu marido como um exemplo, uma pessoa super coelhada, muito amigo do seu amigo e portanto, quando nos desafia para fazer uma coisa, nós vamos, porque o seu pequenhor é tão valioso que nós vamos e fazemos e portanto ele introduziu uma série de pessoas que eu saiba, as 10 pessoas ao triatlo, por exemplo.
55:22 série de pessoas que eu saiba, das 10 pessoas ao triatlo, por exemplo. E isto aqui é um tipo de esporte mais complexo, não é? E que leva muitas horas. E a minha pergunta para ti, enquanto mulher de um triatleta, é um bocadinho esta. Como é que tu lides com a quantidade de horas e a quantidade de bicicletas que ele tem na garagem? Como é que tu vês isso?
55:41 E o que se traça à fronteira? Quer dizer, o que é que é exagerado? Se já sentiste alguma vez essa fronteira aproximar-se? Gostava de ver isso, não para mim, mas para vários amigos meus que têm o mesmo problema. Ok. Olha, eu sou mãe do desporto. Ou seja, imagina, eu consigo perceber exatamente o que é que se sente quando se quer muito fazer desporto. O que é que se sente quando se quer muito fazer desporto, o que é que se sente quando não se faz desporto e como é que nós chegamos a casa depois de fazer o que é que seja intenso.
56:16 Portanto, eu consigo perceber isso. Olha, às vezes é desafiante, não é sempre, do ponto de vista de um acompanhante, de um triatleta, é desafiante, não é sempre do ponto de vista de um acompanhante de um triatleta é desafiante porquê? Porque o exercício físico neste caso federado e não federado leva uma grande diferença porque o não federado fazes, vais fazendo, ok fazes, percebes, fazes porque sentes benefícios e realmente e sentes essa necessidade.
56:47 Um desporto federado exige disciplina, exige muito empenho, muito esforço, às vezes para além daquilo que nós pensamos ser capazes. Mas eu também acredito que é exatamente isso que faz a diferença e que faz com que as pessoas queiram ser federadas e queiram cada vez mais este tipo de esportes. Que é o superarem aquilo que acham que são capazes de fazer. É um superar de objetivos, um superar de capacidades.
57:13 Um verem que são capazes de muito mais. Isto aliado a outras coisas é uma arma muito poderosa, ou seja, acaba por ser um grande aliado. O que é que é fundamental? Aqui mais uma vez o descanso, não é? uma arma muito poderosa, ou seja, acaba por ser um grande aliado. O que é que é fundamental? Aqui mais uma vez o descanso, não é? Pronto. E pronto, neste caso, sabes, o Bruno, o meu marido, portanto, ele faz desporto muito cedo, ele treina muito cedo.
57:37 Ou então à noite, portanto, é depois dos miúdos irem para a cama ou então antes dos miúdos acordarem. Pode ser às 5 da manhã, às 6 da manhã, como pode ser às 9, 10 da noite. Ok? Pronto. Daí para a frente. Tudo se faz quando nós vivemos muito bem a nossa agenda e quando nós temos aqui uma escala. Eu gosto da palavra escala, sabes? Porque é uma escala de casal. Olha, eu quando fui mãe eu não me dediquei do desporto, obviamente.
58:04 Faz parte da minha vida, portanto é intrínseco, e portanto eu acordava às seis e meia da manhã e havia dias em que eu tinha escalas, eu levava a criança à escola havia dias em que eu não tinha escalas e eram os meus dias e a treinar portanto aqui para, aqui como mulher de triatleta aquilo que eu acho que é importante é eu acho que é muito importante acompanhar e ajudar, percebes?
58:30 E tudo é fácil a partir do momento em que nós compreendemos e que nós ajudamos. É um grande sacrifício, está bem? Ou seja, alguém vai estar em backup quando outra pessoa está a treinar duas, três horas, está bem? É normal. Alguém vai estar com as crianças, alguém vai estar a organizar coisas, a preparar coisas. Obviamente. Mas quando é ao contrário, eu também sinto o mesmo. Está bem.
58:52 Ou seja, quando eu também preciso, e eu preciso, não é? Também é bom. Acho que tudo se faz. É como tudo na vida. Acho que tudo se faz. Eu não quero que você esteja exagerado. Quando ele está a preparar uma prova longa, treina, sei lá, 15, 20 horas, 25 horas por semana, nunca se acha exagerado, mesmo que seja às 5 da manhã e o Bruno é, se for às 4 e meia, às 4 e meia, ele está lá à hora, com as luzinhas ligadas e arrancamos.
59:16 Mas nunca se acha exagerado, nunca te preocupou, não sei, às vezes pode sentir, pá, caramba, isto é uma porção importante da semana e ou ele anda cansado ou se calhar pedimos fazer isto ou aquilo e ele não consegue porque está estafado. Então, sei, já senti isso. Sim, olha, já senti, já senti tanto que fiz uma sessão de coaching e enquanto coachei só para trabalhar isso. Ah, que fixe, sim.
59:39 Como é que foi? Tinha solução? Tinha, tive um insight. solução? Tinha, tive um insight. Eu tive um insight, sabes? Porque na realidade o triatlo não é sempre lá em cima, vocês treinam em zona baixa, então vocês treinam, às vezes conseguem treinar numa frequência que é aceitável e escuridão para o tempo de treino e portanto o conceito de saúde aqui também está muito na base daquilo que é o desporto é um desporto que é acompanhado por profissionais e a saúde aqui também está muito na base se me perguntaste se eu me preocupo com o dia da prova, me preocupo muitíssimo muitíssimo, porque o dia da prova é uma violência é uma natação, é uma bicicleta é uma corrida, então a corrida que é a última parte, acho que já nem ninguém deve ter coragem de desistir, e isso, desistir deve ser mesmo uma frustração, porque realmente é uma baratona. a preparação para lá não, já tive mais longe de achar que era uma incongruência percebes que era um desporto super e já pensei que era um desporto super difícil não, eu acho que hoje é um desporto que está muito na moda acho que é preciso aqui perceber se eu estou neste esporte porque eu quero muito ou porque está na moda porque vou estar a dar muito de mim agora, eu acho que é aliás, o Bruno não é a única pessoa à minha volta que eu tenho uma colega da Pós-Gestão de Coutos que também está no triatlo é uma admiração É uma admiração, e vou dizer, é uma admiração.
1:01:27 É uma admiração, portanto, é o que eu tenho para dizer. E o espaço que ele ocupa na garagem, com a esteira, com as bicicletas, o equipamento todo, como é que achas disso? Seja, já em um segundo. Bom, o que mais eu ocupo na garagem são os carros. Não, não, porque olha, as bicicletas conseguem ficar penduradas na parede, não é? Os carros não. A passadeira realmente também não consegue ficar pendurada na parede, ok.
1:01:56 Mas a passadeira tem uma vantagem para quem gosta de esporte, é que eu também uso. Portanto, não, não. Agora, se perguntar, se gasta muito dinheiro em equipamento triátil, é pronto, é mesmo, é assim uma coisa, sem dúvida. Mas pronto, agora é um investimento num desporto que se ama. Há pessoas que compram carros, mudam o carro todos os dias, há pessoas que têm muita paixão por relógios, mudam relógios e compram relógios quantas vezes por ano, e há outros que têm desporto, têm paixão por um desporto, why not?
1:02:31 Sabe o que eu costumo dizer, nós somos de uma geração, eu tenho 44 anos, o Bruno anda por aí, e muitos colegas nossos têm uma idade assim muito parecida, e eu costumo dizer que isto é uma crise de uma idade, não é? Alguns de nós fazem triatlo, outros arranjam uma amante, outros compram um Porsche, outros arranjam outra destinação qualquer, portanto esta se calhar é a mais saudável destas todas que eu falei e pronto, o dinheiro às vezes também não é preciso ser de nenhuma fortuna, não precisamos ter todos os bicicletas a topo de gama, não é? E podemos sempre comprar as bicicletas usadas do Bruno, que são espetaculares.
1:03:10 É verdade. Olha, Susana, muito obrigado por este bocadinho. Olha, igualmente. Foi um prazer. E pronto, olha, foi uma conversa muito agradável. Eu também não tive aqui qualquer preparação, mas eu acho que aquilo que eu sou a valorizar nestas conversas é nós falarmos sobre coisas que dão aí, sobre nós próprios, também não tive aqui qualquer preparação mas eu acho que aquilo que eu estou a valorizar nestas conversas é nós falarmos sobre coisas que dão aí, sobre nós próprios ou seja, nós próprios enquanto pessoas enquanto pessoas que erram, enquanto pessoas que vivem, não é?
1:03:36 Enquanto pessoas também que falham mas que aceitam, portanto é a nossa vida, é a vida de qualquer ser humano. Ok? E agradeço-te muito esta oportunidade. Foi espetacular e espero que possamos repetir em breve. Igualmente, estou disponível. Vamos lá. Obrigado. Um beijinho. Até breve. Um grande beijinho. Até breve. Obrigada.